segunda-feira, 16 de março de 2015

Imagens constrangedoras das manifestações de domingo

do Pragmatismo Político
Entre as motivações dos manifestantes para os protestos deste domingo estão a insatisfação com o governo federal, o pedido de impeachment da presidente e até mesmo uma intervenção militar no Brasil.
De acordo com o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor da cadeira de Ética e Filosofia Política da USP, a pregação da ditadura militar precisa ser criminalizada.
“Estamos tendo no Brasil uma tolerância, que é grande, com condutas antidemocráticas que deveriam ser tipificadas como criminosas… Pregar a volta dos militares deveria ser crime, deveria levar a pessoa para a cadeia. Vários países da Europa criminalizaram a pregação nazista. Nós – que tivemos uma ditadura militar – deveríamos criminalizar a pregação da ditadura.”
Confira algumas imagens constrangedoras das manifestações pró-impeachment e que retratam a intolerância abordada pelo filósofo Renato Janine:
Lula e Dilma enforcados
Lula e Dilma enforcados
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sábado, 14 de março de 2015

Representantes dos grupos Globo, Folha , Abril, Band e outros, envolvidos na evasão fiscal do HSBC na Suiça

Leia o informe do portal Metrópole e abaixo o comentário do jornalista Paulo Henrique Amorim:

 
Representantes dos grupos Globo, Folha, Abril, Band e Transamérica estão entre os envolvidos no esquema criminoso

Por Portal Metrópole: 

Nesta madrugada, foi divulgada a lista com os nomes de brasileiros com contas no HSBC da Suíça, envolvidos num dos maiores esquema de evasão fiscal e de divisas já revelados no mundo. A relação traz representantes de grandes grupos de comunicação no País. Dentre eles, Folha, Globo, Abril, Bandeirantes, Verdes Mares, Rede Transamérica e outros arautos da moralidade.

O material foi divulgado após as manifestações em defesa da democracia, realizadas nesta sexta-feira por movimentos sindicais e sociais de todo o Brasil, e à véspera dos atos marcados para 15 de março, numa estratégia para tentar diminuir a repercussão do caso junto à sociedade.

A lista mais recente, divulgada pelo jornalista Fernando Rodrigues e pelo site do jornal “O Globo”, contém o nome do já falecido empresário Otávio Frias, fundador do Grupo Folha, e de seu filho, Luís Frias, um dos donos do Uol, como beneficiário de conta no paraíso fiscal.

O material também revela o nome de Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, da Globo, morta em 2011, com nada menos que US$ 750,2 mil. O material caiu como uma bomba dentro da organização que tentou desviar a atenção do caso para o ex-marido de Lily, Horácio de Carvalho, morto em 1983.
Quatro integrantes da família Saad, da Rede Bandeirantes, também mantinham contas no HSBC, em Genebra. São eles, João Jorge Saad, a empresária Maria Helena Saad Barros, Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet.

A conta de José Roberto Guzzo, colunista e membro do conselho editorial da Abril, um dos mais raivosos contra o governo e o Partido dos Trabalhadores, também foi revelada.

O apresentador do SBT, Carlos Massa, conhecido como Ratinho, manteve a bagatela de US$ 12,4 milhões nos cofres suíços.

Mona Dorf, jornalista ligada à Rádio Eldorado, tinha US$ 310 mil na conta.

Arnaldo Bloch, do extinto grupo Manchete, também foi correntista, assim como a família Dines, que, à época, manteve US$ 1,3 milhão no banco suíço.

Com US$ 120,5 milhões, Aloysio de Andrade Faria, dono da Rede Transamérica, tem a maior soma das contas. Em suas rádios críticas contra à corrupção são comuns por parte de seus jornalistas e apresentadores.

Depois dele, aparecem Yolanda Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, Paula Frota Queiroz e Edson Queiroz Filho, do grupo Verdes Mares, afiliado da Globo no Ceará, com US$ 83,9 milhões.

Ao Blog do Fernando Rodrigues, do Uol, todos eles disseram não terem cometido irregularidades. Além deles, aparece na lista Luiz Fernando Levy, que quebrou a Gazeta Mercantil, deixando dívidas tributárias e trabalhistas. Os registros indicam que 14 contas já estavam encerradas em 2007, quando os dados vazaram.

No Senado, a CPI do HSBC aguarda a indicação dos membros pelos partidos para que as investigações sobre o caso sejam iniciadas.



Por Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada:



Navalha
Quá, quá, quá !
Os donos da Fel-lha e seu “segurança”, o “repórter” investigativo do UOL, Fernando Rodrigues, montaram durante certo tempo uma fraude: não podiam divulgar o nome dos flagrados no escândalo de lavagem de dinheiro no HSBC porque o Governo não tomava a iniciativa de pegar a lista.
 
Quá, quá, quá !
 
Afinal, dizia o “repórter” investigativo do UOL, ter conta no exterior não significa nada.
 
Desde que o correntista declare no Imposto de Renda.
Deve ser muito provável que certo colonista (no ABC do C Af), da Fel-lha, membro da família Steinbruch se dê ao trabalho de depositar dinheiro num banco especialista em lavar dinheiro e, ao mesmo tempo, confessar ao Imposto de Renda (brasileiro).
 
É muito provável !!!
 
Quá, quá, quá !
 
Depois, a Fel-lha e seu implacável “repórter” investigativo identificaram ladrões envolvidos na Lava Lato e que lavavam HSBC.
 
A intenção, claro, era derrubar a Dilma.
 
Fizeram como os delegados aecistas, os procuradores fanfarrões, o Juiz de Guantánamo: aqui não se fala de tucano !
 
O UOL tinha o monopólio da lista.
 
Aí, a dona Guevara, dona da lista lá na Europa, e que mereceu generosa correspondência do Amaury Ribeiro Jr, sentiu a batata assar e entregou a lista não à Carta Capital ou à Carta Maior, mas à #globogolpista !
 
Esperta a dona Guevara…
 
Entregar à Fel-lha e ao Globo.
 
E achar que ninguém percebe …
 
Acontece que a #globogolpista também sentiu a batata assar e começou a revelar uns nomes.
A batata assava.
 
E se, de repente, o Amaury, que pertenceu à organização (?) da dona Guevara mete a mão na lista toda ?
 
Foi o que fez o Otavinho, dono da Fel-lha e chefe do “repórter” investigativo.
 
“Bem, vamos revelar alguns nomes, para não sermos definitivamente desmoralizados”, teria pensado o dramaturgo e ensaista herdeiro da Fel-lha.
 
E enterrou a notícia lá embaixo, quase caindo pra fora, na página B6 (página par, menos lida que a ímpar), numa seção de nome “Mercado”, que ninguém do Mercado ou fora dele lê.
 
E fez isso num dia de sábado, o dia da semana em que menos se lê jornal – ou o acessa na internet.
Estão lá o pai do Otavinho, o sócio do pai do Otavinho e o irmão do Otavinho, Luis Frias, que é quem manda, de fato, no UOL, que sustenta Fel-lha.
 
Mas, segundo a Fel-lha, eles nem sabiam que tinham dinheiro lá.
 
Gente desatenta, não, amigo navegante ?
 
Não sabem que tem uma graninha no HSBC da Suíça.
 
Quá, quá, quá !
 
A doce Dona Lily, viúva do Dr Roberto Marinho estava lá.
 
Assim como a família Saad, dona da Bandeirantes, que exibe no Jornal da Band e no Boris Casoy catilinas furiosas em defesa da Moral e Ética !
 
Já imaginaram se o Boris Casoy pegasse a filha da Dilma na lista do HSBC ?
 
Com aqueles finos e reveladores lábios, com o timbre de camelô de muambas “made in China”, bradar furioso: “isso é uma vergonha !”
 
(Embora o Johnny Saad tenha enfiado a faca nos peitos do prefeito Haddad, para conseguir umas “vantagens”.)
 
Isso é uma vergonha, Johnny !
 
Só tem um problema nessa “reportagem” da Fel-lha.
 
Logo na primeira linha diz que “ao menos 27 (ôba !) empresários do ramo jornalístico, além de sete (ôba !) jornalistas estão na relação”…
 
Sete jornalistas ?
 
Jornalistas ?
 
Que jornalistas têm grana suficiente para lavar dinheiro no HSBC ?
Que empresa jornalística pagaria salários tão altos para justificar essa lavagem ?
Mas, a Fel-lha não cita nenhum jornalista.
Que pena !
 
E quais são os outros empresários ?
É corporativismo da Fel-lha, poupar os amigos de jantar no Fasano ?
Ah, se o Amaury trabalhasse para o Conversa Afiada…
 
A Casa Grande caía.
 



Em tempo: o excelente repórter Chico Otávio (que sabe da vida do Imaculado Cunha (agora também no ABC do C Af), no Globo, acrescenta alguns nomes do PiG no HSBC:

- Ratinho

- Yolanda Queiroz, da TV Verdes Mares, repetidora da #globogolpista e sogra do senador tucano Tasso tenho jatinho porque posso Jereissati;

- Aloysio Faria, dono do banco Alpha (ex-dono do Real) e do grupo Rede Transamérica de rádio, com US$ 120 milhões !!!;

- José Roberto Guzzo, diretor da Abril e colonista (no ABC do C Af) furioso, direitista do gênero ISIS, no detrito de maré baixa;

(Outro colonista do gênero ISIS, no detrito sólido, um tal de “rola bosta” figura de forma exuberante, na companhia do tucaníssimo Andrea Matarazzo, na lista da Camargo Correia, divulgada pela excelente Conceição Lemes);

- Familia Dines, do Globo e da falecida Manchete;

- Fernando Luis Vieira de Mello, dono da Jovem Pan, também conhecida como “Jovem Ku Klux Pan”, que compete com a CBN, “a rádio que troca a notícia”, para ver quem verte mais ódio contra a Dilma;

- e Mona Dorf, da Ku Klux Pan.

É essa a turma (tudo a mesma sopa, diria o Mino) que vai bater panela quatro anos e perder a eleição em 2018.

Deu nisso, Otavinho: acabar na lista do Ratinho !

Quá, quá, quá !!!

Em tempo2: mas ainda falta a lista do Amaury !

Em tempo3:
esse Bessinha …


Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, 13 de março de 2015

Sem medo das palavras: é hora de definir bem os lados, por João Paulo

Sem medo das palavras

Do Brasil de Fato:
"No momento é bom deixar límpido: vivemos a luta de classes, temos esquerda e direita, pobres e ricos, verdade e mentira" 
 

Por João Paulo

Há a história dos vencedores e a dos vencidos. Entre as duas, infelizmente, parece dominar no Brasil uma certa tendência à conciliação. Mas na vida, como na política, as coisas são o que são, não o que dizem delas. O atual momento, entre outras ações inadiáveis, está convocando todos a tomar a palavra em sua expressão mais explícita e verdadeira. Como o personagem de García Márquez em “Cem anos de solidão”, talvez tenha chegado a hora de escrever o nome das coisas para que possamos reconhecê-las.
 
No Brasil, há uma direita perigosa, golpista, reacionária e que detesta não apenas a incipiente ascensão social, mas os pobres. É uma aversão essencial, um ódio que se mostra pela vontade de exterminá-los, se não do mundo, pelo menos de seu raio existencial de ação. E pobres, mesmo com a suavidade da expressão “nova classe média”, continuam existindo, não por determinação dos deuses, mas pela mão dos homens que os exploram para ser cada vez mais ricos. 
 
No país também existe preconceito racial, violência contra as mulheres, desprezo pelas minorias. Somos uma sociedade que exclui, maltrata e criminaliza a miséria. Que mata jovens pretos e pobres – e acha que isso é normal –, que defende o mérito para depois lançar mão dos privilégios, que detesta gente. A recente exacerbação da onda de raiva social tem origem em todos esses comportamentos que, antes relativamente constrangidos, agora se assumem de forma orgulhosa na boca da elite branca. O nome disso é barbárie. 
 
A defesa da desmontagem do Estado social e da distribuição de renda que vem se articulando nos últimos 12 anos é mais que uma oposição de projetos, é um esforço reativo para anular conquistas em nome de valores que definem a primazia do mercado. Assim, mesmo que com argumentos pretensamente técnicos, o que está por trás é um ataque ao emprego, ao crescimento do salário mínimo e às garantias trabalhistas. A palavra para isso é exploração. 
 
Além disso, a imprensa hegemônica brasileira é mentirosa, monopolista, induz a falsas conclusões em nome da “opinião pública” (como dizer que “os brasileiros” bateram panelas contra a presidenta, e não alguns brasileiros – e era dever da mídia se esforçar para identificá-los por padrões sociológicos e políticos para informar bem a seu leitor), dramatiza e estimula ações antidemocráticas. As palavras certas para isso são manipulação e mentira.
 
Nos momentos de tensão, é preciso deixar a tendência à conciliação de lado e se esforçar para definir bem os lados. É dessa clareza de posições que será possível, nas instâncias adequadas – a rua, o parlamento e até mesmo a Justiça – a emergência da política com seu conflituoso raio ordenador. No momento é bom deixar límpido: vivemos a luta de classes, temos esquerda e direita, pobres e ricos, verdade e mentira. 
 
E, certamente, serão as palavras, tanto quanto as ações, que definirão as manifestações que tomam conta do Brasil a partir de hoje. De um lado os ricos, direitistas, golpistas, mentirosos, preconceituosos e antidemocratas vão gritar coisas tipo “vaca”. É o padrão de sua educação política e moral. De outro, os pobres, de esquerda, defensores da dignidade humana e da democracia vão levar palavras em defesa do país, de suas instituições e do poder que emana do povo. 
 
A hora, sem medo da verdade, é de defender o mandato de Dilma Rousseff, mesmo com as contradições de seu governo. E seguir pressionando para que ele avance nas mudanças urgentes - taxação das grandes fortunas, reforma agrária, cerco ao rentismo, democratização dos meios de comunicação - e para que seja feita uma profunda reforma política no país.
 
 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Discurso anti-corrupção esconde o ódio aos governos que concedem direitos sociais aos pobres

 
 
Qualquer pessoa com um mínimo de discernimento sabe que a corrupção é só o argumento para querer um golpe. Serve a alguns incautos, ainda que em tempos de Google nem em incautos se possa acreditar mais, dado que a corrupção no Brasil é estrutural, as informações sobre isso estão a dois ou três toques no teclado, mas os indignados só a enxergam no PT.
O que está em jogo nestes dias, acho, não é a corrupção, nem a mudança dos costumes relativos à gestão da coisa pública, mas sim a manutenção do atual modelo econômico e de inserção do Brasil no cenário mundial, ou de sua derrubada.
E no caso de derrubada já sabemos o que deverá vir por ai: a reversão do moderadíssimo processo de redistribuição de renda iniciado no governo Lula, um ataque ainda mais pesado que o atual aos direitos dos trabalhadores e às políticas sociais, a retomada da agenda mais hardcore da privatização, a mudança do marco regulatório do pre-sal de modo a favorecer petroleiras estrangeiras e uma mudança acentuada na política externa, tirando o Brasil do caminho dos BRICS e da América do Sul e levando-o de volta a uma aliança preferencial com Washington.
 
Leia o artigo que afirma: o discurso anti-corrupção é só uma fachada:

Carta Maior:

Ódio ao PT?

Na história do Brasil, sempre que o salário mínimo e a renda média subiram, houve algum tipo de intento golpista. O problema da elite não é com a corrupção


reprodução
Três intelectuais de relevo trataram recentemente acerca do ódio ao PT: Leonardo Boff, Luis Fernando Veríssimo e Luiz Carlos Bresser Pereira. Suas palavras têm a lucidez de quem enxerga além das aparências e do senso comum. Embora o momento corrente não seja corriqueiro, um olhar histórico traz ensinamentos.

Na Revolução Francesa, por exemplo, na aparência havia uma ruptura lastreada em novos valores: Liberté, Egalité, Fraternité. O pano de fundo real era, entretanto, a emergência de um novo grupo. Em meio a um período econômico conturbado, a burguesia degolou o poder político e o status social da aristocracia.

No Brasil, a constatação de que a escravidão foi excessivamente longa já sinalizava que o arranjo da sociedade é deveras estamental. Políticas progressistas sempre encontraram fortes barreiras conservadoras.

Os conflitos de 1954, por exemplo, foram intensos. Na superfície, o governo estava cercado diante dos “escândalos” de corrupção. A constante oposição na imprensa desgastava Vargas. Em 1954, o então presidente aumentou o salário mínimo em 100%. Quem não é ingênuo sabe que Vargas estava contrariando interesses empresariais, tanto com a concessão de direitos trabalhistas e civis, quanto com ampliações salariais. O suicídio foi a saída honrosa ao cerco montado.

João Goulart foi presidente em um período de conflitos. Seu governo concedia elevados aumentos salariais, prometia reforma urbana, voto de analfabetos, elegibilidade de todos brasileiros, reforma agrária, concessão de terras a trabalhadores rurais, justiça social, emancipação dos brasileiros. Caiu! O receio do “golpe comunista” foi o discurso raso que justificava.

Vargas e Goulart saíram do poder ao tempo em que concediam direitos sociais, sobretudo aos menos favorecidos. Não é novidade que durante os governos do PT, os trabalhadores ampliaram sua renda, o salário mínimo cresceu de maneira contínua e houve uma série de programas sociais. Não surpreende que, mais uma vez, setores da sociedade brasileira se ergam contra tais políticas, ainda que, escamoteadamente, o bordão seja “contra a corrupção”.

Evidentemente, existem elementos factuais dos governos Lula e Dilma que causaram desconforto e indignação a todos os cidadãos. Contudo, é preciso muita inocência para imaginar que as manifestações contra o governo são incentivadas pelo descontentamento com a corrupção, pela elevação do preço do combustível ou da energia. Quem tem conhecimento histórico e compreensão profunda da sociedade não ignora a ojeriza existente a um programa que garante R$ 35,00 para os pobres. O ódio não é ao PT.

Conhecendo um pouco mais dos dados do Brasil se observa que houve dois momentos de crescimento relevante do nível dos salários: no período Getúlio Vargas - João Goulart e nos governos do Partido dos Trabalhadores. Os gráficos abaixo não apenas demonstram esses movimentos como indicam que presentemente o excedente operacional bruto caiu em relação ao produto total em detrimento do incremento nos salários. Interesses poderosos estão sendo feridos. Não apenas segmentos estão perdendo, em termos relativos, como também regiões. Será mesmo preciso pintar de azul em um mapa qual região perde mais com a solidariedade distributiva?

C:\Users\rober\Desktop\renda media do trabalho.png

C:\Users\rober\Desktop\sal minimo.png

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*Doutor em economia, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística e professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.
 
 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Dia 15 -a passeata do ódio


 

Do Portal vermelho:

Dia 15 - a passeata do ódio fascista manobrada espertamente 


Passeatas contra ou a favor de qualquer governo são fatos que devem ser encarados com absoluta tranquilidade. São mesmo fundamentais para o aprofundamento da democracia. O que não deve ser encarado como fato normal é a pregação despolitizada, de um ódio cego, de uma histeria verdadeiramente fascista que o discurso anti-Dilma assumiu e que é a marca principal da passeata do dia 15 de março.


O “mar de lama” 

Muita gente deixou-se levar pelo discurso udenista que repete, contra Lula, Dilma, o PT e a esquerda, a velha tática do “mar de lama” já usada contra Getúlio e contra Jango para pavimentar o caminho da reação. A história repete-se com os mesmos ingredientes: velhos representantes do que há de mais atrasado na política, acusando setores progressistas de atos de corrupção que eles mesmos sempre praticaram impunemente. Pessoas de várias partes do país mandam notícias de que empresários e firmas especializadas estão alugando ônibus e recrutando pessoas pagas para os “protestos” do dia 15. Veja ao lado a imagem enviada por um leitor. A mídia hegemônica faz uma convocação geral. A Veja, por exemplo, publicou uma matéria especial indicando o local das manifestações.

Guerra midiática

Se fosse só até aí, já seria bastante grave, mas vai muito além. Coloca-se a convivência democrática em risco. Poucas vezes a manipulação midiática atingiu este ápice. As forças progressistas convocam um ato em defesa da Petrobrás, em local fechado no Rio de Janeiro, a ABI. Meia dúzia de provocadores, um deles um policial federal armado (como mostrou a reportagem do jornal O Dia), agride um militante do PT, e quando os petistas reagem o que se vê no dia seguinte na mídia foi apenas a reação do PT. As imagens ao lado, do militante do PT sendo agredido, muito pouca gente viu, pois só o que saiu foram fotos do revide e manchetes dizendo que Lula tinha convocado a guerra, quando a essência do que Lula disse é que ele queria a paz, mas que sabia lutar. Enquanto isso, a verdadeira guerra subterrânea contra a democracia avança. Todo dia uma indústria de boatos entra em ação. No dia 26 de outubro, 2º turno das eleições presidenciais, já havia circulado como verdade que o doleiro Youseff tinha sido “assassinado pelo PT”. Agora, Dilma vai acabar com o 13º. A poupança será confiscada no dia 18 março, bem como todos os recursos aplicados em investimentos. Fontes “inquestionáveis” alertam que devem ser estocados alimentos pois vem aí uma guerra civil. Um general de pijama escreve artigo no jornal O Estado de S. Paulo dizendo que o exército está pronto para intervir.

Quem incentiva o ódio

Estas e outras mentiras alimentam um clima de ódio que assume contornos explosivos. Em Chapecó (SC) um homem invadiu um apartamento onde mãe e filha tinham na varanda bandeiras do MST e do PCdoB (painel acima). Agrediu as duas moradoras sobre os aplausos de uma pequena turba. Apesar da violência as duas mulheres resistiram e não deixaram as bandeiras serem levadas. Um guarda municipal publica a foto de uma reconhecida liderança do MST, João Pedro Stédile, oferecendo uma recompensa para que Stédile seja entregue “vivo ou morto” (painel acima). No dia 05 de março o menino Peterson Ricardo de Oliveira, de 14 anos, foi agredido na porta de uma escola em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, na última quinta-feira e faleceu. Tudo indica que o motivo do assassinato foi o fato de Peterson ser filho adotivo de um casal homossexual. O que isso tem a ver com o dia 15? Tudo. Ilude-se quem acha que este clima de ódio – divulgado por fãs de Bolsonaros e outros trogloditas - atinge só a esquerda e o PT.

De quem é a passeata do ódio fascista

Se alguém pensa que o dia 15 será a passeata anticorrupção, é melhor marcar outra e com alvos diferentes. O dia 15 será a passeata de Jair Bolsonaro e do apelo à volta da ditadura, de Rachel Sheherazade e da justiça pelas próprias mãos. Será a passeata do obscurantismo e pode entrar para a história como mais sombria do que a famigerada passeata da TFP com “Deus, pela família” realizada em 1964, que com a desculpa da “defesa da constituição”, clamou na verdade pela instalação de um regime militar. Na época, como hoje, a mídia hegemônica apoiou de forma unânime os golpistas.

Quem manipula a passeata do ódio fascista

Por trás de tudo, manobrando espertamente, os caciques do PSDB e de outras siglas se preparam para dois movimentos coordenados: insuflar as manifestações de ódio o mais que for possível para depois aparecerem com apaziguadores, buscando tirar todo o proveito político que puderem. Como diz o editorial de hoje do Portal Vermelho, “o momento é de alerta máximo e prontidão absoluta em defesa da legalidade, da democracia e do mandato da presidenta Dilma Rousseff”.

Noblat e o orgulho branco

Os nazistas e neonazistas fazem camisetas e fundam organizações com o nome de “orgulho branco”. O argumento deles é que se existe “orgulho negro”, por que não existir “orgulho branco”? Tal sofisma busca esconder o óbvio: todas as organizações que ostentam o orgulho branco são racistas fanáticas. O resgate do orgulho negro é fundamental para aqueles que tiveram os seus antepassados escravizados durante 388 dos 515 anos da nossa história e que até hoje sofrem com a discriminação e sustentam sobre seus ombros o peso maior da injustiça social. Os brancos no Brasil nunca sofreram discriminação racial e, portanto, o “orgulho branco” é uma forma, consciente ou inconsciente, de reforçar o estereótipo do dominador (branco) frente ao dominado. Mas no jornal O Globo desta quarta-feira (11), na página 8, um dos mais graduados colunistas amestrados do jornal golpista, Ricardo Noblat, publica um artigo onde, tentando usar de certa ironia reveladora, reclama que uma pessoa branca e rica não pode protestar que é logo tachada de golpista. E a “discriminação” fica pior, segundo Noblat, se o branco e rico em questão for paulista. Realmente, os brancos, ricos (principalmente se forem paulistas) sofrem muito preconceito e precisam do braço amigo do Noblat. O argumento é tão patético que a pretensa ironia não o redime. Registro apenas que em passado recente Noblat escreveu uma coluna onde, em nome da liberdade de expressão, defendia o deputado Jair Bolsonaro que havia naquela oportunidade ofendido negros e homossexuais. Os momentos de enfrentamento político mais agudo têm mesmo estas características. As coisas vão ficando mais nítidas e cada ator do confronto tem sua identidade relevada. Mas no caso do Noblat, nem precisava.


terça-feira, 10 de março de 2015

Considerações sobre o dia 15 de março

Dois artigos comentam sobre a manifestação do dia 15 de março:
 
 
Por Murilo Rocha - Jornal O Tempo:
 
E a tal marcha vem aí:
 
Está marcada para o domingo, dia 15 de março, em todo o país a tal da marcha “cívica”. A gestação do movimento começou ainda no ano passado, logo após a vitória de Dilma Rousseff (PT) sobre Aécio Neves (PSDB) na briga pela Presidência da República. Era uma ação com viés revanchista, uma tentativa de criar nas ruas um clima de insatisfação contra o governo do PT.

Agora, às vésperas da marcha, a ação de incitar um ambiente para um golpe de Estado ainda se faz presente, mas perdeu força pela multiplicidade de alvos e pela própria superficialidade dos argumentos de seus idealizadores. O governo do PT, é verdade, vai mal, e não é de hoje. A crise econômica e política é consequência de alianças espúrias e também de uma série de ações equivocadas do Planalto.

Mas quem vai para a rua no domingo, provavelmente, fantasiado com a camisa da seleção brasileira, aquela da Nike de mais de R$ 250, tem certeza – ou pelo menos finge ter – da culpa do PT sobre toda a infelicidade de sua vida. Afinal, se o IPTU subiu, a culpa é da Dilma. Se o seu time perdeu, a culpa é da Dilma. Até os mandos e desmandos do Legislativo – leia-se Câmaras municipais, Assembleias estaduais e o Congresso – são culpa da Dilma. E quando a culpa não recai sobre a presidente, a responsabilidade vai para Lula e até para o Lulinha. Este último, vem se tornando – pelo menos na cabeça de alguns lunáticos – o dono do Brasil. A cada dia proliferam mais e mais boatos e informações sobre as posses do filho do ex- presidente, mas não se prova nada .

Nunca houve-se tantos meios – e-mail, WhatsApp, Facebook... – para se desinformar tanto. Na semana passada, por exemplo, circulava nos smartphones de parte da população a gravação de um suposto informante sobre uma reação ao movimento de impeachment de Dilma. Forças Armadas de países como Bolívia e Venezuela estariam prontas para invadir o Brasil e se aliar a militares de esquerda (?) para proteger a presidente e evitar ações contra o seu mandato. Para alguém mais sensato, logicamente, se tratava de uma piada de mau gosto. Mas, infelizmente, bom senso anda em falta no mercado, e muita gente hoje ainda embarca nessas ondas de boataria, seja por ingenuidade ou puro oportunismo mesmo.

Retornando à marcha “cívica”, ela sem dúvida é legítima do ponto de vista do direito de se expressar, pois protestar é importante e não há dúvida sobre o mau momento vivido pelo país. Porém é fundamental também ter discernimento e espírito crítico para não ser apenas uma marionete a repetir um discurso velho e reacionário, como essa história da volta dos militares ao poder.
 
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Blog da Kika Castro
 
15 de março: Eu não vou

Vi o banner acima ontem, pela primeira vez, no Facebook. Não sei quem o criou. Eu gostei, compartilhei pelo Twitter, e, duas horas depois, mais de 150 pessoas tinham compartilhado meu compartilhamento. (E assim continuou nas horas seguintes, mas parei de contar.)
Então, fiquei com a impressão de que nem todo mundo bateu panela e gritou “Fora Dilma” na janela de casa no último domingo…
Escrevi o seguinte, antes de compartilhar: “Democracia é aceitar o que uma maioria quis e trabalhar/cobrar para que dê certo para todos. Quatro anos depois, escolher livremente o candidato favorito, mais uma vez. E assim por diante
 
Claro que, dentro do “cobrar”, do parágrafo acima, cabe também protestar. É legítimo protestar. É legítimo fazer buzinaço, panelaço, vaiar e xingar (embora, que pena, muitos tenham optado por xingar baixarias contra a presidente da República, em pleno Dia Internacional da Mulher). Tudo isso, felizmente, é permitido e só pode acontecer porque ainda vivemos numa democracia.
 
Quando há reclamação e crítica, o governante da vez se preocupa e busca uma reação para agradar àquela parcela, para a qual ele também governa, e que está demonstrando insatisfação.
 
O que me preocupa é quando tentam fortalecer o discurso do impeachment, sem nenhum respaldo para isso. Não consigo deixar de pensar no Fluminense: é tentar mudar um resultado por meio do tapetão, ou seja, sem respeitar as regras vigentes e, neste caso, sem respeitar a maioria.
 
Dilma saindo, por um impeachment nonsense, quem assumiria em seu lugar? Michel Temer, o vice-presidente, que é do PMDB. Mesmo partido de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que dispensam apresentações.
 
O pior é que não é nem isso que quer um grupelho que estava quieto há 30 anos e, com esta gritaria, voltou a ressurgir das trevas. Esse grupo, que já tem milhares de seguidores só em uma comunidade do Facebook, defende nada mais nada menos que a intervenção militar. [Não vou colocar o link para a comunidade, por motivos óbvios].
 
E aí, bye-bye panelaço, buzinaço e o escambau. Que seria do futuro? Imprevisível. E não algo que possa ser planejado ou reformulado num novo pleito, em quatro anos, como acontece hoje. O horizonte passa a ser obscuro quando deixamos de viver numa democracia. Assim como essa instabilidade do período pré-tapetão também dificulta qualquer possibilidade de tomar rumos que melhorem o Brasil. Vira só uma grande histeria, cada dia mais radical e intolerante, e menos aberta a divergências.
 
É isso que você quer? Eu não. Por isso, me abstenho de participar dessa marcha do dia 15. Não pela marcha em si: é muito válido criticar a presidente, que está deixando muita gente insatisfeita, inclusive vários que são até filiados ao seu partido, o PT. Mas pelos que estão se aproveitando da marcha para gerar histeria e, com a histeria, criar o ambiente certo para um golpe, como aconteceu há 50 anos no Brasil (e, também daquela vez, começou com “marchas”). Sou otimista demais pra embarcar nesta canoa furada