terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Palácio da Justiça: a restauração de 1963 e o tombamento em 1977


 Por Luiz Ricardo Péret

No dia 16 de janeiro de 2014 o Palácio da Justiça Rodrigues Campos, edifício-sede do Poder Judiciário Mineiro e de inestimável valor arquitetônico, histórico e cultural da cidade de Belo Horizonte, irá fazer 102 anos. Vamos lembrar um pouco da sua história:

O Palácio da Justiça Rodrigues Campos faz parte do conjunto de edifícios públicos projetados para a nova capital de Minas Gerais, inaugurada em 1897.

A Restauração concluída em 1963

 De 1958 a 1963 o Palácio da Justiça passou por restauração, concluida pelo arquiteto Luciano Amédée Péret. Em seu interior vários quadros, florões dos lustres  e decorações em gesso, nos tetos, foram restaurados pelo escultor, pintor e professor José Amédée Péret.

Quando da inauguração do Palácio da Justiça, após as obras de restauração, o Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, à época, José Alcides Pereira proferiu as seguintes palavras :  
¨ Não seríamos justo e até faltaríamos ao cumprimento do dever se deixássemos de fazer referência ao executor destas obras, o arquiteto Luciano Amédée Péret, designado para dirigir este serviço, ele fez ver ao Secretário que não se tratava de simples reforma de um prédio, mas sim de restauração ou recuperação de um Palácio dos melhores e mais importantes que lhe foi cometida, e, afirma é este o resultado do seu trabalho, em que ficaram bem patenteadas a sua capacidade profissional, a sua idoneidade artística, a sua energia e a sua probidade. Nós, o eminente colega e prezado amigo Desembargador Pedro Braga, que me deu inestimável ajuda, e eu, acompanhamos de perto a atuação vigilante e competente do Dr. Luciano Amédée Péret e, não lhe podemos regatear os melhores e mais francos elogios ¨.
( Discurso publicado pela Imprensa Oficial de Minas Gerais) 



O Tombamento em 1977

A partir de pareceres e relatórios de responsabilidade do arquiteto e, então, diretor executivo do IEPHA/MG Luciano Amédée Péret, o governador Aureliano Chaves assinou o decreto estadual nº 18641, de 10 de agosto de 1977, efetivando o tombamento do Palácio da Justiça Rodrigues Campos, situado à Avenida Afonso Pena 1420. Foi inscrito nos Livros do Tombo de Belas Artes (Livro II) e do Tombo Histórico (Livro III), que incluiu também seu terreno, as luminárias no arranque da escada nobre; um quadro a óleo do Barão do Rio Branco, pintado por Cesar Bacchi, em Paris, em 1912; duas estatuetas representando ¨Aurora¨ e ¨Crepúsculo¨, esculpidas por Math  Moreau, em Val dOsne, Paris; duas cadeiras de espaldar alto, procedentes de Fórum do interior do Estado; cadeiral e relógio do Salão Nobre; um quadro a óleo de D. Pedro II.

Foto: Arquiteto e diretor executivo Luciano Amédée Péret  na sede do Iepha/MG, à época na rua da Bahia - foto: Assis Alves Horta.
Acervo Luciano Amédée Péret


A seguir a matéria de Gustavo Werneck
Publicação: 14/01/2012  no Jornal Estado de Minas    
    







Construção integra conjunto arquitetônico da Avenida Afonso Pena e tem alegorias romanas e em seu interior possui escada importada da Bélgica.

Justiça seja feita: um dos mais belos, elegantes e, principalmente, bem preservados prédios de Belo Horizonte fica na Avenida Afonso Pena, nº 1.420, no Centro. Em estilo neoclássico, foi inaugurado em 16 de janeiro de 1912. O Palácio da Justiça Rodrigues Campos foi projetado pelo arquiteto italiano Raphael Rebechi e construído pelo engenheiro José Dantas e o coronel Júlio Pinto Coelho, formando hoje, com o Automóvel Clube (1927) e o Conservatório de Música (1926), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um dos conjuntos arquitetônicos de realce da capital.

“O Palácio da Justiça é um patrimônio dos mineiros. Ele se mantém conservado, sem alterações, da mesma forma como foi construído. Há o elevador original, a escada importada da Bélgica e outros elementos. No início abrigava também o fórum”, diz o desembargador Lúcio Urbano, que foi presidente da casa entre 1998 e 1999, trabalhou mais de 30 anos nesse endereço e é autor do livro Síntese histórica do Tribunal de Justiça. O prédio de dois pavimentos, 31 metros de altura e pintado de azul-claro, é tombado, desde 1977, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural Municipal de BH (1994).


MUDANÇA




O Juiz Marcos Caldeira Brant revela que o TJMG foi transferido para BH em 1897.
Pesquisador da história da Justiça brasileira e integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, o juiz Marcos Henrique Caldeira Brant, da 11ª Vara Criminal/Fórum Lafayette, conta que tudo começou em julho de 1897, antes da inauguração da capital. Naquela época, o Tribunal da Relação, antigo nome do TJ, foi transferido de Ouro Preto para BH e, durante sete meses, funcionou no segundo andar da Secretaria do Interior (depois Secretaria de Educação e agora Museu das Minas e do Metal), na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul. Em março de 1898, novas mudanças, com a transferência para o imóvel destinado inicialmente ao ginásio, depois escola normal e atual Instituto de Educação, na Rua Pernambuco. Nesse local, ficou 14 anos.

“Se fosse construído hoje, o Palácio da Justiça, que demandou dois anos e 100 operários para ser erguido, custaria R$ 43 milhões”, diz Caldeira Brant, fazendo um comparativo com os gastos no início do século 20. Ele explica que no governo de Wenceslau Braz (1868-1966), em 1909 e 1910, foi sancionada a Lei nº 499 abrindo crédito de 330 contos de réis para construção do Palácio da Justiça, a fim de sediar o Tribunal da Relação. “Mas o custo final foi mais do que o dobro dessa importância”, afirma o juiz. A inauguração se deu no governo de Bueno Brandão (1858-1932), de 1910 a 1914, sendo presidente do TJ o desembargador Antônio Luiz Ferreira Tinôco.

No começo, o prédio abrigava a Justiça de segunda e primeira instâncias. No segundo andar, funcionava o Tribunal da Relação e, no primeiro, o fórum da comarca da capital, então com 38.822 habitantes e um único juiz de direito.




Artistas

Muitos artistas estrangeiros participaram da decoração interna e externa do prédio, entre eles os irmãos escultores italianos José e Alfredo Morandi, responsáveis pela ornamentação do interior; Madame Bellagamba, que cuidou do mobiliário; J. Bescaal (pintura parietal); e L. Pescini, que executou o vitral representando a Justiça (deusa grega Têmis), fabricado pela Casa Conrado, de São Paulo.

Um detalhe importante, diz o juiz, é que, na fachada lateral direita, as frisas superiores em baixo-relevo representam alegorias à Justiça romana. “Em um século, o Palácio da Justiça sofreu intervenções necessárias à manutenção, mas sem afetar a originalidade. De 1958 a 1963, foi desocupado para restauração, concluída pelo arquiteto Luciano Amedée Peret – na ocasião o TJ ficou instalado no nono andar do edifício do Banco de Credito Real, na Rua Espírito Santo.

Em 1964, o Palácio da Justiça, sob a presidência do desembargador José Alcides Pereira, recebeu a denominação de Rodrigues Campos, em homenagem ao seu 17º presidente (1930 a 1939), pai do ex-governador e então senador Milton Campos. “Admirar os detalhes construtivos da elegante edificação, como o sistema estrutural, portas, janelas, ferragens, vitrais, telhado, cúpula, forros, pisos, ornamentos, frisas, frontões, colunas, capitéis, escadas, gradis e guarda-corpos, é redescobrir muitos encantos artísticos e arquitetônicos”, diz Caldeira Brant.


                Salão Nobre do Palácio da Justiça


LINHA DO TEMPO



Uma das primeiras sessões da corte superior na nova sede foi feita no início do século 20
1897– Instalação provisória do Tribunal da Relação, antigo nome do Tribunal de Justiça (TJMG), transferido de Ouro Preto para o segundo andar da Secretaria do Interior, na Praça da Liberdade

1898 – Mudança do Tribunal da Relação para o prédio destinado inicialmente à Escola Normal e Instituto de Educação, na Rua Pernambuco

1909 – Em outubro, é aberto crédito de 300 contos de réis para construção do Palácio da Justiça

1912 – Em 16 de janeiro, é inaugurado o Palácio da Justiça, edifício- sede do TJMG

1958 – Desse ano até1963, o Palácio da Justiça passa pelo processo de reforma e restauração

1964 – Em janeiro, o prédio é reinaugurado com o nome de Palácio da Justiça Rodrigues Campos

1977 – Em agosto, o prédio é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG)

1988 –Criado o Museu da Memória do Judiciário Mineiro, com mobiliário, processos, documentos históricos e objetos
Saiba mais
Decreto imperial

O Tribunal da Relação de Minas Gerais foi criado, em 1873, por decreto do imperador dom Pedro II (1825-1891) e instalado em Ouro Preto em fevereiro de 1874. Com a transferência da capital, o Judiciário foi o primeiro dos três poderes a se estabelecer em Belo Horizonte, mas, ainda sem sede própria, funcionando em vários locais até 1912. Hoje, no prédio da Avenida Afonso Pena, estão a Justiça de segunda instância e a Memória do Judiciário Mineiro (Mejud/TJMG).
O Palácio da Justiça é um patrimônio dos mineiros. Ele se mantém conservado, sem alterações, da mesma forma como foi construído

domingo, 5 de janeiro de 2014

Em 1950 um feito histórico do Atlético nos gramados gelados da europa




A volta dos Campeões do Gelo atraíram milhares de torcedores





Vamos resgatar um feito histórico do Atlético-MG ocorrido em 1950, e que está marcado até mesmo no hino oficial do clube. Jogando em terras estrangeiras e geladas, o alvinegro mineiro tornou-se o "campeão do gelo", façanha cantada com orgulho pelos torcedores atleticanos.






Em 1950, o alvinegro mineiro foi a primeira equipe do Brasil a viajar para realizar um torneio na Europa, contra adversários tradicionais e temidos, enfrentando times como Munique 1860, Hamburgo, Werder Bremen, Schalke 04, todos da Alemanha, além de clubes da Áustria, Bélgica, França e um combinado de Luxemburgo.

Curiosamente, o alvinegro mineiro não foi a primeira equipe convidada a participar da excursão. Entretanto, foi a única a aceitar viajar para países que viviam momentos difíceis e de reconstrução, cinco anos após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

A excursão europeia, que tomou ares épicos pelas condições adversas enfrentadas, aconteceu de 1º de novembro a 7 de dezembro daquele ano, e foi batizada como campeonato de inverno, por causa da época do ano e das baixas temperaturas. Os países pelos quais o esquadrão alvinegro passou foram Alemanha, Áustria, Bélgica, Luxemburgo e França.

Além da força das equipes europeias, o Atlético enfrentou o forte frio como obstáculo. As partidas aconteceram em gramados cobertos por camadas de gelo, situação que batizou o alvinegro mineiro de 'campeão do gelo'. Temperaturas como 12 e 15 graus negativos fizeram parte do dia a dia de treinos e jogos do time atleticano.

"Lembro de ouvir relatos na época, de que os jogadores tinham de procurar formas para se esquentar, pois os pés ficavam quase congelados, as mãos. Os membros do Atlético esquentavam água para ajudar a evitar os problemas do forte frio", contou o engenheiro aposentado Sebastião Garcia Silva, 75 anos, torcedor atleticano e que tinha 12 anos na ocasião.

O clube alvinegro estava pouco preparado para enfrentar o frio intenso que enfrentou na excursão. O grupo viajou com o uniforme que usava no Brasil, de algodão. Para tentar amenizar o clima adverso, os atletas passaram a jogar com agasalhos, mais de um par de meia e luvas de lã, artigos adquiridos na Europa.

Lutar, Lutar, Lutar Pelos gramados do mundo pra vencer Clube Atlético Mineiro Uma vez até morrer. Nós somos Campeões do Gelo O nosso time é imortal Nós somos Campeões dos Campeões Somos o orgulho do esporte nacional
TRECHO DO HINO DO ATLÉTICO-MG AUTOR VICENTE MOTTA
 
Além das temperaturas baixas, os jogadores atleticanos conviveram ao longo da excursão, com boa presença de torcedores, que ainda viviam com temor da guerra, gramados em diferentes estados, como no duelo contra o Schalke 04, na Prússia, aonde o campo não possuía grama, com os atletas jogando em um campo de terra.

Foi contra o Stade Français que o Atlético se sentiu mais em casa, mesmo com o frio intenso na França. Ao entrarem em campo, os jogadores logo escutaram o barulho de baterias músicas de samba e marchas de carnaval, tocado por estudantes brasileiros. O Atlético venceu por 2 a 1.

A campanha atleticana foi vitoriosa. Ao todo, foram dez jogos em pouco mais de 30 dias. O time mineiro venceu seis vezes, tendo o triunfo sobre o Hamburgo, por 4 a 0, como a maior goleada, duas derrotas, para o Werder Bremen e Rapid Viena e dois empates, com a seleção de Luxemburgo e Eintracht Braunschweig.

"O Atlético viajou desacreditado, muitos achavam que era loucura viajar para a Alemanha naquela época. Para muitos, o time iria apenas passear, ninguém acreditava em um sucesso do time, que era pouco conhecido", comentou Sebastião Silva.

Kafunga, Mão de Onça; Afonso, Osvaldo, Juca, Moreno, Vicente, Zé do Monte, Haroldo, Barbatana, Vicente Perez e Márcio; Lucas, Lauro, Zezinho, Alvinho, Nívio, Vavá, Murilinho e Vaguinho participaram da excursão e dos jogos nos cinco países diferentes. Os artilheiros do time foram Vaguinho e Lucas, com 6 gols cada um. Vavá é o único dos 'heróis' atleticanos da campanha no gelo que está vivo.





Os times contra os quais jogaram foram: Munique 1860; Hamburgo; Werder Bremen; Schalke 04; Sarbrucken; Eintrcht Braunschweig (todos times alemães, que compõem hoje a conceituada e competitiva Liga Alemã de Futebol); Rapid Vienna (o mais popular time de futebol da Áustria); Anderlecht (Bélgica); Seleção de Luxemburgo (Luxemburgo); Stade Français, que posteriormente se uniu ao Racing Paris (em Paris). No total, foram 10 jogos realizados, 6 vitórias, 2 derrotas e 2 empates. Gols a favor 24 e 18 contra, com saldo positivo de 6 gols.
 
A recepção mais calorosa aos jogadores alvinegros veio dos alemães e sua torcida, que a cada jogo, admirada com o entusiasmante futebol jogado pelo time do Galo, lhes ofereciam jantares e festas noite adentro. Mesmo em uma Europa em crise pós-guerra e os estádios de futebol em precárias condições, todos os jogos eram assistidos por um número expressivo de torcedores, sedentos por ver o belo futebol praticado por aquele time galante, que por onde passava ganhava fama e atraía maior número de admiradores. Alguns jogos chegaram a ter 30 mil espectadores, façanha admirável até os dias atuais. Desde então Borussia Dortmund e Bayern de Munique são times irmãos do Atlético Mineiro.
 
 Ao final do campeonato, o Presidente da Federação de Futebol Alemão entregou ao chefe da delegação atleticana, Domingos D’Ângelo, e ao capitão do Clube Atlético Mineiro, Zé do Monte, a taça de Campeão de Inverno, que para nós se tornou a taça do “Campeão do Gelo”, como cantamos em nosso hino. E até hoje ela se encontra lá, dentre outras tantas, na Sede de Lourdes a nos lembrar dos tantos feitos memoráveis de nosso glorioso e amado time. E, por mais que debochem e queiram desvalorizar esta façanha monumental alvinegra, que merece ser, sim, honrada em nosso hino e nos anais da nossa história, temos que nos orgulhar de um dia, essas personagens históricas que marcaram o nosso futebol e apresentaram ao mundo esse majestoso time das Alterosas, não temeram o inverno glacial ou os clubes europeus de “maior expressão” à época, mas tiveram a dignidade, raça, amor e respeito para com a camisa que vestiram e demonstraram que aqui é Galo, o time que desconhece a palavra impossível, na sua trajetória histórica!

A Delegação
Delegação
Goleiros Defensores Meias Atacantes Comissão Técnica
Kafunga Afonso Barbatana Alvinho Ricardo Diez - Técnico
Mão de Onça Juca Haroldo Lucas Dr. Abdo Arges - Médico
Márcio Pulit Lauro Murilinho Dr. Domingos Dângelo - Chefe da Embaixada
Moreno Zé do Monte Nívio Sra. Celeste - Esposa do Chefe da Embaixada
Oswaldo Vaguinho Francisco Américo - Jornalista dos Diários Associados
Vicente Peres Vavá Teodora Breickport - Intérprete
Zezinho

Curiosidades
  • Nota-se que não embarcaram massagista, tampouco roupeiro para a excursão na Europa. A delegação só poderia contar com 23 pessoas;
  • Ubaldo, um dos titulares alvinegros, não viajou com o clube para a Europa pois naquela época ele prestava Serviço Militar, no Exército;
  • Junto da delegação alvinegra embarcaram também 2 jornalistas para fazerem a cobertura dos jogos. Um deles pertencia ao jornal Estado de Minas.

Jogos
Número da Partida Partidas
Data Time 1 Placar Time 2 Local
195034 01/11/1950 Munich 1860-ALE 3 x 4 Atlético Munique (Alemanha)
195035 04/11/1950 Hamburgo-ALE 0 x 4 Atlético Hamburgo (Alemanha)
195036 05/11/1950 Werder Bremen-ALE 3 x 1 Atlético Bremen (Alemanha)
195037 12/11/1950 Schalke 04-ALE 1 x 3 Atlético Gelsenkirchen (Alemanha)
195038 16/11/1950 Rapid Viena-AUT 3 x 0 Atlético Viena (Áustria)
195039 20/11/1950 Saarbrücken-ALE 0 x 2 Atlético Saarbrücken
195040 22/11/1950 Anderlecht-BEL 1 x 2 Atlético Bruxelas (Bélgica)
195041 26/11/1950 Eintracht Braunschweig-ALE 3 x 3 Atlético Braunschweig (Alemanha)
195042 05/12/1950 Seleção de Luxemburgo 3 x 3 Atlético Luxemburgo (Luxemburgo)
195043 07/12/1950 Stade Français-FRA 1 x 2 Atlético Paris (França)
Vitória
Empate
Derrota

A Campanha

Retrospecto
Jogos V E D GP GC SG
Atlético 10 6 2 2 24 18 +6

Os Artilheiros

Bola de Futebol.png Gols
Artilheiro(s)
6 Lucas
Nívio
Vaguinho
3 Alvinho
2 Lauro
1 Murilinho
 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Muquifu, um museu incomum

O Muquifu – Museus dos Quilombos e Favelas Urbanos, tem como vocação garantir o reconhecimento e a salvaguarda das favelas, os verdadeiros quilombos urbanos do Brasil: lugares não apenas de sofrimento e de privações, mas, também, de memória coletiva digna de ser cuidada.

A instituição reúne como acervo fotografias, objetos, imagens de festas, danças, celebrações, tradições e histórias que representam a tradição e a vida cultural dos moradores das diversas favelas e quilombos urbanos do Estado de Minas Gerais. O Muquifu nasce com a proposta de ser um museu de território e comunitário, como  instrumento de resistência diante do risco iminente de expulsão dos favelados dos centros urbanos; reconhecimento e preservação do patrimônio, das histórias, das memórias e dos bens culturais dos moradores dos Quilombos Urbanos e Favelas de Belo Horizonte.


Assista aos vídeos e conheça um pouco do Museu Muquifu:




 O programa Religare (TV Horizonte/PUC Minas) apresenta a visita realizada ao MUQUIFU (Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos), no aglomerado Santa Lúcia, em Belo Horizonte. A equipe do Programa foi recebida pelo Padre Mauro Silva, idealizador, diretor e curador do museu. O MUQUIFU consiste em um espaço artístico e histórico que preserva a memória cultural dos que vivem na periferia dos centros urbanos. Pe. Mauro Silva pretende tornar o museu uma fonte de pesquisa sobre o modo de vida das comunidades que vivem em aglomerados e discutir a situação desta população. 

Nossa proposta é discutir com a cidade a presença africana na formação da cultura brasileira, além da importância de se criar meios para que os moradores das favelas se tornem protagonistas das ações de tutela e preservação do seu patrimônio. As atuais exposições servem de referência para discutir as razões que irão levar ao desaparecimento das vilas Esperança e São Bento, duas das cinco comunidades que compõem o Aglomerado Santa Lúcia.



Em cartaz no Muquifu:

Para saber mais: Flickr do Muquifo, 

Assista aqui os vídeos do programa e conheça o Museu Muquifu:

Parte 1: http://youtu.be/1WkQPut2CbM  
Parte 2: http://youtu.be/D01u_0KcWJ0


Exposições - Muquifu
Foto: Marco Mendes

Papa Francisco quer mudanças pela justiça social

O Papa Francisco desde a sua eleição vem dizendo que quer mudanças. Mudanças na Igreja, na postura dos cristãos e no sistema econômico que gera exclusão, concentração da riqueza e sofrimento de muitos que são marginalizados. Os conservadores, que nunca querem mudar nada, auto-intitulados guardiães da ortodoxia e que reduzem a religião a um manual de "moralidade", tremem com a simples possibilidade de que a Igreja some a sua voz aos oprimidos da terra para denunciar a injustiça de um sistema econômico que gera exclusão e sofrimento.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ação parlamentar ou para lamentar?

Do Le Monde
diplomatique.org.br
As bancadas que contam no Congresso Nacional são as do agronegócio, das empreiteiras, da mineração, dos bancos, da bola, da bala... Elas se aglutinam como partidos de fato, hegemonizam comissões em que haja matérias de seu interesse e não obedecem ao comando dos partidos formais
por Chico Alencar
É costumeiro dizer que a existência do Parlamento chancela o caráter democrático do regime político. Nossa história, como a de muitos outros países, não confirma isso.

No Império, a partir de 1822, a Assembleia Geral reunia os “representantes do povo”. Mas os eleitos, a exemplo dos que chegavam às câmaras municipais, desde a Colônia, eram os “homens bons”. Machos, brancos, ricos nos padrões da época e... cristãos. A Monarquia parlamentarista brasileira chegou a revezar liberais e conservadores no ministério, auxiliando o sereníssimo e magnânimo D. Pedro II. O trono assentava-se na prosperidade de um “rei” que não era o Pelé, e sim o café. Aristocracia é rima, mas não solução para democracia. Os debates e discursos no Parlamento, entretanto, sempre reverberavam algumas questões candentes da sociedade, por mais elitista que ele fosse. O abolicionismo e a emancipação tardia, com a Lei Áurea, revelam isso.

Na República Velha, dos “coronéis”, dos “bacharéis” ou do “café com leite”, a dominação oligárquica também moldava o Congresso Nacional. Eram inexistentes os representantes dos camponeses – maioria dos que trabalhavam no país predominantemente rural – e da classe operária nascente. O voto de cabresto e os currais eleitorais impediam essa presença. As autoridades da República dita democrática jamais perguntavam, ao colocar em prática suas políticas, sobre os interesses do povo, sobre seus quereres. A plebe marginalizada só era percebida quando, confrontando a lei (do mais forte), se rebelava, dizendo por A mais B, com armas na mão e braveza no coração, que não aceitava mais tanto C de controle e coerção. Foi assim em Canudos, Contestado, Caldeirão, Chibata. E no cangaço.

A Revolução de 1930 (“Façamos a revolução antes que o povo a faça”, alertou Antonio Carlos, presidente da província de Minas Gerais) não alterou muito esse quadro de debilidade da representação. É verdade que já estavam na cena política brasileira novos atores, oriundos das mudanças socioeconômicas da urbanização. Em décadas anteriores já se organizavam sindicatos operários, de forte influência anarcossindicalista. Uma organização de esquerda, o Bloco Operário e Camponês, chegou a eleger alguns parlamentares no Rio de Janeiro, mas eles foram cassados antes de assumir os mandatos. A incorporação das massas ao processo político só ocorria em espasmos e graças ao seu próprio combate. O voto secreto do eleitor, instituído pela Constituição de 1934, reduzia um pouco o poder dos “coronéis”, mas não os destruía. Os analfabetos, dois terços da população, continuavam impedidos de votar. O “novo” da República brasileira seguia sendo a velha combinação de liberalismo (formal), autoritarismo (patriarcal) e elitismo (patrimonial).

O Estado Novo (1937-1945) dispensou as formalidades e os incômodos do Parlamento, inspirando-se no corporativismo dos regimes fascistas da Europa. Difundiu-se, pela propaganda e pela extrema centralização governamental, que uma elite intelectual de técnicos, militares e políticos “modernos” seria capaz de interpretar os “verdadeiros interesses nacionais e das classes populares”.
Os ares do final da Segunda Guerra Mundial chegaram ao Brasil, e nossa democracia liberal formal, recomposta, estabeleceu o pluripartidarismo e a garantia da expressão de correntes à esquerda, como o Partido Comunista (por breve tempo), o Socialista e o Trabalhista. Getúlio Vargas, que conduzira o país por quinze anos consecutivos e três distintas formas de governo (provisória, constitucional e unitária), já vislumbrava os novos caminhos: “Quando terminar a guerra, em ambiente próprio de paz e de ordem, com as garantias máximas à liberdade de opinião, reajustaremos a estrutura política da Nação, fazendo as necessárias consultas ao povo brasileiro”.

De uma ou de outra forma, quase sempre controláveis ou manipuláveis, o ente “povo brasileiro” ia adquirindo fisionomia e não podia mais ser ignorado. O chamamento “Trabalhadores do Brasil!” que Vargas fazia, nas comemorações do Primeiro de Maio, para anunciar “benesses” às “classes laboriosas” funcionava como anteparo à influência socialista e comunista entre os “de baixo”. Mas tanto os segmentos populistas quanto os mais ideológicos, defensores da auto-organização dos trabalhadores, iam conquistando espaço, inclusive nos legislativos.O golpe civil-militar de 1964, ao dissolver os treze partidos políticos de então e impor o bipartidarismo entre o “sim” (MDB) e o “sim, senhor” (Arena), empenhou-se em cassar parlamentares defensores das reformas de base. A ceifa foi grande, revelando que o Parlamento já não era tão irrelevante assim.

Após o “intervalo trevoso” da ditadura, chegamos à nossa etapa liberal-democrática atual, sob a égide da Carta Cidadã de 1988. Obtivemos inegáveis conquistas, com a capilarização da ideia de democracia como valor universal, tese do saudoso Carlos Nelson Coutinho. Mas é imperativo reconhecer que vivemos uma “democracia de baixa intensidade”, para usar a expressão de Boaventura Souza Santos. O clientelismo e os mandatos de negócios, que buscam sua reprodução por meio da “fidelização” do eleitorado paternalizado, dão o tom dissonante da democracia real. A participação popular nas decisões de âmbito municipal, estadual ou nacional, embora afixada como princípio constitucional, não é desejada nem estimulada. Os mecanismos desse ativismo são, em geral, esvaziados. Não se viabiliza a saudável combinação entre democracia direta, por meio dos conselhos e plebiscitos/referendos, e a expressão parlamentar. Os partidos ainda pretendem ter o monopólio da representação, apesar de seu escandaloso artificialismo: existiriam de fato 33 correntes de opinião e, consequentemente, de projetos de sociedade, manifestando a visão de distintos grupos e classes no Brasil? A verdade dessa degeneração partidária é que as siglas não correspondem às suas práticas: republicanos, social-democratas, socialistas, democratas, trabalhistas, comumente, não o são. Os nomes das legendas escondem sua real natureza: vínculos com os poderosos para reprodução de mandatos voltados para os bens particulares, e não para o bem comum.

Hoje, as bancadas que contam no Congresso Nacional são as do agronegócio, das empreiteiras, da mineração, dos bancos, da bola, da bala... Elas se aglutinam como partidos de fato, hegemonizam comissões em que haja matérias de seu interesse e não obedecem ao comando dos partidos formais. Não por acaso, 386 dos 513 deputados receberam financiamento de campanha desses segmentos, e apenas 1% só de pessoas físicas. O derrame do dinheiro das empresas torna as eleições cada vez mais previsíveis. Não foi por outra razão que a Câmara dos Deputados derrubou, em 16 de outubro, emenda para limitar os gastos de campanha e o Senado vetou, em 6 de novembro, a ampliação da prestação de contas, indo na contramão do “clamor das ruas”, que, cinicamente, diziam ouvir.
Apenas uma reforma política substantiva, que só o será com forte participação popular, poderá reduzir a influência do poder econômico na constituição dos executivos e dos legislativos, possibilitando que as maiorias sociais se tornem maiorias políticas. Sem mudança radical no sistema privado de financiamento de campanhas, na concepção e atuação dos partidos e na consciência do eleitor, que precisa se tornar um cidadão de tempo integral, continuaremos neste “museu de grandes novidades”. Vendo, como cantou profeticamente nosso Cazuza, “o presente repetir o passado”.

Chico Alencar Professor de História e deputado federal (Psol-RJ).

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Arbitrariedade da PMMG em fazenda improdutiva com decreto de desapropriação


 (Foto: Flávio Henrique/G1)

Vinte e cinco integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foram presos nesta terça-feira (1º) em Monte Alegre de Minas, no Triângulo Mineiro, ao entrarem na fazenda Palermo. Essa fazenda teve sua desapropriação assinada pela presidente Dilma Rousseff e publicada no Diário Oficial da União, no dia 27 de dezembro. Integrantes do movimento foram agredidos, algemados e conduzidos ao destacamento de polícia militar da cidade. Assinaram um Termo Circustanciado de Ocorrência (TCO) se comprometendo a comparecer na próxima sexta-feira (3) para prestar esclarecimentos sobre a ocupação. Depois da assinatura, todos foram liberados. Os veículos foram apreendidos e encaminhados para o Pátio de Veículos da cidade. A Fazenda Palermo é latifúndio improdutivo e a unica propriedade desapropriada em Minas Gerais, no ano de 2013.

O coordenador da Pastoral da Terra, Frei Rodrigo, informou que a ação dos militares foi violenta e incorreta, uma vez que a determinação da presidente revoga qualquer outra liminar da Justiça. Integrantes do movimento alegam terem sido agredidos, algemados e tiveram seus veículos guinchados e removidos para o pátio de Monte Alegre.


Fazenda foi decretada improdutiva para desapropriação 

A Fazenda Palermo, localizada em Monte Alegre de Minas (MG), foi decretada pela presidenta da República como imóvel de interesse social para fins de reforma agrária.
Com a publicação no Diário Oficial da União (DOU), nesta sexta-feira (27) o Incra/MG está autorizado a ajuizar ação de desapropriação para ter a posse do imóvel e criar assentamento com capacidade para 28 famílias de trabalhadores rurais sem terra.
Na mesma edição do DOU, a presidente decretou outros 91 imóveis para a reforma agrária em todo o País, conforme compromisso feito por ela em outubro deste ano. Oito decretos já haviam sido publicados no dia 25 daquele mês.
A Fazenda, com área de 622 hectares, foi considerada grande propriedade improdutiva por laudo de vistoria realizado em março de 2010.
Em estudo de capacidade e geração de renda realizado neste ano, definiu-se a área de 22 hectares para cada assentado, incluídas área de reserva legal, área de preservação permanente e servidão da Cemig.

Fonte:
- incra.gov.br
- falachico.org
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Poema de Drumond sobre o Ano Novo

RECEITA DE ANO NOVO
 
Carlos Drumond de Andrade 
 
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
 
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
 
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.