segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O recado do Chile


Editorial cartamaior.com.br
      

por: Saul Leblon      
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 A volta de Bachelet ao comando do Chile envia uma mensagem às elites da região.

A sociedade latino-americana não tolera mais a desigualdade.

Enquanto o conservadorismo se aferra à ideia de dar eficiência às estruturas carcomidas que instalaram aqui uma das piores assimetrias de renda do planeta, as urnas  --e as ruas--  sistematicamente invertem a equação.

Em recados de crescente contundência à direita e à esquerda , avisam:  a meta deve ser a equidade, a economia  não pode funcionar mais contra as urgências da população.

O Chile rico e educado é a confirmação  enfática da fraude arquitetada por aqueles que propõem  chilenizar o Brasil primeiro (‘as reformas’), para depois distribuir.

Tudo funciona nesse modelo, mas tudo  só funciona a quem paga.

A maioria não pode pagar, por  exemplo, uma educação universitária de qualidade.
Nem a classe média remediada.

A principal riqueza do país, o cobre, preserva uma estatização de fachada na qual os maiores beneficiários sãos as castas fardadas que se reservaram durante a ditadura Pinochet uma fatia cativa dos rendimentos da maior reserva do metal no planeta.

Pior que o Brasil, pior que os EUA ou a Alemanha, a plutocracia chilena aferrou-se de tal maneira a seus privilégios que hoje 1% da população detém 31% de toda a riqueza nacional (21% nos EUA ; 13% no Brasil; 12,5% na Alemanha).

O conjunto faz do Chile um paradigma odioso de segregação econômica escolar.

Segundo a OCDE, dentre todos os seus membros, o Chile é o país com maior índice de financiamento privado da educação primária e secundária.

O resultado das urnas deste domingo esfarela e devolve às goelas conservadoras o júbilo manifestado em janeiro de 2010, quando um  Chile cansado das hesitações de seu centrismo, elegeu  o bilionário Sebástian Piñera  ao final do primeiro mandato de Bachelet.

Piñera reacendeu a esperança conservadora na América Latina.
Sua vitória reluzia como a revanche diante de um colar de governos progressistas que asfixiavam o horizonte da direita regional.  Enfim, um presidente para chamar de seu.

Um porta-voz moderno do dinheiro grosso.

Alguém talhado para fazer a ponte entre a inconclusa redemocratização chilena e o necessário arejamento das agendas apuradas no calabouço escuro da ditadura Pinochet.

Recorde-se que o Chile é o que é hoje  porque, antes mesmo de Thatcher,  foi militarmente capturado para ser a cozinha experimental do neoliberalismo no mundo.

Talvez fosse mais apropriada a metáfora 'açougue'.

Ali se sangrou, retalhou, picou e moeu uma nação até reduzi-la a uma massa disforme e vegetativa.

Dessa matéria-prima, nasceu a primeira receita mundial bem sucedida do cardápio que decretaria o fim do capitalismo regulado, a partir dos anos 70.

O quitute indigesto foi enfiado goela abaixo de uma das sociedades mais democráticas do continente latino-americano. Por isso mesmo, exemplarmente esgoelada na sua tentativa de construir o socialismo pela via eleitoral.

O recado foi escrito com sangue na pele da esquerda latino-americana: 'a democracia promete mais do que os mercados estão dispostos a conceder'.

Mestres-cucas da direita regional e global aderiram em massa ao mutirão corretivo.

Piñera não serviu diretamente à ditadura mais sanguinária da AL.  Justamente por isso, sua vitória em 2010 acendeu o entusiasmo conservador.

Eis o anfíbio tão aguardado.

Porque pensava a economia como Pinochet, sem ter vestido diretamente o capuz negro, era a ponte palatável entre dois mundos, no caminho de volta a uma democracia bem comportada.

"É provável que se fortaleça na América do Sul uma "frente antichavista", integrada por Álvaro Uribe (Colômbia), Alan García (Peru) e o próprio Piñera".

O augúrio do editorial da "Folha", de 22 de janeiro de 2010, externava essa aposta ansiosa.

O dote de mandatário-ponte servia ademais para espicaçar a viabilidade da jejuna e também recém-eleita presidenta brasileira, Dilma Rousseff.

Transcorridos quatro anos, Piñera devolve o lugar a Bachelet.

Os jornalismo que apostou na ressurgência neoliberal, porém, não desiste. No Brasil flerta com anfíbios tropicalizados.

Ou não será a mesma receita da chilenização do país que emitem as goelas de veludo dos Campos & Aécios?

Quiçá de alas petistas obsequiosas aos lamentos dos mercados?

O Chile fez tudo como eles querem fazer aqui.

É a economia "mais aberta" da América Latina.

O Estado é mínimo: a dívida do setor público é de apenas 11,5% do PIB (37% no Brasil, no conceito líquido; 60% no bruto).

A previdência foi privatizada. A proteção trabalhista é pífia.

A linha da desigualdade parece o eletrocardiograma de um morto: o índice de GINI chileno oscilou de 0,55 para 0,52 entre 1990 e 2009 (o do Brasil melhorou de 0,61 para 0,54).

Segundo a CEPAL, entre 1990 e 2009, o investimento público na área social oscilou mediocremente no país: de 15,2% para 15,6% do PIB.

Até o México deu um passo maior no mesmo período: passou de 5,5% para 11,3% do PIB.

Na direitista Colômbia, o salto foi de 6,1% para 11,5%.

No Brasil, a ' gastança' avançou de 17,6% para 27,1% do PIB; na Argentina, de 18,6% para 27,8%.

O jornalismo conservador atribui à falta de 'traquejo' político do empresário-presidente o paradoxo entre uma economia 'saudável' e a rejeição política esmagadora.

O raciocínio condescendente desdenha de uma lacuna-chave.

Piñera não foi programado para transformar a maçaroca econômica em uma Nação.

Mas para transformar uma nação em mercado.

Por que teria apoio dos seus órfãos?

O Chile tornou-se um país simplificado por uma ditadura que decidiu exterminar fisicamente o estorvo ideológico e social no seu caminho: a classe trabalhadora organizada.

Uma parte foi sangrada nas baionetas de Pinochet.

A outra, exterminada estruturalmente pelos sacerdotes do laissez-faire.

Os Chicago's boys reduziram a economia às suas estritas 'vantagens comparativas'.

Um pomar de pêssego. Vinícolas. Uma mina de cobre.

Um acervo como esse não precisa de projeto nacional.

Um fluxo de mercadorias não requer formulação intelectual própria. Logo, não precisa de universidade pública autônoma.

Um aglomerado de consumo não reclama cidadania.

Piñera tentou ser o cadeado moderno entre isso e uma redemocratização intrinsecamente tensa e limitada. Os estudantes rechaçaram esse entendimento do que seja um 'Chile moderno' .

E carregaram para as ruas o inconformismo de décadas que se consagrou nas ruas deste domingo. Mas que explica, também, o monstruoso incide de abstinência de 59%.

O desinteresse pelo voto é um aviso a Bachelet: um pedaço do país, quase suficiente para eleger um outro presidente, não aguenta mais simulacros de justiça social e maquiagens estruturais.

O fracasso de Piñera não deve ser desfrutado com precipitações simplistas.

O jogo não acabou na AL. Nunca acaba.

Leia o editorial completo no site cartamaior.com.br

domingo, 15 de dezembro de 2013

Banco Mundial, SUS e mídia: a arte da manipulação


Por Eduardo Fagnani
A manchete da primeira página da Folha (9/12/13) não deixa margem à dúvida: “Ineficiência marca gestão do SUS, diz Banco Mundial”. A matéria destaca que essa é “uma das conclusões de relatório inédito obtido com exclusividade pela Folha”. Aos desavisados a mensagem subliminar é clara: o SUS é um fracasso e o Ministro da Saúde, incompetente.

A curta matéria da suposta avaliação do Banco Mundial sobre vinte anos do SUS é atravessada de “informações” sobre desorganização crônica, financiamento insuficiente, deficiências estruturais, falta de racionalidade do gasto, baixa eficiência da rede hospitalar, subutilização de leitos e salas cirúrgicas, taxa média de ocupação reduzida, superlotação de hospitais de referência, internações que poderiam ser feitas em ambulatórios, falta de investimentos em capacitação, criação de protocolos e regulação de demanda, entre outras.

Desconfiado, entrei no site do Banco Mundial e consegui acesso ao “inédito” documento “exclusivo”**. Para meu espanto, consultando as conclusões da síntese (Overview), deparei-me com a seguinte passagem que sintetiza as conclusões do documento (página 10):

“Nos últimos 20 anos, o Brasil tem obtido melhorias impressionantes nas condições de saúde, com reduções dramáticas mortalidade infantil e o aumento na expectativa de vida. Igualmente importante, as disparidades geográficas e socioeconômicas tornaram-se muito menos pronunciadas. Existem boas razões para se acreditar que o SUS teve importante papel nessas mudanças. A rápida expansão da atenção básica contribuíu para a mudança nos padrões de utilização dos serviços de saúde com uma participação crescente de atendimentos que ocorrem nos centros de saúde e em outras instalações de cuidados primários. Houve também um crescimento global na utilização de serviços de saúde e uma redução na proporção de famílias que tinham problemas de acesso aos cuidados de saúde por razões financeiras. Em suma, as reformas do SUS têm alcançado pelo menos parcialmente as metas de acesso universal e equitativo aos cuidados de saúde (tradução rápida do autor).

Após ler essa passagem tive dúvidas se havia lido o mesmo documento obtido pela jornalista. Fiz novos testes e cheguei à conclusão que sim. Constatado que estava no rumo certo continuei a ler a avaliação do Banco Mundial e percebí que as críticas são apontadas como “desafios a serem enfrentados no futuro”, visando o aperfeiçoamento do SUS.

Nesse caso, o órgão privilegia cinco pontos, a saber: ampliar o acesso aos cuidados de saúde; melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços de saúde; redefinir os papéis e relações entre os diferentes níveis de governo; elevar o nível e a eficácia dos gastos do governo; e, melhorar os mecanismos de informações e monitoramento para o “apoio contínuo da reforma do sistema de saúde” brasileiro.

O Banco Mundial tem razão sobre os desafios futuros, mas acrescenta pouco ao que os especialistas brasileiros têm dito nas últimas décadas. Não obstante, é paradoxal que esses pontos críticos ainda são, de fato, críticos, em grande medida, pela ferrenha oposição que o Banco Mundial sempre fez ao SUS, desde a sua criação em 1988: o sistema universal brasileiro estava na contramão do “Consenso de Washington” e do modelo dos “três pilares” recomendado pelo órgão aos países subdesenvolvidos.*** É preciso advertir aos leitores jovens que, desde o final dos anos de 1980, Banco Mundial sempre foi prejudicial à saúde brasileira.

É uma pena que o debate sobre temas nacionais relevantes – como o sistema público de saúde, por exemplo – seja interditado pela desinformação movida pelo antagonismo das posições políticas, muitas vezes travestido de ódio, que perpassa a sociedade, incluindo a mídia.
Que o espírito reconciliador de Mandela ilumine os brasileiros – e o pobre debate nacional.

BAIXO O DOCUMENTO DO BANCO MUNDIAL AQUI:

*Professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (CESIT/IE-UNICAMP) e coordenador da rede Plataforma Política Social – Agenda para o Desenvolvimento (www.politicasocial.net.br).

**Twenty Years of Health System Reform in Brazil – An Assessment of the Sistema Único de Saúde. Michele Gragnolati, Magnus Lindelow, and Bernard Couttolenc. Human Development. 2013 International Bank for Reconstruction and Development / The World Bank 1818 H Street NW, Washington DC.

***Consultar, especialmente: BANCO MUNDIAL (1990). World Development Report: Poverty. Washington, D.C; BANCO MUNDIAL (1991). Brasil: novo desafio à saúde do adulto. Washington, D.C. 1991; BANCO MUNDIAL (1993). World Development Report: Investing in Health. Washington, D.C; BANCO MUNDIAL (1994). Envejecimiento sin crisis: Políticas para la protección de los ancianos y la promoción del crecimiento. Washington, D.C; e BANCO MUNDIAL (1995). A Organização, Prestação e Financiamento da Saúde no Brasil: uma agenda para os anos 90. Washington, D.C.

sábado, 14 de dezembro de 2013

L. Boff analisa o primeiro ano do Papa Francisco -


Em entrevista à Carta Maior, Boff faz um balanço das esperanças suscitadas por Francisco, das perspectivas de transformação que se levantam no horizonte.


Eduardo Febbro
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Petrópolis – A ternura e a inteligência juntas são armas muito dissuasivas. Escutando o teólogo brasileiro Leonardo Boff se entende rapidamente por que seu amigo Joseph Ratzinger o afastou da igreja quando foi publicado um dos livros fundadores da Teologia da Libertação escritos por Boff, “Igreja, carisma e poder”. Muito antes de ser papa, Ratzinger foi amigo de Leonardo Boff, mas quando o severo teólogo alemão começou a subir a escadaria do poder no Vaticano não duvidou em levantar a mão para fazer Leonardo Boff sentar no mesmo banco onde, muitos séculos antes, a Santa Sé julgou Galileu Galilei. Leonardo Boff pagou o tributo por suas ideias. Perdeu o direito de exercer o sacerdócio. Passaram-se muitos anos e muitos combates e Leonardo Boff não perdeu um centímetro dessa inteligência que evolve as coisas em uma mesca de racionalidade e revelação juvenil.

A paisagem que rodeia sua casa de Petrópolis é idílica, frondosa e absorvente como as ideias que este intelectual de 75 anos vai expondo com o frescor de um adolescente. Sob o título “o papa do povo”, a revista Times escolheu o papa Francisco como a personalidade do ano. “O que faz este Papa tão importante é a rapidez com que capturou a esperança de milhões de pessoas que haviam abandonado toda esperança na Igreja”, escreve a Times. Leonardo Boff não está longe de pensar o mesmo. Chega ao fim o ano da eleição de Bergoglio como primeiro papa não europeu da história.

Nesta entrevista à Carta Maior, Leonardo Boff faz um lúcido balanço das esperanças suscitadas por Francisco, das perspectivas de transformação que se levantam no horizonte, dos atos já cumpridos e dos que virão. O teólogo brasileiro está convencido de que, com Francisco, chegou muito mais que um homem vindo de longe: com ele chegou ao Vaticano outra filosofia de vida, de política, outra prática pastoral, outra sociologia e outro cristianismo inspirados nas raízes do continente.

Passam os meses e, da sua maneira sempre renovada, o papa Francisco segue proporcionando surpresas. Como você analisa este momento particular do catolicismo através de uma figura que está deslocando quase todos os centros de gravidade do Vaticano?

Estamos em uma situação totalmente nova. Nós viemos de um inverno muito duro e rigoroso, com João Paulo II e Bento XVI. Agora sentimos a primavera com suas flores e frutos. Francisco é um papa que surpreende, que a cada dia inventa coisas novas. É a primeira vez que um papa não vem da velha cristandade europeia, mas sim da periferia, ou seja, da América Latina. As igrejas da América Latina eram igrejas espelho, enquanto as da Europa eram igrejas fonte. Agora, depois de 500 anos, nossas igrejas se converteram em igrejas fonte. Nossas igrejas têm suas tradições, suas reflexões, suas liturgias, criaram um estilo de cristianismo ligado à libertação, ao compromisso social. Deste caldo, espiritual, político e religioso veio o papa Francisco.

O novo papa tem outro tipo de mensagem, não é o velho cristianismo, doutrinário, disciplinar. Trata-se de um cristianismo de profunda comunhão com todas as pessoas, livre de doutrinas castradoras, com uma mensagem baseada na simplicidade e na pobreza. Isso é inédito na história do papado. É preciso levar em conta que só 24% dos cristãos estão na Europa; 62% estão na América Latina e os demais na Ásia e na África. Isso significa que, hoje, o cristianismo é uma religião de Terceiro Mundo. Teve suas raízes no primeiro mundo, mas isso já passou.

Francisco está muito consciente desse fato. Por isso tem a fantasia criadora e é capaz de dizer “é preciso mudar”. Eu acredito muito em sua fantasia, em sua liberdade, em seu coração e liberdade espiritual. A igreja necessita de coração, não de poder. Onde há poder não há amor nem compaixão. Francisco tem amor e compaixão. Eu não quero saber nada de poder, nem de tradições.

Para você, então, Francisco é um papa de combate?

Creio que Francisco combina duas coisas: a ternura de Francisco e o rigor do jesuíta. É franciscano na forma humilde de viver, popular, mas é um jesuíta da racionalidade moderna, analisa os fenômenos, identifica a causa principal e, quando descobre, intervém com muita determinação. Creio que o papa é uma feliz combinação entre ternura e vigor. É disso que precisamos hoje na igreja. Para fora é um pastor, para dentro é muito rigoroso.

Quando esteve no Rio de Janeiro, o discurso mais duro que pronunciou foi para os bispos e cardeais. Disse a eles que não eram pobres nem interiormente, nem exteriormente, que eram duros com o povo e que não foram capazes de fazer a revolução da ternura, da compaixão, da compreensão com o povo. Em Roma disse o mesmo: os ministros da igreja tem que sair da fortaleza e ir para o povo e o povo deve poder vir e sentir-se em casa. A igreja não está aí para condenar ninguém, mas sim para acolher, perdoar, suscitar esperanças e ter compaixão com quem tem problemas. Essa é a característica mais bela e evangélica de Francisco.

Você acredita que Francisco pode realmente reformar a igreja?

Eu acredito que Francisco, antes de reformar a cúria e a igreja, já reformou o papado. O estilo do papa é outro. O papado tem um ritual, nas vestimentas, nos símbolos do poder. Francisco renunciou a tudo isso e fez o trabalho contrário: conseguiu que o papado se adaptasse a suas convicções e a seus hábitos. Por isso renunciou a todos os símbolos de poder. Ele disse: “a igreja tem que ser pobre como Jesus”. São Pedro não tinha um banco e Jesus não entendia nada de contabilidade! Jesus era um profeta que trazia fé, esperanças. Francisco resgata a tradição mais antiga da igreja e recusa chamar-se papa. Papa é um título dos imperadores. Francisco se considera um bispo de Roma que governa a igreja na caridade, não no direito canônico. Isso muda tudo.

Francisco é mais que um nome: é um projeto de igreja, de uma sociedade mais simples, solidária, é o projeto de uma simplicidade voluntária, de uma sobriedade compartilhada. Possivelmente isso vá criar uma crise entre os bispos e cardeais. Eles se acreditam príncipes da igreja e o papa não quer nada disso. Francisco quer que se renove o pacto das catacumbas quando, ao final do Vaticano segundo, 30 bispos se reuniram nas catacumbas e fizeram votos de viver na pobreza, de abandonar os palácios e viver no meio do povo. Essa é a proposta para toda a hierarquia da igreja. Essa será, para mim, a grande revolução de Francisco.

Com que forças Francisco poderá contar para mudar as más tendências profundas da igreja? Por enquanto temos ouvido uma mensagem pastoral muito entusiasta, mas para chegar à transformação completa há um grande passo. Por acaso se apoiará na teologia da libertação, tão reprimida por João Paulo II e Bento XVI?

É um papa muito inteligente. Francisco criticou muito os conservadores. No dia 11 de setembro aceitou encontrar-se com Gustavo Gutiérrez (o outro inspirador da teologia da libertação). Isso me parece muito importante para apoiar essa teologia que é, além disso, de certa forma, o lugar de onde ele vem. A Argentina tem uma teologia da libertação própria, que é a teologia da cultura popular. Francisco se apoiou nesta teologia que se diferencia da teologia da libertação comum porque não trabalha em torno do conflito de classe, mas sim em torno da cultura dominante e da cultura dominada, da cultura do silêncio que precisa ser liberada.

Ele está nesta linha. Daí vem a sua novidade.

Ele já escolheu oito cardeais de todo o mundo para criar uma instância de decisão. Seria fantástico se Francisco convidasse mulheres para dirigir os destinos da igreja na perspectiva da globalização. Até hoje, o cristianismo era algo ocidental que foi se convertendo em algo cada vez mais acidental. Ele precisa ser globalizado. Para ser global tem que ter outras dimensões. A igreja não encontrou seu lugar na globalização. Ela é muito romanizada, eurocêntrica. Mas Francisco tem a visão do jesuíta São Francisco Xavier, missionário na China, segundo a qual a igreja precisa sair para o mundo.

Para mim a melhor maneira é criar uma rede de igrejas e comunidades que se encarnam nas culturas e tem rostos chineses, japoneses, africanos, latino-americanos. É outro tipo de presença da igreja, não como poder, mas sim como uma instância de apoio a tudo o que é humano. O cristianismo se soma a outras religiões, a outros caminhos espirituais e renunciam assim a seu privilégio de excepcionalidade, como se fosse a única igreja verdadeira, a única religião válida. Não. O cristianismo está junto às demais religiões para alimentar valores humanos, para salvar a nossa civilização que está ameaçada.

No entanto, o discurso tradicional do Vaticano ainda se mantém.

Sim, eu creio que ele seguirá mantendo o discurso tradicional de defesa da vida, contra o aborto, mas com uma diferença: antes, os temas da moral sexual, familiar, do celibato dos sacerdotes ou do sacerdócio das mulheres, eram temas proibidos, que não podiam ser discutidos. Nenhum cardeal, bispo ou teólogo podia falar disso. Francisco não, ele deixou aberta a discussão. Ele vai abrir uma ampla discussão na igreja e vai recolher elementos que podem se tornar universais.

Francisco abriu muitos espaços. Não sei até que ponto poderá avançar com isso, mas haverá sim uma ampla discussão na igreja. Possivelmente consiga permitir que as igrejas locais, por exemplo, na África, onde há outras culturas tribais, outra relação com a sexualidade, possam atuar de outra forma ante a utopia cristã, uma forma que não seja só a ocidental.

Hoje temos uma só maneira de ser cristão, mas há outras. Na América Latina estamos demonstrando que é possível um cristianismo afro-indígena-europeu, uma mescla de três grandes culturas. Por isso aqui a igreja tem outro rosto, é mais aberta, mais comprometida com as mudanças que beneficiam o povo. Temos que universalizar isso, porque a injustiça mundial é muito grande. E este papa é muito sensível ante os últimos, os invisíveis. Aí está sua centralidade.

Já se passou certo tempo da renúncia do papa Bento XVI. Esse fato foi um enorme terremoto para os católicos do mundo. Qual é hoje sua análise sobre esse momento de fratura sem o qual o para Francisco não teria chegado ao trono de Pedro?

Eu creio que, quando Bento XVI leu o informe de mais de 300 páginas sobre a situação interna da igreja, seja o que concernia aos problemas do Banco do Vaticano, seja os escândalos sexuais que implicavam bispos e cardeais, creio que isso o abalou profundamente. Bento XVI sentiu que não tinha força nem física, nem psíquica, nem espiritual, para enfrentar um problema dessa natureza. Esse problema não vinha de fora, do mundo, da sociedade, não: o problema vinha de dentro da igreja, de sua parte mais central que é a cúria romana. Isso o escandalizou. Bento XVI foi muito humilde ao reconhecer que outra pessoa deveria vir com mais força, com mais determinação e outra visão da igreja para criar um horizonte de esperanças e credibilidade que a igreja havia perdido totalmente.

O Banco do Vaticano e todos os escândalos ligados a ele foi um dos desencadeadores da renúncia de Bento XVI. Assim que assumiu, as primeiras medidas do Papa Francisco tiveram a ver com o banco. Você acredita que ele poderá levar a cabo a reforma final desta instituição financeira comprometida com a máfia e a circulação de dinheiro opaco?

No Banco do Vaticano há muito dinheiro da máfia, apoiada e comprometida com altas figuras da Cúria romana. Neste sentido, há um risco que pesa sobre o papa.

Quando a máfia se sente agredida, é capaz de cometer crimes, de eliminar pessoas. Por isso, é muito inteligente que o papa não viva nos apartamentos pontificais, mas sim em uma casa de hóspedes. É muito inteligente também que não coma sozinho, mas sempre com muitas pessoas. Francisco disse brincando que assim era mais difícil envenená-lo. Mas, para além disso, creio que Francisco vá inaugurar uma dinastia de papas do Terceiro Mundo, da África, da Ásia, da América Latina. Com isso, o catolicismo se enriquecerá com valores de outras culturas que nunca foram respeitadas, mas sim colonizadas.

O cristianismo da América Latina é um cristianismo de colonização. Fizemos muitos esforços para criar um cristianismo nosso, com nossos santos, nossos mártires.

Nosso cristianismo tem seu próprio rosto, que não é o velho rosto europeu. Isso vai facilitar que o cristianismo seja uma boa proposta para a humanidade, não somente para os cristãos. Nosso cristianismo tem outro elemento de ética, de humanidade, de espiritualidade para um mundo altamente materializado, tecnologicamente sofisticado. Francisco encarna esse contraponto, essa dimensão.

Sua proposta tem futuro.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Créditos da foto: Arquivo


 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Santa Luzia, padroeira de Santa Luzia


Santa Luzia




Hoje, em vários países católicos comemora-se o dia de Santa Luzia. Uma cristã da região atualmente conhecida como Itália, que viveu no século IV, tendo sido perseguida até a morte por assumir publicamente a sua fé.
Especialmente aqui em MG, temos uma cidade cujo o nome do lugar é o mesmo da santa padroeira: Santa Luzia! Distante 27 km de Belo Horizonte, tem suas origens ligadas à expansão bandeirante no século XVIII e à exploração do ouro nas margens do rio das Velhas, que banha a cidade e seus arredores.



Conta a tradição oral, que um pescador cego, ainda no século XVIII, encontrou na areia às margens do rio uma imagem de Santa Luzia e que ao segurá-la passou a enxergar. A história se espalhou e chegou a Portugal, onde um militar de nome Pacheco Ribeiro, que havia ficado cego, fez uma promessa para a santa tendo voltado a enxergar.
Cumprindo a promessa, ele veio morar no arraial de Santa Luzia com sua família e ali mandou construir uma igreja matriz para abrigar a imagem da santa. Um templo barroco, com obras de grandes artistas da época, inclusive de Ataíde, o melhor dos pintores.




 Pena que parte dessa suntuosidade no lado externo tenha se perdido com o tempo, mas o seu interior ainda é barroco.




A partir daí, o lugar tornou-se um centro de peregrinações, uma cidade santuário que atraiu gente de grande poder e prestígio no passado. Todos os anos é realizada a trezena e uma grande festa que em pleno século XXI ainda movimenta a cidade. 







Padroeira da cidade
Conta a história, que um pescador chamado Leôncio, que tinha problemas na visão, observou um objeto brilhando no rio, enterrado na areia. Quando pegou era a imagem de Santa Luzia, a santa protetora dos olhos, e assim se deu o primeiro milagre da santa, já que na mesma hora ele volta a enxergar.
A imagem foi levada para a primeira capela do arraial, tornando-se a padroeira do município. Chegando a Portugal a noticia dos milagres que estavam sendo operadas padroeira do Bom Retiro de Santa Luzia, o Sargento Mór Joaquim Pacheco Ribeiro, que estava desenganado pela ciência medica da sua Pátria, volta sua ultima esperança para o poder divino. Faz um voto à Santa milagrosa do sertão mineiro, pedindo-lhe a visão perdida. Como recebeu o milagre, o nobre filho da terra lusitana não duvidou em dar cumprimento ao voto que fizera e vem com suas filhas Ana Senhorinha, Angélica e Adriana, começando a construção do templo, onde hoje está a Matriz de Santa Luzia, localizada na Rua Direita, no Centro Histórico, em 13 de dezembro de 1758.
O ouro empregado em toda construção de decoração interna foi doado por Antônio Martins Gil e extraído no Rio das Velhas. O serviço de moldura de talha foi feito por Felipe Vieira e Francisco de Lima Cerqueira, que encheram de gloria a arte decorativa das Minas Gerais.




A comissão organizadora Jubileu de Santa Luzia com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo realiza o evento mais popular da cidade. O principal acontecimento é trezena (missa em treze dias) em homenagem a padroeira Santa Luzia. No dia 13 de dezembro há procissão com a imagem. Durante a festa a réplica da Santa faz uma peregrinação em algumas casas da cidade (principais integrantes da paróquia, dependendo do festeiro).O festeiro é a família que organiza a festa junto com o Padre, esta família é sorteada dentro dos candidatos da paróquia. No fim da Festa há uma procissão, onde os fiéis acompanham uma carreta que leva a Santa original ornamentado com duzentas dúzias de rosas.

Data do Evento 13/12/2013
Data de termino do evento 15/12/2013
Promotor Paróquia de Santa Luzia / Secretaria Municipal de Cultura e Turismo
Local do evento Igreja Matriz de Santa Luzia,Rua Direita e ruas do Centro Histórico
Endereço Rua Direita, s/nº - Centro Histórico

Vídeos sobre Santa Luzia 

Vídeo sobre a Cidade de Santa Luzia






























O município possui relevantes referências  culturais e é boa opção para conhecer mais sobre a história de Minas Gerais.
Alguns dos monumentos que formam o patrimônio de Santa Luzia são a Matriz Santuário de Santa Luzia, uma das mais visitadas, e também o Solar Teixeira da Costa onde hoje funciona o Museu Aurélio Dolabela. Também são pontos turísticos  o Solar da Baronesa, o Museu Sacro, a Capela do Senhor do Bonfim, a Capela do Hospital São João de Deus, a Igreja do Rosário e o Mosteiro de Macaúbas.
Cidade de Santa Luzia


Fonte:
 anabelajardim.blogspot.com.br
 encontrasantaluzia.com.br

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Vaticano convida MST para debater a fome

  Academia de Ciências do Vaticano convida MST para debater a fome:                     
Valle Occcupato, 7 de dezembro de 2013. 

 Assista a entrevista com João Pedro Stedile MST Movimento dos Trabalhadores Sem Terra- Via Campesina em assuntos discutidos durante o encontro no Vaticano, onde ele foi convidado a participar do seminário sobre o estado de "excluídos" no mundo.
Além disso, Stedile faz o ponto sobre as políticas alimentares desastrosas que colocam a comida como uma mercadoria e não um direito.
Stedile coloca o foco da soberania alimentar.
               
               
             


 Papa Francisco

Cáritas Internacional

Papa diz que fome é escândalo mundial

Em vídeo de lançamento da campanha mundial da Cáritas Internacional contra a fome, o Papa Francisco conclama a todos a lutar contra o "escândalo mundial" da fome. “Estamos diante de um escândalo mundial de um bilhão de pessoas que ainda hoje sofrem de fome”, diz o Papa.

“Não podemos olhar para o outro lado fingindo que o problema [da fome] não existe. Os alimentos à disposição no mundo são suficientes para acabar com a fome de todas as pessoas. A parábola da multiplicação dos peixes nos ensina que, quando há vontade, o que temos não acaba e, inclusive, sobra e não ser perde”, acrescentou, em referência à passagem em que Jesus alimentou uma multidão de famintos fazendo a multiplicação de cinco pães e dois peixes.

 ¨Compartilhemos o que temos, em caridade cristã, com os que são obrigados a enfrentar muitos obstáculos para satisfazer uma necessidade tão primária; e ao mesmo tempo, promovamos uma autêntica cooperação com os pobres para que, através dos frutos do seu e do nosso trabalho, possamos viver uma vida digna ¨.

A cara do brasileiro pelas lentes de Assis Horta

 
O fotógrafo Assis Horta, 95, fotografou personalidades, cidades e monumentos históricos, mas é com os retratos de cerca de 70 mil anônimos que ganha espaço de honra no foyer do Palácio do Planalto 

 
 
 A exposição “Assis Horta – A democratização do retrato fotográfico através da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]” resgata a história brasileira por meio de retratos dos primeiros trabalhadores e operários a fazerem fotos 3 x 4 para suas carteiras de trabalho.




Exposição do fotógrafo Assis Horta em Brasília vai até 8 de janeiro.
Convite para exibir fotos no Planalto partiu da presidente Dilma Rousseff

O acervo ganhou o 12º Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Funarte em 2012 na categoria Reflexão Crítica sobre Fotografia e foi apresentado de maio a junho deste ano no Museu do Diamante, em Diamantina.
São cerca de 200 cliques, entre fotos para o documento e fotos posadas, de trabalhadores de Diamantina (MG) que, antes da obrigatoriedade do registro fotográfico na carteira de trabalho, em 1943, não tinham acesso a essa tecnologia.
 
Fotógrafo há 79 anos, Horta acompanhou de perto esse processo. Dono de um estúdio de fotografia em Diamantina fotografou famílias que nunca tinham feito qualquer registro do tipo. Algumas tão pobres relata ele, que tinham de pedir emprestadas as roupas em que apareceriam nas fotos.
“Eu tinha três chapéus e um terno, que emprestava para todo mundo que não tinha roupa para posar”, disse, ao ressaltar seu cuidado com a revelação das fotos. Em todo o seu material em preto e branco, vê-se especial cuidado com a textura das roupas, com a expressão dos fotografados e com a necessidade de esconder ou ressaltar a simplicidade de trabalhadores de fábricas mineiras.



Em sua carreira de fotógrafo profissional fez amigos, entregou fotos fiado, presenteou famílias e, de volta, conta Horta, chegou até a fazer suas alianças de casamento com uma pepita de ouro que serviu de pagamento para as fotos de um garimpeiro.
 
Registrou todo tipo imagem até o advento das máquinas digitais, no fim do século passado. A idade, o encarecimento do papel fotográfico e a preferência por máquinas analógicas e chapas de vidro fizeram Horta parar. “Eu gosto de ter o negativo. De fazer o positivo e o negativo, não gosto de foto digital.”
 
A mostra em Brasília trata-se de um recorte da trajetória do fotógrafo, que também documentou o processo de tombamento de Diamantina, Ouro Preto e outras cidades históricas mineiras para o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Atuou também no IEPHA/MG (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais).
 
Na exposição, os visitantes poderão também fazer seu próprio registro, aos moldes do que era feito por Horta há mais de 60 anos. Uma réplica de seu painel, uma de suas marcas registradas, foi instalado no foyer do palácio e serve de fundo para quem quiser se aventurar no mundo da fotografia.

O fotógrafo Assis Horta expõe no Palácio do Planalto - Ed Ferreira/ Estadão
Ed Ferreira/ Estadão
 
Por pouco, ou não tão pouco assim, o arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) não cumpriu o que havia prometido ao fotógrafo mineiro Assis Horta. "Niemeyer me dizia que ia morrer com 120 anos", lembra o amigo. O mestre das curvas faleceu em dezembro de 2012, aos 104, e foi velado numa de suas obras-primas, o Palácio do Planalto. O mesmo palácio recebe agora a exposição Assis Horta: A democratização do retrato fotográfico através da CLT que, de certa maneira, marca um reencontro entre esses dois companheiros que, diferenças ideológicas à parte (Niemeyer era comunista e Assis, filiado à conservadora UDN), lutaram juntos pela defesa do patrimônio histórico brasileiro.

Com curadoria do fotógrafo e designer Guilherme Horta - que não é parente de Seu Assis, apesar do sobrenome -, a mostra revela como a sanção, em 1943, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), desencadeou uma pequena revolução cultural no Brasil.

A exigência de uma foto 3 x 4 já nas primeiras páginas da Carteira de Trabalho e Previdência Social fez com que milhares de pessoas batessem à porta de estúdios fotográficos, onde posaram para retratos (muitos, pela primeira vez na vida) e acabaram transformando o olhar que o País tinha do próprio povo.

O acervo reunido no Planalto tem a força documental, que ajuda a entender o Brasil daqueles tempos e revela como a fotografia, antes restrita à burguesia, passou a desbravar a classe operária, suas famílias e amigos, captando as transformações sociais de uma época. Ao todo, foram reunidos no foyer do Planalto 200 retratos clicados por Assis Horta de 1940 a 1970.

"A exposição revela o gênio do povo brasileiro, nossa mistura. Queríamos trazer todas aquelas pessoas retratadas para o Palácio do Planalto, já que o maior patrimônio de um país é o seu povo", comenta o curador, rodeado de olhares curiosos, enigmáticos, convidativos, surpresos, sisudos dos personagens eternizados pela câmera de fole de Assis Horta, apoiada sobre um tripé de madeira.

Para Guilherme, Seu Assis fez com que o retrato entrasse na vida do trabalhador, mostrando a sua cara, atenuando a saudade, dignificando-o. "Fascinante reconhecer o gene do nosso povo através de um fotógrafo com rara sensibilidade para a execução do retrato", destaca o curador.

Os negativos eram revelados pelo fotógrafo em câmara escura e depois ampliados no formato solicitado pelo cliente. Havia aqueles que pediam até emprestadas as roupas em que apareciam nas fotos, por não ter dinheiro para comprar chapéu nem terno. "Tenho guardado o nome de todos (os fotografados), nunca joguei nenhum negativo fora", diz Seu Assis, o olhar emocionado, destacando que guarda todo o acervo, com o nome e a data da foto de cada pessoa retratada.

Dentro do estúdio do Photo Assis, em Diamantina, a ordem era ficar quieto na frente da câmara e ai daqueles que não seguissem as instruções. As pessoas gostavam das fotos e depois retornavam para ser clicadas outra vez. Não queriam apenas mostrar a sua cara, mas aparecer de corpo inteiro, ao lado de familiares e outras pessoas queridas.

Um garimpeiro generoso voltou com um presente: ouro, para que o fotógrafo tivesse o material para a aliança de casamento - a mulher de Seu Assis, Maria Conceição Horta, com que esteve casado por 71 anos, morreu há um ano."Fui um homem apaixonado a vida toda. E a vida toda foi só ela", comenta o guardião de tantas memórias, antes de mostrar, com uma feliz doçura, a foto guardada na carteira de dinheiro. "Olha que gracinha ela."



Vencedora do XII Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Funarte no ano passado, na categoria de Reflexão Crítica sobre Fotografia, a exposição fica aberta ao público até o dia 8 de janeiro. "É fundamental para o meu pai ter, aos 95 anos, esse tipo de reconhecimento ao trabalho", diz Isnard, o quarto dos dez filhos de Seu Assis.

Clique abaixo para assistir o vídeo sobre  a exposição:
http://www.youtube.com/watch?v=Ye-kpT_SwGM&feature=player_detailpage

ASSIS HORTA: A DEMOCRATIZAÇÃO DO RETRATO FOTOGRÁFICO ATRAVÉS DA CLT
Palácio do Planalto. De segunda a sábado, das 9h às 18h; no domingo, das 9h30 às 14h. Entrada franca. Até 8 de janeiro.

Fonte:
- focusfoto.com.br
- estadão.com.br
 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Galo rumo ao Marrocos: Mundial de clubes da Fifa

 Do uol.com.br:
Ronaldinho usa gorro de Papai Noel com ¨yes, we CAM¨ no embarque para o Mundial 

Com recepção calorosa, a delegação do Atlético-MG foi até o Aeroporto de Confins para embarcar rumo ao Mundial de Clubes, no Marrocos.

Craque do time mineiro, Ronaldinho Gaúcho chamou a atenção ao usar um gorro de Papai Noel, alvinegro, com a mensagem "yes, we CAM", em referência à sigla Clube Atlético Mineiro.

Cristiane Mattos/Futura Press/Folhapress
Ronaldinho Gaúcho chega para o embarque do Atlético-MG rumo ao Marrocos
Ronaldinho Gaúcho chega para o embarque do Atlético-MG rumo ao Marrocos

A frase é uma paródia à campanha de Barack Obama em sua campanha presidencial nos Estados Unidos. Em inglês, significa "Sim, nós podemos".

A frase marcou a campanha vitoriosa do Atlético-MG na Libertadores deste ano, quando, em três momentos, o time esteve perto de ser eliminado da competição.

Ronaldinho foi o único a usar o gorro. Ele desceu rapidamente do ônibus para saudar os torcedores. O camisa 10 voltou ao time e fez dois gols neste domingo, no empate com o Vitória (2 a 2).

Cristiane Mattos/Futura Press/Folhapress
Torcida do Atlético-MG aguarda o embarque dos jogadores no Aeroporto de Confins, na manhã desta segunda-feira
Torcida do Atlético-MG aguarda o embarque dos jogadores no Aeroporto de Confins, na manhã desta segunda-feira

Do atlético.com.br:


Os campeões da Copa Libertadores da América estão confiantes para a disputa intercontinental.

O craque Ronaldinho Gaúcho afirma que o Atlético deve aproveitar o momento com o máximo de alegria possível.

“É uma alegria muito grande retornar ao Mundial. A gente vai fazer o que vem fazendo, encarando com naturalidade, bem consciente daquilo que fez para chegar até aqui. Agora, é manter a tranquilidade e usufruir desse momento maravilhoso”, destaca o craque alvinegro.
“Temos que chegar lá em Marrocos com o máximo de alegria possível porque é um momento que qualquer jogador e qualquer clube gostaria de estar passando”, acrescenta Ronaldinho.