segunda-feira, 30 de julho de 2018

Lula é mesmo uma ideia, por Hildegard Angel

Hildergard Angel

Jornal do Brasil

#FreeLula
O que particularmente encantou no Festival Lula Livre é que ele não foi uma iniciativa do PT. Partiu de um grupo de admiradores de Lula.  Marcelo Laffitte, cineasta, Lucélia Santos e Silvia Buarque, atrizes, Chico Diaz, ator, Adair Rocha e Eric Nepomuceno, intelectuais e outros poucos, que fizeram tudo, tiveram a ideia, formataram, redigiram o manifesto, conseguiram a adesão de Chico, Gil, Beth Carvalho e os demais, e só então veio o PT e endossou, empoderou, possibilitou a infraestrutura, com palco, som, tendas. Ou seja, uma manifestação do povo, para o povo e pelo povo. Talvez, justamente por essa legitimidade, a adesão tenha sido tão espetacular. Não houve ônibus fretado nem convocação de sindicato. Foi o povo, o povão, mobilizado pelas manifestações culturais. 
A cultura fez acontecer. Lá estavam praticamente todos os movimentos de arte de rua da cidade. Do passinho, de dança, ao Tá na Rua, do teatro. Do circo às bordadeiras da democracia. Todos unidos em defesa das liberdades democráticas. Manifestando a intenção de poder votar no candidato de sua preferência. Pugnando pela sua liberdade de escolha, não com ofensas ou pugilatos, mas declamando poesias, frequentando oficinas de literatura, aulas de grafite, laboratório de fazer flores ou ensinando a confeccionar e empinar pipas.  A cultura é transformadora, reveladora, revolucionária e emancipadora. A horas tais, chegaram lá os fiscais do TRE - Tribunal Regional Eleitoral, e começaram a arrancar bandeiras, esvaziar balões e recolher cartazes. O critério era não haver bandeiras de partidos nem propaganda de candidatos. Não achei errado. Aquela era uma festa do povo pela liberdade do Lula, não para eleger candidatos. E o objetivo estava sendo cumprido.
Chico é Lula, Lula é Chico
A Praça dos Arcos da Lapa lotou. Mas, tanto, de as pessoas ficarem ali, espremidinhas, apertadinhas umas nas outras. A Policia Militar tem elementos para calcular o número certo. Falavam em 60 mil, 70 mil. Sabe-se lá quantos mil foram. Mas comentava-se principalmente que aquele era um novo “Diretas já”. Tamanha a vibração emocionada, a pujança, o ímpeto que mobilizava a todos. E como foi comovente ver o povão colocando máscaras com o rosto do Lula, todos eram Lula. Lula era uma ideia, éramos todos nós.  Fiquei orgulhosa de ter sido um pequeno parafuso naquele mecanismo que botou o Festival para bombar. 
Mas turbina mesmo foi o Chico Buarque. Gente, pra mim o Chico é um abençoado, praticamente um Padim Ciço da MPB, tanto ele está fazendo pela causa democrática em nosso país, corajoso, impávido, impassível, enfrentando ofensas e apedrejamentos, porém convicto de que está fazendo o certo pelo nosso Brasil e o nosso povo desvalido. Lá estava ele, botando e tirando a máscara do Lula, que de Curitiba escreveu carta bonita aos artistas, agradecendo a solidariedade de todos. Dela, ficou-me a frase: “onde querem silêncio, seguiremos cantando”. 
Chico e Gil querem Lula Livre
Borbulhou no Lula Livre
BETH CARVALHO foi insuperável quando subiu ao palco no festival Lula Livre. Ela levou o público ao delírio quando cantou a música “Vou Festejar”, com o refrão “Você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão”, e não houve um único espectador que não tenha pensado no golpe que depôs a presidente Dilma Rousseff ... MELHOR DO QUE a indireta de Beth Carvalho ao Temer, foi a surpresa da MC Carol, que, ao encerrar seu show cantando a música “100% feminista”, homenageou a deputada Jandira Feghali, autora da Lei Maria da Penha... LUCÉLIA SANTOS, das mais animadas nos bastidores do Festival Lula Livre, orientava as fotos dos políticos e participava das rodas de conversa nos camarins dos cantores, tudo junto e ao mesmo tempo... NO ENTREOUVIDO do palco, artistas que não se viam a longa data se reencontravam e tratavam de colocar a conversa em dia. O assunto principal era se a esquerda se uniria para disputar as eleições no Rio... OS ORGANIZADORES serviram cachorro-quente, bolo de mandioca, salgadinho e mini pizza aos convidados. Teve cerveja e suco à vontade... O CAMARIM coletivo que serviu a Chico Buarque, Gilberto Gil e Beth Carvalho foi dos mais disputados. Um segurança e duas produtoras do evento faziam o controle da entrada e saída... ALIÁS, O TRIO SE divertiu à beça antes de o show começar. Em princípio, Chico fecharia o show, mas ele fez questão de que Gil encerrasse o evento na Lapa. O baiano aceitou e terminou agitando o povão na praça com “Deixa a vida me levar”.  
Vista de cima dos Arcos da Lapa, lembrando as Diretas Já
Ausência sentida…
Caetano Veloso foi a grande ausência do Festival Lula Livre. Está em turnê pela Europa, acompanhado de Paula Lavigne. Na noite da Lua de Sangue, passeavam pelas ruas de Barcelona, após um jantar com direito a vinhos e boa comida, à procura do eclipse, discutindo a lua, estrelas e até a rotação terrestre. Jamais poderiam ter imaginado que, ao virar a esquina iriam dar de frente com uma manifestação imensa dos taxistas locais, que cobram do Governo maior regulação sobre o serviço do Uber. Por lá, a manifestação não durou apenas algumas horas, mas, sim, a noite toda. Os taxistas pararam as ruas com seus carros e dormiram dentro deles, e por ali ficaram, inclusive, durante a manhã. São milhares de taxistas por toda cidade, sem circular em protesto contra a “concorrência desleal no mercado de transporte privado”. Feliz o país em que o protesto é apenas contra o Uber e não contra as restrições ao livre processo democrático. 
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LULA ESCREVEU aos artistas que fizeram o Festival Lula Livre, nos Arcos da Lapa. Eis um trecho:  “Vocês não imaginam quantas vezes a música, os livros, a arte têm me ajudado a atravessar essa provação, que não é maior que a de tantos pais e mães de família brasileiros, que hoje não sabem como irão trazer comida para casa. É em nome deles que não podemos desanimar jamais”.

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