Bolsonaro não se importa com a tragédia sanitária e nem com a crise econômica.
Ele quer o caos, ele joga no caos, porque para o seu projeto autoritário e no delírio permanente em que ele vive, o caos pode gerar a possibilidade dele se eternizar no poder.
Desta forma. é necessário conter constitucionalmente esse projeto ditatorial de poder.
Torna-se fundamental abrir o processo de impeachment.
Bolsonaro ataca a constituição, ataca o código penal e coloca em risco a vida de milhões de brasileiros.
Este desgoverno não tem planejamento, não tem estratégia para enfrentar essa pandemia.
O que temos é uma total ausência de articulação e liderança do governo federal.
Estamos dependendo das ações dos governadores e prefeitos. Se não fossem eles a situação seria mais dramática.
Temos um presidente que não respeita a ciência, a saúde pública e as autoridades sanitárias.
O maior aliado do vírus se chama Jair Bolsonaro.
A economia tem que está a serviço da vida.
E neste momento o distanciamento social é o único caminho, pois não temos ainda um medicamento comprovadamente eficaz e nem a vacina.
Além de tudo isso, há ligações do presidente com as milícias, intervenção na polícia federal para proteger a família e a irresponsabilidade na forma que se apresenta frente à epidemia do coronavírus.
Por tudo isso, é necessário um pedido suprapartidário de impeachment, que deveria ser encabeçado por entidades da sociedade civil, por movimentos sociais, por juristas e por parlamentares de diversos partidos para retirar esse presidente.
Há por parte de Bolsonaro uma crueldade ao lidar com a pandemia. É um sociopata.
O problema vai além da questão política. É questão de humanidade.
Algum dia talvez esteja no banco dos réus em algum tribunal internacional por genocídio.
Teich, o Breve, foi um ministro da Saúde perdido, incompetente e inexpressivo.
Foi humilhado repetidas vezes pelo chefe, que ocupou militarmente a pasta e não teve pudores de demonstrar publicamente que o empresário-médico não apitava nada.
O resumo de sua passagem foi a patética cena em que descobriu pela imprensa que Jair Bolsonaro decidiu liberar da quarentena academias, salões de beleza e barbearias sem lhe consultar.
Mas nestas poucas semanas que ficou no cargo, apesar das concessões para sua própria dignidade, não abraçou duas aberrações do chefe: o libera-geral da cloroquina para tratar todos os pacientes de covid-19 e a defesa do "isolamento vertical" - a ficção infanto-juvenil de que o vírus mata apenas idosos e pessoas imunodeprimidas e, portanto, para combatê-lo basta trancar esses grupos em casa. Isso levou Nelson Teich ao cadafalso.
O presidente não quer alguém que atue de forma minimamente técnica no Ministério da Saúde. Quer alguém que diga a ele "sim, senhor!" e "amém".
Bolsonaro tem duas apostas hoje. Primeiro, forçar que a economia volte ao "normal", pois sabe que um desemprego prolongado transformará seu mandato em morto-vivo e sua reeleição, em 2022, em conto da carochinha.
O problema é que voltar ao trabalho e reabrir comércios não vai afugentar o vírus, pelo contrário, será o empurrãozinho que ele precisa para passarmos de tragédia para massacre.
Entra, então, a segunda aposta: caso hospitais entrem em colapso, cadáveres se amontoem, faltem recursos para milhões sobreviverem e ocorram saques e protestos, o presidente poderá tomar medidas autoritárias, centralizando poder, como um estado de sítio ou a suspensão de direitos e liberdades. Um antigo sonho de consumo.
Nesta quinta (14), que quer a previsão de uso da cloroquina para sintomas leves de covid-19 e não apenas em quadros mais graves. O presidente não tem provas de que isso dará certo, mas lhe sobram convicções. A questão é que nada indica que o medicamento salvador seja este, como apontam pesquisas em todo o mundo, como as que analisaram milhares de pacientes e foram publicadas no New England Journal of Medicine e no Journal of the American Medical Association.
Pelo contrário, há mais problemas do que soluções envolvendo a cloroquina.
Independentemente de quem seja, Bolsonaro quer alguém obediente, que aceite passar por cima da ciência e da medicina, e o ajude a devolver o Brasil à normalidade. No fórceps, se for preciso.
Ou seja, que em nome da tranquilidade de seu mandato ou da proteção de sua visão autoritária, entregue à população brasileira à própria sorte.
Governador do Maranhão, Flávio Dino (Foto: Gilson Teixeira/Secap) Brasil 247 - O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), usou o Twitter para anunciar que irá publicar um decreto requerendo administrativamente os leitos de hospitais da rede privada para atender pacientes da Covid-19 nos municípios de São Luís e Imperatriz.
"Nesta manhã, vou publicar decreto de requisição administrativa de leitos de hospitais privados em São Luís e em Imperatriz. Coronavírus deve ser a prioridade de todos, já que infelizmente temos milhares de pessoas doentes no Brasil", postou Flávio Dino.
São Luís foi a primeira cidade do país a decretar o “lockdown” (bloqueio total) para tentar conter o avanço da pandemia provocada pelo novo coronavírus. Segundo dados do Ministério da Saúde, o maranhão registra 6.765 casos e 355 mortes por Covid-19.
Segundo Dino, a maioria da população está consciente sobre a necessidade das medidas de isolamento social, mas aqueles que ainda não estão convencidos mudaram de percepção em função dos bloqueios das ruas e avenidas.
"Temos a orientação da polícia de cumprir a lei. O primeiro caminho é o diálogo, se necessário for, se houve resistência, neste caso, a lei será cumprida. Temos previsões legais quanto ao cometimento de crimes. Creio que isso, se ocorrer, será um ou outro caso, porque as pessoas estão convencidas, e, quem não se convenceu, será convencido pelas barreiras que serão colocadas a partir de amanhã", destacou.
Confira a postagem de Flávio Dino sobre o assunto.
Nesta manhã, vou publicar decreto de requisição administrativa de leitos de hospitais privados em São Luís e em Imperatriz. Coronavírus deve ser a prioridade de todos, já que infelizmente temos milhares de pessoas doentes no Brasil.
Em painel moderado por Andreza Matais, os Governadores João Doria (SP), Helder Barbalho (PA), Renato Casagrande (ES), Flavio Dino (MA) discutem os desafios enfrentados por seus estados na pandemia de coronavírus.
Governadores se unem contra Bolsonaro e apontam impeachment.
Obstrução de justiça e ingerência em outros poderes são os crimes do presidente.
C. Sociais e Humanas em Saúde e Covid-19: compreender as interdependências para produzir resistências
Bruno C. Dias
Com o título Covid-19: desigualdades, vulnerabilidades, silenciamentos e ignorâncias, pensadores de diferentes perspectivas das Ciências Sociais e Humanas em Saúde jogaram novas luzes no entendimento da pandemia no painel realizado em 30 de abril, na Ágora Abrasco, programação de debates realizada na TV Abrasco, ampliando sentidos e olhares para além da dimensão estritamente biomédica, fazendo valer a importância dessa área na constituição da Saúde Coletiva.
Docente do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) e da Coordenação da Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da Abrasco, Monica Nunes faz a abertura e apresentação da sessão, ressaltando o papel das diferentes expertises reunidas para uma análise complexa e com maior profundidade do fenômeno.
“Num país como o nosso não é possível de isolamento sem falar de redes compensatórias e redes solidárias. Por que essa negação do Executivo? Por que essa negação da ciência no nível ideológico?” levantou Sandra Caponi, professora titular do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (DSCP/UFSC), afirmando que o negacionismo tem como características o uso de temas isolados para o questionamento da visão crítica da ciência, além de mecanismos discursivos marcados por distorções e esvaziamento das ações de pessoas e grupos.
Para ela, há grandes afinidades entre o negacionismo e a razão neoliberal. “Na lógica neoliberal, o SUS, a educação pública e a previdência social são estigmatizadas e lidas como políticas destinadas àqueles que não conseguiram vencer” analisou Sandra, afirmando que a visão do governo é que nada deve mudar após a pandemia. “Há o falso dilema entre vida e economia, que não é uma exclusividade brasileira, mas que não é uma questão, mas sim uma escolha biopolítica entre proteger a vida ou expô-la à morte” sentenciou Sandra.
Também professora do ISC/UFBA, Leny Trad deu sequência às exposições, perguntando a quem interessa silenciar as Ciências Sociais e Humanas em saúde justamente nessa pandemia, articulando o discurso negacionista com os constantes ataques às humanidades. O último foi a suspensão das bolsas PIBIC a “quaisquer áreas que não tecnológicas”, sacramentada em portaria do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 23 de abril.
No entanto, a docente ressaltou que essa tentativa dos obscurantistas é em vão. “Essa busca [de invisibilização] não tem nos detido; e o campo nunca esteve tão afiado, com produções oportunas”, disse Leny, citando a psicóloga boliviana Maria Galindo, que expõe a pandemia como um elemento que traz à tona problemas históricos posto embaixo do tapete pelo pensamento colonial; e Paul Preciado, que articula ao coronavírus o conceito de máscara cognitiva, impedindo a muitos uma reflexão crítica sobre o fenômeno, e que tem sido cada vez mais produzido fora das torres de marfim das universidades.
Observar a situação da população negra e dos auxiliares de enfermagem como categorias com altos percentuais entre os óbitos são elementos, para Leny, que ressaltam a necessidade de um olhar interseccional para revelar hierarquia social e racial que permanece imutável no Brasil contemporâneo. “Qualquer quarentena é sempre discriminatória. Mais possível para uns do que para outros e impossível para um vasto grupo de cuidadores, sem esquecer que matar e deixar viver fazem parte dessa dinâmica” trouxe a expositora, citando Judith Butler e Achille Mbembe.
Compreender as interdependências para produzir resistências: Docente e pesquisador do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/Uerj), e vice-presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Sérgio Carrara destacou o trabalho político desenvolvido pelas entidades científicas como Abrasco, ABA e Sociedade Brasileira progresso da Ciência (SBPC) como fundamentais para a resposta social à pandemia. “É a solidariedade como reação”.
Num tempo em que são retomadas tecnologias do século XVII como a quarentena, o docente criticou os modelos epidemiológicos excessivamente individualistas. “As pessoas não são pontinhos e a sociedade não é um quadro branco. Será que temos condições de pensar a epidemia numa topografia social acidentada como a brasileira?” questionou Sergio Carrara, sem destacar a importância dos modelos matemáticos, porém buscando olhar além deles.
Para o pesquisador, é necessário pensar interdependência, mesmo entendendo os pontos de vulnerabilidade social, como forma possível de articular ações de resistência. “Nossa relação com os sepultadores é uma dessas relações que a sociedade prefere não pensar. A gente percebe que eles são e já eram fundamentais, e que não eram percebidos” finalizou Sergio Carrara.
Vulnerabilidades, privilégios e interdependências também marcaram a fala de Dudu Ribeiro, historiador especialista em gestão estratégica de políticas públicas e coordenador da Iniciativa Negra por Uma Nova Política sobre Drogas. “Essas desigualdades produzem silenciamentos e ignorâncias e dão pistas de como os avanços da pandemia funcionam diferentemente para uns e outros, entre o Titanic e o Navio negreiro. Corpos circulantes e os em isolamentos provocam contagens completamente diferentes” apontou.
Ao destacar a dimensão ainda mais impactante do que comumente é chamado de micropolítica, ele destacou o caráter nocivo das guerras às drogas e as estratégias de aproximação entre os considerados “inimigos” dos “homens de bem”: vírus, estrangeiros, negros em políticas de superencarceramento, e as mulheres negras, às quais destacou como centrais na articulação das redes de cuidado dentro das favelas.
Para ele, somente com esses reconhecimentos a sociedade terá alguma capacidade de dar uma resposta à pandemia sem deixar os grupos historicamente excluídos para trás. “Esse diálogo da produção científica com saberes potentes da vida, a partir de papéis motivadores, é necessário. Como fazer com que isso não se perca e que possamos produzir mais conexões?” encerrou Dudu lendo um trecho de “Cartas à minha mãe”, da escritora cubana Teresa Cárdenas.
Antes de abrir para o debate, Monica Nunes arrematou a discussão, costurando as ricas visões expostas nas falas do painel. “Além das estigmatizações citadas, vejo também uma visão da natureza como inimiga. Essa pandemia faz a gente pensar como estava andando nossa convivência ecológica e a desarmonia na nossa relação com a natureza, o que pode nos fazer entender melhor a emergência dessa epidemia” marcou a abrasquiana. Assista abaixo na íntegra.
As perguntas dirigidas ao presidente Jair Messias Bolsonaro sobre os mortos pelo Covid-19, no fundo, reeditam a pergunta que Deus faz a Caim pelo sangue de Abel: “onde está o teu irmão?”. E Caim responde: “sou eu responsável por meu irmão?”. A resposta zangada de Caim, na perspectiva filosófica de Emmanuel Levinas, o filósofo da alteridade, é a gênese da imoralidade; ela reverbera o descompromisso ou desinteresse para com o sangue do outro — o irmão. Em outras palavras, diz Caim a Deus: “NÃO TÔ NEM AÍ!”.
Embora use expressão diferente, no conteúdo, é exatamente a mesmíssima resposta que CAIM-BOLSONARO dá aos jornalistas diante do sangue de milhões de brasileiros mortos pelo coronavírus: “E DAÍ?” (“não sou coveiro”; “não faço milagre”).
Nesse momento, mais que respostas, Caim-Bolsonaro revela o que jaz em seu coração sem Coração: a morte do outro (afora os da minha família e do meu gado) não me interessa. Não respondo por eles/elas: “NÃO TÔ NEM AÍ!”. É o “je m’en fiche” presidencial em tempo de pandemia. William James na obra “Variedades da Experiência Religiosa” traduz: “‘Je m’en fiche’ é o vulgar equivalente francês da nossa expressão ‘Não estou nem aí’”.
Marcelo Leite em artigo intitulado “Governo desnaturado chega ao fim” oferece claro e direto diagnóstico sobre a alma do presidente. Escreve: “o gabinete do ódio não é uma salinha no palácio do planalto… Mas o coração do próprio presidente”. Explicando o título do artigo diz Marcelo Leite: “‘desnaturado’, aqui, como sinônimo de cruel, perverso, desumano, depravado. E de desequilibrado, aquele que não recua de seus delírios…”. E sublinha ainda: “Bolsonaro e seus filhos são sociopatas, gente sem responsabilidade moral nem consciência… Pouco lhes importa que o coronavírus inicie sua marcha macabra…”.
A parte o fato questões partidárias ou de identificações político-ideológicas (direita, esquerda, centro, etc.), qualquer cidadão com um censo mínimo de humanidade, tendo votado ou não no capitão, não pode deixar de ver a gravíssima situação de um Brasil em pandemia ser dirigido, não por um louco, mas por alguém cuja alma é incapaz de “phatos”. Esse alguém já não é mais humano. Repito: não se trata de ser de direita ou de esquerda, mas de ser ou não ser HUMANO. O presidente-capitão é autoritárário e não alteritário! Como bem diz a canção: “o rei mal coroado não queria o amor no seu reinado, pois sabia que não ia ser amado”.
Phatos é a capacidade humana de sentir, de se afetar ou sofrer; donde vem empatia. Para o filósofo Emmanuel Levinas a ética se funda na capacidade de responder ao apelo nascido do rosto do outro. O rosto do outro provoca o meu coração. Não posso ser indiferente ao seu apelo. Nisso o ser humano revela sua competência alteritária, isto é, sua disposição sincera de ser responsável pelo outro.
Conforme atesta o Antigo Testamento, Caim não se responsabilizou pelo sangue derramado do irmão (“sou eu responsável por meu irmão?”). Lamentável e perigosamente, na mesma desumana direção, o “E DAÍ?” de Caim-Bolsonaro que, a propósito, por incrível que pareça, é capaz de produzir diabólicos risos no seio de seus cegos e idolátricos apoiadores, é prova inequívoca de que o Brasil tem, por enquanto, no mais alto grau do poder Executivo, um ser no mais baixo grau de humanidade; se é que ainda lhe resta alguma…
Diz o Papa Francisco: “certas realidades da vida só se veem com olhos limpos pelas lágrimas”. Inexiste, pois, em Caim-Bolsonaro a “graça das lágrimas”, nos termos de Francisco.
E isso é triste, isso é fato, isso é trágico!
Contudo, apesar disso, sem pesar ou dó, dirão em defesa os terrivelmente entorpecidos e devotados Cains-apoiadores (entre os quais, bispos, padres e pastores):
“E DAÍ?”
***
Geraldo Jose Natalino (pe. Gegê)
*Pároco da Paróquia Santa Bernadete (Higienópolis/Manguinhos)
Membro do grupo Fé e Politica pe. João Cribbin
Psicólogo(PUC-RJ) com Pós-graduação em psicologia junguiana
Mestre em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-RJ
Doutor em Ciência da Religião pela PUC/SP