domingo, 18 de outubro de 2015

“Casas de Belo Horizonte”: Um resgate do legado arquitetônico da cidade




Quem anda por Belo Horizonte pode encontrar pelas ruas inúmeras casas e prédios antigos que enfeitam e trazem um ar saudosista à cidade. Em meio às novas construções de aparências modernas e acinzentadas, os velhos prédios resistem – mesmo que, às vezes, sufocados por tanta modernidade – e compõem o cenário da capital.
“Casas de Belo Horizonte” é um projeto ainda em desenvolvimento que tem como objetivo despertar, por meio de fotos, o interesse das pessoas pelas casas antigas da cidade, que representam um grande patrimônio arquitetônico e histórico a ser valorizado. Arquiteto e Fotógrafo, o autor do projeto, que prefere manter sua identidade em sigilo, iniciou as postagens em seu perfil pessoal e ao perceber repercussão positiva, decidiu expandir as publicações para uma página específica do tema.


Foto: Página Casas de Belo Horizonte
Foto: Facebook/Casas de Belo Horizonte

As construções antigas estão por todas as partes de Belo Horizonte, e há décadas criam ligações entre épocas, famílias, pessoas e gerações, por isso, carregam em suas paredes muitas histórias pra contar. Como forma de resgatar as memórias “adormecidas” e despertar o olhar das pessoas para obras que muitas vezes passam despercebidas, a página – que funciona também como espaço para identificar essas casas – publica junto às fotos um breve relato sobre a origem e funcionamento das construções, que em alguns casos chegam a ultrapassar um século de idade. “Há alguns casos de leitores que apresentam algum vínculo familiar ou pessoal com a história das casas, o que é muito positivo”, relata o responsável pela página.
Em apenas uma semana a página alcançou mais de 40 mil acessos no facebook e tem despertado grande interesse do público pelos projetos arquitetônicos da cidade, “O apoio dos leitores superou muito as expectativas iniciais e temos recebido várias mensagens de pessoas interessadas no projeto, bem como indicações e sugestões de residências a serem fotografadas” conta o organizador.


Foto: Facebook/Casas de Belo Horizonte
Foto: Facebook/Casas de Belo Horizonte

“Percebemos que o projeto tem uma boa receptividade e, de acordo com a evolução e interesse na página, pensamos que é possível expandi-lo para outros formatos e mídias complementares.” O “Casas de Belo Horizonte” não conta com nenhum apoio financeiro e não tem vínculo com nenhuma instituição pública ou privada, mas caso a demanda seja crescente, podem procurar parcerias e suporte financeiro.
Por Marina Rezende/ jornal Contramão, do Centro Universitário UNA

sábado, 17 de outubro de 2015

O manifesto contra "retrocesso" de impeachment

Nesta sexta-feira (16), um encontro entre intelectuais, promovido pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, discutiu as tentativas de impedimento em curso contra Dilma Rousseff.

Na reunião, foi lançado um manifesto. Confira, abaixo, a íntegra do manifesto:

A sociedade brasileira precisa reinventar a esperança

A proposta de impeachment implica sérios riscos à constitucionalidade democrática consolidada nos últimos 30 anos no Brasil. Representaria uma violação do princípio do Estado de Direito e da democracia representativa, declarado logo no art.1o. da Constituição Federal.

Na verdade, procura-se um pretexto para interromper o mandato da Presidente da República, sem qualquer base jurídica para tanto. O instrumento do impeachment não pode ser usado para se estabelecer um “pseudoparlamentarismo”. Goste-se ou não, o regime vigente, aprovado pela maioria do povo brasileiro, é o presidencialista. São as regras do presidencialismo que precisam vigorar por completo.

Impeachment foi feito para punir governantes que efetivamente cometeram crimes. A presidente Dilma Rousseff não cometeu qualquer crime. Impeachment é instrumento grave para proteger a democracia, não pode ser usado para ameaçá-la.

A democracia tem funcionado de maneira plena: prevalece a total liberdade de expressão e de reunião, sem nenhuma censura, todas as instituições de controle do governo e do Estado atuam sem qualquer ingerência do Executivo.

É isso que está em jogo na aventura do impeachment. Caso vitoriosa, abriria um período de vale tudo, em que já não estaria assegurado o fundamento do jogo democrático: respeito às regras de alternância no poder por meio de eleições livres e diretas.

Seria extraordinário retrocesso dentro do processo de consolidação da democracia representativa, que é certamente a principal conquista política que a sociedade brasileira construiu nos últimos trinta anos.

Os parlamentares brasileiros devem abandonar essa pretensão de remover presidente eleita sem que exista nenhuma prova direta, frontal de crime. O que vemos hoje é uma busca sôfrega de um fato ou de uma interpretação jurídica para justificar o impeachment. Esta busca incessante significa que não há nada claro. Como não se encontram fatos, busca-se agora interpretações jurídicas bizarras, nunca antes feitas neste país. Ora, não se faz impeachment com interpretações jurídicas inusitadas.

Nas últimas décadas, o Brasil atingiu um alto grau de visibilidade e respeito de outras nações assegurado por todas as administrações civis desde 1985. Graças a políticas de Estado realizadas com soberania e capacidade diplomática, na resolução pacifica dos conflitos, com participação intensa na comunidade internacional, na integração latino-americana, e na solidariedade efetiva com as populações que sofrem com guerras ou fome.

O processo de impeachment sem embasamento legal rigoroso de um governo eleito democraticamente causaria um dano irreparável à nossa reputação internacional e contribuiria para reforçar as forças mais conservadoras do campo internacional.

Não se trata de barrar um processo de impeachment, mas de aprofundar a consolidação democrática. Essa somente virá com a radicalização da democracia, a diminuição da violência, a derrota do racismo e dos preconceitos, na construção de uma sociedade onde todos tenham direito de se beneficiar com as riquezas produzidas no pais. A sociedade brasileira precisa reinventar a esperança.

Assinam, entre outros: Antonio Candido; Alfredo Bosi; Evaristo de Moraes Filho e Marco Luchesi, membros da Academia Brasileira de Letras; Andre Singer; o físico Rogério Cézar de Cerqueira Leite; Ecléa Bosi; Maria Herminia Tavares de Almeida; Silvia Caiuby; Emilia Viotti da Costa; Fabio Konder Comparato; Guilherme de Almeida, presidente Associação Nacional de Pós-Graduação em Direitos Humanos, ANDHEP; Maria Arminda do Nascimento Arruda; Gabriel Cohn; Amelia Cohn; Dalmo Dallari; Sueli Dallari; Fernando Morais; Marcio Pochman; Emir Sader; Walnice Galvão; José Luiz del Roio, membro do Fórum XXI e ex-senador da Itália; Luiz Felipe de Alencastro; Margarida Genevois e Marco Antônio Rodrigues Barbosa, ex-presidentes da Comissão Justiça e Paz de São Paulo; os cientistas políticos Cláudio Couto e Fernando Abrucio; Regina Morel; o biofísico Carlos Morel; Luiz Curi; Isabel Lustosa; José Sérgio Leite Lopes; Maria Victoria Benevides, da Faculdade de Educação da USP; Pedro Dallari; Marilena Chaui; Roberto Amaral e Paulo Sérgio Pinheiro

*Com informações dos Jornalistas Livres

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Frei Rodrigo Péret recebe Título de Cidadão Honorário de Uberlândia





Assista o vídeo clicando abaixo:


#‎CIDADÃOHonorárioFREIRodrigoPÉRET
#‎VereadorISMAELCOSTA
#‎JUNTOcomOPOVO 

O coordenador da Pastoral da Terra, Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, recebeu nesta quarta-feira (14) das mãos do Vereador ISMAEL COSTA (PT) o título de Cidadão Honorário de Uberlândia.

O parlamentar ressaltou a história de luta do Frei Rodrigo e o compromisso com aqueles que mais precisam: “Eu aprendi muito com ele, infelizmente, são poucos os que se engajam de forma verdadeira e comprometida com a causa dos Sem Terra e dos Sem Teto no Brasil. Frei Rodrigo me ensinou a recuar quando era preciso e avançar na hora certa, entremeio aos embates da luta por moradia digna e terra para plantar e colher no município de Uberlândia.

Sabemos que é na luta que se faz a Lei e foi nos movimentos sociais que eu formei a minha consciência política e tenho orgulho disso, nesta caminhada o Frei Rodrigo teve sem dúvida, uma grande influência. 
Parabéns pela jornada, pelo compromisso com os excluídos, de permanecer na luta independente dos momentos difíceis ou de conquistas. Grande abraço companheiro!” 

O Frei Rodrigo Péret nasceu em vinte e nove de setembro de 1955, em Belo Horizonte, Minas Gerais, filho de Luciano Amédée Péret e Vera de Castro Amédée Péret.

Em 1979 formou-se em Engenharia Cívil pela Escola de Engenharia Kennedy, na região de Venda Nova. Frei Rodrigo Péret também cursou as faculdades de Filosofia e Teologia na cidade italiana de Nápoles, no ano de 1989. 

Todavia, a sua vocação que resultou no engajamento nas lutas dos movimentos sociais começou no final dos anos 70, ao conhecer a Ordem dos Franciscanos.

Atualmente, o Frei Rodrigo Péret acompanha a questão da terra no Brasil, no que envolve a questão ambiental (a degradação de áreas de preservação permanente e a violação dos direitos humanos, decorrentes da exploração mineral).

A Pastoral da Terra tem atuado nas cidades de Araxá, Barreiro e Paracatu, em parceria com o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração que luta pelo Macro Regulatório e Código Mineral (que tratam do aspecto da regulação das atividades de exploração). Em função disso, a partir de 2013, Frei Rodrigo Péret se tornou membro da Rede Latino Americana Igreja e Mineração e, desenvolve o Projeto Justiça e Paz na Mineração. 

Em dezembro deste ano, vai participar da Conferência do Clima (COP2), em Paris, onde são esperadas de 40 a 50 mil pessoas, de mais de 95 nações. O encontro substituirá o protocolo de Kyoto, sobre o Clima. A solenidade de entrega do Título de Cidadão Honorário aconteceu no Plenário Homero Santos na Câmara Municipal de Uberlândia.




Leia o texto do pronunciamento do Frei Rodrigo Péret:

Por ocasião do título de Cidadão Honorário.

Agradeço de coração essa deferência a mim concedida por essa casa que tem como função representar o povo desta cidade. Agradeço ao vereador Ismael Costa, oriundo do movimento de luta pela terra, pela propositura desse título. Acolho com humildade e gratidão. Passo a ser conterrâneo dos aqui nascidos. Se os laços afetivos por si só já me faziam sentir daqui, agora vivo uma confirmação formal. Muito obrigado.

Ser cidadão é uma vivência comunitária, não se é cidadão sozinho. Sinto que essa concessão é um fruto comunitário.

Estive pensado no que dizer. E me veio refletir a conjunção dos termos cidade, cidadão, cidadania. A narrativa predominante, nos diz que essas palavras tem a mesma origem. Nos diz também que a palavra cidadão representa quem vive numa cidade, e ao mesmo tempo quem possui direitos civis, políticos e sociais. Contudo, para além dessa narrativa, a realidade é que, cidade, cidadão e cidadania são decorrentes de construções humanas, frutos de relações sociais estabelecidas no decorrer dos tempos, correlações de forças.

De um lado, historicamente, por exemplo, as relações sociais estabelecidas a partir da criação das cidades, romperam, na época, com o poder feudal, no qual o camponês estava atrelado ao proprietário da terra por laços de subordinação pessoal. O cidadão urbano então quebrava o direito senhorial. Hoje, a cidade é uma mercadoria e o cidadão é um consumidor de bens e serviços. Saúde, educação, moradia, transporte, segurança, ambiente, lazer, arte e cultura não são vistos como base de vida e portanto como direitos, mas são entendidos como mercadorias.

A exigência moral para quem recebe um título de cidadão é de se perguntar então: De quem é a cidade? Que cidadania é essa? Se a cidade é de todos, centro e periferia seriam, então, um grau de distancia geográfica. A periferia seria simplesmente o contorno externo de uma qualquer superfície ou área. Mas não é assim, todos nós sabemos. Centro - periferia é distância econômico-social. É produção de “Cidadão Mutilado”, no dizer do geógrafo Nilton Santos.

Por outro lado, junto à questão econômica e social, numa visão de que tudo está interligado, numa perspectiva ambiental, a cidade separou o humano da natureza. Produziu-se e se sobrepôs à natureza o espaço do ser humano. A natureza, então, é que deve se submeter ao traçado urbano. As consequências sofremos todos nós, quando se acredita, que a questão ambiental e os processos de licenciamento são um entrave econômico e um atraso para o desenvolvimento. Neste exato momento, aqui em Minas, um projeto de lei, quer alterar a política ambiental e mudar as regras do licenciamento. Uma pena, é uma arrogância técnica e econômica, que leva alguns a não crer que é a natureza, que nos sustenta e governa.

Sei que esses grandes desafios são debatidos a cada dia nesta casa e vividos no cotidiano pela população.
O direito à cidade, é direito cidadão, é cidadania. É a lógica do valor do publico sobre o privado, superando uma urbanização especulativa e acumulativa. A cidade deve nos levar a sentir como parte de um “nós”, que construímos juntos, como nos diz o Papa Francisco, em sua Encíclica, Laudato Si’.

Hoje, em Uberlândia, são mais de 8 mil famílias em áreas ocupadas e mais de 2 mil em áreas irregulares, pesando sobre muitas delas as ameaças de despejos. Ações judiciais de reintegração de posse deveriam ser evitadas, nesses casos. Milhares de famílias, aglomeradas em latifúndios urbanos e rurais, mantidos como reserva de valor, sem nenhuma função social, em condições de clara inconstitucionalidade e ilegalidade, são tratadas como um nada, são expulsas de suas casas e terras, sem garantia sequer de um destino certo. Ontem mesmo, se deu inicio, de forma pacífica, o despejo de famílias que estão em uma área, já decretada de utilidade pública para desapropriação, pelo executivo de nossa cidade.

Recordo aqui, a já mencionada Encíclica:

A falta de habitação é grave em muitas partes do mundo, tanto nas áreas rurais como nas grandes cidades, nomeadamente porque os orçamentos estatais em geral cobrem apenas uma pequena parte da procura. E não só os pobres, mas uma grande parte da sociedade encontra sérias dificuldades para ter uma casa própria. A propriedade da casa tem muita importância para a dignidade das pessoas e o desenvolvimento das famílias. Trata-se duma questão central da ecologia humana. Se num lugar concreto já se desenvolveram aglomerados caóticos de casas precárias, trata-se primariamente de urbanizar estes bairros, não de erradicar e expulsar os habitantes. Mas, quando os pobres vivem em subúrbios poluídos ou aglomerados perigosos, «no caso de ter de se proceder à sua deslocação, para não acrescentar mais sofrimento ao que já padecem, é necessário fornecer-lhes uma adequada e prévia informação, oferecer-lhes alternativas de alojamentos dignos e envolver diretamente os interessados». Ao mesmo tempo, a criatividade deveria levar à integração dos bairros precários numa cidade acolhedora: «Como são belas as cidades que superam a desconfiança doentia e integram os que são diferentes, fazendo desta integração um novo fator de progresso! Como são encantadoras as cidades que, já no seu projeto arquitetônico, estão cheias de espaços que unem, relacionam, favorecem o reconhecimento do outro!» (Laudato Si’ numero 152)

Caros senhores vereadores cuidar de nossa casa comum, é promover uma distribuição adequada. Confio no espírito cidadão de cada um aqui presente, para votar favoravelmente nos processos de desapropriação, regularização fundiária e urbanização, que certamente chegarão, muito em breve, para a decisão desta casa. Conto também com a capacidade democrática desta casa de cobrar sempre para que esses processos aconteçam e cheguem a bom termo.

Esse é o compromisso cidadão com essa cidade. Assim tenho vivido ao longo desses mais de 30 anos, desde que eu vim de Belo Horizonte. Devo dizer com alegria, que com este povo mais pobre, humilde e lutador tive a melhor escola cristã de vida. Em suas vidas eles dão testemunho do evangelho vivido. A perseverança, garra e organização do povo sem teto e sem terra deste município de Uberlândia, são uma lição de vida e grande patrimônio de valor moral.

Muito obrigado!

Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, ofm







“Acabou o golpe. E Janot vem aí”, diz jurista

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania


STF obriga Câmara a ter 2/3 dos votos para abrir impeachment #NãoVaiTerGolpe
O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), acaba de conceder liminar invalidando o rito definido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no caso de arquivamento de um pedido de impeachment a ser feito pela oposição.
A decisão de Zavascki é uma resposta a um mandado de segurança (MS 33837) enviado ao STF na 6ª feira pelos deputados Wadih Damous (PT-RJ) e Rubens Pereira Jr. (PC do B-MA).
“Acabou o golpe. E Janot vem aí”, diz Luiz Moreira, professor de Direito Constitucional e doutor em Direito pela UFMG e membro do Conselho Nacional do Ministério Público por dois mandatos. Ele deu entrevista ao Blog da Cidadania para explicar o que acaba de acontecer. 
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Blog da Cidadania – Você diz que, na prática, o golpe foi inviabilizado pela recente decisão do STF. Vai se configurando o que, recentemente, previu o professor Dalmo Dallari. O STF tende a barrar os arroubos golpistas da oposição e de setores do PMDB e da mídia. Pode explicar para nós essa decisão do ministro Teori?
Luiz Moreira – Há uma previsão na Constituição que estabelece o quórum para tramitação de processo de impeachment – que é um pouco complexo. A Câmara dos Deputados recebe a proposta e, uma vez aprovada, ela é enviada ao Senado Federal e, uma vez essa Casa instalando o processo de impeachment, o presidente da República ficaria afastado seis meses do cargo e o processo no Senado seria presidido pelo presidente do Supremo [no caso, pelo ministro Ricardo Lewandowski]. O que é essa decisão do STF, do ministro Teori Zavascki? Afasta o quórum simples [para abertura do processo de impeachment pela Câmara, que seria de metade dos deputados mais um], que não existe nem sequer para indicação de autoridades (…), e estabelece que o quórum de maioria absoluta, de dois terços dos deputados [342], há de ser preservado em todo o processo.
Blog da Cidadania – Dizem que a estratégia da oposição e de Eduardo Cunha é a de ele arquivar o pedido da oposição e esta derrubar a decisão dele em Plenário.
Luiz Moreira – Se a estratégia for essa, há dois impedimentos. Há o quórum; agora a necessidade é a de quórum constitucional, não é mais quórum regimental, portanto é de DOIS TERÇOS dos votos da Câmara – não dos presentes, mas dos 513 deputados. E, dois, tem que haver materialidade. E o pedido de Hélio Bicudo e Miguel Arraes não pode ser auditado por manifestação de servidor do Tribunal de Contas. Tem que ser auditado pelo Ministério Público e o Ministério Público de Contas não é Ministério Público Brasileiro. É a mesma comparação, Eduardo, entre a polícia militar e a polícia do Senado.
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O sentimento geral no mundo jurídico e político é o de que o impeachment subiu de vez no telhado. E de que a situação de Eduardo Cunha se complicou muito. Um informação que corre é a de que o procurador-geral da República deve pegar pesado com o presidente da Câmara dos deputados.
Correm boatos de que Janot tem confidenciado que tem elementos que ligam Cunha à invasão de sua residência no início do ano. Além disso, o procurador-geral da República teria convicção de que o peemedebista estaria usando o cargo para intimidar testemunhas e até o governo federal. Especula-se que podem surgir denúncias contra Cunha por esses crimes.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Os golpistas querem o poder para manter a mentalidade colonial


Colunista

Os golpistas querem cortar cabeças


Querem o poder para quê? Para retomar os negócios de colonizadores? Alguém vê sensibilidade social no olhar de algum dos golpistas que se apresentam todos os dias nas telas de TV, nos jornais e revistas de final de semana?


Impossível olhar o Brasil e não ver na paisagem política os conflitos ancestrais emergindo da história, desenhando a crise que rói as instituições da República, por mais sólidas que elas sejam.
Uma história vermelha de sangue. Aqui se dizimou nações indígenas inteiras, corromperam os gentios, tomaram suas terras, arrancaram-lhes a divindade, instalaram neles o Deus único e a culpa.
Escravizaram homens e mulheres negros, humilharam, violentaram, açoitaram, e os abandonaram à própria sorte, segregados.
Os senhorio sempre manteve o poder de classe, a subordinação, com a ração numa mão e o chicote na outra.
A mentalidade colonial persiste, patrões e feitores ainda rugem nas ruas, nas manifestações recentes, nas empresas, nas famílias, no jornalismo, nas redes sociais, com o mesmo ranço da escravidão, com a mesma violência que cortaram cabeças de quem se rebelou, no passado, contra a dominação e a miséria.
Felipe dos Santos foi uma das primeiras vítimas a ser liquidada, por lutar pela liberdade, pela independência do Brasil.
Amarrado braços e pernas numa junta de cavalos bravios foi arrastado pelas ruas de Vila Rica até partir o corpo em pedaços.
Teve a cabeça decepada, exposta no paço, as partes do corpo salgadas e penduradas em árvores da estrada principal que dava na cidade.
Degolaram e esquartejaram Tiradentes, também salgaram-lhe as partes do corpo e penduraram em postes nas ruas de Vila Rica.
O mesmo fizeram com Zumbi dos Palmares, cortaram-lhe  a cabeça salgaram e levaram ao governador de Pernambuco, Melo de Castro. No Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, no Pátio do Carmo.
Cortaram também as cabeças de Antônio Conselheiro, Lampião e seguidores deles, as expuseram em praças públicas.
Esses são apenas alguns exemplos da extrema opressão sofrida pelos de baixo desde a Colônia até os tempos atuais. A violência, a negação de direitos elementares e a rejeição à inclusão social continuam vivas na sociedade.

Sempre encarceraram, torturaram, mataram, para aterrorizar quem ousasse se rebelar contra o poder estabelecido. O Brasil é vermelho de sangue.

Os conservadores esmagaram todos os movimentos libertários, sempre tiveram as Forças Armadas a seu lado, ao longo da história, em vários ciclos de ditaduras, para reprimir movimentos, proteger o patrimônio e os privilégios de classe.
Assim, o senhorio se encastelou no topo da pirâmide e resiste a permitir que o povo conquiste os direitos de cidadania.
Como na democracia eles perdem sempre, nos momentos históricos em que o Brasil adotou modelos de desenvolvimento e políticas de relações internacionais que leve a mais independência, associados a políticas sociais com expansão de direitos e inclusão social, erguem-se golpes pela via militar ou pela via do Judiciário.
O senhorio tem sempre maioria conservadora na estrutura do Estado e nas corporações de comunicação, com seus asseclas a postos, prontos para conspirar, solapar e derrubar governos.
Foi assim com Vargas, que sofreu uma campanha tão violenta que levou-o ao suicídio. Foi assim com Juscelino Kubitscheck, com as tentativas de golpe, foi assim com João Goulart, que foi derrubado, e agora com Lula e Dilma. O enredo é o mesmo.
Só que desta vez o ódio de classe ressurgiu das entranhas da sociedade senhorial, instigado pelas corporações de comunicação e nas redes sociais, como reação ao empoderamento dos de baixo, e ao impacto da inclusão social proporcionada pelas políticas do governo federal nos últimos anos. Nada menos que 36 milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza, graças ao Bolsa Família e 42 milhões ascenderam à classe C.
Estudo do IPEA mostra que entre 2003 e 2012, os 10% mais pobres tiveram crescimento acumulado da renda real per capita de 107%, enquanto os mais ricos obtiveram incremento de 37% na renda acumulada.
Os ganhos reais foram quase três vezes maiores para os brasileiros mais vulneráveis socialmente. O muro da desigualdade, que parecia intransponível, começou a ser superado.
Novas universidades foram criadas (16), o Prouni, o Fies e o Pronatec estão permitindo o acesso da população mais desfavorecida ao ensino superior e ao ensino técnico profissionalizante.
O ajuste fiscal formulado para enfrentar os efeitos da crise e calibrar os gastos do governo, questionado pelo caráter recessivo, preservou os investimentos sociais.
Na política externa, entre outras coisas, em 2014, o Brasil pagou a dívida externa e acumulou reservas de US$ 376 bilhões.
O Brasil foi um dos articuladores do BRICS e do G-20. Foi fundador do Banco do Brics, hoje com US$ 100 bilhões em caixa para investimentos, um banco de desenvolvimento que é alternativa ao FMI e ao Banco Mundial.
O comércio exterior brasileiro se diversificou, reduzindo a dependência em relação à economia dos Estados Unidos e da Europa.
A crise internacional de 2008 mostrou que essa foi a opção mais acertada, afinal, o Brasil já não dependia tanto de quem estava afundando na crise.
Essas são algumas, entre muitas outras conquistas da população da base da pirâmide e da política externa promovidas pelos governos Lula e Dilma, que os conservadores resistem em reconhecer.
O mesmo ódio que cortou cabeças, esquartejou e salgou corpos no passado cega os opositores ao governo, não permite que vejam os avanços do projeto de desenvolvimento sustentável. Querem um golpe. Querem o poder para quê? Para retomar os negócios de colonizadores? Alguém vê sensibilidade social no olhar de algum dos golpistas que se apresentam todos os dias nas telas de TV, nos jornais e revistas de final de semana?
Os opositores ao governo estão agarrados ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, comprovadamente um dos políticos mais corruptos do país, e ao relatório do Tribunal de Contas da União, produzido por um ministro sobre o qual pesam denúncias publicadas no jornal Folha de São Paulo, apuradas pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, de ter recebido R$ 1,6 milhões por meios ilícitos. Dos nove ministros do TCU, quase a metade está sendo investigada pela polícia.
São os mesmos cegos de ódio ancestral.

domingo, 11 de outubro de 2015

Samuel Pinheiro Guimarães: imprensa joga pesado para barrar Lula

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Diplomata Samuel Pinheiro Guimarães aponta "jogo político" da mídia tradicional, por onde "vão surgindo alegações totalmente absurdas" contra o ex-presidente; para o ex-ministro, a estratégia da imprensa é impedir que o petista volte em 2018; acusação contra Lula por tráfico de influência "não faz o menor sentido", afirma


Diplomata critica sistema de imposto condescendente com grandes fortunas, diz que o rigor do ajuste afasta o PT de sua base social e vê a mídia em plena caça de Lula para impedir seu retorno
por Helder Lima e Marilu Cabañas, da Rede Brasil Atual
JORNALISTAS LIVRES
Samuel Pinheiro
Samuel Pinheiro Guimarães considera importante o Brasil ter assento no Conselho de Segurança da ONU
São Paulo – Brasil e Estônia são os únicos países que não taxam milionários, afirmou o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, durante gravação do primeiro programaEntrevista Coletiva, parceria do coletivo Jornalistas Livres e da TV dos Trabalhadores – TVT, que deve estrear em breve. O diplomata fez uma análise da conjuntura política econômica do país e criticou o ajuste fiscal. Para ele, o ajuste fiscal promovido pelo governo federal mina as bases do Partido dos Trabalhadores.
Guimarães exerceu cargo de secretário-geral de Relações Exteriores do Itamaraty e foi ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, no governo Lula. No início do primeiro mandato de Dilma Rousseff trabalhou como Alto Representante Geral do Mercosul.
O diplomata critica a injustiça tributária brasileira pelo fato de o sistema de impostos ser condescendente com os detentores de grandes fortunas. E refuta as tentativas dos setores da imprensa de criminalizar o ex-presidente Lula com objetivo de minar seu caminho de volta ao Planalto em 2018. "É um jogo político em que a mídia tradicional participa ativamente. Como não tem outra alegação, vão surgindo alegações totalmente absurdas."
Outra preocupação levantada pelo embaixador, que justifica a insistência do Brasil por um assento no Conselho de Segurança da ONU, é o risco de Amazônia vir a ser usada como argumento para a ruptura de paz firmada em acordos internacionais, que poderia ser usado pelos países desenvolvidos em eventual conveniência.
Participaram da entrevista jornalistas de coletivos de mídias progressistas: Altamiro Borges, do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, Kiko Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, Manu Thomaziello, da União Estadual dos Estudantes, Marco Aurélio Mello, da TVT, Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador com mediação de Laura Capriglione, do Jornalistas Livres.
Confira a seguir alguns dos temas tratados pelo embaixador e ouça a reportagem.

Crise dos Brics na mídia conservadora

Não me consta que a China esteja em crise, ela está crescendo 7% ao ano, uma taxa expressiva diante dos 2% que crescem os europeus ou os Estados Unidos. Na minha opinião, a questão fundamental dos Brics é que eles colocam em jogo a estrutura de sistemas de controle dos países periféricos pelos países ocidentais, exercidos pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Os países muitas vezes entram em dificuldades e o banco dos Brics é uma alternativa que permite que os países tenham acesso a recursos sem ter de se submeter (aos organismos tradicionais). Eu acho que a experiência dos Brics não está em crise. Os eternos defensores dos organismos internacionais estão contra os Brics.

Investigação do ex-presidente Lula por tráfico de influência

Essa acusação não faz o menor sentido. Todas as autoridades dos Estados, como Estados Unidos, França, Alemanha, Grã-Bretanha, procuram defender os interesses das empresas de sua nacionalidade. Isso é normal, isso ocorre. Autoridades estrangeiras também vem ao Brasil defender a posição de suas empresas. Não há nada de errado nisso. Não sei se o ex-presidente Fernando Henrique faria isso, será? Ou será que ele não defendia o Brasil? Talvez ele não defendesse o Brasil. Que eu entenda, o presidente Lula nunca recebeu recurso para, como presidente e mesmo depois, defender os interesses de empresas brasileiras. Não há nenhum crime nisso.
Nós estamos em um processo político cujo objetivo, vamos deixar claro, é fazer com que as classes tradicionais recuperem o poder que tinham no Brasil durante 500 anos, e que se interrompeu em 2003. O objetivo, naturalmente, é impedir que o presidente Lula volte ao poder, por meio de sua desmoralização, de sua criminalização e assim por diante. É um jogo político em que a mídia tradicional participa ativamente. Como não tem outra alegação, vão surgindo alegações totalmente absurdas.

Conselho de Segurança da ONU

O Conselho detém o monopólio do uso da força ao nível mundial, da força direta e das sanções. Tem cinco membros permanentes. Isso tem uma grande importância porque os membros permanentes estão fora do alcance das decisões do Conselho. Ele nunca examinou a guerra do Vietnã, nem a guerra na Argélia, nem a invasão do Afeganistão à época da União Soviética. Isso não  entra na pauta.
O Conselho tem importância à medida que o Brasil, que não é um pequeno país, tem um potencial muito grande, mas não tem uma projeção externa e econômica, nem militar, nem política à altura desse potencial. Isso porque uma grande parte da economia do país não é nacional. Quando você escuta na imprensa sobre a “indústria nacional” estão falando de quem? Da Volkswagen do Brasil? Da General Electric do Brasil? É transnacional, e obedece a outros interesses.

Política externa do Brasil e protagonismo internacional

O presidente Lula, antes de tomar posse, já tinha feito 110 viagens ao exterior. E recebeu o primeiro mandatário em 1975, na cada dele. Ele criou o Foro de São Paulo, uma organização com reuniões periódicas dos partidos, movimentos de esquerda democráticos, então, ele conhecia muito as pessoas, e dava grande importância à integração sul-americana. Esse foro era odiado pela direita.
Naturalmente, são os movimentos de esquerda democráticos, que eles têm horror absoluto, aliás, do ponto de vista deles, com muita razão (risos). Quando o adversário começa a te elogiar muito é que tem algum problema com você (risos). O presidente Lula tinha um interesse pessoal na questão, e uma compreensão grande da América do Sul para o futuro político, econômico e social do país.
Diga-se de passagem que o presidente Lula lançou a ideia de combater a fome ao nível internacional. Já a presidenta Dilma vem de uma outra trajetória histórica. Em todos os momentos importantes ela tomou a decisão correta. Exemplos: na questão da condenação do golpe no Paraguai, e depois com o  ingresso da Venezuela no Mercosul.
É uma decisão que foi combatida, de uma forma extraordinária, e havia pessoas que consideravam que não era necessário. Depois na questão dos Brics, o apoio que ela tem dado, foi criado o banco dos Brics na reunião de Fortaleza, tudo isso dentro de uma burocracia conservadora dos ministérios.