sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Mississipi em Chamas: um filme corajoso e ainda atual

¨É incrível como, mesmo nos dias de hoje, o tema sobre preconceito ainda é atual. Mississipi em Chamas coloca o dedo na ferida do assunto. Um filme corajoso é assim que defino esta obra. É duro ver um filme deste, décadas depois de sua realização e ver que as coisas não estão muito diferentes hoje em dia. Segregação de raça, cor, sexo, opção sexual, a lista só aumentou invés de diminuir. Gera certa raiva, mas mais dor. Dois agentes do FBI, Gene Hackman e Willoem Defoe vão investigar um crime contra ativistas dos direitos civis, dois brancos e um negro, numa pequena cidade de Mississipi e se deparam com um cenário muito mais preocupante que imaginavam. Obrigatório! Curiosidade. O Filme foi indicado a 7 Oscars, incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator e Atriz Coadjuvante. Ganhou o de Melhor Fotografia.¨
( Alexandre Ayub Stephanou, jornalista e doutor em história, pesquisador e professor)

No final da matéria clique no vídeo para assistir o filme.


Mississipi em Chamas



Mississipi em Chamas
Mississippi Burning. EUA, 1988, 128 minutos. Direção: Alan Parker. Elenco: Gene Hackman, Willem Dafoe e Frances McDormand. Contexto histórico: atuação da Ku Klux Klan nos anos 60, o racismo no Sul dos Estados Unidos. Retrata o período que ficou conhecido como verão da liberdade, quando centenas de jovens engajados chegavam ao sul para cadastrar os negros como eleitores. Sinopse: o filme apresenta três ativistas dos direitos civis que são assassinados no Mississipi, o estado mais racista dos EUA, no ano de 1964. Dois agentes do FBI (Polícia Federal) chegam ao local para investigar o caso e toda a cidade parece conspirar contra a investigação. Uma onda de atos violentos contra os negros é promovida. Ponto forte: Mississipi em Chamas é o filme mais popular a mostrar os horrores da Ku Klux Klan, somente isso já seria um mérito. Mas o filme vai além, se reveste de um caráter de suspense que prende o telespectador até o último minuto, graças à precisão do seu roteiro e a atuação brilhante do elenco. A crítica que se faz, de que “são brancos” (os agentes) resolvendo as questões de negros e que os negros “sempre aparecem amedrontados” é injusta, há cenas de negros que enfrentam todo o poder público, controlado pela elite branca racista, inclusive nos tribunais, e aparece uma passeata organizada pelos negros. Mas o maior mérito do filme é a caracterização dos membros da Ku Klux Klan e a vinculação deles com o poder público.




Curiosidade: Um ano antes dos assassinatos, em 1963, noventa mil negros do Mississipi foram às urnas mostrando o desejo de mudança, apesar dos incêndios, da ameaças e das torturas que sofreram. Curiosidade II: Em 2005, 41 anos depois do ocorrido, um ex-integrante da KKK, Edgar Killen, aos 80 anos, foi declarado culpado pela justiça pelo assassinato destes três jovens. 






quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Lama tóxica chegará ao Oceano Atlântico e ameaça região rica em biodiversidade

Tragédia de Mariana: rompimento da barragem 

"O impacto na região marinha vai ser dezenas de vezes maior do que o que está ocorrendo ao longo do Rio Doce. O desastre no mar é crime internacional. É como se tivesse destruindo não o Rio Doce, mas o Rio Amazonas”, afirma o biólogo e pesquisador André Ruschi. Os rejeitos devem chegar ao mar até meados desta semana, depois de percorrer mais de 853 quilômetros."

"Ruschi explica que os rejeitos atingirão um importante ecossistema, em uma área de reprodução marinha que se estende por cerca de 10 mil quilômetros quadrados, próximos da foz do Rio Doce. Muitas espécies, como baleias, marlins e tubarões, além de tartarugas, buscam aquela área para se reproduzir, tendo o Rio Doce como fornecedor de nutrientes. “O litoral do Espírito Santo é a ‘Amazônia marinha’ do mundo. A região conta com uma grande biodiversidade que ajuda a processar a energia solar e filtra 15% do gás carbônico do planeta."





Rejeitos de minério ameaçam "Amazônia marinha"

Lama tóxica vai afetar peixes e a fauna no litoral, atingindo 10 mil quilômetros quadrados. Região tem alta concentração de corais

A poluição por metais pesados, verificada em análises laboratoriais de amostras de água do Rio Doce após a contaminação por toneladas de lama que vazaram das barragens de rejeitos que se romperam em Mariana vai acarretar sérios danos à biodiversidade, contaminando peixes e alimentos produzidos na região, apontam especialistas. Pior: os efeitos da catástrofe chegarão também ao Oceano Atlântico, onde deságua o rio, gerando um “desastre internacional”. É o que avalia o biólogo e pesquisador André Ruschi, diretor da Estação de Biologia Marinha Augusto Ruschi, de Aracruz (ES), uma das instituições de pesquisa ambiental mais antigas do país.

“O impacto na região marinha vai ser dezenas de vezes maior do que o que está ocorrendo ao longo do Rio Doce. O desastre no mar é crime internacional. É como se tivesse destruindo não o Rio Doce, mas o Rio Amazonas”, afirma Ruschi, salientando que a contaminação por metais pesados vai matar espécies marítimas, diminuindo a produção de pescados. Os rejeitos devem chegar ao mar até meados desta semana, depois de percorrer mais de 853 quilômetros.
Ontem, a lama atingiu a cidade de Baixo Guandu, no Espírito Santo. O nível de turbidez estava entre 10 mil e 50 mil NTU (Unidade Nefelométrica de Turvação), de acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). A intensidade considerada normal é de 100 NTU.
Ruschi explica que os rejeitos atingirão um importante ecossistema, em uma área de reprodução marinha que se estende por cerca de 10 mil quilômetros quadrados, próximos da foz do Rio Doce. Muitas espécies, como baleias, marlins e tubarões, além de tartarugas, buscam aquela área para se reproduzir, tendo o Rio Doce como fornecedor de nutrientes. “O litoral do Espírito Santo é a ‘Amazônia marinha’ do mundo. A região conta com uma grande biodiversidade que ajuda a processar a energia solar e filtra 15% do gás carbônico do planeta. Temos ali o maior banco de algas, calcário e corais do mundo”, diz o pesquisador , diretor da Estação Augusto Ruschi, acrescentando que, se o ecossistema morrer, pode haver significativo aumento na temperatura do planeta.

Ele observa que, além de peixes, outras espécies da fauna marinha serão afetadas, e avalia que os efeitos da poluição poderão ser sentidos durante séculos. “Se retirarem a lama do fundo do rio, os danos vão demorar 100 anos para ser recuperados. Se não, o meio ambiente vai demorar 1.500 anos para voltar ao que era antes da tragédia”, afirma.

A presença elevada de metais pesados no Rio Doce foi constada em análise feita pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Baixo Guandu (ES). O Estado de Minas recebeu cópia do laudo, que aponta a contaminação por arsênio em 263 vezes acima do permitido, sendo observada também a concentração elevada de outros elementos como chumbo, manganês, alumínio, bário e cromo. Isso contraria a alegação da Samarco de que a lama não é tóxica. A presença de metais pesados também foi constatada em análises do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).

Alimentos O biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais , reforça a avaliação dos que alertam para a destruição da vida no Rio Doce. Ele vê risco de contaminação de alimentos. “Isso pode gerar um problema de saúde pública, a partir do momento em que as pessoas se alimentarem de peixes ou produtos de hortas cultivadas em áreas próximas do rio, também sujeitas à contaminação”, explicou

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Estudantes de S.P. ocupam escolas em protesto contra fechamento


"os alunos estão "ocupando um espaço que é de direito deles", e fazem das ocupações uma estratégia que visa ao diálogo."



Contra Alckmin, alunos passam a ocupar 38 escolas

:

Em protesto contra a reorganização no ensino planejada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), estudantes, pais e professores ampliam mobilização, com novas escolas ocupadas a cada dia.(brasil 247)


CONTRA O FECHAMENTO 

Pedagoga defende ocupações: 'estudantes estão lutando por aquilo que acreditam'

Cláudia Petri, do do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), ressalta que escola deve formar "cidadãos críticos, participativos e conscientes

Rede Brasil Atual:

Ocupa
Chega a 40 o número de escolas estaduais ocupadas em todo o estado de SP
São Paulo – Para a pedagoga do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Cláudia Petri, ao ocuparem as escolas, em protesto contra o plano de reorganização imposto pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB), com o fechamento anunciado de ao menos 93 escolas, os alunos estão "ocupando um espaço que é de direito deles", e fazem das ocupações uma estratégia que visa ao diálogo.
Entrevistada na edição de ontem (16), do Seu Jornal, da TVT, Cláudia ressaltou que, em todo plano pedagógico das escolas, entre as diretrizes e metas propostas consta como prioridade formar cidadãos críticos, participativos e conscientes. "Nada mais é do que isso que a gente está vendo agora. Esses estudantes estão fazendo valer a sua opinião, os seus direitos, e lutando por aquilo que eles acreditam. É isso que a escola tem que fazer na formação desses jovens."
A pedagoga afirmou que faltou diálogo sobre a reorganização por parte do governo estadual, e que qualquer medida que afeta a vida de alunos, pais e professores, "precisa partir de uma base de conversa, com a comunidade escolar, com os sindicatos, as organizações de classe".
Assista a entrevista completa:
Ela afirma também que, ainda que a motivação da reorganização, de separar as unidades educacionais por ciclos (os ciclos I e II do Ensino Fundamental e o Ensino Médio funcionando separadamente) seja justificável, pelo aumento do desempenho dos alunos, esse seria apenas um dos critérios a serem considerados. "Dentro da educação, você não pode considerar uma única variável", afirma a pedagoga.
Outras questões, como o número de alunos por escola e por sala, o perfil socioeconômico dos alunos e a localização das unidades de ensino também deveriam ser consideradas.Cláudia lembra que, em muitas regiões de alta vulnerabilidade social, a escola costuma ser o único equipamento público disponível e, portanto, não pode ser fechada.
A pedagoga diz ainda que a reorganização deve afetar também a vida dos professores, em especial os temporários, da chamada categoria O, que podem ficar sem emprego, em decorrência do fechamento de escolas.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Lama tira vida dos ecossistemas e deixa rastro de destruição




Enxurrada de lama tira vida dos ecossistemas e deixa rastro de destruição

rádio itatiaia:

Lama deixa rastro de destruição por onde passa (Corpo de Bombeiros-MG)

Onze dias depois do rompimento das barragens de rejeitos da mineradora Samarco, na região de Mariana (MG), o cenário é de devastação e desesperança em toda a área atingida, que se estende por centenas de quilômetros. O impacto da enxurrada de 62 milhões de m³ de lama avança rumo ao oceano e deixa um rastro de destruição.

O inventário dos prejuízos sociais e ambientais ainda está apenas começando, mas, de acordo com especialistas, os ecossistemas atingidos estão irreversivelmente comprometidos.

Embora as empresas responsáveis sejam obrigadas pela lei a pagar a recuperação total dos estragos ambientais, neste momento, nem elas nem o governo ou cientistas sabem como será possível fazê-lo.

Se o impacto ambiental é ainda desconhecido e sua recuperação inimaginável, suas consequências são bem concretas para quem as sente na pele. Em um pasto na margem do Rio do Carmo em Barra Longa (MG), Gilson Felipe de Rezende, de 42 anos, cuida de cerca de 15 cabeças de gado. É uma área de menos de um hectare, que até então tinha como vantagem justamente o rio, fonte farta de água para o gado.

Fica a exatos 71 quilômetros de distância do ponto em que as barragens da mineradora Samarco romperam. E está coberto de barro.
Mesmo a essa distância, a lama foi capaz de formar ali uma “casca” nas margens e no fundo do rio, que chega a um metro de espessura. O curso d’água em que, antes, era possível navegar de canoa, virou um rio raso. Nessa crosta de lama, os peixes aparecem aos montes, grudados no chão, como se fossem fósseis. Toda a região tem cheiro de carniça. “Tinha umas 50 capivaras que ficavam por aqui. Desde que a barragem rompeu, só vimos uma” conta Rezende.

A cena impressiona mais quando ele conta como a lama chegou: quando a enxurrada, que vinha do Rio Gualaxo do Norte, desaguou no Rio do Carmo, seguiu tanto pelo fluxo normal da água quanto no sentido oposto. “A lama avançou contra a correnteza”, explica. E avançou quase um quilômetro contra a água, até formar uma espécie de represa. Agora, perto de Barra Longa, o rio tem parte do curso desviado para o mato. O que segue é um fio de água ao redor das margens de lama grossa. O rebanho de Rezende está em risco. “As duas nascentes que têm por aqui secaram. Vai demorar uns 10 anos para isso voltar a ser como era.”

Talvez demore mais. De acordo com Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dificilmente será possível reverter o impacto da lama na biodiversidade. “Os rejeitos que se acumulam nas margens dos rios formam um sedimento duro, que altera a composição do solo, tornando-o mais compacto. Com isso, as matas ciliares serão afetadas, matando as árvores que não foram carregadas pela enxurrada de lama e abrindo grandes clareiras.”

Enquanto isso, segundo Joly, a perda de oxigênio da água condenará a fauna dos rios, afugentando ou dizimando os animais que se alimentavam dela. “Pode ser até que a floresta se recupere, mas vai demorar mais que o tempo de uma vida. Nenhum de nós viverá para ver a vegetação voltar a ser como era.”

Pesca

Para quem vive da pesca no Rio Doce, a situação é dramática. O pescador Eli da Silva Soares, o Paco, de 38 anos, percorre de barco parte da região afetada e aponta os peixes que agora flutuam mortos no rio. “Como a gente vai fazer agora? Isso aqui está tudo morto. Vai levar muito tempo para poder pescar de novo”, afirmou.

Vivendo em uma vila a 50 metros do rio, no município de Governador Valadares (MG), Paco e sua família conseguiam R$ 1 mil mensais com a pesca. Durante o passeio pelo cenário sem vida ele e as irmãs Elaine, de 36, e Eliane, de 39 anos, expressam falta de esperança pela recuperação da área. “Isso não vai recuperar nem daqui a cinco anos”, diz o pescador.

De cima, a água laranja do Rio Doce parece estática. A lama de rejeitos se move a cerca de 1,2 quilômetro por hora desde o dia 5, quando aconteceu a tragédia, e vai percorrer toda a calha de 853 quilômetros entre o município de Rio Doce, em Minas, até Regência, vila do município de Linhares (ES), onde encontra o Oceano Atlântico.

Segundo Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), quando a água poluída do rio chegar ao estuário, a decantação de um sedimento diferente do natural terá impacto intenso na fauna marinha.

“Mais turva, a água não deixará passar a luz e impedirá a fotossíntese das algas no fundo, afetando também o plâncton. Esses organismos são a base da cadeia alimentar e sua perda terá impacto em todos os organismos marinhos. Os peixes morrerão ou fugirão, afetando severamente a pesca local. A areia das praias mudará suas características”, disse Turra. Segundo ele, cada vez que uma chuva forte atingir o vale do Rio Doce, mais lama endurecida se dissolverá e escorrerá novamente para o mar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Estado Islâmico é muito mais perigoso que Al-Qaeda, afirma professor

Para professor, Estado Islâmico é muito mais perigoso que Al-Qaeda




Muito boa a entrevista com Reginaldo Nasser para a revista Forum.

Da Revista Fórum
Professor de Relações Internacionais da PUC-SP analisa atentados terroristas em Paris e afirma que ataques militares contra o Estado Islâmico não surtirão efeito: “Fica difícil imaginar que se a França mandar alguns aviões, fizer alguns bombardeios e soltar um míssil vai acabar com o EI”

Por Anna Beatriz Anjos

Na última sexta-feira (13), atentados terroristas deixaram 129 mortos e 352 feridos em Paris. Segundo autoridades da França, os ataques foram executados por três grupos coordenados, que agiram em seis locais durante a noite. No sábado (14), o Estado Islâmico assumiu a autoria dos ataques, o que gerou reação imediata do governo francês: o presidente François Hollande prometeu travar “combate implacável contra o terrorismo” e o primeiro-ministro Manuel Valls assegurou que a ofensiva militar conduzida pelo país na Síria não cessará.

Para Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), uma resposta militarizada da França no território dominado pelo EI apenas alimentará a espiral de violência, que atinge sobretudo civis de ambos os lados. “Para acabar com esse conflito é preciso secar o EI de recursos. Precisamos saber quem vende armas paras eles, de onde arrecadam dinheiro, para quem vendem petróleo – se você cortar isso, acabou a organização. Ela não vai morrer de um dia para o outro com a bomba salvadora, mas vai definhar”, argumenta. “Fica difícil imaginar que se a França mandar alguns aviões, fizer alguns bombardeios e soltar um míssil vai acabar com o Estado Islâmico – não vai. E, infelizmente, como o EI vai reagir ? Matando inocentes.”

Confira a íntegra da entrevista que Nasser concedeu à Fórum:

Fórum – Quais as diferenças entre o atentado à redação do Charlie Hebdo e o desta sexta-feira, em termos operacionais?
Reginaldo Nasser – Foram vários ataques concomitantes, e quando acontece isso a gente já sabe: é planejado, organizado, porque fazer três, quatro ataques simultâneos não é fácil. Envolve uma organização muito grande, é diferente do Charlie Hebdo. Na época, falamos isso: [o ataque] era típico dos lobos solitários; é alguém que, se dizendo do Estado Islâmico, se sentiu estimulado a fazer algo. Mas esse não. Olhemos o contexto: houve um atentado no Líbano um dia antes. Teve também o ataque ao avião russo no Egito. Isso tudo revela que eles [EI] têm poder de fogo. Não é a Al-Qaeda – é muito pior.

Fórum - É a segunda vez que atentados terroristas ocorrem na França apenas neste ano. Por que o país tem sido alvo desse tipo de ação?
Nasser - Hoje, o Hollande decretou guerra ao Estado Islâmico, mas isso não é de hoje. Inclusive, há um artigo meu na Fórum do ano passado fazendo uma observação sobre isso: a França está declarando guerra ao Estado Islâmico faz tempo, e está atacando. Quando acontece um atentado, temos que diferenciar as motivações dos indivíduos que fizeram esse atentado e as motivações da organização que está por trás. Os indivíduos geralmente têm idade entre 20 e 25 anos, chegando até a 30; são muito exacerbados, recebem uma lavagem cerebral da organização – são realmente suicidas. Agora, a organização age de forma racional. Quando digo isso, não é no sentido de valorizar – pelo contrário, o que aconteceu foi uma carnificina que vitimou jovens. Mas eles [EI] escolhem o alvo, porque aceitaram o fato de que a França está em guerra. Nesse artigo que citei, escrevi que, quando você declara guerra a uma organização terrorista, você a está valorizando e a reconhecendo enquanto um ator importante que deve ser combatido. Em outras palavras, legitima a organização e mostra que é forte. E eles [EI] querem demonstrar exatamente isso: força.

Fórum – O que, na sua avaliação, motivou a escolha dos locais onde ocorreram os ataques?
Nasser – Esse terrorismo escolhe lugares de aglomeração e que dão visibilidade. Se fizessem ataques na periferia de Paris, não teria tanta repercussão. Eles miraram jovens de locais de classe média, classe média alta. E também um estádio de futebol onde estava o presidente do país, o que chama muita atenção. Depois do 11 de setembro, houve muitos atentados em casas de show, por exemplo. Eles escolhem esses lugares e esse público. Isso é o que o terrorismo faz: as vítimas são uma mensagem. A mensagem é para o Estado francês, e ela é dupla: para dizer que estão em guerra, que estão respondendo às ações da França no Estado Islâmico; e para mostrar também o seguinte: “olha, esse Estado é fraco, não protege seus cidadãos. Nós fomos ao centro de Paris, nos lugares frequentados pela classe média, classe média alta, e conseguimos matar todo esse pessoal.”

Fórum – Em entrevista à Fórum, o jornalista irlandês Patrick Cockburn, autor do livro A origem do Estado Islâmico – O fracasso da “guerra ao terror” e a ascensão jihadista, disse que as estratégias de combate ao EI não têm sido eficazes.  
Nasser - Quando nos perguntamos como combatê-lo, a resposta é fácil e ao mesmo tempo difícil. Fácil porque é preciso cortar o fornecimento de armas e recursos que chegam até o Estado Islâmico. Por que não se faz isso, então? De onde vêm as armas que eles usam? De onde vêm os recursos? Eles vendem petróleo, e hoje administram um território do tamanho da Jordânia. O Estado Islâmico é muito mais perigoso que a Al-Qaeda, porque, além de promover ações como as que ocorreram em Paris, domina um território com 5, 6 milhões de pessoas e age como se fosse um Estado – a estimativa é que tenha de 30 a 35 mil combatentes. Opera como se fosse guerrilha e atua como terrorista. É muito diferente da Al-Qaeda, muito mais perigoso. Lembremos que fez os atentados contra o avião russo e no Líbano e está agindo em várias frentes, porque está sendo atacado também. Está tentando mostrar reação. Se quiser combater, tem que reconhecer que é um grupo poderoso e importante. Não adianta fazer escárnio e achar que é um bando de loucos. É um grupo muito perigoso, muito bem estruturado e tem um poder de atração: três mil europeus aderiram ao EI no ano passado. Nos EUA, em 2014, foram 125 [pessoas que aderiram ao EI], e em 2015, 250. Um dos autores é francês. Então, não adianta vir com essas história de que os terroristas vêm de fora [como refugiados]. Alguns podem ter vindo, mas há também cidadãos europeus – o que é mais perigoso ainda.

Fórum - Quais serão as consequências desses atentados para os refugiados árabes que tentam acessar os países europeus? 
Nasser – Espero que nenhuma, porque os refugiados são tão vítimas quanto esses jovens que morreram. Estão fugindo de dois atores que praticam terrorismo, basicamente: o Estado Islâmico e outras organizações como ele, e o Estado sírio, pois o terrorismo também é exercido pelo Estado. Essas pessoas são vítimas de todos os lados, estão correndo e não têm para onde ir. A confusão que alguns tentam fazer é deliberada, porque é muito nítido: não há relação nenhuma. Se houvesse, eles [refugiados] estariam alinhados ao Estado Islâmico, mas estão correndo dele. São milhões de pessoas deslocadas dentro da Síria e tentando deixar o país por conta da guerra. Você citou o livro do Patrick Cockburn, e ele coloca entre aspas uma declaração do vice-presidente dos EUA [Joe Biden] dizendo que quem deu armas para o EI foram Arábia Saudita, França, Inglaterra etc. Entre aspas, uma declaração do vice-presidente dos EUA! Esses conflitos foram alimentados por grandes potências com aliados da região, e os refugiados são vítimas.

Fórum – A extrema-direita francesa, representada sobretudo pelo partido Frente Nacional, pode aproveitar os atentados para se fortalecer ainda mais – assim como fez em relação ao episódio envolvendo a redação do Charlie Hebdo?
Nasser - Sem dúvidas. A França tem 4 milhões de islâmicos, e se 1% aderisse ao Estado Islâmico, seria o caos. Não tem relação entre uma coisa e outra. Ninguém fala nada sobre o ataque terrorista no Líbano que matou basicamente muçulmanos. Segundo números oficiais dos EUA, 85% dos mortos no mundo em decorrência de ataques terroristas são islâmicos. Eles são vítimas do terrorismo. Mas sabemos que há gente que, por outras razões, quer barrar a imigração, e utiliza desses artifícios desonestos e irresponsáveis para fortalecer suas pautas.

Fórum – O presidente francês François Hollande prometeu “combate implacável” ao terrorismo, o que evidentemente envolverá ofensivas militares. Essa reação não alimentaria ainda mais a espiral de violência? O que de fato pode ser feito para minar o poderio do Estado Islâmico?
Nasser – Mesmo antes do ataque ao Charlie Hebdo, a França foi o país europeu que mais insistiu em participar da guerra civil na Síria. O Hollande vem a todo momento tentando obter autorização do Congresso e apoio dos europeus para agir na Síria – até os EUA ficaram com um pá atrás. Repito: não é casual. A França tem se mostrado à frente dos outros nessa questão. Os atentados de ontem revelam que não é esse o caminho, porque vai haver isso [represálias]. Os ataques empreendidos na Síria e no Iraque não estão adiantando absolutamente nada. Nem os ataques do Putin – um mês de ofensiva da Rússia, que todo mundo diz que é muito precisa militarmente, não atingiu em nada o Estado Islâmico. Para acabar com esse conflito é preciso secar o EI de recursos. Precisamos saber quem vende armas paras eles, de onde arrecadam dinheiro, para quem vendem petróleo – se você cortar isso, acabou a organização. Ela não vai morrer de um dia para o outro com a bomba salvadora, mas vai definhar. Porém, pelo visto, ninguém tem feito absolutamente nada a respeito. Fica difícil imaginar que se a França mandar alguns aviões, fizer alguns bombardeios e soltar um míssil vai acabar com o Estado Islâmico – não vai. E, infelizmente, como o EI vai reagir ? Matando inocentes, porque é modelo de ação terrorista o que fez ontem na França, é algo abominável. As cenas são horrorosas, mas vão voltar a acontecer, porque eles [EI] não se importam. É uma luta desigual, porque o governo [francês] faz seus bombardeios e mata civis lá – o que a gente não vê, porque não repercute –, e aí as organizações terroristas vêm para a França e matam civis. É uma espiral de violência, mas com civis, esse é o problema. Os atores armados são os que menos são atingidos. O chamado efeito colateral é muito maior do que o efeito militar. Civis inocentes morrem de todos os lados.

Fórum – Muitas pessoas têm dito que os ataques à França significam um ataque à civilização e ao Ocidente. O que pensa sobre isso?
Nasser – Temos que tomar cuidado ao falar que a Europa e a civilização ocidental estão sob ataque. Quem está sob ataque são um país e um governo que têm exercitado seus músculos ultimamente; a França, nos últimos dez anos, tem gostado disso. Não é casual que ela tenha entrado na mira do terror. Esse espírito imperialista de querer intervir, resolver os problemas dos outros, buscar aliados e depois mudar de lado… esse jogo da França, que também é dos EUA, da Rússia, da Arábia Saudita é um jogo irresponsável. Esses governos são tão ou mais responsáveis do que o Estado Islâmico ou outras organizações do Oriente Médio. O resultado são essas consequências lamentáveis para a juventude, para o lado democrático da Europa. A vida de Paris é dinâmica e pujante, e isso não pode parar. Vejo até gente que se coloca como crítica e diz que é preciso entender a luta do Oriente com o Ocidente, mas não tem luta! Tem luta de quem apoia ação bélica e terrorista, seja de organizações não estatais como estatais, contra aqueles que se opõem a isso, que não querem ação militarista. Não tem luta de Oriente contra Ocidente, isso é uma bobagem. Estamos tratando de extermínios e assassinatos, e todo mundo é contra isso, tanto no Oriente como no Ocidente. A grande maioria da população repudia terrorismo. O terrorismo está esperando uma reação forte da França, eles querem isso. Tomara que a França não o faça.

Temos que tomar cuidado também com o próprio Brasil. Estamos aí com a discussão do Projeto de Lei Antiterrorista, que é draconiano e totalitário. Não entendo como a presidenta Dilma Rousseff pode aprovar um projeto desse, não tem sentido nenhum. Se esse projeto passar a vigorar, ameaçará a democracia, porque não existirá dinâmica na sociedade civil. O que eu queria acrescentar é que, por vezes, a ação contra o terrorismo é do mesmo nível da ação terrorista, e uma alimenta a outra, não pode ser assim. O terrorismo gosta de ditadura e de guerra, não gosta de democracia. Quanto mais democracia, pior; quanto mais tensão e guerra, melhor. Veja, não havia ação terrorista na Síria e no Iraque, e agora são os locais onde mais há no mundo. Não é por acaso, esses países estão em guerra.

sábado, 14 de novembro de 2015

Geólogo afirma que rompimento da barragem é um caso clássico de irresponsabilidade na gestão de risco


É fundamental conhecermos a opinião de especialistas sobre o ocorrido no distrito de Bento Rodrigues. Na matéria anterior (do UOL), publicada neste site, sobre a possibilidade do rio Doce desaparecer, as opiniões foram da professora Beatriz Missagia, que pesquisou a conservação da Mata Atlântica do médio rio Doce  e do professor Alberto Fonseca do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade federal de Ouro Preto. Neste artigo, leia a opinião do geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos, também, consultor em geologia de engenharia e geotécnica.  

Álvaro dos Santos: Inaceitável a Samarco já não ter desocupado áreas urbanas logo abaixo das barragens nem possuir plano de contingência

Viomundo:
Mariana Azenha
ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE REJEITOS DA SAMARCO EM MARIANA: ALÉM DE TUDO, UM CASO CLÁSSICO DE IRRESPONSABILIDADE NA GESTÃO DE RISCOS
por Álvaro Rodrigues dos Santos
Não resta dúvida da determinante participação de inaceitáveis descuidos com fatores de ordem hidráulica e geotécnica entre as causas essenciais do rompimento de duas barragens de rejeito da SAMARCO (Vale + BHP Billiton) no município de Mariana – MG, e que vai tragicamente se consagrando como uma dos mais graves e letais desastres em obras da engenharia brasileira.
No entanto, há um fator importantíssimo que não vem sendo considerado, que se refere à inadmissível ausência no âmbito da empresa de procedimentos inerentes a um Plano de Gestão de Riscos. Ao menos, algo consistente e funcional.
Uma barragem, por maiores e mais confiáveis que sejam os cuidados com sua segurança, será sempre uma bomba armada. Pelo que, a áreas do vale a jusante das barragens que teoricamente pudessem ser atingidas pelas águas e detritos liberados por uma eventual ruptura devem ser sempre consideradas, na classificação internacional de riscos, como de Muito Alto Risco (risco 4, o mais elevado).
Esse nível de preocupação com as áreas a jusante de barragens foi especialmente aguçado após a catástrofe de Banquiau. Em agosto de 1975, na província de Henan, na China, ocorreu um dos mais graves e espetaculares acidentes em obras e engenharia da história humana. O rompimento das barragens de regularização de cheias de Banquiao, no rio Ru, e Shimatan, no rio Hong, provocou a morte de mais de 230.000 pessoas, 145.000 diretamente e 85.000 em conseqüência de uma série de desgraças que se seguiram (fome, falta de atendimentos de emergência, doenças…).
Isso posto, salta aos olhos o absurdo da inexistência de um Plano de Gestão de Riscos que levasse em consideração as atividades humanas e os fatores ambientais no vale atingido, com especial atenção para a ocupação urbana representada pelo o distrito de Bento Rodrigues.
Houvesse atenção para esses cuidados e de há muito a empresa SAMARCO deveria ter providenciado a desocupação das áreas potencialmente mais vulneráveis, com o deslocamento de seus ocupantes para áreas próximas garantidamente seguras. Essas áreas então desocupadas, e que coincidem hoje com a mancha de lama que pode ser vista em imagens aéreas pós-rompimento, seriam então utilizadas para funções de baixa presença humana, como bosques florestados e parques. Ou seja, inaceitável que nessas áreas de extremo risco tenha-se convivido todo esse tempo com a instalação urbana de residências, escolas, comércio, etc.
Da mesma forma chama a atenção a ausência de um Plano de Contingência que envolvesse, devidamente para tanto treinada, a população do referido distrito. Um Plano de Contingência pelo qual cada cidadão saberia de antemão o que fazer de imediato e urgente na eventualidade de um sinal combinado que indicasse qualquer evidência de acidente com a barragem.
De imediato, talvez essa a maior lição que situações similares que se espalham por todo o território brasileiro possam tirar do doloroso desastre de Mariana: com a maior urgência possível estruturar Planos de Gestão de Riscos que, por determinações de caráter preventivo de relativamente fácil implementação, possam ao menos evitar que vidas humanas sejam tão gratuita e estupidamente ceifadas.
Geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br) é ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT  – Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual Básico para elaboração e uso da Carta Geotécnica”. Consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Rio Doce pode desaparecer

Do UOL:
Maria Júlia Marques e Fernando Cymbaluk

Restaurar natureza tomada por lama é impossível; rio Doce pode desaparecer

Os danos ambientais causados pela passagem da enxurrada de lama, provocada pelo rompimento de barragens da Samarco em Mariana (MG), foram drásticos, devem se estender por ao menos duas décadas, e, mesmo assim, a restauração total é tida como impossível, segundo ambientalistas ouvidos pelo UOL.
A lama "cimentou" o bioma e pode até ter causado a extinção de animais e plantas que só existiam ali --a natureza local morreu soterrada.
Além disso, a bacia do rio Doce ficou vulnerável e terá de criar um novo curso.
É uma catástrofe, não há como dimensionar os danos. Creio que levaremos ao menos vinte anos para reverter parte do processo, restaurar será impossível
Beatriz Missagia, professora que pesquisou a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica do médio rio Doce.
A flora e fauna dos rios Gualaxo do Norte e Doce nunca mais serão as mesmas. "A perda de habitat é enorme, e o dano provocado no ecossistema é irreversível", explica o ambientalista Marcus Vinicius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão, que monitora a atividade econômica e seus impactos ambientais nas bacias hidrográficas dos principais rios mineiros pela Universidade Federal de Minas Gerais. "Qualquer ação a ser tomada agora é para mitigar os efeitos do impacto da lama." 
Antônio Cota/Diário do Rio Doce
Peixes do rio Doce, em Governador Valadares (MG), morreram com a chegada da lama. A prefeitura não recomenda o consumo dos animais
Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), estima-se que foram lançados 50 milhões de m³ de rejeito de mineração (o suficiente para encher 20 mil piscinas olímpicas). A lama atingiu diretamente o Gualaxo do Norte, afluente do rio Doce. A enxurrada avança pela calha do Doce, que corta cidades de Minas Gerais eEspírito Santo até desaguar no oceano Atlântico.
O grande montante de lama com rejeitos de minério de ferro e manganês está bloqueando o curso natural dos rios. Com isso, a água corrente começa a buscar alternativas para fluir, e a escolha pode não levar a um final feliz.
O novo caminho pode levar os rios à extinção. "Existe a possibilidade de o rio perder força e se dividir em lagoas", diz Missagia. 
As lagoas também podem morrer. "Além dos minérios de ferro, a lama trouxe consigo esgoto, pesticidas e até agrotóxicos das terras por onde passou. Essas substâncias aceleram a produção de algas e bactérias, que rapidamente cobrirão as lagoas, formando um tapete verde que impede a fotossíntese dentro d'água. Se não há fotossíntese, não há oxigênio. Sem oxigênio os animais, vegetais e bactérias não têm chance de sobreviver", explica.
De maneira alguma a natureza conseguirá retirar a lama sozinha
Alberto Fonseca, professor do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Ouro Preto.

Lama só sairá com retroescavadeira

Logo quando as barragens romperam um plano devia estar sendo desenhado, defende a coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro. "A lama é densa, não será diluída, só sairá de onde está com retroescavadeiras. Como os rios ficarão enquanto isso?"
Os ambientalistas concordam que o acidente também pode ter sido responsável pela extinção de parte da fauna e flora local. "Espécies endêmicas podem ter sido soterradas", afirma Missagia.
Além disso, por conter ferro, a lama por si só já derruba os níveis de oxigênio e altera o PH da água.
A presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou na quinta-feira (12) que a mineradora Samarco será multada em pelo menos R$ 250 milhões pelo rompimento de duas barragens. São cinco autos de infração no valor de R$ 50 milhões cada. 
Dilma classificou a multa, aplicada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), como preliminar, dando a entender que a empresa poderá sofrer outras sanções. Segundo a presidente, a Samarco descumpriu "várias legislações".

A multa abrange as seguintes infrações: poluir rios, tornar áreas urbanas impróprias para a ocupação humana, causar interrupção do abastecimento público de água, lançar resíduos em desacordo com as exigências legais, provocar a morte de animais e a perda da biodiversidade ao longo do rio Doce, colocando em risco a saúde humana.