quinta-feira, 24 de julho de 2014

Rei da América: Galo é campeão da Recopa Sul-Americana 2014

Do site oficial do Atlético:

Clube é o atual detentor do título de duas das três competições promovidas pela Conmebol.
A galeria de troféus do Galo ganhou uma nova e ilustre integrante: a taça da Recopa Sul-Americana.

Na noite desta quarta-feira, diante de mais de 54 mil torcedores no Mineirão, o Atlético venceu o Lanús por 2 a 0 na prorrogação, depois de perder por 3 a 2 no tempo normal,  e conquistou o título da competição continental.



No tempo normal, os gols atleticanos foram marcados por Diego Tardelli, que fez história marcando o seu centésimo gol com a camisa alvinegra, e Maicosuel. Ayala, Santiago Silva e Acosta fizeram os gols argentinos.

Na prorrogação, Gustavo Gómez e Ayala, ambos contra, fizeram os gols do Galo.

No jogo de ida, disputado no Estádio La Fortaleza, em Lanús, Buenos Aires, na Argentina, o Atlético venceu por 1 a 0, com gol de Diego Tardelli.


A Recopa Sul-Americana 2014 é o segundo título internacional do Atlético no período de um ano, uma vez que o clube venceu a Copa Libertadores da América no dia 24 de julho de 2013.

O Galo também é bicampeão da Copa Conmebol (1992 / 1997), competição equivalente à atual Copa Sul-Americana.

O presidente Alexandre Kalil comemorou mais uma conquista internacional inédita à frente do Atlético.


“Fico muito feliz por ter dado para a torcida do Atlético mais essa alegria e por ter colocado, como presidente, mais essa taça importante dentro da galeria do Atlético”, declarou o presidente.
Esta foi a 22ª edição da Recopa Sul-Sul-Americana, que é disputada anualmente entre os campeões da Copa Libertadores da América (Atlético) e Copa Sul-Americana (Lanús).

O Alvinegro volta a campo neste domingo para enfrentar o Sport, na Ilha do Retiro, em Recife, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O JOGO


Na primeira boa oportunidade atleticana, Emerson Conceição recebeu passe de Ronaldinho pela esquerda, foi à linha de fundo e cruzou na tentativa de encontrar Diego Tardelli na segunda trave, mas a defesa argentina conseguiu fazer o corte.

Aos cinco minutos, Ronaldinho cobrou escanteio pela direita, Leonardo Silva subiu mais alto que a defesa, cabeceou e Ayala cometeu pênalti ao colocar o braço na bola.

Com a categoria de sempre, Diego Tardelli fez a cobrança no canto direito do goleiro e abriu o placar no Mineirão. A Massa Atleticana fez a festa com o atacante, que marcou o seu centésimo gol com a camisa alvinegra e foi erguido por Ronaldinho Gaúcho: Galo 1 x 0.

Foto: Bruno Cantini / Atlético
Foto: Bruno Cantini / Atlético

Aos 8 minutos, o Lanús empatou com Ayala, em chute forte da entrada da área. Aos 16, Maicosuel aproveitou a sobra de bola e concluiu para a defesa do goleiro Marchesín.



Santiago Silva fez o segundo gol da equipe argentina aos 25 minutos. Mas a reação atleticana veio 12 minutos depois, com Maicosuel, aproveitando cruzamento de Marcos Rocha pela direita: 2 x 2.

Foto: Bruno Cantini / Atlético
Foto: Bruno Cantini / Atlético

O Galo quase conseguiu a virada aos 43 minutos, quando Emerson Conceição foi à linha de fundo pela esquerda e cruzou para Jô cabecear e exigir boa defesa de Marchesín.

SEGUNDO TEMPO

O Atlético voltou do intervalo sem alterações e levou perigo pela primeira vez no chute de fora da área de Pierre.

Aos seis minutos, Ronaldinho recebeu grande passe de Diego Tardelli na grande área, tirou do goleiro e o zagueiro Braghieri conseguiu evitar o gol.


Aos 17 minutos, Marcos Rocha fez desarme providencial sobre Santiago Silva em lance pela esquerda do ataque argentino. Aos 19, Ronaldinho foi substituído por Luan.

O terceiro gol alvinegro quase saiu aos 24 minutos, em chute de fora da área de Diego Tardelli, defendido por Marchesín. Aos 32, foi a vez de Maicosuel deixar o campo para a entrada de Guilherme.

Aos 36 minutos, depois de boa troca de passes na intermediária, Jô cruzou rasteiro pela direita e a zaga do Lanús conseguiu interceptar.

O time argentino também levava perigo, proporcionando um grande jogo no Mineirão. Aos 43 minutos, Tardelli foi substituído por Dátolo.

Aos 46, Acosta fez o terceiro gol do Lanús, levando a final para a prorrogação.

PRIMEIRO TEMPO DA PRORROGAÇÃO
Aos dois minutos, após escanteio pela esquerda, o cabeceio de Réver explodiu no travessão.
O Lanús respondeu na cobrança de falta de Ayala e a bola saiu à direita do gol de Victor.
Aos nove minutos, Emerson Conceição cruzou pela esquerda e o goleiro Marchesín fez a defesa.
Aos 12 minutos, Luan incendiou o Mineirão ao forçar um gol contra argentino. O atacante avançou pela esquerda, tentou o cruzamento e a bola foi para a rede depois de desviar em Gustavo Gomez.

Foto: Bruno Cantini / Atlético
Foto: Bruno Cantini / Atlético
SEGUNDO TEMPO DA PRORROGAÇÃO

O Galo teve a primeira chance na cobrança de escanteio de Dátolo, cortada pela defesa do Lanús.
Aos quatro minutos, Luan recebeu grande lançamento de Guilherme e tentou o cruzamento rasteiro, mas a zaga argentina fez o corte.

Aos seis minutos, Ayala fez gol contra de cabeça: Galo 2 x 0. Aos 14 minutos, Victor fez duas grandes defesas em sequência, assegurando o resultado que deu ao Galo mais um título internacional.


FICHA TÉCNICA

ATLÉTICO  (2) 2 x 3 (0) LANÚS
Motivo:
Recopa Sul-Americana – Final – Jogo de volta
Data: 23/07/2014
Estádio: Mineirão
Cidade: Belo Horizonte (MG)
Gols: Diego Tardelli (6′), Ayala (8′), Santiago Silva (25′), Maicosuel (37′), Acosta (93′); Gustavo Gomez (12′ P (C)), Ayala (21′ P (C))
Público pagante:
54.786
Renda:
R$ 5.732.930,00
Árbitro: Roberto Silvera (URU)
Auxiliares:
Miguel A. Nievas (URU) e Nicolas Taran (URU)
Cartões amarelos: Diego Tardelli, Pierre, Réver (Atlético); Victor Ayala, Leandro Somoza, Diego González, Acosta, Diego Braghieri, Gustavo Gómez (Lanús)
Cartão vermelho: Acosta (Lanús)

Atlético
Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Emerson Conceição; Pierre, Leandro Donizete, Ronaldinho (Luan) e Diego Tardelli (Dátolo); Maicosuel (Guilherme) e Jô. Técnico: Levir Culpi.
Lanús
Agustín Marchesín; Carlos Araujo (Lucas Melano), Gustavo Gómez (Oscar Benítez), Diego Braghieri e Maximiliano Velázquez; Diego González, Leandro Somoza, Jorge Ortiz (Pasquini) e Víctor Ayala; Santiago Silva e Acosta. Técnico: Guillermo Barros Schelotto.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Galeano: pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está apagando-a do mapa

Carta Maior:
Por Eduardo Galeano



Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se numa ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou legitimamente as eleições em 2006. Algo parecido tinha ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador.

Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua má conduta e desde então viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à orla da loucura suicida, é a mãe das ameaças que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está a negar, desde há muitos anos, o direito à existência da Palestina. Já pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel está a apagá-la do mapa.

Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam. O repasto justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita. Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, o que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e é também o único país que tem legalizado a tortura de prisioneiros.
 
Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está a executar a matança em Gaza? O governo espanhol não pôde bombardear impunemente o País Basco para acabar com a ETA, nem o governo britânico pôde arrasar Irlanda para liquidar a IRA. Talvez a tragédia do Holocausto implique uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da potência 'manda chuva' que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais.

Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são meninos. E somam milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está a ensaiar com êxito nesta operação de limpeza étnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a achar que uma vida israelense vale tanto como cem vidas palestinianas. E esses meios também nos convidam a achar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada comunidade internacional, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde há meio século essa dívida histórica está a ser cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.

(*) Artigo publicado no Sin Permiso.

Tradução de Mariana Carneiro para o Esquerda.net.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Aécio aposta em alinhamento com EUA; Dilma, em visão 'multilateral' de mundo




Jornal GGN:
Por Cíntia Alves

Uma breve análise dos programas de governo que ambos os postulantes à Presidência apresentaram ao Tribunal Superior Eleitoral é suficiente para concluir que a política externa brasileira pode continuar seguindo a lógica dos acertos preferenciais com países emergentes ou mudar de rumo e priorizar associações a potencias econômicas lideradas pelos Estados Unidos. Dependerá do resultado das urnas.

A partir da página 56, o programa de governo de Aécio Neves, segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, versa sobre o assunto reforçando as diretrizes já conhecidas do PSDB. A ideia principal é “reavaliar as prioridades” para o desenvolvimento do Brasil (classificado pelo lado tucano, aliás, como um país “isolado” nas "negociações comerciais interessantes").

Na proposta de Aécio, o Itamaraty ganhará mais poder de decisão na formulação da nossa política externa. “Ao mesmo tempo, serão garantidos o contínuo aprimoramento de seus quadros e a modernização da sua gestão”, promete o candidato.

A Ásia, na visão do bloco tucano, terá mais atenção do governo brasileiro, “em função de seu peso crescente”, além, de claro, os Estados Unidos e outros países desenvolvidos, “pelo acesso à inovação e tecnologia”. 

O grupo de Aécio propõe o “reexame das políticas seguidas [durante os últimos anos de administração petista no plano federal] no tocante à integração regional para, com a liderança do Brasil, reestabelecer a primazia da liberalização comercial”.

O texto ainda classifica o Mercosul como um grupo “paralisado e sem estratégia”, e afirma que é preciso “recuperar seus objetivos iniciais e flexibilizar suas regras a fim de poder avançar nas negociações com terceiros países”.


Já o programa de governo da presidente Dilma deixa claro que o princípio é priorizar os vizinhos no fomento do comércio e na integração produtiva. “A prioridade à América do Sul, América Latina e Caribe se traduzirá no empenho em fortalecer o Mercosul, a Unasul e a Comunidade dos Países da América Latina e Caribe, sem discriminação de ordem ideológica", sustenta.

Na visão da ala petista, “a importância dada aos países do sul do mundo, que tem expressão concreta nos BRICS, não significa desconsiderar os países desenvolvidos. Ao contrário: é de grande relevância o relacionamento com os Estados Unidos, por sua importância econômica, política científica e tecnológica". O mesmo vale para a União Europeia e o Japão.

Porém, Dilma promete intensificar as relações com a África, asiáticos e com a China, além de afastar o fantasma do Estado que se sobrepõe ideologicamente a outras nações. “Nossa presença no mundo será marcada pela defesa da democracia, pelo princípio de não-intervenção e respeito à soberania", diz o programa.

Por fim, a candidata à reeleição reafirma que a “visão multilateral do mundo nos conduz e conduzirá a lutar pela reforma dos principais organismos internacionais, como a ONU, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, entre outros, cuja governança hoje não reflete a atual correlação de forças global.”

O programa de governo do presidenciável Eduardo Campos (PSB), terceiro colocado na disputa, não apresenta um campo específico sobre política externa.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Rumo a uma nova arquitetura financeira global

Com aporte inicial de 50 bilhões de dólares, que pode ser elevado à 100 bilhões de dólares, o banco financiará projetos de infraestrutura nos países emergentes.
"A força do nosso projeto é o seu potencial positivo de transformação do sistema internacional, que queremos mais justo e igualitário", declarou a presidenta Dilma.
A sede do banco ficará em Xangai, na China, e o primeiro presidente será da Índia.
Além disso, a cúpula anunciou um fundo de reserva de 100 bilhões de dólares e que servirá como mecanismo de socorro aos países em caso de turbulências financeiras.

Página/12
(Carta Maior)
Agência Brasil

Os presidentes do Brasil, Rússia, Índia, China e África dos Sul assinaram os tratados de formação do Novo Banco de Desenvolvimento e do Acordo Contingente de Reservas. O documento final da cúpula afirma que visarão “à mobilização de recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países dos BRICS e em outras economias emergentes e países em desenvolvimento”.”.

Os países-membros do bloco BRICS emitiram a Declaração Conjunta de Fortaleza, em que destacaram a “necessidade de se alcançar simultaneamente crescimento, inclusão, proteção e preservação para cada uma de suas economias. A reunião começou com a assinatura dos acordos para a criação do banco do desenvolvimento dos BRICS, com um capital inicial de 50 bilhões de dólares, e que financiará projetos de infraestrutura, e de um fundo de contingências de 100 bilhões de dólares para apoiar países em crise com suas balanças de pagamento.

O tema escolhido para esta Sexta Cúpula de chefes de Estado do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, realizada na cidade de Fortaleza, foi “Crescimento Inclusivo: Soluções Sustentáveis”. De acordo com a declaração, a temática de análise dos presidentes “coincide com as políticas macroeconômicas e sociais inclusivas implementadas” pelos governos do bloco “com o imperativo de enfrentar desafios à humanidade postos pela necessidade de se alcançar simultaneamente crescimento, inclusão, proteção e preservação”.

“Continuamos desapontados e seriamente preocupados com a presente não implementação das reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2010, o que impacta negativamente na legitimidade, na credibilidade e na eficácia do Fundo”, defenderam os presidentes.

Os líderes manifestaram sua “disposição para o crescente engajamento com outros países, em particular países em desenvolvimento e economias emergentes”. “Para tanto, realizaremos uma sessão conjunta com os líderes das nações sul-americanas, sob o tema da VI Cúpula do BRICS, com o intuito de aprofundar a cooperação entre os BRICS e a América do Sul. Reafirmamos nosso apoio aos processos de integração da América do Sul”, revela o documento.

Nele, está claro também seu “apoio aos processos de integração da América do Sul e reconhecemos, sobretudo, a importância da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) na promoção da paz e da democracia na região, e na consecução do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”.

Acreditamos que o diálogo fortalecido entre os BRICS e os países da América do Sul pode desempenhar papel ativo no fortalecimento do multilateralismo e da cooperação internacional, para a promoção da paz, segurança, progresso econômico e social e desenvolvimento sustentável em um mundo globalizado crescentemente complexo e interdependente”, defenderam os chefes de Estado.

Documento disponível aqui:

Tradução: Daniella Cambaúva

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Quem tem medo do BRICS?

Por Roberto Amaral, na revista CartaCapital:


Há dez anos surgiu o acrônimo BRIC, sigla formada pelas iniciais de quatro países que despertavam admiração no mundo pela vitalidade de suas economias – Brasil, Rússia, Índia e China, aos quais se associa a África do Sul – e que hoje representam 19% do PIB global. Nesses dez anos, o conjunto de suas economias cresceu de 3 trilhões de dólares para 13 trilhões de dólares. Esses 10 trilhões a mais correspondem em nossos dias a seis economias da Grã-Bretanha em 2001. Ainda nesses curtos dez anos, a China, a locomotiva do bloco, crescendo a um ritmo médio de 7% ano, chegou ao posto de segunda economia do mundo; suplantou o Japão e é o dobro da economia alemã, o mais rico e mais poderoso país da Europa Ocidental. Não obstante, a grande imprensa mundial, as ‘consultorias’ e agências de ranking disso e daquilo de Wall Street e da City de Londres, o FMI e a OCDE, a grande imprensa de lá – The Economist, The Financial Times, The Time – de cá – o jornalão, a revistona – anunciam o réquiem do bloco, como diariamente anuncia a falência do Mercosul.

Nossas exportações, no entanto, principalmente de manufaturados, para nossos vizinhos só têm aumentado. O Brasil, embora crescendo a taxas relativamente baixas, ultrapassou a Itália e a Inglaterra, e é hoje a sexta economia mundial. Nas duas últimas décadas o peso econômico dos países integrantes dos BRICS aumentou de 5,6% para 21,3%, o que, convenhamos, não é nada desprezível. Projeta-se para a próxima década em 3% a expansão da economia mundial, mas o crescimento dos BRICS está estimado em 7%. Em 2015 esse conjunto de países poderá ser responsável por cerca de um quarto do PIB mundial.

As trocas entre os cinco países somavam 250 bilhões de dólares e podem chegar a 500 bilhões de dólares já em 2015. A China já é nossa principal parceira comercial e as negociações em curso prometem elevar o fluxo comercial entre o Brasil e a Rússia para 10 bilhões de dólares, já neste ano. Relativamente ao país de Putin, para além das trocas comerciais, há uma largo espaço para percorrer no campo da cooperação científica e tecnológica. E inovação, onde são notórias nossas carências

Nossos cinco países representam 20% do PIB mundial e cada um exerce papel de forte liderança em seus respectivos continentes. Não são números irrelevantes e contrastam com o descrédito e o ceticismo da opinião conservadora que acompanha com restrições as possibilidades de expansão econômica – e nela envoltas, de expansão política e militar desses países – alterando a correlação de forças do status quo internacional ensejado pela destruição do bloco socialista e o fim da Guerra Fria. É a resposta da realidade objetiva ao descrédito que a economia desses países despertava, e de certa forma ainda desperta, nos círculos conservadores internacionais. No Brasil ele é criticado, na companhia do Mercosul, por aqueles que não compreendem que nosso país possa integrar projeto, político ou econômico, que não seja chancelado pelos EUA. Em um mundo caracterizado pelas mais profundas assimetrias de poder, a política de blocos – a que não têm fugido mesmo os EUA – é um imperativo de sobrevivência daquelas economias mais frágeis que encontram sua superação na negociação coletiva. Esse bloco tem possibilitado a ação coordenada em foros internacionais e construção de uma agenda própria.

Como entre nossos países no Mercosul, sabidamente guardam os BRICS grandes contrastes e diversidade cultural, as quais, todavia, não lhes têm impedido a atuação como bloco econômico e bloco político, nem a ação articulada nos fóruns internacionais de sorte a enfrentar o hegemonismo das grandes potências, EUA, União Europeia e Japão. Assim é que lograram impor uma nova geopolítica ao mundo da unipolaridade, com o que se têm beneficiado todos os países, particularmente aqueles de menor peso econômico. Além de grandes mercados de consumo – em condições de influir na economia mundial – os BRICS reúnem duas potências nucleares com assento no Conselho de Segurança da ONU, grandes territórios, grandes populações – 40% da população mundial –, elevado nível de industrialização e ponderável base científica e tecnológica. Esses fatores são postos de manifesto quando a crise econômica parece sobreviver e a lenta recuperação das potências capitalistas constrange os investimentos e o fluxo de comércio, conquanto estimule a volatilidade dos mercados financeiros.

Como em todos os momentos de crise, quem paga o alto preço é a paz mundial, vez mais um projeto transferido para as calendas gregas.

Com todas suas óbvias consequências econômicas, o quadro mundial presente e visível para os próximos anos aponta para a conturbação da guerra se alastrando por áreas cada vez maiores da Ásia, da África e do Oriente Médio, com seu rasto de devastação e genocídio: Afeganistão, Paquistão, Iraque, Síria, Líbia, as ameaças ao Irã, os conflitos de fronteira na Turquia, o sistemático genocídio palestino na Faixa de Gaza, os conflitos raciais, tribais e religiosos...

A crise de produção de petróleo e outros insumos, a crise da produção de alimentos e outras commodities, a fome, a miséria, a degradação humana, a desagregação dos países e a anarquia política, o êxodo de povos e nações, bem como a ameaça que paira sobre civilizações milenárias, a guerra continuada do capitalismo contra a ida e a natureza.

Nesse quadro se eleva a importância estratégica dos BRICS pela força territorial e econômica de cada um dos países integrantes e pelo papel de cada um na geopolítica regional.

Em um mundo assim descrito, a América do Sul progressista, pacífica e em desenvolvimento acelerado e a África – continentes ainda à margem da política de guerra (leia-se ‘terra arrasada’) dos EUA – constituem espaço de projeção natural das iniciativas dos BRICS. Daí a importância do encontro dos líderes dos BRICS com suas contrapartes sul-americanas no âmbito da VI Cúpula de Chefes de Estado e de Governo que nosso país está sediando. Desse encontro pode resultar a abertura mutuamente benéfica de mercados para os produtos da América do Sul e dos BRICS – e se isso ocorrer, estaremos fortalecendo o desenvolvimento econômico do sub-continente e, com ele, a solidificação de nossa comum opção democrática e progressista, que tanto incomoda as elites reacionárias de nossos países.

Pode ser esta, igualmente, uma oportunidade de fortalecimento do Mercosul, expectativa que se anima à vista do projeto do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, que deverá investir em principalmente nas cruciais áreas de infraestrutura, dando base material à ajuda internacional e à cooperação econômica que, pela porta do financiamento do desenvolvimento, favorecerá a integração de nossos países e, amanhã, de nossos povos. A carência que mais nos ameaça é a de capitais para financiar o desenvolvimento, pois o capital estrangeiro que aporta é predominantemente especulativo, ou seja, visa exclusivamente ao retorno, quando o Banco de Desenvolvimento aportará capital estratégico.

Mas esta não é a história toda.

Do ponto de vista político, o fundamental é que os países integrantes dos BRICS podem dizer que, nas circunstâncias do mundo globalizado sob o império da unipolaridade, comandam cada um o seu destino. Realizaram reformas estruturais, patrocinaram a rápida urbanização e modernizaram suas economias. O Brasil, por exemplo, realizou notável esforço de distribuição de renda, elevando substancialmente a qualidade de vida de suas populações. Elevaram-se, na maioria dos países os contingentes de classe-média e em alguns países, como Brasil e China, a expectativa de vida é de 73 anos. No entanto ainda são, no geral, precários os indicadores de escolaridade, a assistência médica universal é deficiente e os índices de mortalidade infantil ainda são inaceitavelmente altos.

O sonho é que estejamos ingressando na segunda fase do BRICS, aquela que se seguirá ao sucesso da gestão macroeconômica, quando reformas profundas da infraestrutura econômica (com implicações igualmente profundas na transformação das estruturas politicas congeladas) poderão abrir caminho para sociedades socialmente mais justas.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O cio da terra. O planeta, a humanidade e o direito dos povos

Em prejuízo de avanços alcançados nos últimos anos, grandes proprietários rurais ainda exercem pesada influência sobre as decisões do Estado
 
por Redação Rede Brasil Atual                                 
        
               
CELSO MALDOS
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O respeito à cultura e aos direitos dos povos tradicionais é parte de um futuro mais justo

O interesse pela questão indígena é crescente no Brasil contemporâneo. Durante muito tempo, uma parcela minúscula da sociedade desfrutou sem ser incomodada da ocupação indevida da terra pertencente a comunidades tradicionais. Não raras vezes, à base de violência e com a omissão dos poderes públicos. Com a Constituição de 1988 – fruto da pressão de amplos setores organizados sobre um Congresso Nacional em dívida com a democracia –, comunidades indígenas passaram a ter reconhecida pelo Estado a ascendência sobre a posse e a ocupação de seus territórios originais. Hoje, cresce a visão da importância dos índios para a terra. Seja por sensibilidade ambiental, seja por consciência solidária e cidadã.

O respeito a culturas e direitos dos povos tradicionais – entre os quais também quilombolas, caiçaras e ribeirinhos – vem da crença na necessidade de um novo modelo de desenvolvimento, da superação do individualismo e do consumismo para uma reorganização das sociedades e das economias. Essa mudança de rota é vital para dar maior sobrevida ao planeta e à humanidade.

Em prejuízo de avanços alcançados nos últimos anos, grandes proprietários rurais ainda exercem pesada influência sobre as decisões do Estado. A lentidão na execução de processos de demarcações e de retomadas de Território Indígena (TI) resulta em parte do poderio dos ruralistas, sobretudo no Legislativo – onde atualmente disputam com o Executivo o direito de decidir sobre demarcações. Por isso, as vitórias alcançadas pelas comunidades são escassas e árduas. Daí a escolha de levar para a capa desta edição (revista rede brasil atual) o vitorioso resultado das batalhas de uma comunidade Xavante, em Mato Grosso, para reaver o pedaço de mundo onde nasceram seus ancestrais. E de onde haviam sido expulsos há quase 50 anos pela ganância.

Com a proximidade das eleições, é importante que leitores e eleitores reflitam sobre suas responsabilidades na contaminação da política pelos que dela usufruem em benefício próprio. É necessário identificar a quem se estará delegando poderes de legislar e governar. E saber que existe vida além das eleições para se travar a batalha por um país melhor. Como ensina o povo Xavante de Marãiwatsédé.

 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

GAZA: Não é um conflito. é um massacre

¨Enquanto todos se divertem com a Copa do Mundo de futebol, Israel está cometendo um genocídio em Gaza. A violência de Israel é absolutamente desproporcional.
O que fazer, portanto, para parar o massacre promovido por Israel? Primeiro, é preciso reforçar toda a solidariedade à causa palestina. Segundo, condenar de todas as formas possíveis a violência contra civis inocentes por parte de Israel.¨

Foto de Desinformémonos.


Por Juliano Medeiros

Enquanto todos se divertem com a Copa do Mundo de futebol, Israel está cometendo um genocídio em Gaza. E essa não é a opinião de algum grupo radical islâmico, mas do moderadíssimo Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina. Até poucas horas atrás já haviam sido assassinadas 84 pessoas pelas forças militares israelenses, sendo 70% delas civis, segundo o Ministério da Saúde palestino.
Tudo começou com o sequestro e a morte de três jovens israelenses na Faixa de Gaza, semanas atrás. O governo de Israel atribuiu o crime ao Hamas, grupo político que governa a Faixa de Gaza e que negou publicamente sua responsabilidade nos assassinatos. Dias depois, em represália, um jovem palestino foi incendiado vivo por israelenses de extrema-direita. Daí em diante, a violência por parte de Israel só aumentou.

É claro que Israel não está “se defendendo”, como alega o governo sionista de Netanyahu e Peres. Na verdade, Israel está defendendo os assentamentos ilegais que mantém na Faixa de Gaza, uma forma de apossar-se de territórios hoje controlados pelos palestinos. Não é a primeira vez que isso acontece. Gaza é alvo frequente de investidas militares. A pior delas, no final de 2008 e início de 2009, deixou mais de 1,4 mil palestinos mortos. Do lado israelense, as baixas foram de apenas treze pessoas, dez delas soldados.

Além disso, a violência de Israel é absolutamente desproporcional. Dezenas de palestinos morreram nas últimas horas, atingidos por bombardeios israelenses. Enquanto isso, não há registro de que os temidos “mísseis do Hamas” tenham acertado um único alvo israelense. A comunidade internacional, por sua vez, assiste ao massacre de braços cruzados. Com exceção de algumas poucas declarações mais enérgicas, como a do presidente russo, Vladimir Putin, as manifestações da maioria dos governos foram no sentido de clamar pelo "fim do conflito entre Israel e o Hamas". A questão é que não há conflito! O que está em curso é um massacre!

O governo israelense incentiva o ódio e a intolerância. Como destaca Chemi Shalev, em artigo publicado no jornal israelense Haaretz, em apenas 24 horas, uma página do Facebook convocando “revanche” pelos assassinatos dos três garotos sequestrados recebeu dezenas de milhares de curtidas, e encheu-se de apelos explícitos para matar árabes, onde quer que estejam. Centenas de israelenses postaram fotos na internet com mensagens de ódio e apoio à ofensiva do exército israelense.

Israel afunda-se no racismo e na intolerância. O Hamas é retratado pela imprensa internacional como um grupo “radical” e não como organização política que conquistou nas urnas o direito de governar a Faixa de Gaza. Os governos das grandes potências, aliados de Tel Aviv, apelam inutilmente pelo fim das “hostilidades”. Os organismos multilaterais, controlados por essas mesmas potências, nada fazem além de criticar a escala “desproporcional” da ação militar de Israel.

O que fazer, portanto, para parar o massacre promovido por Israel? Primeiro, é preciso reforçar toda a solidariedade à causa palestina. Segundo, condenar de todas as formas possíveis a violência contra civis inocentes por parte de Israel.

Por fim, cobrar que os governos rompam qualquer forma de cooperação militar com o governo israelense, ao mesmo tempo em que se manifestem diante dos organismos internacionais contra o massacre, convocando seus embaixadores e propondo sanções, tal como feito em relação à Síria, recentemente. Só assim o Estado de Israel poderá compreender que sua violência não ficará impune mais uma vez.