Em suas diversas fases, o prédio que inicialmente abrigou o cinema, já foi ocupado por igreja evangélica, feira de roupas e estacionamento
Em suas diversas fases, o prédio que inicialmente abrigou o cinema, já foi ocupado por igreja evangélica, feira de roupas e estacionamento

O Cine Pathé, marco da cultura e diversão na capital por várias décadas, está mais perto de um final feliz. E, tudo indica, com futuro sucesso de público e crítica. Na manhã de quinta-feira, um encontro entre representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e o empreendedor e arquiteto que vai erguer um edifício no local fechou finalmente um acordo para restauração do cinema, fechado há 17 anos, e a cessão dele à prefeitura por um prazo de 100 anos. O documento para oficializar a negociação sobre a antiga sala de projeção localizada na Avenida Cristóvão Colombo, na Savassi, na Região Centro-Sul, será assinado entre as partes em data a ser marcada.

Segundo o presidente da Fundação Municipal de Cultura (FMC), Leônidas Oliveira, o objetivo é transformar o Pathé no segundo cinema público de rua de Belo Horizonte – o primeiro, inaugurado em abril, é o MIS Cine Santa Tereza, por estar vinculado ao Museu da Imagem e do Som (MIS) – e também numa sala de exposições. O prédio a ser construído deverá ter saída pela Rua Alagoas e obedecerá, segundo Leônidas a altimetria dos demais edifícios da região. A solução era aguardada desde 2012, quando foi dada autorização para a edificação pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de BH.


“A restauração do Pathé faz parte da política de recuperação dos cinemas de rua de Belo Horizonte. Já temos o Santa Tereza em funcionamento, que está sempre com boa programação e fila na porta. Quando estiver em funcionamento, o cinema da Avenida Cristóvão Colombo também será uma extensão do Museu da Imagem e do Som, vinculado à Fundação Municipal de Cultura. Esperamos o mesmo bom resultado, afirmou Leônidas.

Dois tempos
De cinema a estacionamento, mergulhando depois no completo vazio, o Cine Pathé viveu momentos de glória e completa decadência para tristeza de gerações e gerações de cinéfilos belo-horizontinos. Se a tela grande voltar, certamente vai projetar a cultura num trecho da cidade cheio de charme, como é a Savassi.

Segundo as pesquisas, o Pathé foi inaugurado em 1948 e encerrou as atividades na década de 1990. Localizado em um imóvel de aproximadamente 944 metros quadrados, com entrada para a Cristóvão Colombo e a Alagoas, o prédio é tombado pelo município. Segundo as autoridades, o tombamento não permite que a fachada seja alterada; já o interior poderá sofrer modificações para garantir mais conforto e segurança aos frequentadores, além das adaptações exigidas pela moderna tecnologia.

O plano é que o cinema funcione nos mesmos moldes do MIS Cine Santa Tereza, que ficou fechado durante 12 anos, mesmo sendo um símbolo da Praça Duque de Caxias, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste. Construído em 1942, com projeto do arquiteto italiano Raffaello Berti (1900-1972), o prédio, que contempla todo o universo audiovisual além da sala escura, exibe todo o clima propício à cultura, à diversão e, principalmente, ao prazer de se assistir a um bom filme num lugar concebido para isso. Os ingressos são gratuitos e são exibidos filmes de arte, produções independentes e autorais, mostras especiais e outros nacionais e mineiros, entre longas, curtas e documentários.

Memória

Metamorfoses do prédio


Luz, câmera, ação...e arte! Jean Luc-Godard, Luchino Visconti, Louis Malle, Federico Fellini, John Houston e muitos outros diretores europeus e norte-americanos foram cultuados por muitos belo-horizontinos nas telas do velho Cine Pathé. Os mais atuais, como o espanhol Pedro Almodóvar, de A lei do desejo, e Ridley Scott, de Blade Runner, arrebataram plateias. Marca da Savassi por 50 anos, o cinema teve suas últimas sessões em 1999 e, desde então, o endereço já foi ocupado por igreja evangélica, feira de roupas e estacionamento. Em novembro de 2012, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de BH aprovou projeto para construção de um prédio de nove andares no local. Como contrapartida, estava a recuperação do cinema, mantendo-se a fachada e o foyer, tombados pelo patrimônio, e doação ao município. Conforme matéria publicada pelo Estado de Minas em 14/12/2013, projeto prevê a construção de um edifício comercial, com entrada pela Rua Alagoas, além de dois níveis subterrâneos com garagem.