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sexta-feira, 3 de maio de 2019

Papa Francisco recebe fotos de todos os mortos do crime da Vale em Brumadinho


Papa Francisco recebeu hoje (3 maio), das mãos de Dari Pereira sobrevivente do crime da Vale em Brumadinho e Frei Rodrigo Péret da Rede Igrejas e Mineração e Grupo de Trabalho de Mineração da CNBB, as fotos com os nomes das 270 pessoas mortas, pelo crime da Vale. O Papa, emocionado, abençoou as fotos e expressou sua solidariedade às famílias que perderam seus entes queridos e à todos os atingidos. Em seguida o Papa ficou com as fotos, num gesto de carinho, respeito e solidariedade.

No dia 18 de maio, um representante do Papa, Mosenhor Duffé, estará visitando Brumadinho e conhecendo de perto a realidade e a luta dos atingidos.

Durante a audiencia o Papa afirmou que:  "As condições precárias de nossa casa comum se devem principalmente a um modelo econômico que vem sendo seguido há muito tempo. É um modelo voraz e orientado para o lucro, com um horizonte limitado e baseado na ilusão de crescimento econômico ilimitado. Embora muitas vezes vemos seu impacto desastroso no mundo natural e na vida das pessoas, ainda estamos relutantes em mudar. "As potências econômicas continuam a justificar o atual sistema mundial, no qual prevalecem a especulação e a busca de renda financeira, que tendem a ignorar todos os contextos e os efeitos sobre a dignidade humana e o meio ambiente" (Laudato Si, 56).

Continuando a citar sua Encíclica Laudato Si, o papa disse em seu discurso: “Estamos conscientes de que "o mercado por si só não garante o desenvolvimento humano integral e a inclusão social" (LS, 109) e que "a proteção ambiental não pode ser assegurada apenas com base no cálculo financeiro de custos e benefícios" (LS, 190). Precisamos de uma mudança de paradigma em todas as nossas atividades econômicas, incluindo a mineração.” Papa Francisco chamou a atenção sobre o Sinodo da Amazônia, dizendo: "é essencial prestar atenção especial às comunidades aborígines com suas tradições culturais. Eles não são apenas uma minoria entre outros, mas eles devem se tornar os principais interlocutores, especialmente quando prosseguimos com grandes projetos que afetam seus espaços "(LS, 146). Exorto a todos que respeitem os direitos humanos fundamentais e a voz das pessoas dessas belas, mas frágeis comunidades. E em comunhão com os bispo da América Latina denunciou que o extrativismo é “uma tendência desenfreada do sistema econômico para transformar os bens da natureza em capital. A ação de "extrair" a maior quantidade de materiais no menor tempo possível, convertendo-os em matérias-primas e fatores de produção que a indústria utilizará, será transformada em produtos e serviços que outros comercializarão, a empresa consumirá e, portanto, a própria natureza receberá na forma de lixo poluente, é o circuito consumista que é criado com velocidade e risco cada vez maiores ”. Papa Termina seu discurso pedido para não perdermos de vista que “o que está em jogo é a dignidade de nós mesmos. Somos os primeiros interessados em transmitir um planeta habitável para a humanidade que virá depois de nós. É um drama para nós mesmos, porque isso põe em questão o significado de nossa passagem nesta terra "(LS, 160).

Esta audiência se deu no contexto da reunião do Dicasterio pela Promoção do Desenvolvimento Integral Humano, com comunidades atingidas por mineração e mineradoras, em Roma.

Leia na integra o discurso do papa:

Caros irmãos e irmãs

Saúdo a todos e agradeço ao Cardeal Turkson pela sua introdução. Agradeço-lhe por ter vindo ao Vaticano para tratar deste diálogo sobre o tema "Mineração para o bem comum".

Na encíclica Laudato si ', sobre o estado preocupante do planeta, enfatizei a necessidade de "dialogar com todos sobre a nossa casa comum" (nº 3). Precisamos de um diálogo que realmente responda ao grito da terra e ao grito dos pobres (veja ibid., 49). Eu particularmente aprecio que, em sua reunião, representantes das comunidades envolvidas nas atividades de mineração e os responsáveis ​​pelas empresas de mineração estejam reunidos em torno da mesma mesa. Isso é louvável e é um passo essencial no caminho para o progresso. Devemos encorajar esse diálogo para continuar e se tornar a norma, e não a exceção. Felicito-o porque empreendeu o caminho do diálogo mútuo com espírito de honestidade, coragem e fraternidade.

As condições precárias de nossa casa comum se devem principalmente a um modelo econômico que vem sendo seguido há muito tempo. É um modelo voraz e orientado para o lucro, com um horizonte limitado e baseado na ilusão de crescimento econômico ilimitado. Embora muitas vezes vemos seu impacto desastroso no mundo natural e na vida das pessoas, ainda estamos relutantes em mudar. "As potências econômicas continuam a justificar o atual sistema mundial, no qual prevalecem a especulação e a busca de renda financeira, que tendem a ignorar todos os contextos e os efeitos sobre a dignidade humana e o meio ambiente" (ibid., P. 56).

Neste contexto, o título da sua reunião, "Mineração para o bem comum", é muito apropriado. O que isso implica concretamente? Permitam-me articular algumas reflexões a esse respeito que poderiam ser úteis para você em seu diálogo.

Em primeiro lugar, a mineração, como qualquer atividade econômica, deve servir toda a comunidade humana. Como São Paulo VI escreveu: "Deus destinou a terra e tudo o que ela contém para o uso de todos os homens e todos os povos, para que os bens da criação fluam igualmente para as mãos de todos" [1]. Este é um pilar do ensino social da Igreja. Nesta perspectiva, o envolvimento das comunidades locais é importante em todas as fases dos projetos de mineração. «É sempre necessário obter consenso entre os diversos atores sociais, que podem trazer diferentes perspectivas, soluções e alternativas. Mas no debate as pessoas locais devem ter um lugar privilegiado, que se questionem sobre o que querem para si e para seus filhos, e podem levar em consideração os objetivos que transcendem o interesse econômico imediato "(Enc. Laudato si '). , 183).

À luz do próximo Sínodo sobre a Amazônia, gostaria de enfatizar que "é essencial prestar atenção especial às comunidades indígenas com suas tradições culturais. Eles não são apenas uma minoria entre outros, mas eles devem se tornar os principais interlocutores, especialmente quando prosseguimos com grandes projetos que afetam seus espaços "(ibid., P. 146). Essas comunidades vulneráveis ​​têm muito a nos ensinar. "Para eles, de fato, a terra não é um bem econômico, mas um dom de Deus e dos ancestrais que nela habitam, um espaço sagrado com o qual precisam interagir para nutrir sua identidade e seus valores. [...] No entanto, em diferentes partes do mundo, eles estão sob pressão para abandonar suas terras e deixá-las livres para projetos de mineração, agricultura ou pecuária que não prestam atenção à degradação da natureza e da cultura "(ibid.). Peço a todos que respeitem os direitos humanos fundamentais e a voz das pessoas dessas belas, mas frágeis comunidades.

Em segundo lugar, a mineração deve estar a serviço da pessoa humana e não o contrário. Como escreveu o Papa Bento XVI, "nas intervenções para o desenvolvimento deve ser preservado o princípio da centralidade da pessoa humana, que é o assunto que deve primariamente assumir o dever de desenvolvimento". [2] Cada pessoa é preciosa diante dos olhos de Deus e seus direitos humanos fundamentais são sagrados e inalienáveis, independentemente do status social ou econômico. A atenção à proteção e ao bem-estar das pessoas envolvidas nas operações de mineração, bem como o respeito pelos direitos humanos fundamentais dos membros das comunidades locais e aqueles que defendem suas causas, são princípios não negociáveis. Somente a responsabilidade social corporativa não é suficiente. Devemos garantir que as atividades de mineração levem ao desenvolvimento humano integral de toda e qualquer pessoa e de toda a comunidade.

Em terceiro lugar, é necessário incentivar o desenvolvimento de uma economia circular, especialmente no âmbito das atividades de mineração. Considero que a observação de meus irmãos bispos da América Latina, feita em sua recente carta pastoral sobre atividades extrativistas, é muito pertinente. Eles escrevem: "Por" extrativismo "queremos dizer uma tendência desenfreada do sistema econômico para transformar os bens da natureza em capital. A ação de "extrair" a maior quantidade de materiais no menor tempo possível, convertendo-os em matérias-primas e fatores de produção que a indústria utilizará, será transformada em produtos e serviços que outros comercializarão, a empresa consumirá e, portanto, a própria natureza receberá na forma de lixo poluidor, é o circuito consumista que é criado com velocidade e risco cada vez maiores ". [3]

Temos que denunciar e evitar essa cultura de desperdício. «O sistema industrial, ao final do ciclo de produção e consumo, não desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar resíduos e escórias. Ainda não conseguimos adotar um modelo de produção circular que assegure recursos para todos e para as gerações futuras, e que nos obrigue a limitar tanto quanto possível o uso de recursos não renováveis, o consumo moderado, a maximização da eficiência da exploração, a reutilização e reciclar »(Enc. Laudato si ', 22). A promoção de uma economia circular e a abordagem de "reduzir, reutilizar, reciclar" também estão muito de acordo com o Consumo Sustentável e os Modelos de Produção promovidos no 12º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Além disso, as tradições religiosas sempre apresentaram a sobriedade como um componente-chave de um estilo de vida ético e responsável. A sobriedade também é vital para salvar nossa casa comum. "Bem-aventurados os mansos porque eles herdarão a terra" (Mt 5: 5).

Queridos irmãos e irmãs, nossos esforços e nossa luta para salvaguardar a casa comum são verdadeiramente uma jornada ecumênica que nos desafia a pensar e agir como membros de uma casa comum (oecumene). Estou particularmente satisfeito por seu encontro ter reunido representantes de igrejas e comunidades de fé de todo o mundo. Agradeço também aos representantes do setor de mineração por participarem dessa conversa. Precisamos agir juntos para curar e reconstruir nosso lar comum. Somos todos chamados a "colaborar como instrumentos de Deus para o cuidado da criação, cada um com sua própria cultura e experiência, suas próprias iniciativas e capacidades" (LS 14).

Espero que sua reunião seja realmente um momento de discernimento e possa levar a ações concretas. Espero que, como os bispos latino-americanos escreveram, você possa "analisar, interpretar, discernir o que é apropriado ou não sobre atividades extrativistas nos territórios e, portanto, propor, planejar, agir para transformar nosso estilo de vida, influenciar políticas energéticas". mineração de estados e governos, bem como políticas e estratégias de empresas dedicadas ao extrativismo, a fim de alcançar o bem comum e um autêntico desenvolvimento humano, sustentável e integral ". [4]

Sua reunião é importante porque você está lidando com questões que dizem respeito ao futuro de nosso lar comum e ao futuro de nossos filhos e das futuras gerações. "Precisamos perceber que o que está em jogo é a dignidade de nós mesmos. Somos os primeiros interessados em transmitir um planeta habitável para a humanidade que virá depois de nós. É um drama para nós mesmos, porque isso põe em questão o significado de nossa passagem nesta terra "(Enc. Laudato si ', 160). Que você nunca perca de vista este grande horizonte!

Com carinho te abençoo, suas famílias e suas comunidades. Por favor, ore por mim também. Obrigado.
Papa Francisco

[Texto original: italiano]

_____________________

[1] Carta Enc. Populorum progressio, 22.
[2] Lett. Enc. Caritas in veritate, 47.
[3] CELAM, Discípulos missionários custódios da casa comum. Discernimento à luz da encíclica Laudato si ’, Bogotá, janeiro 2018, 11.
[4] CELAM, Discípulos missionários custódios da casa comum. Discernimento à luz da encíclica Laudato si ’, Bogotá, enero 2018, 12.

Fonte: Fala Chico

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Frei Rodrigo volta ao Brasil e diz: '''Solidariedade exige resistência e tranquilidade''


"Solidariedade exige resistência e tranquilidade", disse frei Rodrigo Péret após chegar em Uberlândia nesta segunda-feira (13). O membro da comissão da Pastoral da Terra integrava um grupo de ativistas que foi preso na última sexta-feira (10) na região de Marange, no Zimbábue. Acusadas de invasão de propriedade particular, 24 pessoas de oito países foram liberadas no sábado (11) mediante pagamento de uma fiança individual no valor de 100 dólares.
A prisão dos ativistas mobilizou entidades internacionais e a embaixada brasileira no fim de semana. O grupo fazia parte uma missão do movimento internacional de direitos humanos People's Dialogue (Diálogo dos Povos) e, segundo frei Rodrigo, só soube o que motivou as detenções quando chegou de camburão na delegacia de Mutare, a 270 km da capital Harare.
"Foi uma surpresa porque tínhamos autorização para estar naquela área, que é uma área de mineração onde vivem mais de 6 mil famílias", explica o frei. "A polícia de imigração pediu para ver nossos documentos e nos levou para a delegacia. Percebemos que estavam procurando fazer as coisas de uma forma legal. Uma situação como essa é claro que nos causa medo, mas a busca pela legalidade era um sinal de que as pressões [externas] estavam surtindo efeito."

Fim de semana de tensão 

Do Brasil, além do frei, também foram detidos os membros do Movimento de Atingidos pela Mineração, Maria Júlia Gomes de Andrade e Jarbas Vieira. Frei Rodrigo relata que a missão estava há dois dias no Zimbábue quando o incidente aconteceu. Depois de passarem a noite de sexta para sábado em celas, houve uma audiência no tribunal local.
Quatro advogados representaram o grupo, que foi orientado a se declarar culpado de invadir uma propriedade particular. "A estratégia era nos tirar dali o mais rápido possível. Se fôssemos contestar a aplicação do crime, poderia gerar um processo mais longo. Nós todos assumimos a culpa, mas o juiz acolheu o argumento da defesa que a área possui uma situação ambígua- não tinha placa que a identificasse como propriedade particular e há moradores no local. Como pena, poderíamos ficar cinco dias presos ou pagar 100 dólares por pessoa."
De Mutare, o grupo seguiu para a capital do Zimbábue, Harare, e, de lá, foi levado para a capital da África do Sul, Johanesburgo. Frei Rodrigo embarcou ainda no domingo para São Paulo. Ele chegou em Uberlândia por volta de 0h30 desta segunda-feira.

Preocupação

Na noite do último sábado (11), o frei de Uberlândia fez um comunicado à imprensa por e-mail relatando a situação vivida no país africano.
"Enquanto participávamos de um encontro com 2.000 pessoas na região de Marange, cuja pauta era a discussão sobre os impactos da atividade mineraria de diamante na área e a criação de um fundo comunitário para a melhoria das condições de vida das comunidades atingidas. Todos os estrangeiros foram presos logo no início do encontro, no começo da tarde do dia 10. Fomos conduzidos para o posto policial de Marange. De lá, levados para a Delegacia Central de Polícia de Mutare, onde fomos fichados e encarcerados", escreveu o frei.
No texto, o religioso ainda relatou o receio dos ativistas em deixarem o Zimbábue. "Nos preocupam a segurança e integridade físicas das mesmas [...]. A conjuntura é delicada e exige que se mantenha a mobilização e solidariedade internacional até a finalização total da situação”, diz em outro trecho do texto.
Em entrevista nesta segunda-feira, frei Rodrigo explicou que a preocupação dele e dos demais ativistas é com a situação de colegas de missão que moram no Zimbábue. Segundo ele, o país africano vive uma grave crise política e econômica.
Em relato à Rádio Vaticano, Fr. Rodrigo Peret, da Comissão Pastoral da Terra de Uberlândia, falou do dia que passaram na prisão e manifesta seu agradecimento a advogados, diplomatas e autoridades eclesiásticas, pela assistência e resolução do caso.
Fr. Péret faz um convite aos ouvintes do Programa Brasileiro, para que continuem a manifestar solidariedade, apoiando as famílias que sofrem os impactos da mineração “O povo fica na miséria, com a destruição do meio ambiente. Todos temos a responsabilidade de cuidar da nossa casa comum.”
Fr. Rodrigo recorda ainda que uma jovem inglesa pertencente ao grupo ainda está detida no Zimbábue.
Ouça aqui:






















Comunicado do Frei:

Graças a Deus fomos todos liberados eu já me encontro em Uberlândia.  Maria Julia e o Jarbas Vieira, ambos do MAM, já chegaram também ao Brasil. Éramos um grupo, em uma missão de solidariedade, de 24 pessoas, 8 países, promovida pela Rede Diálogo dos Povos (África - América Latina). Conhecer e experimentar o cárcere de um país como o Zimbábue, não é coisa simples. Mas a solidariedade exige muita resistência. Um país tão rico em minerais, onde nada fica para o povo é um desafio para nossa consciência humana e cristã. Essa situação revela a triste realidade da mineração, pelo mundo afora.  A situação política do Zimbabué é grave, a economia em colapso e uma grande pobreza. Convidamos a todos a nos solidarizarmos com esse povo sofrido. Tudo que possamos fazer é muito pouco. Obrigado pelo apoio de vocês. Um fraterno abraço de Paz e Bem!   
Frei Rodrigo

Fonte: 
FolhaMG
Rádio Vaticano
Comunicado do Frei Rodrigo Péret 


domingo, 12 de novembro de 2017

Brasileiros libertados no Zimbábue divulgam comuniicado


Jarbas Vieira, Frei Rodrigo Péret, o cônsul Thiago Couto Carneiro e Maria Júlia Gomes Andrade.

Os brasileiros libertados já estão na cidade de Harare, capital do Zimbábue.

Abaixo o comunicado dos brasileiros libertados:

Comunicamos aos companheiros e companheiras, que após julgamento na Corte Criminal de Pequenas Causas em Mutare, no Zimbábue, fomos libertados no meio da tarde do dia 11 de novembro. Contudo, estamos ainda apreensivos em relação ao retorno das pessoas que foram presas (24 pessoas, de 8 países). Nos preocupa a segurança e integridade físicas das mesmas ao retornarem para os seus países de origem. A conjuntura é delicada e exige que se mantenha a mobilização e solidariedade internacional até a finalização total da situação.

Fomos presos durante uma missão de solidariedade internacional às comunidades atingidas pela mineração no Zimbábue, convocada pela Rede Diálogo com os Povos. Enquanto participávamos de um encontro com 2.000 pessoas na região de Marange, cuja pauta era a discussão sobre os impactos da atividade mineraria de diamante na área e a criação de um fundo comunitário para a melhoria das condições de vida das comunidades atingidas. Todos os estrangeiros foram presos logo ao início do encontro, no começo da manhã do dia 10. Fomos conduzidos para o posto policial de Marange, de lá levados para a Delegacia Central de Polícia de Mutare, onde fomos fichados e encarcerados.

Para a nossa libertação foi fundamental a pressão internacional e o apoio de muitas organizações que se solidarizaram com a situação. Destacamos o trabalho dos advogados e advogadas da Zimbabwean Lawyers for Human Rights, que se mobilizaram desde o primeiro momento e acompanharam todo o grupo ao longo do processo. Ressaltamos também a atuação firme da Embaixada Brasileira no Zimbábue, que colaborou muito na mediação da resolução.

Agradecemos muito toda a articulação e apoio! E reafirmamos a necessidade de que continuemos atentos até a chegada de todos e todas aos seus países.

Abraços fraternos,
Frei Rodrigo Peret - CPT e Diálogo dos Povos
Jarbas Vieira - MAM
Maria Júlia - MAM

sábado, 11 de novembro de 2017

Brasileiros presos no Zimbábue em missão humanitária são soltos após julgamento

"De acordo com informações diretas, a comitiva brasileira foi libertada depois de um julgamento e o pagamento de uma fiança. Segundo Frei Rodrigo, eles estariam sendo acompanhados à capital, Harare, a fim de deixarem o país. (Rádio Vaticano)



BBC Brasil

Por Ricardo Senra

Após quase 24 horas detidos em uma prisão de Mutare, no Zimbábue, três brasileiros foram liberados depois de um julgamento no tribunal local de pequenas causas, que foi acompanhado por emissários do Itamaraty.

O frei católico Rodrigo Peret, da Comissão Pastoral da Terra de Uberlândia (MG), os ativistas Maria Julia Gomes Andrade e Jarbas Vieira, do Movimento de Atingidos pela Mineração, acompanhavam um grupo de 22 estrangeiros em uma visita a comunidades afetadas pela mineração de diamante na região de Marange, onde estão algumas das maiores reservas da pedra preciosa no planeta.

O governo local afirma que as atividades foram realizadas em áreas de acesso proibido nas minas de Marange. Todos os presentes foram levados de ônibus pela polícia local até a de prisão da cidade de Mutare, que fica a 4 horas da capital do país, Harare.

Segundo o Itamaraty, a embaixada brasileira no Zimbabue destacou um diplomata para acompanhar a situação dos brasileiros, que já tinham apoio jurídico local. O diplomata acompanhou o julgamento e, após pagamento de fiança, os brasileiros estão sendo levados à capital em carro oficial.

De acordo com informações do Vaticano, o frei e os demais brasileiros estão bem. O deputado estadual mineiro Durval Ângelo (PT), pai de uma das presas, afirmou que os brasileiros foram mantidos por oito horas na prisão sem comunicação.

Além dos brasileiros, 19 ativistas da África do Sul, Zâmbia, Quênia e Uganda que acompanhavam a missão também foram liberados após o julgamento, mas aguardam apoio de suas embaixadas para se descolarem em segurança até a capital do país.

Tensão Política

Na última sexta-feira, a BBC Brasil falou com a sul-africana Mercia Andrews, do movimento internacional de direitos humanos People's Dialogue (Diálogo dos Povos), que estava no local no momento das prisões.

Ela acompanhava a missão de ativistas às minas de Marange, cujas licenças de exploração são alvo de controversia com antigos moradores da região, que atribuem importância espiritual à área.

Liberdade para os defensores da nossa Casa Comum


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Meu irmão  Rodrigo é uma das pessoas mais sérias e comprometidas com a superação das desigualdades sociais e a pobreza.

 Liberdade para Frei Rodrigo Péret!!!!

Nossa presença junto ao Frei Rodrigo Péret e a todos e todas ativistas com as melhores energias, orações e solidariedade.

SOLIDARIEDADE A FREI RODRIGO PÉRET, PRESO EM ZIMBABWE POR DEFENDER NOSSA CASA COMUM
A Família Franciscana do Brasil manifesta solidariedade a Frei Rodrigo Péret e aos irmãos e irmãs ativistas socioambientais, defensores da nossa casa comum, presos nesta sexta-feira,10 de novembro, em Zimbabwe, na África. Os irmãos/as realizavam visitas às comunidades afetadas pela mineração na cidade de Mutare, quando foram presos por estarem do lado dos mais pobres e oprimidos. Apelamos pela colaboração das entidades e governos responsáveis, tanto do Brasil como do Zimbabwe, para que a situação seja resolvida o mais rápido possível.

Um grupo de ativistas do meio ambiente, incluindo um frade franciscano, foram presos na sexta-feira durante uma visita a uma região mineira de diamantes em mutare, no Zimbabwe.
O Frei Rodrigo Peret é das igrejas e da rede mineira e tem trabalhado para defender os territórios e os povos afetados (e ele também patrocina o trabalho do gcm no Brasil através de sua organização aafes). Pedimos as vossas orações para que todo o grupo recupere a sua liberdade.

A imagem pode conter: céu, nuvem, texto e atividades ao ar livre

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Franciscanos, através do Frei Rodrigo Péret , denunciam na ONU as degradações e violações da exploração mineral no Brasil

Rádio Vaticano

Franciscanos levam Conceição do Mato Dentro (MG) à ONU

                                  Frei Rodrigo Péret



Genebra (RV) - Quarta-feira (27/09) a ONG Franciscans International apresentou na sede das Nações Unidas em Genebra, na Suíça, um painel de denúncia sobre os efeitos do extrativismo no território e na população de Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais.
A Organização Franciscans International é a ‘voz franciscana nas Nações Unidas que protege os vulneráveis, os esquecidos, os marginalizados e a nossa terra, tão profundamente ferida’.
Respeitar a dignidade de cada pessoa numa comunidade global em que os recursos sejam divididos com equidade, na qual o meio ambiente seja defendido e as nações e povos vivam em paz: são os objetivos da ONG.
Neste sentido, o espaço aberto na Convenção de Direitos Humanos da ONU alertou para os impactos a que esta população, de modo particular, está exposta.
Foram denunciados o não-envolvimento das comunidades que poderão ser afetadas, a falta de atenção aos estudiosos no assunto e a omissão dos órgãos de licenciamento em relação a estas situações.
A prática mineradora desconstrói o território e em nome do progresso constrói um território sem vínculos com as comunidades locais. O licenciamento é feito de maneira fatiada para esconder a realidade dos impactos negativos.
Frei Rodrigo Péret acompanha a questão da degradação de áreas de preservação permanente e a violação dos direitos humanos, decorrente  da exploração mineral no Brasil. Engajado com a realidade social e ambiental, é também assessor da CNBB para assuntos referentes à mineração.
Ele participou da Conferência na sede da ONU em Genebra e enviou o seu relato. Ouça aqui:
 
Com Frei Rodrigo, expuseram a situação Moema Miranda, de Igrejas e Mineração, Patrícia Generoso, membro da Rede de Articulação e Justiça Ambiental dos Atingidos do Projeto Minas Rio, e Igor Bastos, do Movimento Católico Global pelo Cima, a quem agradecemos pela parceria. 
Confira a apresentação:

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Pronunciamento dos Franciscanos na ONU, através do Frei Rodrigo Péret, sobre as empresas extrativas

Um tratado juridicamente vinculante, que obrigue as empresas transnacionais a cumprirem e respeitarem normas de direitos humanos, é fundamental no atual mundo globalizado, onde as relações tem como base o poder econômico. O fato de ser vinculante faz toda a diferença, já que sai do aspecto voluntário que sempre norteou os guias de responsabilidade social corporativa até agora vigentes. Para a sociedade civil é hora decobrar e punir as empresas transnacionais, pelos impactos que seus negócios causam nas pessoas, violando direitos humanos e destruindo o meio ambiente.

Hoje (25 outubro), em Genebra na segunda reunião da 2a Sessão do Grupo Intergovenamental para preparar um Tratado Vinculante sobre Corporações Transnacionais e Direitos Humanos, a Franciscans Internacional, através de Frei Rodrigo Péret, fez a seguinte intervenção oral na plenária da sessão, aqui traduzida para o português: 


Oral Statement
Open-ended Intergovernmental Working Group on Transnational Corporations and Other Business Enterprises with Respect to Human Rights

Geneva, 25 October 2016
Delivered by: Rodrigo Peret

Obrigado Senhora Presidente

Franciscans International pretende trazer a perspectiva das pessoas que trabalham e vivem com e em comunidades diretamente afetadas pelo impacto das indústrias extractivas e sua cadeia de abastecimento em todo o mundo. parceiros nacionais FI só pode observar e denunciar as diversas violações e abusos de toda a gama de direitos humanos, civis e políticos, bem como econômicos, sociais e culturais, vinculados destas atividades.

Os impactos sociais incluem a divisão das comunidades; marginalização de comunidades pobres na tomada de decisão para projetos extrativistas de grande escala, intensificação de conflitos e da violência em áreas impactadas, criminalização de defensores dos direitos humanos e do meio ambiente, a perda de meios de subsistência e a interrupção do acesso aos serviços, bem como o desrespeito generalizado à consentimento livre, prévio e informado dos povos indígenas.

Quanto ao impacto econômico, deve-se salientar que a perda de meios de subsistência raramente é compensada pela atividade econômica que é gerada pela indústria de mineração. As comunidades afetadas geralmente não vêem os "benefícios" econômicos, os postos de trabalho e oportunidades que são prometidas; as populações normalmente não vêem muito das receitas e riqueza produzida através da extracção de recursos naturais.

Os impactos ambientais de grandes projetos extrativos são bem conhecidos, eles incluem a destruição de florestas primárias e áreas de mananciais, que estão abertos para projetos de petróleo, gás e mineração, a contaminação dos rios e zonas costeiras pelo despejo de resíduos e substâncias tóxicas, a poluição do ar de grandes fábricas e unidades de transformação que não são regulamentados, e os acidentes desastrosos de projetos de mineração, como o desastre da represa da BHP Billiton e Vale em Mariana - no meu país Brasil e outros projetos de grande escala que muitas vezes poderiam ser evitados, mas raramente são adequadamente reparados.

Em conclusão, inspirados pela encíclica Laudato Si do Papa Francisco, acreditamos que a adoção de um tratado juridicamente vinculante irá contribuir para a proteção da dignidade de todos e da nossa casa comum. 

Obrigado Senhora Presidente

Fonte: Fala Chico

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

BHP (Samarco) - O cinismo corporativo

Por Frei Rodrigo Péret
Fala Chico

BHP (Samarco) - O cinismo corporativo

Terminou, hoje (20 0utubro) a Assembleia Geral dos Investidores da BHP Billinton em Londres.  A assembleia contou com dois momentos. Uma reunião separada na parte da manhã, para tratar exclusivamente de questões sobre impactos das atividades da BHP , sua visão sobre as mudanças climáticas e uma plenária.

Presentes, vindo do Brasil, Maria do Carmo D´Angelo, moradadora de Paracatu de Cima, terceiro distrito destruído pelo avanço da lama em Mariana; Letícia Oliveira do Movimento dos Atingidos de Barragem de Mariana e o franciscano Frei Rodrigo Péret, da Rede Igrejas e Mineração.

A BHP através de seu presidente Jack Nasser admitiu que é culpada pelo desastre. Contudo, quando dirigimos perguntas de como será a remediação e a compensação, em toda a bacia do Rio Doce, a resposta é dispersiva. Falam da Fundação Renova, que pertence à Samarco (Vale e BHP), fruto do acordo feito pela empresa e os governo federal e estaduais (MG e ES). Tentam se justificar alegando dificuldades, devido à extensão do desastre. Daí para frente as afirmações nada mais são do que uma exercício vazio de retórica.

O Diretor Andrew Mackenzi, que esteve no Brasil, logo após o desastre, quando questionado para apresentar o cronograma de medidas efetivas de mitigação em curto, médio e longo prazo, em relação às perdas sociais e ambientais, nada apresentou. Na verdade, não existe, depois de um ano, um plano concreto para atender as comunidades, rurais, agroextrativistas e pesqueiras atingidas. Questionado sobre quais as medidas que serão tomadas em relação ao meio ambiente, divergiu e não disse nada de concreto. A restauração da fauna, da flora e de todo ecossistema da bacia do rio Doce, não foi nem mencionada, por ele.

Denunciamos e questionamos a falta de participação das comunidades atingidas e o fato de que a definição de quem é atingido se dá segundo critérios da empresa. Sobre isso, não houve resposta alguma.

Quando citamos exemplo concretos de famílias não consideradas como atingidas e portanto não assistidas minimamente, a retórica é a mesma, se trata de um desastre extenso e complexo.

Ao serem questionados pelo fato de os atingidos não tem nenhum poder deliberativo nos processos decisórios, eles não respondem e insistem em dizer que continuaram a fazer consultas.


A BHP como relatamos acima, admite a culpa em relação ao desastre, contudo o que o interessa é continuar os negócios. Sabem de sua responsabilidade, da extensão e da complexidade do desastre que perpetraram, mas continuam fazendo seus negócios como de hábito. Em inglês existem um termo, continuam com o “business as usual”.

Foram tratados também os impactos da BHP, ligados à mineração de carvão, na Colombia e  Indonésia. Na Colombia na região de La Guajira, 15 comunidades foram forçadamente removidas, continua agravar os problemas de saúde das pessoas e a contaminação de água. Na Indonesia  no projeto IndoMet, as comunidades estão exigindo que a empresa não lave suas mãos, em relação aos impactos ambientais, provocados por vazamento de barragens, que estão afetando o rio Barito.

A conclusão é que as corporações transnacionais consideram as pessoas e o meio ambiente como resíduos, lixo que deve ser removido.

Ao final, foi entregue um documento do MAB para o Presidente do Conselho Diretor da BHP, com 4 reivindicações.

Não à construção do dique S4. Que sejam feitas outras formas de contenção da lama, como retirada da lama da beira do rio e apresentadas alternativas locacionais para a construção do dique. 

Reestruturação da Fundação Renova e do acordo, de forma que os atingidos participem do conselho que toma as decisões da Fundação. O acordão e a fundação Renova são ilegítimos, não contaram com a participação dos atingidos na sua elaboração, mas a empresa sempre diz que já está prevista a participação dos atingidos, mas não nos espaços decisórios. Por isso que é necessário é reestruturar a fundação, da forma que ela está hoje, já há participação dos atingidos. 

Reconhecimento de todas as famílias atingidas na bacia do Rio Doce, que tenham tido alguma mudança em suas vidas devido ao rompimento da barragem, de forma que elas recebam todos os direitos emergenciais e participem do processo de reparação e compensação definitivas. 4- Acelerar o processo de reparação de forma geral, principalmente na construção das moradias, nas ações em saúde, na retomada das atividades produtivas, a partir da participação e decisão dos atingidos.
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No dia 19 de outubro, entrevista na Radio BBC, em Londres, sobre o desastre de Mariana. Recontar o rompimento da barragem de Fundão e o mar de lama que matou pessoas e destruiu a bacia do Rio Doce. A BHP Billinton uma das donas da Samarco é uma mineradora inglesa-australiana. Levar a um público maior o conhecimento  do crime e o descaso da empresa é importante na busca por justiça.



 Assembléia Geral dos Investidores da BHP Billinton,no Queen Elizabeth Hall, em Londres. A BHPé a empresa inglesa-australiana que junto com a Vale é proprietária da SAMARCO. Estamos debatendo na plenária e questionando a empresa, mostrando o crime cometido, o descaso e a responsabilidade dos investidores.



Atividades de reuniões, palestras e denuncia do desastre criminoso da Samarco (Vale e Bhp Billinton), que destruiu toda a bacia do rio Doce. Hoje participamos de uma mesa de debate na Universidade de Cambridge, onde apresentamos, as violações aos direitos das populações atingidas e os impactos ao meio ambiente.  Uma lógica perversa que foi instaurada pela Samarco com a conivência e participação do governo federal, e dos governos dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. A Samarco  responsável pelo desastre criminoso, até hoje controla a cena do crime, bem como é ela que determina segundo critérios próprios, quem deve ser considerado atingido. Submeter a reparação de um crime à vontade daqueles que o cometeram é imoral e ao mesmo tempo se trata de um outro crime.  E é isso que vem acontecendo na região de Mariana e se extende por toda a extensão atingida até a foz do rio Doce.