quarta-feira, 5 de março de 2014

Cézanne espetacular!

Por Marco Lacerda
(Dom Total):


Cézanne, a arte da filosofia e da forma pura


Paul Cézanne ( 1839-1906) foi um pós-impressionista francês, cujo trabalho forneceu as bases da transição das concepções do fazer artístico do século XIX para a arte radicalmente inovadora do século XX. Cézanne pode ser considerado como a ponte entre o impressionismo do final do século XIX e o cubismo do início do século XX. Matisse e Picasso disseram sobre ele: “Cézanne é o pai de todos nós".

Após uma fase inicial dedicada aos temas dramáticos e grandiloquentes próprios da escola romântica, Paul Cézanne criou um estilo próprio, influenciado por Delacroix. Introduziu nas suas obras distorções formais e alterações de perspectiva em benefício da composição ou para ressaltar o volume e peso dos objetos. Concebeu a cor de um modo sem precedentes, definindo diferentes volumes que foram essenciais para suas composições únicas.

O homem que em sua solidão encontrou a arte da filosofia e da forma pura, precursor do cubismo estandarte do naturalismo, criador do pós-impressionismo, é protagonista de uma extraordinária retrospectiva do seu trabalho, inaugurada no Museu Nacional de Belas Artes de Budapeste em 2013 e que agora é apresentada no Museu Thyssen-Bornemisza, de Madrid, de fevereiro a maio. A ironia da mostra é dupla, por reconstituir a memória do criador rechaçado, além de fazê-lo desde uma perpectiva radicalmente diferente daquela que permite compreender, ainda que postumamente a contribuição fundamental do artista à abertura à modernidade.


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Maçãs e Laranjas (1900): durante toda a sua vida, Cézanne pinta naturezas mortas, tornando seus elementos entidades pictóricas, e estudando suas formas e cores. Para Cézanne, a pintura não trabalha com a semelhança, mas com a equivalência. Não se copia a natureza, mas se tornam reais as sensações. Na obra “Maçãs e Laranjas”, os objetos parecem retratados em diferentes planos, como se o pintor mudasse constantemente o seu ponto de observação. Tais estudos, mais tarde, seriam retomados por Picasso no início do cubismo.( abstraçãocoletiva.com.br)

Apples and Oranges, 1900
Apples and Oranges, 1900


Do abstraçãocoletiva.com.br:

Os Jogadores de Cartas de Paul Cézanne, em suas cinco versões

Obras de Paul Cézanne
O tema dos jogadores de cartas é explorado por Paul Cézanne nos anos 1890, em cinco obras. É bastante difícil precisar com exatidão o ano em que cada quadro foi pintado, pois Cézanne não assinava nem datava suas obras. Mas a ordem das obras pode ser estipulada.

O trabalho foi precedido de inúmeros esboços e estudos, pela complexidade da composição. Tradicionalmente, na escola francesa de pintura, jogos e cartas eram retratados de forma anedótica, em tavernas à luz de velas, com personagens ruidosos em torno de uma mesa – bebendo, tocando, discutindo, blefando, trapaceando. Cézanne mergulha seus personagens em uma atmosfera de silêncio e concentração. Nossa atenção é dirigida para a pintura em si, sua composição formal e especificidades pictóricas.

A primeira obra é realizada por volta de 1892, na residência da família, em Jas de Bouffan, utilizando como modelos trabalhadores da propriedade. Há três jogadores, mas quatro lugares na mesa. O quarto lugar poderia pertencer a um jogador desistente ou ao próprio observador da pintura. Outros dois personagens assistem a partida, sólidos e absortos.

The Card Players, 1892, The Barnes Foundation (EUA)
The Card Players, 1892, The Barnes Foundation (EUA)

A segunda obra traz tons mais azulados, e menos objetos compondo o quadro – a estante e o quadro são eliminados. Também, um dos observadores da partida é excluído. Com menos elementos dispersivos, nos concentramos ainda mais nos jogadores, cuja tensão é quase palpável.

The Card Players, 1893, Metropolitan Museum of Art (EUA)
The Card Players, 1893, Metropolitan Museum of Art (EUA)

No terceiro quadro, só dois personagens são retrataos e suas identidades parecem diferentes. Possivelmente, o personagem do observador nas duas primeiras pinturas, com um cachimbo nos lábios, é agora um dos jogadores. O ambiente também parece outro. As tonalidades de azul se intensificam tornando ainda mais opressiva a concentração dos jogadores. A mesa, mais simples, traz uma garrafa em sua extremidade, mas não há copos.

Até pouco tempo atrás, a obra fazia parte da coleção de arte do milionário grego Goerge Embiricos, que a vendeu em 2011 para a família real do Qatar. O valor pago é a maior quantia já oferecida por uma obra de arte em leilão ou transação privada: cerca de 430 milhões de reais.

Os Jogadores de Cartas, 1893, Coleção Privada
Os Jogadores de Cartas, 1893, Coleção Privada

Na quarta tela, os tons se tornam mais vivos, com uma paleta rica de amarelos, laranja, vermelhos e marrons, com sombreamento verde. Os elementos gerais da composição são mantidos.

The Card Players, 1895, Courtauld Institute of Art (London)
The Card Players, 1895, Courtauld Institute of Art (London)

Uma curiosidade é que no filme estadunidense “Onze Homens e um Segredo”, de 2011, a obra aparece rapidamente em uma cena, desfocada, mais ainda reconhecível.

Onze Homens e um Segredo
Onze Homens e um Segredo

A última versão do quadro é a mais conhecida. Não há mais qualquer presença dos tons de azul característicos das primeiras telas, a cor varia entre amarelos e tons castanhos. É a menor de todas as obras, com 47,5cm x 73cm. A primeira versão possuía 134,6cm x 180,3cm.

Os Jogadores de Cartas, 1896, Musée d'Orsay (Paris)
Os Jogadores de Cartas, 1896, Musée d’Orsay (Paris)


O artista foi o criador de obras com os maiores preços do mercado de arte, nos últimos anos. Cézzane é considerado a ponte entre o impressionismo do fim do século XIX e o cubismo do início do século XX. Entre as suas pinturas estão: paisagens, representações de naturezas mortas, figuras humanas em grupo e retratos, além de fenômenos óticos.
Cézanne serviu também de inspiração para Picasso, Braque, Gris e outros, que experimentaram visões complexas. O artista tornou-se assim um grande influenciador do desenvolvimento da Arte Moderna.

Vida
O francês Paul Cézanne estudou desenho na Academia de Desenho de Aix entre 1846 e 1848. Em 1852, ingressou no Collège Bourbon, de Aix. Em seguida, Cézanne candidata-se à Escola de Belas Artes, mas é recusado e volta à sua cidade. Retorna à Paris, matriculando-se no Ateliê Libre Suisse, onde conhece Pissarro, Monet, Sisley e Renoir. Pinta várias obras de inspiração romântica. A primeira obra-prima é "A casa do enforcado" (1873), seguida de uma série de "naturezas-mortas", tema que se torna uma constante.
Sempre rejeitado no Salão Anual, onde estavam os principais artistas, participou de exposições impressionistas. Após a morte dos pais, se instalou, em Aix, onde viveu solitário. Neste período, a sua arte atingiu o auge da depuração nas paisagens como: "O grande pinheiro", que pode ser admirado na coleção permanente do Museu de Arte de São Paulo - MASP.



¨O grande pinheiro¨
 

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