quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Dom Helder Câmara nascia há 105 anos

105 anos de nascimento de Dom Helder Câmara - (07/02/1909), o inesquecível arcebispo de Olinda e Recife, que nos deixou em 1999, aos 90 anos.
 
Uma vida iluminada, de realizações extraordinárias, que deixou-se ficar eternizada depois de sua partida. Um profeta do nosso tempo, portador da Boa Nova que chegava aos corações pela verdade com que era propagada. Pronto para lutar por causas verdadeiras e  entregar-se à doçura de ser simples, fácil de ser tocado pelas pessoas, fossem elas do jeito ou origem que fossem... 
Leia o artigo do domtotal.com:




Do domtotal.com:
Por Geovane Saraiva*

Dom Helder Câmara leu, quando Arcebispo de Olinda e Recife, um conjunto de crônicas, no microfone da Rádio Olinda de Pernambuco, intituladas: “Um olhar sobre a cidade”. Trata-se de mensagens da melhor qualidade, mensagens ricas e profundas, assim como foi rica, profunda, intensa, preciosa e de ótima qualidade a vida do pastor dos empobrecidos, humano ao extremo, nascido aos 07 de fevereiro de 1909, na cidade de Fortaleza – Ceará.

Mensagens de amor e de esperança para o seu povo, sua gente muito querida, em primeiro lugar nas cidades de Olinda, Recife e demais cidades de sua então arquidiocese, mas também para o mundo inteiro, porque sua emblemática palavra, por seu significado social, profético e profundamente humano, chegava aos confins do mundo. Mensagens de um pastor que soube amar a todos, mas, sobretudo, seu imenso amor à causa dos empobrecidos, os “sem voz e sem vez”.  "Quem estiver sofrendo, no corpo ou na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar especial no coração do bispo", dizia ele.

Artífice da paz o foi. E o caminho cristão no campo social orienta-se na linha da não violência ativa, encontrando em Dom Helder Câmara, segundo Pe. João Batista Libânio, falecido no dia 30/01/2014, a figura certa e emblemática de tal via. Daí olharmos para a força desse irmão querido como o homem dos grandes sonhos e utopias: “Quando sonhamos sozinhos é só um sonho; mas quando sonhamos juntos é o início de uma nova realidade”; “Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante... Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do mundo (...)”.

A Carta aos Hebreus nos assegura: “Nós não temos aqui na terra cidade permanente, estamos à procura da cidade que há de vir” (Hb 13, 14). Hoje a grande maioria da humanidade mora em cidades. Daí o nosso olhar para a cidade e que seja o mesmo olhar do artesão da paz, desejando tirar dela coisas boas e positivas. O mundo é bom e as cidades são boas. Como seria bom viver bem e em harmonia com este mundo, que Deus criou para nós, suas criaturas, na assertiva do próprio Deus: “O que vos peço é que não tireis do mundo, mas livreis do mal” (Jo 17, 15).

Mensagens do Profeta que viveu bem nessa “cidade”, que não é permanente, mas com um grande desejo que todos compreendessem o sentido da vida neste mundo, voltando-se, é claro e evidente, para a outra vida, para a transcendência. Mensagens do “irmão dos pobres” que encarnou o Concílio Vaticano II, quando diz: “Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração” (GS, 200).

Nós moramos numa cidade e por vontade do Criador e Pai, a exemplo do Apóstolo dos gentios, de Dom Hélder Câmara e de outros homens de Deus, sonhamos com a cidade do céu, a Jerusalém do Alto. Santo Agostinho, na sua obra, “A cidade de Deus” fala que “dois amores fundaram duas cidades, a saber: O amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena e o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial”.

Que o aniversário de nascimento de Helder, pequeno na estatura, mas grande e obstinado nos ideais de peregrino da paz, o qual na qualidade de místico e maestria de rara originalidade procurou ser fiel a Jesus de Nazaré, com os pés no chão e no permanente esforço de unir o céu a terra, com os olhos, a mente e o coração fixos e voltados para a cidade lá do alto, que na alegria e na esperança cristã jamais iremos esquecê-lo.

Que ao celebrarmos sua memória, uma vida toda pelos irmãos, produza-nos os melhores frutos, para a maior glória de Deus e o bem do povo brasileiro e da humanidade inteira. Assim seja!
 
* Geovane Saraiva é padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso. É autor dos livros “O peregrino da Paz”, “Nascido Para as Coisas Maiores”, “A Ternura de um Pastor”, “A Esperança Tem Nome”, "Dom Helder: sonhos e utopias" e "25 Anos sobre Águas Sagradas”.
 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Quando o filho é pai de seu pai

 
"Todo filho é pai da morte de seu pai"
Fabrício Carpinejar
 
"Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no ent...erro e não se despede um pouco por dia."
Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.
 
 É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso. É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar. É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
 
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios. E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz. Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez.
 
Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais. Uma das primeiras transformações acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas. Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores.
 
Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
 
E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia. Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira: — Deixa que eu ajudo. Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo. Colocou o rosto de seu pai contra seu peito. Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo. Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável. Embalou o pai de um lado para o outro. Aninhou o pai. Acalmou o pai. E apenas dizia, sussurrado: — Estou aqui, estou aqui, pai! O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.
 

Saldo comercial: as ¨lições¨ de quem não as pode dar

   

balanca

Artigo de Fernando Brito, no tijolaço.com.br

Saldo comercial: as ¨lições¨ de quem não as pode dar, o PSDB

Os tucanos – e Aécio Neves, pessoalmente – “tiram onda” das dificuldades do Brasil em obter saldos mais expressivos na balança comercial.
Digo saldos mais expressivos porque, até agora, não houve déficit comercial no Brasil nos governos Lula e Dilma.
E os déficits foram crônicos durante o período FHC, como você pode ver no gráfico.

É lógico que Lula foi beneficiado por um contexto de alta dos preços das commodities – que tiveram alta muito expressiva entre 2005 e 2008 – mas também é igual verdade que o superavit continuou expressivo quando elas despencaram com a crise de 2008.

Para que você tenha ideia, o Índice Dow Jones de Commodities – um mix de várias delas – caiu de 233 pontos em junho daquele ano para apenas 117 em dezembro/08.
Tombo pra ninguém botar defeito que, aqui, “marolou”.

Fernando Henrique só enfrentou desvalorização nestes preços no ano 2000.

A queda no saldo comercial brasileiro, que existia no governo Itamar e foi destroçado no do “Príncipe” foi função, até o “mundo mineral” do Mino Carta sabe, fruto de uma cotação fantasiosa do US$1 = R$ 1, o, o planeta mágico que Fernando Henrique criou.

A imprensa brasileira sabe disso, exceto os meninos e meninas que eles mandam cobrir coletivas, que não têm idade nem capacidade de compreender este processo e tratam números como se fossem o resultado de uma partida de futebol.

Como não têm capacidade de entender que o esforço do Brasil, na última década, foi o de abrir mercados e de fugir do impasse de trocas comerciais com dois grandes mercados – o americano e o europeu – afundados com a crise.

Diziam – e dizem – que o Brasil estava fazendo “caridade” ideológica com o Irã, com Cuba, com a África, com a Venezuela, quando Lula perambulava feito um mascate sedutor pelo mundo, abrindo caminhos diplomáticos para um relacionamento comercial crescente.

E mais: que o Brasil “fechou-se” ao mundo, por conta de uma política nacionalista obsoleta, populista, arcaica, quando as nossas trocas comerciais se expandiram a taxas incríveis de, na média 18% ao ano, em valor, de 2002 para cá.

Aos, números, pois, senhores, e chamemos Aécio Neves para conversar sobre eles.

PS. A propósito, o  índice de commodities, hoje, está bem pouco acima do “fundo do poço” que chegou em 2008: apenas 128 pontos.

ANO
exportação
importação
saldo
2013
242,178
239,617
2,561
2012
242,468
223,142
19,438
2011
256,041
226,251
29,790
2010
201,916
181,638
20,278
2009
152,252
127,637
24,615
2008
197,953
173,148
24,805
2007
160,649
120,620
40,039
2006
137,807
91,350
46,457
2005
118,309
73,545
44,764
2004
96,475
62,779
33,696
2003
73,084
48,283
24,801
2002
60,141
47,048
13,093
2001
58,223
55,581
2,642
2000
55,086
55,783
-0,697
1999
48,011
49,272
-1,261
1998
51,120
57,594
-6,474
1997
52,990
61,347
-8,357
1996
47,747
53,301
-5,554
1995
46,506
49,664
-3,158
1994
43,545
33,105
10,440
1993
38,597
25,659
12,938

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Vitória da Comunidade: Frei Cláudio Van Balen de volta ao altar


De acordo com os superiores da ordem, frei presidirá a missa das 19h, realizada às sextas-feiras, e a de domingo, realizada às 11h        

Frei Cláudio Van Balen vai retornar, já neste domingo, como celebrante da tradicional missa das 11 horas na Igreja do Carmo.










Após manifestação de fiéis contra suspensão da missa dominical das 11h, ordem dos carmelitas autoriza frei Cláudio a retomar celebração

Frei Cláudio van Balen vai retornar, já neste domingo, como celebrante da tradicional missa das 11h na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no Bairro do Carmo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A decisão foi tomada, nessa segunda-feira, pela Província Carmelita de Santo Elias, responsável pela paróquia, depois de reunião com o religioso, de 80 anos.
 
 De acordo com os superiores da ordem, frei Cláudio presidirá a missa das 19h, realizada às sextas-feiras. “A suspensão foi consequência de uma reação lamentável ocorrida durante a missa das 11h, de 26 de janeiro. Tivemos o encontro com o frei Cláudio e ficou acertado o retorno da celebração eucarística e a volta dele como sacerdote. Sempre mantivemos o diálogo. O cancelamento foi temporário”, disse, ontem, o pároco frei Evaldo Xavier Gomes, recém-eleito prior provincial (superior) da Ordem dos Carmelitas no Brasil para as regiões Sul e Sudeste. Ele adiantou que comunicou a decisão às autoridades diocesanas.

Diante da “nota de esclarecimento” divulgada anteontem pela Arquidiocese de Belo Horizonte, “na qual se reconhece ser da responsabilidade dos freis a definição de horários de missas e seus celebrantes”, a Província Carmelita informou estar “em sintonia com esse conteúdo e concorda com a permanência do frei no altar”. A decisão de cancelar os cultos dominicais foi decidida pelos superiores da província e da Arquidiocese de BH, no dia 27.
 
“Prevaleceu o bom senso”, afirmou ontem, diante da Igreja do Carmo, o engenheiro ambiental Cláudio Guerra, paroquiano e amigo há mais de três décadas do frei holandês. Organizador, em parceria com Mauro Passos, do livro Artesão de fé, Guerra ficou feliz com a decisão de manterem o religioso no altar. “A bandeira dele é a mesma do papa Francisco; falam a mesma língua”, comentou o engenheiro, lembrando que, em 46 anos, o frei vem se dedicando ao trabalho na paróquia e, principalmente, às pessoas. “Fizemos um levantamento sobre os serviços gratuitos oferecidos na Paróquia de Nossa Senhora do Carmo e verificamos que ela atende cerca de 35 mil pessoas por ano. Há profissionais voluntários para as áreas médico-odontológica, farmácia, fisioterapia e psicologia para toda a comunidade, incluindo os moradores das favelas”, afirmou o engenheiro.

Admirador das ações do religioso, a quem conhece desde 1981, Guerra lembrou que frei Cláudio nunca foi personalista e não teve nada a ver com o que ocorreu na missa do dia 26. “Não estou falando que ele é santo, pois todos nós temos defeitos”, ponderou. Pessoas ligadas a frei Cláudio informaram que ele ainda não vai se manifestar sobre a volta às missas. O Estado de Minas entrou em contato, por telefone, com o religioso, e ele disse que somente o prior provincial se manifestaria a respeito da decisão.




"A bandeira dele é a mesma do papa Francisco; falam a mesma língua" - Cláudio Guerra, engenheiro ambiental e organizador de livro sobre frei Cláudio

Fonte:
em.com.br


Cerca de 300 pessoas se reuniram neste domingo (2) em frente à Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Belo Horizonte, para protestar contra a suspensão das missas de frei Claudi van Balen
foto: Carlos Eduardo Cherem (uol)

    A mobilização da comunidade foi fundamental para o retorno do Frei Cláudio
 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Mais solidaridade ao Frei Cláudio: ¨mãos à obra¨

Cerca de 300 pessoas se reuniram neste domingo (2) em frente à Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Belo Horizonte, para protestar contra a suspensão das missas de frei Claudi van Balen

Manifestantes deram as mãos, num abraço simbólico ao templo, e percorreram o quarteirão formado pela Avenida Nossa Senhora do Carmo, ruas Passatempo e Grão Mogol.

Cerca de 200 católicos ligados à Igreja Nossa Senhora do Carmo, na zona sul de Belo Horizonte, rezaram na avenida de mesmo nome, em frente à entrada principal do templo, às 11h deste domingo (2), em protesto contra a decisão da Arquidiocese de Belo Horizonte e da Província Carmelita de Santo Elias em proibir as missas de Frei Cláudio Van Balen, 80 anos.
As duas entradas da igreja, uma das mais tradicionais da capital mineira, permaneceram fechadas neste domingo (2).

Os fiéis entoaram cantos católicos, rezaram a "Ave Maria", leram um manifesto, deram-se as mãos e caminharam até o salão paroquial, na entrada detrás da igreja, na rua Grão Mogol, aplaudiram e gritaram o nome de frei Cláudio van Balen.


Mais mensagens de solidariedade:

A decisão em fechar a igreja e proibir as missas de frei Cláudio van Balen é uma decisão autoritária e que culminou no protesto e tem gerado inúmeras mensagens de solidariedade ao Frei Cláudio:

André Luiz Martns:
¨Ele professa, há muito tempo, os ensinamentos do Papa Francisco. Tirá-lo da missa é um absurdo.¨ 

Jonas Vilela Carvalho:
¨Frei Cláudio  é um teólogo da inclusão, pessoa libertária, pronto para servir aos irmãos. Vive o cristianismo de forma diferente, sem repressão. Com ele somos uma corrente. Frei Cláudio somos nós.¨

Glória Maria Arreguy Maia:
"Fomos atraídos (pelo Frei Cláudio van Balen) por seu jeito direto, franco e amoroso de um pescador. Por seu testemunho, fé libertária e concepção de poder como serviço. Hoje, esse homem não tem mais espaço neste templo grandioso. (...) Se não há lugar aqui para o Frei Cláudio (van Balen), também não há lugar para nós".
"Também não há lugar para nosso serviço, nossa disponibilidade, nosso tempo, nosso dinheiro", afirmou o manifesto lido pela socióloga Glória Maria Arreguy Maia, 71, bancária aposentada, na manifestação deste domingo em frente à Igreja do Carmo.
¨Estamos dispostos a ir até o Papa Francisco¨, disse certa de que ¨ser cristão é ser peregrino¨. E concluiu com o ¨mãos à obra¨, termo muito usado pelo Frei nas homílias e boletins.

Ao fim da leitura, o texto foi aplaudido pelas pessoas que se aglomeravam em frente ao gradil do santuário. A assinatura dos presentes para um manifesto contra o afastamento do frei começou a ser recolhida. Algumas mulheres começaram a entoar cânticos católicos, a multidão acompanhou. As pessoas foram dando-se as mãos. Rezaram a "Ave Maria". Diversos homens e mulheres choravam. As pessoas caminharam até o salão paroquial, após as homenagens e aplausos para o frei ausente, se dispersaram.


André Wolff:
O engenheiro civil André Wolff, 45, estava inconformado. "Tinha vergonha e constrangimento de vir à igreja porque me separei há seis anos e casei novamente. Frei Cláudio me fez ver que não era isso. Que Cristo veio para incluir, que ele está de braços abertos para todos. Hoje frequento a Igreja por causa dele. Se ele (frei Cláudio) sair, eu, minha atual esposa (Adriana) e minha filhinha (Laura, cinco meses) deixaremos de frequentar a igreja. "Ele é a minha igreja. Se ele não voltar, eu também não volto", afirmou Wolf.

Leopoldina Andrade:
"Ele (frei Cláudio) é o nosso reflexo. Ele é a nossa comunidade. Ele nos representa", disse a fisioterapeuta Leopoldina Andrade, 41. Acompanhada do marido, o também fisioterapeuta Luiz Felipe Mindello, 47, e dos dois filhos Pedro, 16, e Rebeca, 10, ela diz que não volta à igreja, caso haja afastamento definitivo do frei. "Não vou voltar. Não tenho interesse nenhum".


Murilo Carneiro Pereira:
"Estou profundamente arrasado. Frei Cláudio é um homem iluminado, formado na teologia da libertação. Ele escreveu mais de 50 livros. É um intelectual", afirmou o economista Murilo Carneiro Pereira, 73. Há 45 anos, o empresário frequenta as missas de frei Cláudio na Igreja Nossa Senhora do Carmo. "Ele é o catalisador da comunidade. Somos adultos, mas precisamos que ele esteja presente. Senão vamos nos dispersar", disse o economista.
¨Somos adultos conscientes. Uma comunidade não pode ser dispensada por uma ordem, muito menos um religioso pela sua idade, sob alegação de que deve ser aberto espaço para padres novos.¨

Raquel Nogueira Duarte:
¨Mais respeito e menos poder e autoritarismo.¨

Murilo Pires de Alcântara:
¨Queiram ou não. Frei Cláudio é uma instituição na Paróquia do Carmo, que deve ser respeitada e preservada. Religioso com ideias totalmente afinadas com as do Papa Francisco, não merece ser punido após exercer suas funções na paróquia do Carmo por mais de 40 anos. A grande perdedora nesse embate é a Igreja Católica, já tão combalida e a cada dia mais vazia de frequentadores e de bons religiosos.¨

Vamos continuar com  nossas ações e mensagens de solidariedade ao Frei Cláudio:
¨ Mãos à obra¨  

Fonte:
Jornal Estado de Minas
noticias.bol.uol.com.br
 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Em manifestação fiéis pedem retorno de Frei Cláudio e mostram disposição de ir até o Papa Francisco


Católicos fazem protesto para pedir retorno de missa das 11h celebrada por Frei Cláudio.

FC_20140202_08.jpg
   
 
Mais de 200 pessoas participaram, na manhã deste domingo, de forma pacífica, de uma manifestação diante da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no Bairro do Carmo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, pelo retorno da tradicional missa das 11h celebrada pelo frei Cláudio van Balen.

O culto, nesse horário, está suspenso por tempo indeterminado pela Arquidiocese de Belo Horizonte e Província Carmelita de Santo Elias, ordem responsável pelo templo cinquentenário. Inconformado, o grupo de católicos promete ir “até o papa Francisco” para ter de volta o culto e o religioso ao altar.

Nesta manhã, os manifestantes gritaram palavras de ordem, rezaram e cantaram hinos, diante de uma igreja fechada e sem representantes para negociar. Uma fiel leu um manifesto, escrito por ela. Além disso, os católicos deram a volta no quarteirão, abraçando simbolicamente a igreja.

Os manifestantes combinaram de criar o grupo “Amigos do frei Cláudio” no Facebook. Ainda, ficou acordado que eles manifestarão na porta da igreja todos os domingos às 11h, até que o religioso volte a celebrar missa.


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Fonte:
em.com.br
otempo.com.br
fotos: Fernanda Carvalho ( o tempo )


sábado, 1 de fevereiro de 2014

As mensagens de solidariedade ao Frei Cláudio Van Balen




Por Luiz Ricardo Péret

Frei Cláudio Van Balen é referência para muitos e vem nos ensinando, ao longo de tantos anos, como vivenciar a fé.
A sua sensibilidade religiosa e generosidade ética renova  a nossa fé cada vez que assistimos a sua missa.
A sua visão clara e objetiva nos ensina e nos convida à uma religiosidade  autêntica - baseada em um jeito transparente de viver a fé cristã - sem medos, sem crendice, sem culpa. Um humanismo que resulta, principalmente em cidadania amorosa.. Sua  vivência nos inspira.
Ele nos ensina que a cidadania também é um ato de fé. Usa a palavra e o conhecimento de maneira muito acessível. Sua mensagem nos leva à paz, mas também à responsabilidade.
Ele nos convida a ser cidadãos e isso tudo pregando e praticando uma religião que não nos infantiliza.
Em todos os tempos os poderosos insistem em perseguir e querer calar as vozes proféticas.
Estou perplexo com o maquiavelismo como os insatisfeitos com o Frei Cláudio o tratam  nesse episódio.
Ao Frei Cláudio dedicamos a nossa solidariedade.

Por sabermos da importância do Frei Cláudio para a comunidade é fundamental registrarmos algumas das várias manifestações de solidariedade a ele pelas redes sociais:

Igor Bastos:
Defender uma Igreja mais aberta e que dialoga com o mundo contemporâneo é o que faz o Frei Cláudio. Isso, agora, se pode dizer em comunhão com o Papa Francisco, que na sua exortação apostólica chama atenção dos religiosos que tem “um cuidado ostensivo da liturgia, da doutrina e do prestigio da Igreja, mas sem que se preocupem com a inserção real do Evangelho”. Vai em frente Frei Cláudio. Uma Igreja missionária, alegre, aberta aos leigos sem medo de dialogar com os grandes temas do mundo de hoje.

Charles Duarte:
Frei Claudio, o homem da inclusão!!!

Alexandre Péret:
O Frei Cláudio está anos luz à frente deste tempo. Seu espírito é muito avançado para o alcance das mentes que se atrelam aos preconceitos, dogmas, infalibilidades Papais, dentre outros moldes criados pelo homem para a formação de uma “Igreja” arcaica e controladora.
Todos os inúmeros episódios de repulsa aos pensamentos, ensinamentos e ações do Frei Cláudio, muitos deles vividos por mim junto com ele, me faz lembrar uma frase de Jesus: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem" (Lc 23,34).
Digo isso com convicção, pois passei mais de dez anos consecutivos junto com ele vivenciando diariamente sua riqueza espiritual impressa em todos os inúmeros serviços prestados por ele aos pobres e que conheci muito bem.
Sua evolução e maturidade espiritual transcendem a percepção de alguns, que por não suportarem inovações tentaram afastá-lo de seu ofício algumas vezes, mas acabaram sempre sucumbindo perante a resposta do povo que, talvez pela força das próprias reflexões dele, conseguiu romper os grilhões que tentaram sufocar sua voz.
Minha verdadeira catequese foi ter vivido com o Frei Cláudio, quando trabalhamos juntos muitos anos, eu ajudando na organização dos serviços da Província Carmelitana de Santo Elias e na coordenação do Grupo de Formação Humana para jovens e ele na sustentação de uma ação pastoral inovadora muito além da capacidade de entendimento daqueles com pouca sensibilidade.
Valeu Frei Cláudio.



José Aparecido Ribeiro:
Ao trazer o Evangelho para o nosso tempo, Frei Claudio supera as barreiras da linguagem e nos faz compreende-lo. Ele nos dá provas de que é possível viver a razão e a fé de forma construtiva e complementar. Embora alguns sacerdotes insistam em dizer o contrário, entre nós e Deus não existem pontes ou cancelas, ele é disponível para todos, indistintamente e a qualquer hora.
 Por isso acredito em Frei Cláudio, na sua pedagogia didática e sugiro à Cúria que deixem uma porta aberta para o diálogo adulto, que permita a continuidade de frei Cláudio naquela Paróquia. Fica difícil aceitar e até imaginar que numa Instituição como a Igreja, o diálogo não seja o meio utilizado para superar quaisquer animosidades


Adriana Araújo:
“Todas as pessoas que conhecem frei Cláudio sabem o quanto é uma pessoa afastada do poder e das vaidades. A missa das 11h é a última gota d’água tirada de uma comunidade ativa e participante.”