segunda-feira, 4 de junho de 2018

Lesa pátria, por Décio Lima



Por Décio Loma
Brasil 247

LESA-PÁTRIA

E, mesmo diante da comoção nacional frente à política de preços, expressa na chamada greve dos caminhoneiros, apoiada por gritante maioria da população, o Presidente da Petrobrás determinou um novo aumento no preço da gasolina; Não estão nem aí para a opinião pública, querem apenas os aplausos da plutocracia financeira

Consta em um dicionário (dicionarioinformal.com.br), resumidamente, que crime de lesa-pátria é "qualquer aliança política, traiçoeira, que causa prejuízos ao país ..."
Analisando os termos essenciais dessa definição, é lícito deduzir o seguinte: aliança (MDB, PSDB, DEM e demais componentes do golpe), traição (o que o Temer e comparsas fizeram com a Dilma), prejuízos ao país (quase tudo que o governo golpista tem feito contra o povo brasileiro).
Focando somente a gestão da Petrobrás encontraremos um festival de absurdos, mais que suficiente para a comprovação de grande parte dos prejuízos impostos à nação. Exemplo ululante: no ano passado exportaram 328,2 milhões de barris de petróleo bruto e importaram 25,4 milhões de barris de gasolina e 82,2 milhões de barris de diesel, ou seja, exportaram matéria prima e importaram produtos industrializados, deixando nossas refinarias ociosas (operam atualmente com apenas 31,9% da sua capacidade).

Além dos custos da ociosidade das nossas refinarias, acrescente-se que estamos pagando US$ 730 milhões anuais pelo refino de nosso óleo no exterior. Fora o desemprego e a entrega de ativos da Petrobrás a preço irrisório. Na prática enquanto assistimos o sucateamento das nossas empresas, observamos a absorção da capacidade ociosa dos nossos concorrentes. Isso é "privatização branca", é crime de lesa-pátria.
Contudo, tem muito mais. O Conselho de Administração da Petrobras, sem levar em conta o impacto do preço do petróleo e derivados na economia e indiferente aos reclamos da imensa maioria do povo, insiste em manter a política que se alinha com a volatilidade do mercado internacional.
E, mesmo diante da comoção nacional frente à política de preços, expressa na chamada greve dos caminhoneiros, apoiada por gritante maioria da população, o Presidente da Petrobrás determinou um novo aumento no preço da gasolina. Não estão nem aí para a opinião pública, querem apenas os aplausos da plutocracia financeira.
Para acabar com a greve o governo fez algumas concessões aos movimentos, entre as quais o desconto de 46 centavos por litro de diesel, contudo, em total afronta ao superior interesse público, em outro flagrante de lesa-pátria, os golpistas decidiram compensar a Petrobras (ou melhor, os seus acionistas) mediante indenização dos valores relativos ao desconto no diesel. E, pasmem, para viabilizar essa manobra pretendem retirar recursos já combalidos da saúde, educação, segurança pública, reforma agrária, das políticas para juventude e mulheres, entre outras áreas vitais para a diminuição da desigualdade social.
Como se não bastasse, outra frente, sem alardes, sem divulgação na mídia e portanto despercebido pela maioria da população, o Ministério das Minas e Energia efetivou uma consulta pública relâmpago (por duas semanas, entre meados de abril e começo de maio) onde propôs novas diretrizes para a exploração e produção do petróleo e gás. Fizeram-na de forma sorrateira porque a minuta do texto beneficia claramente as operadoras estrangeira.

Em editorial, publicado em seu site, a FUP denunciou: "a proposta do governo escancara as reservas de petróleo, principalmente as do Pré-Sal, para as empresas estrangeiras. Fixa um planejamento de leilões até 2019, quando nenhum país estabelece leilão plurianual, pois ninguém sabe o que acontecerá com o setor no dia seguinte. Fazer isso com patrimônio público, sem ao menos submeter a proposta a uma audiência pública, é inaceitável". É importante acrescentar que, sem mecanismos de proteção, os grupos privados se apropriarão de tecnologias já desenvolvidas pela Petrobrás.
Com o levante popular um dos criminosos já se foi, falta agora a renúncia do títere maior. Fora Temer! Eleições livres e diretas!

sábado, 2 de junho de 2018

Legado de Parente: desastre para a Petrobrás


Do site da Federação Única dos Petroleiros (FUP):

Desde que o nome de Pedro Parente foi cogitado para assumir a presidência da Petrobrás, a FUP se posicionou, alertando a sociedade brasileira para os riscos da empresa passar a ser administrada pelo mercado financeiro e não mais pelo Estado. Em carta aos acionistas e ao Conselho de Administração, os petroleiros deixaram claro que o passado de improbidades de Pedro Parente como gestor público não o qualificava para o cargo e denunciaram o Teste de Integridade ao qual foi submetido.

Dito e feito. Parente assumiu a Petrobrás desdenhando do Pré-Sal, principal ativo da companhia. Logo em seguida, passou a defender enfaticamente o projeto de lei do senador José Serra (PSDB) para abrir a operação do Pré-Sal para outras petrolíferas, acabando com a exclusividade da Petrobrás e sua participação mínima de 30% nos consórcios.

Arrotou para o mercado que não admitiria indicações políticas na empresa, mas já chegou rodeado de apadrinhados. Passou a gerir a Petrobrás com a ajuda de executivos da concorrência, que ganharam acesso livre às informações estratégicas da companhia, enquanto os trabalhadores eram submetidos a medidas policialescas.

O desmonte só estava começando. Pedro Parente assumiu pessoalmente o Plano de Negócios e Gestão 2017-2021, reduziu drasticamente os investimentos da Petrobrás e iniciou a maior privatização da história da empresa.

Em outubro de 2016, Parente anunciou ao mercado a nova política de reajustes dos derivados nas refinarias, estabelecendo a paridade de preços com o mercado internacional, sem qualquer mecanismo de proteção para o consumidor. A FUP denunciou que quem pagaria a conta seria o povo brasileiro e que o País estaria refém das crises internacionais de petróleo.

Não satisfeito, Pedro Parente assumiu o compromisso com “a não garantia integral do abastecimento do mercado brasileiro por entender que, em sua lógica de negócios, há a previsão do ingresso de mais agentes para o atendimento total da demanda”, como revela o estudo do Ministério de Minas e Energia, Combustível Brasil.

A redução das cargas das refinarias, a reestruturação dos efetivos de trabalhadores e a entrada em massa no País das importadoras de combustíveis davam as pistas do que estava por vir: o projeto de privatização do parque de refino e da logística de distribuição de derivados.

As digitais de Pedro Parente estão também entranhadas no processo de desindustrialização, agravado pelo fim da política de conteúdo local, uma das mais perversas ações deste governo. Ele atuou diretamente para reduzir a pó a indústria naval brasileira, ao passar a encomendar no exterior as plataformas e equipamentos dos campos do Pré-Sal.

Enquanto o mercado aplaudia o esfacelamento da Petrobrás como medida necessária para reduzir a dívida da empresa, Parente em troca beneficiava o sistema financeiro, que recebeu cerca de R$ 250 bilhões nesses dois anos em que esteve à frente da empresa. Garantiu também mais de R$ 11 bilhões aos fundos abutres norte-americanos, que se refastelaram com o acordo que ele costurou pessoalmente.

Esse é o legado desastroso da gestão Pedro Parente, que a FUP e seus sindicatos vêm denunciando desde 2016. Por isso, a greve dos petroleiros para baixar os preços do gás de cozinha e dos derivados teve como um dos eixos principais sua saída do comando da Petrobrás e mudanças estruturais na gestão da empresa.

Essa luta só está começando. Que fique claro para os próximos gestores que o principal acionista da Petrobrás é o povo brasileiro e não o mercado.

domingo, 27 de maio de 2018

Federação dos Petroleiros: Temer e Pedro Parente são responsáveis pela escalada absurda dos preços de combustíveis e a paralisação do país

Esclarecimento à população sobre os preços abusivos de combustíveis

Do site da FUP (Federação Única dos  Petroleiros):
A desastrosa política do governo  Temer e do tucano Pedro Parente de aumento diários de preços de combustível levou a aumento de preços desastrosos para a população brasileira e beneficiou os grandes acionistas da Petrobrás aumentando muito o seu lucro..
Veja a matéria na integra:
A disparada dos preços da gasolina, do gás de cozinha e do diesel não pode ser tratada como uma questão apenas de tributação. É, acima de tudo, um problema de gestão da Petrobrás, que vem sendo administrada para atender exclusivamente aos interesses do mercado.
Com o aval do governo Temer, o presidente da empresa, Pedro Parente, adotou em outubro de 2016 uma política de preços internacionais para os derivados produzidos pela estatal, sem estabelecer qualquer mecanismo de proteção para o consumidor. A FUP denunciou na época que quem pagaria a conta seria o povo brasileiro e que o País estaria refém das crises internacionais de petróleo.
Mesmo sabendo das consequências, Temer e Parente optaram por satisfazer o mercado e, em julho do ano passado, os reajustes nas refinarias passaram a ser diários. Desde então, a Petrobrás alterou 230 vezes os preços nas refinarias. Isso resultou em aumentos de mais de 50% na gasolina e diesel, enquanto os preços do GLP tiveram 60% de reajuste.
Não adianta, portanto, reduzir os impostos, que o governo já havia aumentado em 100% no ano passado, se não houver uma mudança estrutural na gestão da Petrobrás. Os combustíveis continuarão subindo de forma descontrolada, enquanto o principal foco do problema não for atacado.
O alinhamento internacional dos preços de derivados faz parte do desmonte da Petrobrás. O objetivo é privatizar as refinarias, os dutos e terminais, assim como já ocorreu com os campos do Pré-Sal, gasodutos, subsidiárias, entre dezenas de outros ativos estratégicos da estatal. Para facilitar a entrega, Pedro Parente, subutilizou o parque de refino e passou a estimular a importação de derivados por empresas privadas.
Em 2013, a Petrobrás tinha capacidade de atender 90% da demanda interna de combustíveis. Em 2017, esse percentual caiu para 76%. Algumas refinarias já operam com menos da metade da capacidade de produção, como é o caso da Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, uma das quatro unidades que Parente colocou à venda.
Beneficiadas por essa política, as importadoras de combustíveis fazem a festa. Os derivados importados já representam 24% do mercado nacional. Ou seja, a cada 10 litros de gasolina vendidos no Brasil, 2,5 litros são importados. Enquanto isso, a Petrobrás está sendo reduzida a uma mera exportadora de petróleo, quando poderia abastecer integralmente o País com diesel, gasolina e gás de cozinha a preços bem abaixo do mercado internacional.
Pedro Parente, que no inicio dos anos 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso, ficou conhecido como o ministro do apagão, de novo criou uma armadilha para o povo. Com a enxurrada de importação de combustíveis, ficará mais difícil controlar os preços, pois, sem a paridade internacional, as importadoras saem de cena, deixando o prejuízo para a Petrobrás. Se a estatal não voltar a ocupar lugar de destaque no refino e na distribuição de derivados, ficará cada vez mais refém dos preços internacionais.
Estamos, portanto, diante de mais um apagão imposto por Pedro Parente. Um desmonte que a mídia esconde, fazendo a população pensar que a disparada dos preços dos combustíveis é apenas uma questão de tributação.
Por isso os petroleiros farão a maior greve da história da Petrobrás. Uma greve que não é por salários, nem benefícios. Uma greve pela redução dos preços do gás de cozinha, da gasolina e do diesel. Uma greve pela retomada da produção de combustíveis nas refinarias brasileiras e pelo fim das importações de derivados de petróleo. Uma greve contra o desmonte da empresa que é estratégica para a nação.
Porque defender a Petrobrás é defender os interesses do povo brasileiro.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Brasil é refém de Parente e Temer, não dos caminhoneiros, por Mauro Lopes


Por Mauro Lopes

Enquanto o Brasil está virado do avesso com a crise da paralisação dos caminhoneiros por causa do preço do diesel muito acima do preço internacional do produto (56% acima) e a população amarga a segunda gasolina mais cara do mundo, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, passou algumas horas desta quinta (24) acalmando grandes "investidores", acionistas da empresa. Numa conferência privada com representantes destes investidores, basicamente bancos, grandes empresas e fundos de investimentos de multimilionários, Parente garantiu que são eles a prioridade de sua gestão à frente da Petrobras (aqui).

Na reunião, Parente comportou-se como se fosse presidente de uma grande empresa privada prestando contas a seus patrões, os "investidores/acionistas". Assegurou que sua ação é "no melhor interesse da empresa", que se o governo quiser dar qualquer tipo de subsídio no preço do óleo diesel terá que reembolsar a Petrobras e formalizar o procedimento por contrato. Finalmente, procurou tranquilizar o grupo afirmando que a redução no preço do diesel foi uma exceção, que não se repetirá e que ele continuará como presidente da Petrobras. 

Na manhã desta sexta, o braço direito de Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse Parente é o nome do governo na empresa. Assegurou (com os olhos voltados para os "investidores" que será mantida a política de preços da Petrobras, que vincula seus reajustes à variação do dólar e da cotação do petróleo no mercado internacional, com objetivo de assegurar gordos lucros aos mesmos "investidores" (aqui).
Da mesma maneira, Temer fez um "pronunciamento à Nação", no início da tarde, garantindo que o Exército será mobilizado para que a Petrobras continue a serviço dos "investidores". Enquanto isso, os aeroportos estão em colapso, as cidades estão em estado de emergência, hospitais, supermercados e farmácias quase sem conseguir funcionar, ônibus e carros recolhidos às garagens por falta de combustível.  
Pedro Parente foi conduzido à presidência da Petrobras logo depois da deposição de Dilma, indicado por Fernando Henrique Cardoso e como um nome de consenso dos golpistas. O objetivo era colocar a maior empresa do país de joelhos, a serviço dos ricos -os "investidores"- e entregar o maior patrimônio do país, o pré-sal, a preço de banana para os grandes grupos petroleiros internacionais. A gestão de Pedro Parente à frente da Petrobras tem sido ruinosa para o país e a empresa, que de fato tornou-se servidora dos interesses dos "investidores" e das grandes empresas petroleiras do mundo.
A dimensão da conduta dos golpistas na Petrobras, que pode ser qualificada como criminosa, foi assinalada pelo PT em nota emitida na manhã desta sexta e assinada por sua presidente, Gleisi Hoffmann, e pelos líderes do partido no Senado, Lindbergh Farias, e na Câmara, Paulo Pimenta:
"Além disso, a direção entreguista da Petrobras reduziu em cerca de 30% a produção de combustíveis em nossas refinarias, abrindo o imenso mercado brasileiro para a importação de combustíveis. Nossas importações de derivados norte-americanos subiram de 41% para 82%. Estamos exportando óleo cru, ao invés de refiná-lo aqui mesmo, e comprando combustível mais caro no estrangeiro, que muitas vezes é produzido a partir do nosso petróleo. É uma estratégia suicida, que visa a atrair investidores para a privatização da Petrobras. Um crime contra a economia popular e contra a soberania nacional."
Em vez de reverter a política de liquidação da Petrobras que levou o país ao caos, Temer e Parente garantem aos "investidores": farão o necessário para preservar os interesses deles, inclusive colocar o Exército nas ruas contra os caminhoneiros e contra quem mais ousar  levantar a cabeça. Temer e Parente são os inimigos do povo Brasileiro e mantêm o país como refém, não os caminhoneiros.

O caos no abastecimento no Brasil. Por Joaquim de Carvalho


Entenda por que a foto de Moro com Pedro Parente em Nova York explica o caos no abastecimento no Brasil. Por Joaquim de Carvalho





Moro, senhora Moro e Pedro Parente
Anselmo Braga e o protesto dos petroleiros


Estas três fotos explicam o Brasil: A de Moro com Pedro Parante em Nova York é o retrato do movimento que saqueia o Brasil, a do coordenador dos petroleiros e o protesto em Minas mostra a defesa do patrimônio brasileiro: é simples assim.
Agora leia o texto e entenda:
As panelas estão silêncio, mas paneleiros renintes, com a cabeça feita pelos analistas da Globo, continuam tagarelando nas redes sociais, e tentam colocar a culpa do caos gerado na vida dos brasileiros aos governos de Dilma e Lula.
Incrível.
Michel Temer assumiu o governo com a mão grande e, imediatamente, implantou o plano de governo derrotado nas urnas.
O PSDB é condômino de um governo que não nasceu das urnas.
A promessa era que, com Dilma fora, os investimentos voltariam, o dólar cairia e o desemprego diminuiria.
Basta olhar os números para ver o que fizeram ao Brasil: com Dilma, a gasolina custava R$ 2,99, o gás de cozinha, R$ 50,00, e a taxa de desemprego estava em 4,8%.
A gasolina está agora a R$ 4,90 (mas no dia de hoje é mais fácil encontrar uma nota de 100 reais na rua do que o combustível no posto).
O gás de cozinha custa R$ 75,00.
O desemprego atinge 14% da população e o dólar está em R$ 3,95.
Os números não mentem, mas os mentirosos manipulam os números. Na Globo, os analistas continuam tentando, de alguma maneira, culpar Dilma pelo caos:
Ao comentar o locaute, que a Globo de protesto, Alexandre Garcia deu um jeito de enfiar o PT na história: nesta manhã, ele disse que a corrupção quase destruiu a Petrobras e agora o que a ameaça é a fraqueza do governo Temer.
Os ministros negociaram com a corda no pescoço e decidiram que o governo dará à Petrobras R$ 4,9 bilhões até o fim do ano.
É uma maneira de compensar a redução de 10% nos preços do diesel. “O contribuinte vai pagar a conta”, alertou o jornalista.
O que a velha imprensa não diz, os petroleiros estão dando um jeito de mostrar.
Em Minas, houve uma paralisação de oito horas, preparativa para uma greve maior, conforme explicou o coordenador do Sindipetro em Minas Gerais:
— Essa paralisação de hoje é o início de uma greve que está sendo construída nacionalmente, que pretende parar todas as refinarias do país e as plataformas, e aí é importante ter a população do nosso lado. A greve não é por benefício nem por salário. É para que o governo deixe os petroleiros trabalhar. As refinarias estão trabalhando com carga baixa a mando do governo, para que os importadores tragam combustíveis mais caros para o país.
Bingo!
É isso que está acontecendo: com o dólar mais alto, o preço do produto sobe de acordo com a variação da moeda.
Com a refinaria trabalhando com menor capacidade, os custos de refino da Petrobras diminuem, e o lucro aumenta.
Resultado: essa política é boa para que tem ações da empresa — os dividendos podem aumentar e as ações podem subir.
O que atrapalhou esse plano foi a paralisação, porque obrigou a Petrobras a reduzir o preço do diesel, ainda que temporariamente.
As ações caíram — mas logo voltam a subir, pode apostar.
Quem vai cobrir o prejuízo por esse modelo perverso de gestão do petróleo no Brasil é o pobre.
No final, ele é quem vai pagar a conta, porque o governo se comprometeu a subsidiar o preço do produto.
Para fazer isso, terá que mudar o orçamento.
Sairá dinheiro de uma área e irá para outra. E, em situações assim, quem perde é a saúde, a educação, a assistência social e, se conseguirem mudar a Constituição, a Previdência.
São os setores que não têm lobby no governo.
Quem defende uma política que inclua o pobre no orçamento é o PT e os partidos de esquerda. Entende agora por que seus líderes estão sendo presos?
É nesse ponto que assume relevância a figura do juiz Sergio Moro.
Pedro Parente continuaria com sua empresa de gestão de fortunas ou como executivo de alguma multinacional, como a importadora e exportadora Bunge, se Moro não tivesse fornecido o argumento para destruir a economia brasileira, com a farsa do maior escândalo de corrupção na história da Via Láctea encontrado na Petrobras.
A atuação dele direta nos negócios do governo terminou em 2003 (quando Lula assumiu), depois de gerir o Ministério das Minas e Energia, no período em que houve racionamento de energia.
Com a mudança de governo, Pedro Parente foi chamado para tomar conta da Petrobras, justo ele que era chamado de “ministro do apagão”.
Sem Moro, não existiria Parente na Petrobras. Sem a Petrobras sob gestão de Parente, certamente Moro não seria homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos como Personalidade do Ano.
É por razões como esta que a eleição de outubro se tornou a mais importante da história do Brasil.
Só o eleitor pode dar um basta nesta política que não atende aos interesses dos brasileiros.
Muitos paneleiros continuarão ligados no que diz a Globo, como robôs, mas ainda há uma parcela que pode se libertar.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Petrobras e Brasil: Má Gestão e Miopia do governo golpista

Petrobras e Brasil: Má Gestão e Miopia

Por Marcelo Zero 

A Petrobras e o Brasil são vítimas de uma péssima gestão. Os neoliberais, chamados jocosamente de “cabeças-de-planilha”, consideram-se gestores eficientes, que cortam gastos e aumentam lucros. Mas, realidade, são administradores míopes e irracionais, sem nenhuma visão estratégica.

O caso da atual administração da Petrobras é típico.

Ela assumiu a empresa com a intenção clara de aumentar, no curto prazo, o lucro da Petrobras, amortizar celeremente as dívidas e realizar um “plano de desinvestimentos” que, significa, na prática, a privatização fatiada da empresa.

Na esteira dessa lógica privatizante e de curto-prazo, campos do pré-sal e do pós-sal foram leiloados para empresas estrangeiras a um preço ridículo. O de Carcará, por exemplo, foi leiloado a um preço equivalente a US$ 2 o barril, cujo preço no mercado mundial já está alcançando os US$ 80. O mesmo aconteceu e acontece com outros ativos estratégicos da empresa, como gasodutos, plantas de gás, plantas petroquímicas e refinarias.

Mas, além desse plano de desinvestimentos e de privatização, a atual administração do imperador Pedro III montou estratégia específica para o segmento de refino, transporte, armazenamento e comercialização de derivados.

Esta estratégia teria, segundo Cloviomar Cararine Pereira, economista, técnico do Dieese na subseção da FUP (Federação Única dos Petroleiros) e integrante do Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas (GEEP/FUP), três pilares:

1) “a promoção de uma nova política de preços e a maximização de margens na cadeia de valor ( liberação geral dos preços, de acordo com as cotações internacionais +custos de internação e “riscos”);

2) a não garantia integral do abastecimento do mercado brasileiro, por entender que, em sua lógica de negócios, há a previsão do ingresso de mais agentes (privados)para o atendimento total da demanda; e;

(3) o desenvolvimento de parcerias no downstream, possibilitando a introdução de outros atores no refino e na logística.”

Assim, a estratégia central para o refino e a distribuição é a de atrair investidores privados a fim de aumentar a concorrência neste setor dentro do país. Como fazer isso?

Em primeiro lugar, liberar totalmente os preços, deixando-os flutuar livremente, sem nenhuma modulação estratégica de médio e longo prazo, o que introduz alta volatilidade no mercado, e também maximizá-los artificialmente, incorporando em seu cálculo fatores subjetivos, como os “riscos” políticos. Observe-se que, no governo Lula, o diesel foi reajustado 8 vezes, no governo Dilma, ele foi reajustado também 8 vezes e, no governo Temer, em apenas 2 anos, ele foi reajustado 229 vezes!

Em segundo lugar, reduzir a capacidade de utilização de suas refinarias, estimulando a importação de derivados por agentes privados (nacionais e internacionais).

Esses dois movimentos simultâneos aumentam muito o preço dos derivados do petróleo no mercado interno. É por isso que o preço do diesel no Brasil está bem acima do preço internacional do produto (50% acima). É por isso que o Brasil está com a segunda gasolina mais cara do mundo. É por isso que a população mais pobre não consegue mais comprar botijões de gás. É por tal razão que a economia brasileira está paralisando. É por isso que o Brasil está importando combustíveis de grandes petroleiras norte-americanas, como Chevron, Exxon, etc.

Ao mesmo tempo, aumentam as exportações de petróleo cru do Brasil. Muito desse combustível importado deve ter sido manufaturado com óleo brasileiro.

Tudo isso é feito, frise-se, não para “recuperar a Petrobras”, mas sim para atrair investidores privados para esse mercado, remunerar acionistas e vender partes da empresa.

Saliente-se que a Petrobras pretende vender 4 refinarias (Landolpho Alves, Abre e Lima, Getúlio Vargas e Alberto Pasqualini), Elas representam 40% da capacidade instalada da Petrobras no refino brasileiro. Neste sentido, a Petrobras está abrindo mão do controle de 40% da sua capacidade de refino no país, mesmo depois de ter consolidado os enormes investimentos nestas refinarias. Ademais, como ressalta Cararine Pereira, a empresa está criando competidores para si mesma, em um mercado muito rentável e do qual tinha total controle.

Na prática, isso significa uma menor participação da Petrobras no refino e uma menor utilização das suas refinarias. Também significa menor participação na distribuição. No caso do setor petroquímico, a coisa é pior, pois a Petrobras anunciou sua saída deste segmento.

Em suma, com essa estratégia privatizante e desintegradora, a estatal deixa de ser a empresa integrada do “poço ao posto”, como vinha sendo, para se tornar mera produtora e exportadora de petróleo cru, ou seja, uma empresa do “poço ao porto”.

Na realidade, essa política está matando a Petrobras como empresa integrada, capaz de gerar produtos de alto valor agregado e de estimular uma grande cadeia nacional de petróleo e derivados. Lembre-se que o governo Temer acabou com a política de conteúdo nacional e, agora, importamos navios e sondas da China, Coreia, Holanda, etc.

Uma empresa como a Petrobras tinha de ser gerida com amplo sentido estratégico, visando propiciar modicidade de preços para beneficiar o público e estimular a economia nacional. As empresas estatais chinesas e a francesa Total, por exemplo, são geridas com essa perspectiva e, mesmo assim, dão lucro.

A Petrobras, frise-se, sempre deu lucro operacional. Suas dificuldades conjunturais ocorreram após a grande queda do preço do petróleo e os efeitos profundamente negativos da Lava Jato. A Petrobras, que era a operadora única de uma das maiores jazidas de petróleo do mundo, nunca esteve nem perto de “quebrar”, como mentiram os interessados na venda do pré-sal e da empresa.

Entretanto, o imperador Pedro III gere a empresa como se fosse uma bolha privada, que não tem nenhuma relação com o resto da economia nacional e com o interesse público. A única coisa que importa é o lucro dos acionistas e os negócios privatizantes com os “parceiros”. Se para isso se cria uma volatilidade monstruosa e irracional, que se dane o público e o resto da economia.

Trata-se de uma política de país colonizado, que produz e exporta óleo cru. Assim, a Petrobras vai se assemelhar cada vez mais às petroleiras africanas, como a Sonangol angolana e a NNPC nigeriana, empresas que produzem apenas matéria-prima para as grandes petroleiras dos países desenvolvidos.

Quando os preços do petróleo saltaram no início da década de 1970, nosso grande Celso Furtado escreveu o seguinte:

“Poucas vezes um desafio tão sem ambiguidades se apresentou a um grupo de dirigentes, ampliando abruptamente o campo do possível....... Nos próximos dois decênios, a Venezuela poderá ter saltado a barreira que separa subdesenvolvimento de desenvolvimento, sendo quiçá o primeiro país da América Latina a realizar essa façanha, ou terá perdido a sua chance histórica. Pelo menos sobre um ponto básico existe consenso: a inação ou a omissão do Estado não constitui uma opção.

A Venezuela, infelizmente não aproveitou essa “ampliação abrupta do campo do possível”.

O pré-sal, descoberto graças aos esforços isolados da Petrobrás, representa exatamente essa “ampliação do campo do possível” para o Brasil. Com ele, com uma empresa integrada e com uma grande cadeia nacional de petróleo e gás, poderíamos estimular como nunca nosso desenvolvimento e nossa Educação.

Mas os míopes privatizantes não conseguem perceber essa imensa oportunidade histórica. Eles não estão apenas paralisando agora a economia nacional e empobrecendo a população. Eles estão jogando fora o nosso futuro.

O imperador Pedro III precisa fazer um baile na Ilha Fiscal.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Crise pode levar Brasil a um golpe dentro do golpe

EDITORIAL DA REVISTA FÓRUM:


A intervenção militar pura é algo que poderia escancarar o golpe no Brasil e prejudicar a continuidade do projeto neoliberal radical que vem sendo implementado pelo governo Temer. Mas uma solução “café com leite”, com o Supremo e com tudo, poderia ser melhor aceita e envolver também as Forças Armadas.

Por Renato Rovai e Ivan Longo
O pais está em alerta não mais com a greve dos caminhoneiros, mas com o que ela pode gerar. As consequências com a possível paralisação de aeroportos e desabastecimento a partir de amanhã podem criar um ambiente mais do que propício para intervenções radicais.
A paralisação dos caminhoneiros por conta dos sucessivos aumentos no preço do diesel já fazem postos de combustível vender gasolina a quase R$9,00 o litro, como acontece em um posto de Recife. Além disso, temendo mais aumentos, a população faz filas e lota postos de combustível em todo o país. Assim como os supermercados, que são afetados com a paralisação por conta do abastecimento de alimentos. No Ceasa do Rio de Janeiro, que é a principal central de abastecimento de alimentos da cidade, por exemplo, já há falta de produtos, provocando a alta dos preços. O saco de batatas que era vendido a R$60 chega a ser comercializado por R$400. Já a BRF, maior empresa brasileira de carne de frango e carne suína, informou hoje que paralisou totalmente quatro unidades por conta dos protestos. Além disso, outros nove frigoríficos da companhia terão atividades suspensas (total ou parcialmente) pois a greve, de acordo com nota da empresa, inviabilizou o recebimento de matérias-primas.
Aeroportos podem parar amanhã
As consequências caóticas não param por aí. A Infraero divulgou um relatório alertando que os aeroportos de Congonhas, em São Paulo; de Palmas (TO), Recife (PE), Maceió (AL) e Aracaju (SE) só têm combustível suficiente para abastecer os aviões até esta quarta-feira (23), com o risco de caos aéreo para os próximos dias. Com a paralisação, portos pelo país também vêm tendo a distribuição de produtos comprometida. A não distribuição de combustíveis afeta ainda os Correios, que suspendeu, nesta quarta-feira, as postagens com dia e hora marcados.
Supermercados desabastecidos, preços de combustíveis e alimentos nas alturas, serviços interrompidos e insatisfação popular generalizada: um ambiente mais do que propício para que cresça o apoio a uma intervenção militar.

Intervenção pode ser via acordo jurídico-militar
Os indícios são de que parte dessas mensagens está sendo enviada não de maneira orgânica ou espontânea, mas por postagens pagas e provavelmente a partir de distribuição por linhas telefônicas do exterior
A intervenção militar pura é algo que poderia escancarar o golpe no Brasil e prejudicar a continuidade do projeto neoliberal radical que vem sendo implementado pelo governo Temer. Mas uma solução “café com leite”, com o Supremo e com tudo, poderia ser melhor aceita e envolver também as Forças Armadas.
Os próximos dias são decisivos para o país. E o adiamento das eleições com a constituição de um governo interventor jurídico-militar é uma possibilidade que não pode ser descartada. Por isso, mais do que nunca as forças progressistas têm que disputar as ruas e articular fortemente um campo civil democrático para resistir ao que pode estar sendo construído nas sombras e nas casernas. O momento não é apenas de mais uma crise. Mas de uma grave crise político-institucional. Que pode nos levar a um túnel ainda mais escuro do que o atual.