domingo, 10 de setembro de 2017

Santa Luzia: Atos de Proteção - Bens culturais tombados, de Beto Mateus


Todos aqueles que têm laços afetivos com a cidade de Santa Luzia e mais ainda, sabem da importância da preservação do nosso patrimônio histórico devem ter acesso a este importante livro, de autoria de Adalberto Andrade Mateus (Beto Mateus).


" Patrimônio, riqueza cultural, herança, história e memória. Muitos os sentidos e as percepções sobre aquilo que nos é importante por estar ligado às  nossas origens." (Beto Mateus)

O texto do autor é um estímulo à preservação dos bens culturais de Santa Luzia/MG.

Beto Mateus é presidente da Associação  Cultural Comunitária de Santa Luzia, técnico de gestão, proteção e restauro do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico  e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) e associado efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

Santa Luzia: Atos de Proteção - Bens Culturais Tombados apresenta, como afirma o autor: "o histórico dos processos de tombamentos luzienses nas esferas federal e estadual, e inclui listagem dos bens tombados pelo município. É um primeiro passo para compreensão  de uma política  sobre os bens culturais na cidade, para avançarmos, em segundo momento, para um entendimento sobre o nosso patrimônio imaterial."

A obra inicia abordando o significado do conceito de patrimônio e a importância de sua preservação. A seguir informa sobre a criação do SPHAN, hoje IPHAN e da criação do IEPHA/MG.
Está descrito a relação dos bens tombados no âmbito federal, estadual e municipal.  

Entre os bens tombados destacam-se: o Mosteiro de Macaúbas, a Igreja Matriz de Santa Luzia, Casa à Rua Direita, n. 101 (Casa do Senador Modestino Gonçalves), Centro Histórico de Santa Luzia, Solar da Baronesa, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Solar Teixeira da Costa e outros.

O livro aborda, também, no capítulo "As casas de sagradas tradições " um pouco da história de Santa Luzia.

No capítulo " Páginas em branco: meu patrimônio desaparecido" , Beto Mateus mostra a sua tristeza pela demolição  de alguns dos velhos templos, sobrados e casas. O autor relata que as demolições foram traumáticas para uma grande parcela de luzienses. 

O autor finaliza a obra afirmando que:

" A proteção do patrimônio cultural luziense tem capítulos extensos, movimentados, ações polêmicas, mas estão acompanhadas, desde sempre, de profundo sentimento de respeito e garra pela defesa dos nossos bens culturais. 

"Os fatos memoráveis da história luziense, e também os do cotidiano, se desenrolaram durante um grande período temporal, perpassando mais de 300 anos desde a formação dos primeiros núcleos de povoamento. Saber reconhecer os espaços por onde se respira toda essa história é nosso dever, que cresce à medida que passamos a garantidores às gerações vindouras tudo aquilo que possa contituir-se para tais como elementos fundantes de sua identidade  cultural."



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Foi lançada a campanha Abrace Macaúbas

Por Luiz Ricardo Péret                                                          

A campanha Abrace  Macaúbas  representa uma frente de articulação de diversas instituições para garantir a preservação do Mosteiro, localizado em Santa Luzia/ MG, e considerado importante patrimônio  cultural brasileiro.






Com o objetivo de recuperar o Mosteiro de Macaúbas, que já tem mais de três séculos de história, as religiosas da Ordem da Imaculada Conceição iniciaram, nesta terça-feira, dia 5, a campanha Abrace Macaúbas.

O Mosteiro, que fica em Santa Luzia, é um dos monumentos arquitetônicos mais importantes do Brasil. Com 11,5 mil metros quadrados de área construída, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) e Prefeitura de Santa Luzia.

O arcebispo dom Walmor esteve junto com a madre Maria Imaculada de Jesus Hóstia e das religiosas que vivem no mosteiro durante a solenidade de apresentação da campanha Abrace Macaúbas. Evento reuniu também autoridades ligadas à defesa do patrimônio histórico, artístico e cultural, a exemplo do secretário de Estado da Cultura, Angelo Oswaldo, da presidente do Iepha, Michele Arroyo, entre outros.

O evento aconteceu hoje, pela manhã, na Sala Capitular do Mosteiro e foi apresentado pelo historiador e funcionário do Iepha Adalberto Mateus.

Um termo de compromisso firmado entre a Prefeitura de Santa Luzia e o Ministério Público de Minas Gerais vai assegurar recursos no valor de R$ 250 mil para recuperação do muro externo erguido em adobe no século 18.


Segundo o promotor de Justiça da Comarca de Santa Luzia, Marcos Paulo de Souza Miranda, esse é um dos pontos mais urgentes na campanha de recuperação, pois garante não só a preservação da estrutura como também a segurança do convento. 



A cerimônia de lançamento da campanha Abrace Macaúbas terminou por volta do meio-dia no pátio interno do convento com um abraço simbólico comandado pelo arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, e pela madre Maria Imaculada de Jesus Hóstia.
Com a campanha, objetiva-se recuperar a parte elétrica do Mosteiro, restaurar o piso e os revestimentos de madeira, atacados por cupim.

Segundo Adalberto Mateus, que também é presidente da Associação Cultural Comunitária  de Santa Luzia e um dos  coordenadores da campanha, para receber as doações de pessoas físicas e jurídicas foi aberta a conta bancária na Caixa Econômica Federal, em nome do Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição Macaúbas, agência 1066, conta poupança 75.403, operação 013.

Edificado no século 18, o Mosteiro de Macaúbas tem sua origem no testemunho de fé do eremita Félix da Costa, que veio da cidade de Penedo (AL), em 1708, pelo Rio São Francisco, na companhia de irmãos e sobrinhos. Após três anos de viagem, chegou a Santa Luzia, onde edificou uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Conta a tradição que, bem antes de construir a Igreja, o eremita teve a visão de um monge com hábito branco, escapulário, manto azul e chapéu caído nas costas. Esse teria sido o ponto de partida para a fundação do Recolhimento de Macaúbas.
Inicialmente, o recolhimento era lar de meninas e mulheres adultas, órfãs, pensionistas, devotas e algumas que ali permaneciam temporariamente. Depois, tornou-se um colégio feminino, em 1847. Já no século 20, passou a ser exclusivamente um Mosteiro, lar das religiosas da Ordem da Imaculada Conceição. As irmãs vivem em clausura, dedicando-se à oração e ao trabalho
Fontes: Arquidiocese de Belo Horizonte
               Estado de Minas
------------------------------------------------------------

Fotos do evento:

Eu e Renata Péret abraçando a Abadessa Maria Imaculada de Jesus Hóstia

No evento houve o lançamento do livro "Irmã Germana- A exilada de Macaúbas" , de autoria de Marcos Paulo Santos Miranda, Promotor de Justiça da Comarca de Santa Luzia

Com as irmãs Marisa e Auxiliadora






segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Chico Buarque volta bem no disco Caravanas




Crítica: Chico Buarque volta bem no disco Caravanas



Leo Aversa/Divulgação
Quando Chico Buarque entra em campo, ninguém espera 1 a 0 ou placares miúdos. O cantor e compositor carioca (tão aficionado pelo futebol) é Barcelona de Guardiola, seleção brasileira de 1982. Talvez por isso, o anúncio de um jogo sem brilho com a letra de Tua cantigatenha provocado tanto burburinho (além das polêmicas sobre machismo) e aumentado a ansiedade para Caravanas, novo álbum de Chico.

(...)
Em épocas de chutão e retrancas, Chico coloca a bola no chão em Caravanas e faz, com sutileza e elegância, um retrato dos nossos dias. Sim,Caravanas pode não parecer, mas é um documento do tempo em que vivemos. 
Compositores como Chico têm a capacidade de falar sobre inúmeras coisas ao mesmo tempo e de incutir significados maiores do que a superfície das letras mostra. É preciso mergulhar. Então, quando Chico fala sobre futebol ou sobre desaforos em um relacionamento, pode haver (e há) mais do que parece. 
“Há que levar um drible/ por entre as pernas sem perder/ a linha”, canta em Jogo de bola. “Salve o jogar bonito/O não ganhar no grito”, surge mais adiante. É futebol, mas não é. Poderia ser bem um recado para os berros, linchamentos e a divisão maniqueísta das redes sociais. 
Na mesma canção, Chico também louva os novos tempos. Há coisas belas por aí e deixar de ser a grande sumidade não incomoda. Com essa ideia, produz alguns dos versos mais virtuosos do álbum: “Outrora, quandos em priscas eras/ Um Puskás eras/ A fera das feras da esfera,/ mas agora/ Há que aplaudir o toque/ O tique-taque, o pique, o breque”.
A homenagem ao craque húngaro culmina em uma aceitação bonita e nada nostálgica (talvez até sobre o ofício de compositor). Ver o futebol bonito dos jovens não causa dor: “É ver o próprio tempo num relance/E sorrir por dentro”. 


A política aparece mais vezes no álbum. Ela está quase sempre, porém, disfarçada em recados e reflexões sutis. Combativo, mas sem perder a elegância jamais. Cantar Casualmente (dele com Jorge Helder), em espanhol, sobre Havana parece ser uma resposta aos gritos de “Vai pra Cuba”.
Desaforos é, em tese, sobre um relacionamento. Mas versos como “Nunca bebemos/Do mesmo regato/ Sou apenas um mulato que toca boleros/ Custo a crer que meros lero-leros de um cantor/Possam te dar/ Tal dissabor” poderiam falar também sobre as ofensas recebidas pelo compositor em tempos de ânimos exaltados politicamente.  
Em Caravanas, canção que nomeia e que encerra o disco, as questões políticas são mais latentes diretamente. Os refugiados, os meninos do Rio de Janeiro são representados em uma letra poeticamente muito forte, à altura dos clássicos. “É um dia de real grandeza, tudo azul/ Um mar turquesa à la Istambul”, canta. 
As duas canções não inéditas do álbum, Dueto(originalmente registrada com Nara Leão) e A moça do sonho, se encaixam bem no contexto do álbum. A primeira, gravada com a neta Clara, ganha atualizações com palavras como Tinder, WhatsApp e Telegram.


Leo Aversa/Divulgação
Massarandupió, valsa do neto Chico Brown (filho de Carlinhos Brown), é outra das preciosidades de Caravanas. A bela melodia ganha uma letra singela e bonita do avô sobre a infância: “Devia o tempo de criança ir se/ arrastando até escoar, pó a pó/ Num relógio de areia o areal de/ Massarandupió”.

Chico Buarque datado?

Quando Tua cantiga foi divulgada, a discussão sobre ser uma canção datada ou não ferveu nas redes sociais. Essa letra especificamente pode, de fato, ser deslocada, mas o resto do disco, não. 
Chico, é verdade, não faz algo alinhado à pressa e à superficialidade tão presentes nos nossos dias, porque vai além. Como álbuns como Construçãonão são velhos décadas depois do lançamento,Caravanas também não é. A opção por não escancarar algumas questões torna isso ainda mais válido.

No fim das contas, Chico jogou bem!

domingo, 3 de setembro de 2017

Quer ler sobre Lula no Nordeste? Compre jornal europeu

Quer ler sobre Lula no Nordeste? Compre jornal europeu

guardianlula
A imprensa brasileira, ao menos a de repercussão nacional, boicota.
Nas raras reportagens que fez, (sexta e ontem), os textos sequer uma vez trazem a palavra povo, que na reportagem do The Guardian surge nove vezes a expressão people, povo ou pessoas.
É o que se escreveu aqui: um povo que quer deixar de ser invisível, porque não o vêem, que quer o direito de existir.
Veja, abaixo, a matéria publicada ontem pelo jornal inglês.

Herói da esquerda brasileira curte a
adoração para reviver seu destino político 

Dom Phillips, do The Observer
Vestindo suas melhores camisetas vermelhas, carregando bandeiras e faixas, e em um estado de empolgação barulhenta, milhares de pessoas nesta cidade agrária pobre e empoeirada se aglomeravam na praça principal para ver Lula. Quando ele andava no palco, eles gritavam e esticavam suas mãos.
O mandato do líder barbudo de esquerda de voz rouca acabou sete anos atrás, ainda assim ele continua sendo o presidente mais popular em décadas, senão o mais popular de toda história do país.
“Você conhece um fenômeno maior que Luiz Inácio Lula da Silva?” pergunta Flávio Balreira, 65, usando o nome completo, coisa incomum no Brasil.
O ex-metalúrgico, líder sindical e presidente por dois mandatos que uma vez foi descrito por Barack Obama como “o político mais popular da Terra” tem cruzado o nordeste brasileiro, região semi-árida e empobrecida, para falar a multidões de adoradores como esta em Ouricuri, no estado de Pernambuco. Lula e sua equipe viajam em um comboio de ônibus, que ele chama de “caravana”.
“Eu quero agradecer ao presidente Lula”, disse Francilene da Silva, 44, uma empregada doméstica que se beneficiou de um programa de moradia criado durante os oito anos de governo Lula.
“Tem muita gente que entra no governo e não faz nada. Ele fez alguma coisa,” disse Fabiana de Lima, 36, pequena proprietária, explicando que um programa de transferência de renda que ajudou 36 milhões de pessoas a escapar da pobreza extrema ainda “segura” a cidade. “Ele ajudou os pobres”.
Lula nasceu na pobreza de pés no chão a pouco mais de 500 quilômetros dali e seu governo transformou a vida de muitos por ali. Mas esta não é apenas uma viagem de pré-campanha antes das eleições presidenciais do ano que vem, quando Lula espera se candidatar a um terceiro mandato. É também uma briga por seu futuro, sua vida política e seu legado.
“A caravana é a confirmação de que vale a pena ser honesto com as pessoas”, ele disse em entrevista ao jornal inglês Observer, “que vale a pena fazer o que as pessoas querem e que vale a pena governar para os mais pobres”.
Em julho ele foi sentenciado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro – e ele ainda terá de encarar mais quatro julgamentos, todos relacionados ao que os procuradores afirmam ter sido seu papel no comando de uma “organização criminosa” envolvendo a Petrobras, petrolífera controlada pelo Estado, e a contratação de empresas que tiveram grande crescimento durante seus mandatos.
Se uma corte superior confirmar a decisão, ele não poderá se candidatar, mesmo se a condenação não implicar em prisão.
Uma investigação de três anos, chamada Operação Lava Jato, sobre bilhões de dólares de corrupção e propinas levou à prisão políticos do PT de Lula e de seus antigos aliados no Congresso, intermediários e executivos poderosos. Lula disse que não há evidência contra ele e argumenta que ele está sendo objeto de uma guerra legal com motivações políticas – “lawfare” – para impedi-lo de concorrer. Na sexta-feira, promotores pediram sua absolvição em um dos casos.
A caravana foi sua resposta, de acordo com Marcus Melo, um professor de ciência política na Universidade Federal de Pernambuco.
“Ele está aquecendo os músculos”, disse Melo. “Mostrando força e popularidade, ele aumenta a credibilidade de uma narrativa de politização”.
Em Ouricuri, os oradores disseram que antes de o Partido dos Trabalhadores chegar ao poder, em 2002, pessoas famintas em desespero saqueavam lojas quando as chuvas não vinham. Sob Lula, 1,2 milhão de famílias receberam sistemas de armazenamento de água e não houve saques durante a seca atual, que já dura sete anos.
“Eu quero que eles provem uma coisa contra mim”, disse Lula à multidão, que cantava seu nome. “Eu quero tomar conta dos mais pobres”.
Ele já está liderando pesquisas antecipadas para a eleição do próximo ano e seu apoio cresceu mais ainda desde a condenação, enquanto internacionalmente um coro de vozes influentes argumenta que ele está sendo injustamente perseguido. Entre essas vozes está a do advogado de direitos humanos Geoffrey Robertson, que levou o caso ao Comitê de Direitos Humanos da ONU.
Diferentemente de alguns presos durante a operação Lava Jato, incluindo Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, que mantinha milhões de dólares em offshores, as somas envolvendo o caso de Lula são relativamente modestas, embora seu partido seja acusado de ter recebido vultosas quantias.
Sua condenação veio pela acusação de que Lula teria se beneficiado de cerca de R$ 2,5 milhões de reais em propinas relacionadas a uma empreiteira, pagos na forma de um apartamento duplex a beira mar, reformado a pedido de Lula. O ex-presidente disse que jamais foi dono do apartamento. “Não existem fundos internacionais, contas bancárias escondidas, nenhum luxo e o apartamento onde ele vive há 25 anos é extremamente modesto”, disse Robertson.
A família de Lula mudou para São Paulo quando ele tinha sete anos de idade. Ele começou a trabalhar como vendedor nas ruas aos oito, tornou-se metalúrgico, entrou para o sindicato e emergiu como o líder carismático que liderou uma série de greves que enfraqueceram a ditadura militar brasileira em seus últimos anos. Em 1980 ele fundou o Partido dos Trabalhadores e perdeu três eleições à Presidência antes de finalmente ser eleito, em 2002.
O Brasil viveu um boom de commodities durante seu governo, e como o consumo das famílias aumentou, metade da população entrou numa nova classe média. Em 2010, último ano do governo Lula, a economia brasileira cresceu num ritmo espetacular, de 7,5%.
“Os mais pobres sabem o que fizemos por eles”, ele disse. “É a única coisa que faz sentido para um governo, tomar conta dos mais pobres”.
Naquele mesmo ano, ele conseguiu que sua sucessora, uma ex-guerrilheira marxista chamada Dilma Rousseff, fosse eleita. Mas o boom dascommodities acabou.
Ela não tinha a habilidade expansiva – os críticos diriam cínica – para fazer acordos com os barões regionais mercenários que mantêm influência no fracionado congresso brasileiro e depois de vencer uma disputa apertada na sua reeleição em 2014, com os gastos públicos em alta, viu o primeiro déficit brasileiro em mais de uma década. Com a economia encolhendo, o país perdeu seu grau de investimento.
No governo, Lula teve o apoio dos mercados financeiros. Agora ele é ferozmente crítico ao sucessor de Dilma, Michel Temer, cujo programa de austeridade selvagem cortou benefícios dos brasileiros mais pobres, e Lula diz que o Brasil deveria bancar sua saída desta recessão que engessa o país, porque países desenvolvidos como o Reino Unido também têm déficits públicos.
“O que faz a nação crescer é o poder de compra das pessoas na base, não os ricos”, ele disse. “Quando você dá um empréstimo para um empreendimento produtivo, você torna a economia mais dinâmica. E quando o PIB começa a crescer, o débito começa a diminuir”.
Depois que o escândalo de corrupção emergiu, milhões de manifestantes tomaram as ruas brasileiras pedindo o impeachment de Dilma e a prisão de Lula, e comemorando quando ela foi afastada no ano passado devido às acusações de ferir as leis orçamentárias. Ela e Lula argumentam que o processo foi um golpe, e sua credibilidade ficou comprometida pela alta proporção de parlamentares que votaram pelo impeachment enquanto eles próprios respondem a acusações de corrupção.
Muitos desses mesmos políticos votaram para não afastar Temer no mês passado, quando ele foi acusado de corrupção em um caso relacionado, depois de ter sido secretamente gravado recomendando a um poderoso empresário fazer um acordo com um de seus auxiliares próximos, que depois foi filmado recebendo R$ 500 mil em dinheiro dentro de uma maleta.
Robertson disse que Lula foi perseguido pelo juiz Sérgio Moro, que se tornou um herói por atacar a corrupção endêmica no país, especialmente entre uma direita emergente que ganhou volume durante os protestos pró-impeachment mas não apareceu para se manifestar quando apareceram acusações mais sérias contra Temer. No Brasil, o juiz efetivamente age tanto como árbitro como quanto acusador.
“O sistema legal no Brasil remonta à Inquisição espanhola”, disse Robertson. “A justiça não é feita e nem é vista sendo feita”.
Aqui no nordeste, os apoiadores de Lula são firmes em afirmar que ele é objeto de uma armação. Enquanto sua caravana passa pelas paisagens ressequidas, entre cactos do tamanho de árvores, pessoas fluem para a rodovia, parando os ônibus, aplaudindo, saudando e filmando em seus celulares quando Lula sai para cumprimentá-los.
“Ele foi o melhor presidente que nós já tivemos no Brasil”, disse Danilo Gomes, 20, desempregado, que estava na multidão em Agripina, onde o prefeito local armou um bloqueio em uma rotatória na estrada. “Se ele for candidato mil vezes, ele venceria mil vezes”.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Obstrução da Serra do Curral no Belvedere gera indenização milionária

Empresas responsáveis pela implementação do bairro terão que pagar uma indenização de R$ 27,8 milhões por causa dos danos paisagísticos causados pelos prédios


Marco geográfico mais representativo de Belo Horizonte e da região metropolitana, a Serra do Curral teve ao longo dos últimos anos a paisagem ofuscada por edificações verticais de alto padrão erguidas no Belvedere III – bairro localizado na região Centro-Sul, que tem um dos metros quadrados mais caros da capital mineira. Agora, as 11 empresas responsáveis pela implementação da área terão que pagar uma indenização de R$ 27,8 milhões por causa dos danos paisagísticos causados pelos prédios.

Nesta quarta-feira (30), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que obteve na Justiça uma sentença condenando os empreendedores a pagar R$ 15 milhões por danos morais coletivos e R$ 12,8 milhões por danos materiais, totalizando os R$ 27,8 milhões em indenização.

Além disso, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) deverá pagar multa diária de R$ 10 mil, caso aprove novos empreendimentos na região sem a prévia anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte (CDPC-BH).

A sentença foi proferida no dia 7 de julho deste ano pelo juiz Rinaldo Kennedy Silva, da 2ª Vara de Fazenda Pública Municipal, em Ação Civil Pública proposta em 2011 pelos promotores de Justiça Lilian Marotta, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte; Marcos Paulo de Souza Miranda, então coordenador das Promotorias de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico; e Marta Alves Larcher, que está à frente da Coordenadoria de Habitação e Urbanismo.

Em seu parecer, o juiz afirmou que as 11 empresas enriqueceram ilicitamente, pois descumpriram a legislação. "Nenhuma ação que for desenvolvida atualmente poderá viabilizar a desobstrução da paisagem da Serra do Curral, não havendo, portanto, a possibilidade de retornar o bem paisagístico à situação anterior, de forma que a medida se tornou irreversível, sendo cabível o pagamento de indenização”, destacou o magistrado.

Em 2004, o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa do Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Urbanismo e Habitação (Caoma), do MPMG, apresentou laudo concluindo que as edificações do Belvedere III obstruíram a visibilidade da Serra do Curral e causaram um dano irreversível ao bem paisagístico.

“Apesar das considerações apresentadas pelos profissionais, no sentido de riscos geológicos, o empreendimento foi aprovado sem a anuência do CDPC-BH, dispositivo de lei vigente à época”, explicaram os promotores responsáveis pela ação.

As empresas
A ação do MPMG foi instaurada contra as seguintes empresas: Comercial Mineira S.A.; Empresa Agrícola Santa Bárbara Ltda.; Abaeté Empreendimentos Ltda.; Empreendimentos Sion Ltda.; Mineração Lagoa Seca Ltda.; Ical-Indústria de Calcinação Ltda.; Comercial L. P. Guimarães Ltda.; S. M. Guimarães.; P. O. de Sá.; Holding Pentagna Guimarães Ltda.; e Comercial Santa Zita S.A.

O Belvedere III
O projeto do Belvedere III foi aprovado em 1988, com lotes de 525 m², predominando edificações verticais de alto padrão. Classificado como zona residencial e comercial mista, o Belvedere III fica junto à BR-356, na saída do município no sentido Rio de Janeiro, e é contíguo ao entroncamento com a avenida Raja Gabáglia e a rodovia MG-030. Delimita-se pela rua Jornalista Djalma Andrade, pela antiga linha férrea Águas Claras e pelo Trevo do BH Shopping.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

SOS Mosteiro de Macaúbas: Irmãs pedem ajuda para preservação do importante patrimônio cultural brasileiro

Beto Novaes/EM/DA Press

Monjas abrem campanha para arrecadar recursos e recuperar a parte interna do monumento, afetada por cupins e rede elétrica obsoleta, entre outros problemas


IRMÃS CONTRA A DEGRADAÇÃO
30/08/2017

Matéria do caderno Gerais, do jornal Estado de Minas, anuncia o lançamento oficial da campanha Abrace Macaúbas.

No texto do jornalista Gustavo Werneck são apresentados alguns dos pontos críticos do importante patrimônio cultural brasileiro, que conta com o apoio da sociedade para sanar algumas situações irregulares, sendo a mais grave delas, a inadequação do sistema elétrico.

Mais informações sobre a campanha no site:
www.abracemacaubas.com.br

Estado de Minas




Beto Novaes/EM/DA Press
Um dos mais importantes monumentos arquitetônicos do patrimônio brasileiro pede ajuda para preservar mais de três séculos de história. Será lançada na próxima terça-feira a campanha Abrace Macaúbas, iniciativa com objetivo de garantir recursos para obras de manutenção do Mosteiro de Macaúbas, localizado em Santa Luzia, na Grande BH. Cupim nas madeiras, parte elétrica obsoleta, buraco no piso e degradação de outros pontos põem em risco a construção de 11,5 mil metros quadrados tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) e Prefeitura de Santa Luzia. A solenidade, na Sala Capitular do mosteiro, às 10h, terá a presença do arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, da madre Maria Imaculada de Jesus Hóstia e das monjas da Ordem da Imaculada Conceição e de autoridades do patrimônio.
O presidente da Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia, Adalberto Mateus, destaca a importância da construção do início do século 18, às margens do Rio das Velhas. “Macaúbas é uma das mais importantes edificações coloniais do interior do país e a única de Minas com características de convento. Em tempos de discussão sobre o protagonismo das mulheres na sociedade, vale destacar que sempre foi um território feminino por excelência, por ter sido recolhimento, colégio e depois mosteiro”, diz Adalberto. A associação integra a comissão responsável pela captação de recursos, que tem ainda o Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte. Em 1962, o arquiteto do Iphan, Paulo Thedim Barreto, ressaltou: “Trata-se de um conjunto do maior interesse histórico e arquitetônico (…) Pelo seu vulto, grandeza e destino, é edifício digno de apreço”.

Na manhã de ontem, a abadessa Maria Imaculada de Jesus Hóstia, que chama o mosteiro de “casa de Nossa Senhora”, mostrou os lugares de maior preocupação, entre eles o “coro baixo”, na capela de Nossa Senhora da Conceição, aberta todos os dias a moradores e visitantes para missas das 7h e, aos domingos, na acolhida da tradicional celebração das 10h30 com um coral da região. Ajudando a arrastar um banco, ela mostrou o rombo no piso de madeira. E falou da sua confiança e esperança no sucesso da campanha: “Aqui não é um lugar de luxo, mas de muita história de Minas e do Brasil. A parte elétrica já foi condenada pelo Corpo de Bombeiros. Tenho certeza que muitos vão colaborar”. 






URGÊNCIA Há três anos, a abadessa comandou uma grande campanha para a compra das latas de tinta que deram vida nova ao azul colonial das portas e janelas e branco das paredes com um metro e meio de largura e prepararam o mosteiro para a festa do tricentenário. Acompanhando a visita, Adalberto disse que “quem vê cara não vê coração”. Traduzindo: “Macaúbas impressiona pelas dimensões e conservação externa, mas, por dentro, precisa de reforma imediata de todo o sistema elétrico, descupinização, enfim, de obra de restauro. Apesar da boa aparência, tem problemas gravíssimos”.

Basta olhar para o madeirame e ver a necessidade urgente de conservação do prédio que abrigou uma das primeiras escolas femininas das Gerais. Em alguns cantos, os cupins deixaram seu rastro em montinhos de madeira devorada, enquanto, ao pisar as tábuas corridas, ouve-se o estalo de perigo. O forro da capela, pintado no início do século 19, por Joaquim Gonçalves da Rocha, de Sabará, também demanda ação urgente para não sair de cena. Os olhos atentos vão descobrir gambiarra de fios, colunas com perdas de reboco, buracos em madeiras, como se fosse um queijo suíço e outros sinais de deterioração. “Vamos conseguir o dinheiro. Deus está conosco”, repete a abadessa ao lado da irmã Maria de São Miguel. Logo depois, ao meio-dia, ouvem-se as vozes das religiosas entoando os cânticos na “hora sexta”.

RECOLHIMENTO Conhecer o Convento de Macaúbas, como é carinhosamente chamado, representa experiência única: ali estão freiras, roseiras para fazer vinho, muitas orações e trabalho duro. Na entrada principal, onde se lê a palavra clausura, vê-se em destaque a pintura de um personagem fundamental nesta história tricentenária: o eremita Félix da Costa, que veio da cidade de Penedo (AL), em 1708, pelo Rio São Francisco, na companhia de irmãos e sobrinhos. Demorou três anos para chegar a Santa Luzia, onde construiu uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, de quem era devoto. Mas, antes disso, bem no encontro das águas do Velho Chico com o Rio das Velhas, na Barra do Guaicuí, em Várzea da Palma, Região Norte do estado, ele teve a visão de um monge com hábito branco, escapulário, manto azul e chapéu caído nas costas. Conforme o relato da madre superiora, “ele se viu ali” e “foi o ponto de partida para a fundação do Recolhimento de Macaúbas”.

No século 18, quando as ordens religiosas estavam proibidas de se instalar nas regiões de mineração por ordem da Coroa portuguesa, para que o ouro e os diamantes não fossem desviados para a Igreja, havia apenas dois recolhimentos femininos em Minas: além de Macaúbas, em Chapada do Norte, no Vale do Jequitinhonha. Conforme os estudos, tais espaços recebiam mulheres de várias origens, as quais podiam solicitar reclusão definitiva ou passageira. Havia, portanto, uma complexidade e diversidade de tipos de reclusas, devido à falta de estabelecimentos específicos para suprir as necessidades delas. Assim, os locais abrigavam meninas e mulheres adultas, órfãs, pensionistas, devotas, algumas que se estabeleciam temporariamente, para “guardar a honra”, enquanto maridos e pais estavam ausentes da colônia, ou ainda como refúgio para aquelas consideradas desonradas pela sociedade da época.





Beto Novaes/EM/DA Press
No período do recolhimento, Macaúbas recebeu figuras ilustres, como as filhas da escrava alforriada Chica da Silva, que vivia com o contratador de diamantes João Fernandes. A casa na qual Chica se hospedava fica ao lado do convento. Como parte do pagamento do dote das filhas, Fernandes mandou construir, entre 1767 e 1768, a chamada Ala do Serro, com mirante e 10 celas (quartos para as religiosas). Em 1770, o mestre de campo Ignácio Correa Pamplona assinou contrato para construir a ala da direita da sacristia (Retiro), igualmente dividida em celas. A construção tem ainda as alas da Imaculada Conceição, Félix da Costa (a mais antiga) e a de Santa Beatriz, onde se encontra o noviciado do mosteiro.

Em 1847, foi instalado oficialmente em Macaúbas um colégio feminino, com orientação dos padres do Caraça. Novos tempos chegaram em 1933, quando a escola foi desativada e instalado o mosteiro, hoje com 14 freiras.





Beto Novaes/EM/DA Press


SERVIÇO

Para participar e fazer doações
de qualquer quantia

Campanha Abrace Macaúbas
Caixa Econômica Federal – Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição Macaúbas – Agência: 1066 – Operação 013
Conta poupança: 75.403/4 – CNPJ: 19.538.388/0001-07
Informações no site: abracemacaubas.com.br