domingo, 11 de junho de 2017

Celebrar a Fé: Dinamismo de fraternidade inovadora, por Frei Cláudio

Frei Cláudio van Balen
Boletim da Missa de 11/06/2017



A Trindade em Deus

Na Escritura Sagrada nada se diz com respeito ao mistério da "Trindade" em Deus. Só  na relação com suas criaturas - os humanos - Deus é  como  "Pai", como "Filho" e como "Espírito". Pai pela ternura, Filho pela proximidade e Espírito pela energia que Jesus e nós todos, de Deus herdamos.

Um em três e três em um são palavras da teologia, do jargão de exegetas. Em aulas de catecismo, se fala de Deus como Pai, Filho e Espírito; três  em um só. Algo como família: pai, mãe e filho. Porém, entre nós, "Deus - ninguém  nunca viu" ( João, 1, 18), nem vai ver, não sendo Deus uma personagem como nós. 

A Bíblia foi escrita por criaturas; não por Deus, mas por homens. Isto significa que é produto de nossa fé humana; projetamos nesse Deus o que está ao nosso alcance e faz sentido, dentro da cultura em que vivemos. O divino mistério permanece indecifrável, luz inacessível, infinitamente além de nossa compreensão.

Nenhuma instituição ou religião pode ter o monopólio de Deus, sendo que a humanidade toda - para captar algo de seu mistério - tem de fazer-se ouvinte atento e humilde, muito acima de toda espécie de fronteira. Já não nos bastam os conceitos antigos, em que pretensas experiências de fé aludem a Deus.

Ao almejar um convívio cordial com esse Deus, temos de testemunhar abertura de coração, longe da aridez de ritos e tradições.  Agradam-nos narrativas, sobretudo as da Bíblia, em que há ricas, porém, frágeis, experiências de fé e iluminação. Aderimos ao Deus de Jesus, porém esse Deus é diferente na visão humana.

Há tantos conceitos de Deus quantas religiões, quantas formas de cultuá-lo e quantas ideias podemos fazer a seu respeito. Isto não anula Deus, antes o revela na visão de cada um. Bela denominação é "Deus Trindade", que contempla o Pai que nos cria, o Filho que nos irma na e conduz, o Espírito que nos ilumina e impulsiona.


O Deus uno e trino humaniza nosso jeito de ser: a diversidade se aperfeiçoa  na unidade.
O que nos dignifica é ternura em acolhida na família  e na sociedade.

Crer em Deus e ter Fé não é repetir ou ler uma oração.

Fé é acreditar na Vida, na História, nas relações.

É conviver respeitando as diferenças. É ter solidariedade, é ter acolhida.
É construir relações fraternas, construir boas relações.

Que o mistério de Deus se reflita em nosso viver, para que usemos diferentes dons em benefício de todos e de cada um.

Honramos a Deus ao nos reunir em comunhão. Trindade Santa, ofertamos gestos de partilha. Nossa cidadania a pacificar relações. A atuação  do Espírito em nosso viver.

Deus-Trindade, a unidade, vivamos para irradiar vossa paz no conviver.

A presença  amiga do Pai, a singeleza do Filho e a criatividade do Espírito  sejam bênção  para todos nós.

 Com a Trindade, nos caminhos da união, no céu  e na terra, vamos em paz! Mãos à obra! Nossa presença  faz a diferença.  Assim seja!



sábado, 10 de junho de 2017

Quem disse mesmo que primeiro tiraria Dilma e depois o resto? 

“Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer]... É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo.”

JUCÁ, Romero

Todos sabiam que a sangria seria estancada. Quem apoiou o golpe precisa parar de fingir que não sabia e que está indignado.


Cris Penha, do seu Facebook:

O que chama atenção no Brasil atual não é a corrupção escancarada pela delação da Odebrecht, da JBS e a absolvição de Temer no TSE. Mas sim o fato de que aqueles que vociferavam contra a corrupção, contra o aparelhamento das instituições, que bateram panelas, que encheram as ruas sob a liderança de movimentos organizados e do Pato Amarelo, terem desaparecido completamente.

Onde foi parar a indignação do brasileiro, desses movimentos, da mídia ou do Judiciário? Quem disse mesmo que primeiro tiraria Dilma e depois o resto?

Acabou a reação da sociedade. A verdade é que o impeachment não foi pra acabar com a corrupção como comprovam as gravações de Jucá, a delação da Odebrecht, da JBS e essa manobra no TSE. Foi pra tirar Dilma, acabar com políticas sociais, entregar nossas riquezas, tentar salvar corruptos do partidos que apoiaram o golpe e implantar reformas neoliberais ao gosto de setores empresariais, que viram na crise econômica decorrente em grande parte da crise política inflada por Aécio/Cunha/Temer, que sabotou a economia desde 2015 com pautas bomba que aumentavam gastos e paralisação das reformas necessárias, uma chance de baixar salários devido ao enorme desemprego provocado e realizar as reformas trabalhista, previdenciária e terceirização irrestrita para aumentar a lucratividade e garantir o pagamento dos juros mais altos do planeta, que consomem grande parte do orçamento público, à elite rentista.

 O caos que se instalou no país é reflexo da hipocrisia dos corruptos aliada ao oportunismo da elite somada a burrice da classe média e dos pobres que vão pagar o pato com a perda de direitos, caso não reajam e exijam já a saída de Temer.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Julgamentos e o vale tudo, por Bob Fernandes

Por Bob Fernandes


Julgamento da chapa Dilma/Temer. Presidente do TSE, Gilmar Mendes deixou escapar para o relator, Herman Benjamin, o que lhe vai n' alma.

Do alto da condição humana, Gilmar disse:

-Essa ação só existe graças ao meu empenho, modéstia às favas. (...) Vossa excelência está brilhando na televisão do Brasil inteiro (...) colocou sua figura... na Globo News...

A ação que Gilmar quer chamar de sua foi proposta pelo PSDB. Há 900 dias, em nome da moralidade...

...Ou "para encher o saco do PT", segundo o autor depois grampeado, Aécio Neves. Deu no que deu.

Dilma foi traída por Temer. Longo espetáculo para o aprendizado público. Boa parte dos atores envolvidos hoje está na cadeia. Ou a caminho.

Outra parte dos envolvidos, a plateia, deixou as ruas. Agora acompanha o julgamento pelas Mídias. Em silêncio. Por vergonha, constrangimento ou cumplicidade.

Temer tem, por ora, apoio do PSDB. Temer foi traído por Joesley. Que em seu jatinho transportou Temer e Marcela.

(PS: vôo em janeiro de 2011, para a ilha de Comandatuba (BA) e evento do LIDE, do agora prefeito João Doria. Temer e família regressaram no dia 14. No mesmo avião, confirmou o Planalto em nota).

"O vice-presidente não sabia a quem pertencia a aeronave e não fez pagamento pelo serviço", foi informado na nota emitida pelo Palácio do Planalto.

E Temer ligou para para agradecer pelo envio de flores, segundo Joesley.

Joesley diz ter doado R$ 600 milhões para 28 partidos e 1.829 candidatos. Seja por que Caixa for. Delatou tudo e todos.

Espera-se que Palocci, Rocha Loures, e talvez Henrique Alves, também delatem. Traiam. Afinal, é preciso restaurar a ética, a moralidade pública e os bons costumes.

Em nome de tanto, tem pouca importância trocar a cadeia de delatores pela manutenção do patrimônio e tornozeleira. Ou New York.

Em nome da ética, na véspera do julgamento 82 perguntas da Polícia Federal. Para o suspeito, o presidente da República. Com cobrança de respostas... para o dia seguinte.

Em nome do combate à corrupção um juiz pode violar prerrogativas: de direito ao sigilo e privacidade de advogados; e, assim, o direito de defesa.

Pelas mesmas razões, em "alegações finais", o Ministério Público invoca a "dificuldade probatória".

Ou seja: o não ter provas. Mas, como se sabe, convicções e muita fé movem montanhas.

Essa Cruzada tem e terá o apoio da opinião pública, atestam as pesquisas.

Afinal, em nome da moralidade, da ética, e do combate à corrupção vale tudo.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Direita não consegue resolver a crise que criou, por Emir Sader

FIASCO DO GOLPE

Direita não consegue resolver a crise que criou

Fracasso do governo de Temer leva a um novo dilema aos que deram curso ao golpe: mantê-lo ou derrubá-lo para colocar um novo nome sem tanta unidade?
por Emir Sader - Rede Brasil Atual
VITOR TEIXERA/FACEBOOK
temer vitor teixera
Com insucesso de Temer, Brasil paga um preço caro por essas aventuras da direita brasileira
Desde as denúncias mais recentes, o governo brasileiro ficou reduzido à sobrevivência de Michel Temer no poder, perdeu toda capacidade de iniciativa e passou a ter o objetivo único de se demorar o mais possível antes da queda. O pais fica ao deus-dará. A direita, que forjou essa via do golpe, se mostra incapaz de dar continuidade a ele e sem coragem de enfrentar as eleições diretas.
À direita não importava o que se fizesse para chegar ao objetivo maior – tirar o PT do governo. Todo tipo de aliança e de meio servia para obter esse fim e foi isso que levou ao golpe, com o vice-presidente à frente. 
A presença blindada da equipe de Meirelles e os seus banqueiros representava a garantia de que a restauração do projeto neoliberal seria preservada. O pacote de reformas mandado ao Congresso era a expressão dessa restauração, junto com as políticas de ajuste e o desmonte da Petrobras.
Para isso o governo golpista contava com o grande empresariado, com a velha mídia e com uma folgada maioria no Congresso. Aprovar os retrocessos em termos de direitos dos trabalhadores e das políticas sociais era o termômetro do sucesso do governo e do próprio golpe.
A combinação entre a agressividade da Lava Jato contra o PT – elemento indispensável no golpe – e a fragilidade do governo pela sua composição de grande parte de corruptos, era um elemento frágil do governo, mas que serviu até quando ele pôde tocar as reformas no Congresso e o desmonte da Petrobras. As últimas denúncias deixaram o governo perto do nocaute. Está perdido, sem ação, isolado, na contagem regressiva para o seu melancólico final.
Mas esse esgotamento de Michel Temer mostra como a direita destrói seu próprio governo, sem ter construído alternativas. Numa atitude aventureira derrubou um governo legalmente eleito para colocar um bando de ladrões para dirigir o Estado brasileiro. Agora está prestes a tirá-los do poder, mas sem ter alternativa com um mínimo de legitimidade e de apoio.
O país paga um preço alto por essas aventuras da direita brasileira. Voltou a haver um forte processo de concentração de renda, depois de termos conseguido, pela primeira vez na nossa história, diminuir significativamente a desigualdade. Os direitos dos trabalhadores tiveram um enorme retrocesso, depois de estes terem conquistado os maiores avanços na história do movimento  no Brasil. As políticas sociais foram afetadas duramente, depois de o país ter saído do Mapa da Fome, igualmente ela primeira vez na nossa história.
O fracasso do governo de Temer leva a um novo dilema à direita que o guindou ao poder: mantê-lo, com o risco de que o governo se desagregue, sendo derrubado pelas denúncias de corrupção e já sem capacidade de aprovar o pacote de medidas que tanto interessa às elites brasileiras? Ou correr o risco de uma operação difícil de conseguir outro consenso para impor um novo Temer, mas sem poder contar com a unidade das mesmas forças que impuseram o golpe?
As vozes que sentem que as eleições diretas são o único caminho legítimo aumentam, mas na direita elas contam com a inviabilização da candidatura de Lula – que tem como vencedor seguro nas diretas. Mesmo sem ele, tem medo de que vença quem ele vier a apoiar.
A direita entrou num beco sem saída e termina fazendo com que o país, nas suas mãos, se encontre nessa mesma situação. Serão meses de disputa intensa, de caráter político e institucional, de massas, de ideias, da qual sairá um país distinto.
Ou a direita se aferra de qualquer maneira ao governo, tendo que aumentar a repressão e a violação das normas constitucionais e jurídicas, ou o país entra em um processo de redemocratização e reconstrução nacional, conduzido de novo pela esquerda.

sábado, 3 de junho de 2017

NASSIF: DORIA É O PERFEITO GESTOR IDIOTA LATINO-AMERICANO



"A intenção única do prefeito foi o efeito estético nas ruas, esvaziar o local, derrubar pequenos prédios que serviam de abrigo para dependentes químicos para abrir espaço para a indústria imobiliária entrar e tornar a Cracolândia seu cartão de visitas", diz o jornalista Luis Nassif, ao comentar a ação de João Doria na Cracolândia; "em apenas uma operação, Doria conseguiu reeditar todos os princípios que marcaram o Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano: improviso, acientificismo, arrogância, teimosia, falta de planejamento"

Peça 1 – manual do perfeito idiota latino-americano
Anos atrás ficou famoso o livro "Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano", de Plinio Apuleyo Mendoza, acerca dos vícios do continente. Valeria uma versão sobre uma das variáveis, o "Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano".
Dos anos 90 para cá houve enormes avanços nos modelos de gestão no Brasil, graças ao trabalho dos consultores de qualidade, de gestão, de planejamento estratégico.
Mas persistem vícios do velho modelo fechado, como ectoplasmas pairando no atraso do continente.
Os princípios do "Manual do Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano" seriam os seguintes:
1.    O idiota bala de prata.
Um caso clássico dos anos 80 foi a Sharp. Assumiu um novo presidente. Seu único foco era colocar a empresa no azul. Em três meses alcançou seus objetivos. E matou a empresa. Para equilibrar as contas desmontou o departamento de desenvolvimento de novos produtos, o comercial, o de marketing.
2.    O idiota monofásico.
Uma organização é um organismo vivo, com áreas que se interligam, ações que precisam ser integradas. Mas o gestor monofásico só consegue enxergar uma dimensão da estrutura.
3.    O idiota fim da história.
Tudo o que veio antes estava errado. Logo, não precisa entender a lógica da política anterior, as razões de sua implementação, nem analisar os casos de fracasso, para não repetir experiências. É o especialista em repetir os mesmos erros passados.
4.    O idiota do eu-sozinho.
Todos os grandes gestores – dos grandes conquistadores do passado aos CEOs do presente – se destacam por ideias claras sobre onde chegar e capacidade de informar e convencer sua tropa sobre a estratégia adotada. O gestor eu-sozinho é o que coloca uma ideia na cabeça e a tropa que trate de adivinhar qual é ela.
5.    O idiota que não erra.
É o sujeito que acredita que a persistência no erro é o melhor caminho para se atingir o acerto. Para sustentar a ignorância, a contrapartida é uma enorme dose de arrogância.
No caso Cracolândia, João Dória Jr conseguiu se enquadrar nos cinco pontos do Manual do Perfeito Gestor Idiota Latino-Americano.
Movimento 1 - o foco estético
A intenção única do prefeito foi o efeito estético nas ruas, esvaziar o local, derrubar pequenos prédios que serviam de abrigo para dependentes químicos para abrir espaço para a indústria imobiliária entrar e tornar a Cracolândia seu cartão de visitas.

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