sexta-feira, 15 de junho de 2018

O golpe tem como objetivo acabar com a Petrobrás e com soberania do Brasil

Engenheiro que descobriu o pré-sal, diz que as petroleiras estrangeiras estão saqueando o Brasil, levando nosso petróleo e pré-sal a preço de banana e que isso roubará o futuro do país.
Depoimento de Guilherme Estrella, que foi diretor de Exploração e Produção da Petrobras, líder do trabalho que levou à descoberta do pré-sal, a maior reserva de petróleo descoberta .
ASSISTA:

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O carinho do Papa por Lula, por Mauro Lopes




Após duas notas confusas, o Vaticano confirma na terceira nota que o Papa Francisco enviou um terço e uma mensagem para Lula, através do consultor Juan Grabois.

A posição oficial do Vaticano neste momento, pode ser resumida da seguinte forma: Grabois é consultor do pontífice e veio ao Brasil com a missão de trazer a Lula um terço abençoado e também AS PALAVRAS do Santo Padre – o que evidencia o caráter institucional – e não meramente pessoal – da sua visita. O fato de comunicados anteriores terem sido apagados também sugere que o próprio comando do Vaticano pode ter determinado a revisão dos procedimentos antes adotados pela comunicação da Santa Sé.

Por Mauro Lopes

O carinho do Papa por Lula, maior líder político católico da história brasileira







Lula é o maior líder político católico da história brasileira. E o Papa Francisco fez nesta segunda (11) uma demonstração inequívoca de seu carinho por ele. Enviou a Lula, prisioneiro político há 67 dias, um terço e um bilhete pessoal, escrito a mão. Se o Papa tem afeto por Lula, o regime dos golpistas tem ódio. E, com a mesquinharia típica das ditaduras, proibiram o enviado especial de Francisco de entregar o terço pessoalmente e conversar com o ex-presidente. O episódio é grave. Barrar um enviado do Papa numa visita a um preso político terá ampla repercussão contra o golpe, nacional e internacionalmente. Com o gesto de Francisco, fica claro que sua homilia há cerca de um mês, condenando os golpes de Estado patrocinados pelas mídias conservadoras referia-se de fato ao Brasil.
É um aparente paradoxo: no maior país católico do mundo, o maior líder político católico da história é odiado por milhares e milhares de católicos e católicas, a começar pelo líder do golpe, Michel Temer, e pelo ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ligado à Opus Dei. Nas rede sociais, católicos conservadores ofendem Lula, como ofenderam sua mulher, Marisa Letícia, até a morte, em 2017, e mesmo depois disso. A campanha persistente de ódio destes católicos a Lula não acontecem por serem católicos, mas por serem ferozmente de direita.  
O enviado do Papa à prisão foi ninguém menos que seu assessor para Assuntos de Justiça e Paz, o argentino Juan Grabois, homem da mais absoluta confiança de Francisco. Ao lado do cardeal Peter Turkson, prefeito do Departamento para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, Grabois é o responsável pela organização dos Encontros Mundiais dos Movimento Populares, que reúne anualmente o Papa e lideranças de movimentos sociais de todo o planeta. Nestes encontros, Francisco tem feito críticas contundentes ao capitalismo. No segundo Encontro, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), em julho de 2015, o papa qualificou o sistema de "ditadura sutil". Para Francisco Papa, o capitalismo "é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos...".
Lula deve ter recebido, se a Polícia Federal de fato o entregou, o terço enviado por Francisco -uma peça de contas pretas. O terço é um instrumento de oração e meditação de católicos usado há 800 anos e se compõe de uma sucessão de 10 Aves-Marias entremeadas por um Pai Nosso e uma invocação à Trindade. Os católicos de direita tentam estigmatizar Lula dizendo que ele é "comunista", "ateu" e "bêbado", mas o ex-presidente tem relações profundas com a Igreja Católica, com sua mulher tinha. 
As comunidades eclesiais de base da Igreja Católica foram decisivas para a formação do PT nos anos 1970/80. O partido foi criado pela confluência entre essa comunidades, o sindicalismo combativo liderado por Lula e seus companheiros e intelectuais de esquerda. O teólogo Leonardo Boff e Frei Betto são os principais conselheiros espirituais de Lula. Além de ambos, o padre Júlio Lancellotti e o monge católico Marcelo Barros foram até a prisão em Curitiba e, com eles, Lula tem comungado. 
No dia 17 de maio, na missa matinal em Santa Marta, que o papa preside sempre que está no Vaticano, o pontífice condenou o golpe de maneira dura. Sem citar o Brasil ou o nome de Lula diretamente, fez uma descrição perfeita do que acontece no país: "Criam-se condições obscuras para condenar uma pessoa. A mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas. Depois chega a Justiça, as condena, e no final, se faz um golpe de Estado".
A declaração do Papa aconteceu logo depois de um encontro com uma delegação de jovens brasileiros que foram a Roma para o encontro das Scholas Ocurrentes, um projeto político pedagógico para os jovens de Francisco inspirado nas comunidades eclesiais de base.
Os golpista imaginaram que Lula seria rapidamente esquecido e abandonado no cárcere em Curitiba. Não imaginaram a onda de solidariedade nacional e internacional que se levantaria a seu redor, a denúncia do caráter político de sua condenação e, menos ainda, os gestos do maior líder político do planeta, o Papa Francisco
Fonte: Brasil 247

segunda-feira, 11 de junho de 2018

“Não dá para vestir a camisa da Seleção, que virou símbolo de uma massa de manobra comandada por golpistas”, diz Marcelo Paiva

“Não dá para vestir a camisa da Seleção, que virou símbolo de uma massa de manobra comandada por golpistas”, Marcelo Paiva para Época


Da Época:
Depois do impeachment, o escritor Marcelo Rubens Paiva jogou fora as duas camisas que tinha da Seleção, uma amarela e a outra azul. Ainda não decidiu, mas é provável que torça com a camisa do Corinthians. “Não dá para vestir a camisa da Seleção, que virou símbolo de uma massa de manobra comandada por golpistas”, afirmou. O perfil dos atuais jogadores não contribui para que mude de posição. “São despolitizados. Não estão nem aí com a situação do país. Gostam de andar de helicóptero. Esta é a Seleção Ostentação.”
O uso do uniforme da Seleção pelos “coxinhas”, alcunha utilizada pela esquerda, não é o único motivo das resistências à camisa. As acusações de recebimento de propina contra Ricardo Teixeira, a prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin nos Estados Unidos e o banimento de Marco Polo Del Nero do futebol, ordenado pela Fifa, reforçam o repúdio ao escudo da entidade máxima do futebol brasileiro.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Relatório destaca aumento da violência no campo e dos conflitos pela água



Relatório anual da CPT destaca o aumento da violência no campo e dos conflitos pela água


A atividade teve início com a palavras de Dom Leonardo Steiner, secretário geral da CNBB, que destacou a manutenção da violência no campo. Já Dom André, presidente da CPT, chamou a atenção para a importância do trabalho de documentar todos os anos esses dados e da significativa denúncia que eles representam.

(Foto: Elvis Marques – CPT Nacional)
Carlos Walter Porto-Gonçalves, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou a importância do trabalho de utilidade pública que a CPT faz com o relatório Conflitos no Campo Brasil, desde 1985. “A qualidade e o rigor que esses dados são tratados são inquestionáveis”, disse ele.
“Do ponto de vista epistemológico é um momento de abertura de compreensão da realidade da sociedade. É o contraponto da ideia de que o agro é tudo. As contradições e as dimensões que não aparecem no dia a dia. O conflito pela água em Correntina, é a mudança no uso da terra. As populações sempre usaram a água da superfície e já não podem mais usar. A população em desespero ocupa uma fazenda de ponta e quebra tudo. Como dizem os zapatistas, há raivas que são dignas. A água tinha que ter um destino digno”, analisou o professor.
De acordo com os dados da CPT, mais de 60% dos conflitos pela água foram protagonizados por mineradoras. 33 conflitos, 17%, aconteceram no contexto das hidrelétricas. Outros 26 conflitos, 13%, em áreas dominadas por fazendeiros. No contexto dos conflitos pela água, em área de mineradora, registrou-se um assassinato em Barcarena, Pará. Fernando Pereira, liderança da Comunidade de Jardim Canaã, fortemente impactada pela operação da mineradora Hydro Alunorte, e membro daAssociação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia – Cainquiama, foi assassinado a tiros no dia 22 de dezembro de 2017. A organização estava envolvida na denúncia de conflitos fundiários na região e no combate aos crimes socioambientais protagonizados pela Hydro, que explora bauxita para produção de alumínio e tem um rol extenso de ilícitos cometidos ao longo de mais de três décadas. Minas Gerais concentrou o maior número de conflitos pela água, 72 ocorrências, seguido da Bahia com 54.
Adalgisa Maria de Jesus, a dona Nena, trouxe o depoimento do levante popular de Correntina, na Bahia. De um povo que se revoltou por ver seu bem mais precioso ser usurpado, a água. “Água é a vida de cada um e cada uma de nós. Correntina ficou conhecida depois daquele 2 de novembro de 2017, pouca gente conhecia. O povo de Correntina está perdendo esse bem precioso que é a água. As comunidades por conta da falta da água começaram a não conseguir mais fazer o engenho funcionar. Começou a ter apagão e a faltar energia também. E perceberam que era quando a fazenda Igarashi funcionava a pleno vapor, que a cidade ficava desabastecida. Isso não está certo. Além disso ela tinha um piscinão que se enchesse, não correria mais água dentro do rio. O povo não aguentou e foi lá e quebrou os diques que estavam secando o rio. Ninguém vai morrer de sede nas margens do rio Arrojado e ninguém vai morrer parado, sem lutar!”.
“Se tem tanto conflito isso indica que tem problemas, apesar de muitos dizerem que o campo não é mais tão importante no cenário nacional”, destacou o professor Carlos Walter. Desde 2015 há um crescimento exponencial da violência no campo. “Eu analisei o período de 2015 a 2017 como um período de ruptura política, e ao compará-lo aos anteriores, cheguei à média de homicídios de 60,6. Entre os anos de 2011 a 2014, durante o governo Dilma, a média foi de 33,7. Portanto, estamos em um momento muito mais violento”.
Para a subprocuradora da República, Débora Duprat, “a ruptura do pacto constituinte de 2015, com a ascensão do governo Temer já iniciou suas ações levando as questões agrárias para a Casa Civil, tirando a expertise de quem sempre trabalhou com esses temas e levando para a esfera política as questões técnicas e específicas do campo. Da mesma forma fizeram com a Funai, colocando em risco o trabalho especializado que se precisa ter com essas questões”.
Para Polliane Barbosa, do acampamento Hugo Chávez, no Pará, despejado em dezembro de 2017, e dirigente nacional do MST no estado, há um aumento das opressões sobre todos trabalhadores brasileiros em geral, sobretudo contra camponesas e camponeses que lutam por terra, água e liberdade. Para ela, os números contidos no relatório da CPT evidenciam a luta que ela e tantos trabalhadores e trabalhadoras vivem em seu dia a dia no Brasil. “São dados que quantificam uma realidade concreta da qual trabalhadores do campo tem sofrido no nosso país. Eles partem da concretude da luta por terra!”.
Ao analisar os dados de violência, Antônio Canuto, membro fundador da CPT, destacou que é possível identificar que o lado mais “macabro” de 2017 foram os massacres. Do total de mortos, 31 pessoas morreram em cinco massacres pelo país. 71 assassinatos foi o maior número registrado desde 2003, quando se computaram 73 vítimas. “É 16,4% maior que em 2016, quando houve o registro de 61 assassinatos, praticamente o dobro de 2014, que registrou 36 vítimas”, apontou Canuto.
Fonte: CNBB, CPT e IHU

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Jornais escondem Lula e o Papa Francisco

Manchetômetro: o dia em que os jornais quiseram esconder Lula e o papa Francisco

Em ações coincidentes, Folha, Estadão e O Globo deram espaço reduzido a fatos relevantes envolvendo figuras de notória popularidade no Brasil e no mundo
por Rede Brasil Atual 
REPRODUÇÃO/LE MONDE/FOLHA
Lula e Papa Francisco
Lula, capa na França, some dos jornais brasileiros e crítica do papa à mídia é retratada como "confusão" pela Folha
São Paulo – Pesquisadores do Manchetômetro – observatório dos meios de comunicação do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj – publicaram artigo nesta quarta-feira (6) com uma análise do comportamento dos três principais jornais do país – Folha, Estadão e O Globo –, que trataram de esconder dos seus leitores fatos com "óbvio potencial noticioso" envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Francisco.
No dia 17 de maio, o Le Monde, maior jornal francês, publicou carta assinada por Lula na qual o ex-presidente explicita os motivos de sua candidatura e denuncia "campanha sistemática" de difamação promovida pelos principais meios de comunicação contra ele e o PT.
No mesmo dia, em missa realizada no Vaticano, o papa Francisco criticou intrigas promovidas pela mídia e ações da Justiça que culminam em golpes de Estado, sem tratar de um caso específico. 
Para o Manchetômetro, além de serem figuras "de inconteste popularidade", os eventos relacionados a Lula e ao papa são "sensíveis" para a mídia brasileira por razões objetivas: "o primeiro por dar a Lula um espaço bem diverso daquele que a grande imprensa nacional lhe vem dando, e o segundo, por ser uma crítica frontal à própria atuação da mídia". Ainda assim, O texto de Lula e a mensagem do papa foram praticamente ignorados pelos jornais brasileiros.
"A despeito deste importante jornal francês ser frequentemente citado na mídia brasileira, o texto de Lula, outro personagem onipresente nas páginas de nossa imprensa, foi praticamente ignorado", apontam os pesquisadores Juliana Gagliardi e João Feres Junior.
Já sobre as declarações do líder da Igreja Católica, a Folha online publicou matéria e ilustrou com uma foto do pontífice com o rosto encoberto pela sua roupa erguida pelo vento. "A imagem sugere confusão ou mesmo vergonha, e tem o claro intuito de desqualificar os argumentos de Francisco", anotam os integrantes do Manchetômetro.
Dias antes, O Globo havia "conferido grande autoridade" ao Le Monde, com matéria na qual o ex-editor do jornal francês anunciava riscos à liberdade de informação. Em 2014, o portal G1– também pertencente à Globo – dava matéria com o título "Papa tem rosto coberto após vento forte no Vaticano".
Os pesquisadores destacam a contradição. "Ainda que o papa Francisco seja um personagem de absoluta relevância, a ponto do vento em sua roupa ter merecido espaço anos antes no portal G1, O Globo não fez nenhuma menção à homilia do dia 17 e a sua crítica à mídia."
Ao final, os pesquisadores do Manchetômetro criticam os critérios jornalísticos adotados pelos para atribuir ou sonegar valor noticioso a fatos determinados, e a maneira articulada com que os principais jornais fazem isso. Eles dizem que, no Brasil, ações desse tipo são ainda mais graves devido ao nível de concentração da imprensa, e defendem a necessidade da democratização dos meios de comunicação.
"Vemos aqui duas evidências claras de agendamento, ou seja, da prática de escolher, de acordo com interesses corporativos ou políticos, as matérias que são e as que não são publicadas, mesmo quando seu potencial noticioso seja óbvio. Do ponto de vista da saúde do debate público em nosso pais o problema é mais grave, contudo."

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Lesa pátria, por Décio Lima



Por Décio Loma
Brasil 247

LESA-PÁTRIA

E, mesmo diante da comoção nacional frente à política de preços, expressa na chamada greve dos caminhoneiros, apoiada por gritante maioria da população, o Presidente da Petrobrás determinou um novo aumento no preço da gasolina; Não estão nem aí para a opinião pública, querem apenas os aplausos da plutocracia financeira

Consta em um dicionário (dicionarioinformal.com.br), resumidamente, que crime de lesa-pátria é "qualquer aliança política, traiçoeira, que causa prejuízos ao país ..."
Analisando os termos essenciais dessa definição, é lícito deduzir o seguinte: aliança (MDB, PSDB, DEM e demais componentes do golpe), traição (o que o Temer e comparsas fizeram com a Dilma), prejuízos ao país (quase tudo que o governo golpista tem feito contra o povo brasileiro).
Focando somente a gestão da Petrobrás encontraremos um festival de absurdos, mais que suficiente para a comprovação de grande parte dos prejuízos impostos à nação. Exemplo ululante: no ano passado exportaram 328,2 milhões de barris de petróleo bruto e importaram 25,4 milhões de barris de gasolina e 82,2 milhões de barris de diesel, ou seja, exportaram matéria prima e importaram produtos industrializados, deixando nossas refinarias ociosas (operam atualmente com apenas 31,9% da sua capacidade).

Além dos custos da ociosidade das nossas refinarias, acrescente-se que estamos pagando US$ 730 milhões anuais pelo refino de nosso óleo no exterior. Fora o desemprego e a entrega de ativos da Petrobrás a preço irrisório. Na prática enquanto assistimos o sucateamento das nossas empresas, observamos a absorção da capacidade ociosa dos nossos concorrentes. Isso é "privatização branca", é crime de lesa-pátria.
Contudo, tem muito mais. O Conselho de Administração da Petrobras, sem levar em conta o impacto do preço do petróleo e derivados na economia e indiferente aos reclamos da imensa maioria do povo, insiste em manter a política que se alinha com a volatilidade do mercado internacional.
E, mesmo diante da comoção nacional frente à política de preços, expressa na chamada greve dos caminhoneiros, apoiada por gritante maioria da população, o Presidente da Petrobrás determinou um novo aumento no preço da gasolina. Não estão nem aí para a opinião pública, querem apenas os aplausos da plutocracia financeira.
Para acabar com a greve o governo fez algumas concessões aos movimentos, entre as quais o desconto de 46 centavos por litro de diesel, contudo, em total afronta ao superior interesse público, em outro flagrante de lesa-pátria, os golpistas decidiram compensar a Petrobras (ou melhor, os seus acionistas) mediante indenização dos valores relativos ao desconto no diesel. E, pasmem, para viabilizar essa manobra pretendem retirar recursos já combalidos da saúde, educação, segurança pública, reforma agrária, das políticas para juventude e mulheres, entre outras áreas vitais para a diminuição da desigualdade social.
Como se não bastasse, outra frente, sem alardes, sem divulgação na mídia e portanto despercebido pela maioria da população, o Ministério das Minas e Energia efetivou uma consulta pública relâmpago (por duas semanas, entre meados de abril e começo de maio) onde propôs novas diretrizes para a exploração e produção do petróleo e gás. Fizeram-na de forma sorrateira porque a minuta do texto beneficia claramente as operadoras estrangeira.

Em editorial, publicado em seu site, a FUP denunciou: "a proposta do governo escancara as reservas de petróleo, principalmente as do Pré-Sal, para as empresas estrangeiras. Fixa um planejamento de leilões até 2019, quando nenhum país estabelece leilão plurianual, pois ninguém sabe o que acontecerá com o setor no dia seguinte. Fazer isso com patrimônio público, sem ao menos submeter a proposta a uma audiência pública, é inaceitável". É importante acrescentar que, sem mecanismos de proteção, os grupos privados se apropriarão de tecnologias já desenvolvidas pela Petrobrás.
Com o levante popular um dos criminosos já se foi, falta agora a renúncia do títere maior. Fora Temer! Eleições livres e diretas!

sábado, 2 de junho de 2018

Legado de Parente: desastre para a Petrobrás


Do site da Federação Única dos Petroleiros (FUP):

Desde que o nome de Pedro Parente foi cogitado para assumir a presidência da Petrobrás, a FUP se posicionou, alertando a sociedade brasileira para os riscos da empresa passar a ser administrada pelo mercado financeiro e não mais pelo Estado. Em carta aos acionistas e ao Conselho de Administração, os petroleiros deixaram claro que o passado de improbidades de Pedro Parente como gestor público não o qualificava para o cargo e denunciaram o Teste de Integridade ao qual foi submetido.

Dito e feito. Parente assumiu a Petrobrás desdenhando do Pré-Sal, principal ativo da companhia. Logo em seguida, passou a defender enfaticamente o projeto de lei do senador José Serra (PSDB) para abrir a operação do Pré-Sal para outras petrolíferas, acabando com a exclusividade da Petrobrás e sua participação mínima de 30% nos consórcios.

Arrotou para o mercado que não admitiria indicações políticas na empresa, mas já chegou rodeado de apadrinhados. Passou a gerir a Petrobrás com a ajuda de executivos da concorrência, que ganharam acesso livre às informações estratégicas da companhia, enquanto os trabalhadores eram submetidos a medidas policialescas.

O desmonte só estava começando. Pedro Parente assumiu pessoalmente o Plano de Negócios e Gestão 2017-2021, reduziu drasticamente os investimentos da Petrobrás e iniciou a maior privatização da história da empresa.

Em outubro de 2016, Parente anunciou ao mercado a nova política de reajustes dos derivados nas refinarias, estabelecendo a paridade de preços com o mercado internacional, sem qualquer mecanismo de proteção para o consumidor. A FUP denunciou que quem pagaria a conta seria o povo brasileiro e que o País estaria refém das crises internacionais de petróleo.

Não satisfeito, Pedro Parente assumiu o compromisso com “a não garantia integral do abastecimento do mercado brasileiro por entender que, em sua lógica de negócios, há a previsão do ingresso de mais agentes para o atendimento total da demanda”, como revela o estudo do Ministério de Minas e Energia, Combustível Brasil.

A redução das cargas das refinarias, a reestruturação dos efetivos de trabalhadores e a entrada em massa no País das importadoras de combustíveis davam as pistas do que estava por vir: o projeto de privatização do parque de refino e da logística de distribuição de derivados.

As digitais de Pedro Parente estão também entranhadas no processo de desindustrialização, agravado pelo fim da política de conteúdo local, uma das mais perversas ações deste governo. Ele atuou diretamente para reduzir a pó a indústria naval brasileira, ao passar a encomendar no exterior as plataformas e equipamentos dos campos do Pré-Sal.

Enquanto o mercado aplaudia o esfacelamento da Petrobrás como medida necessária para reduzir a dívida da empresa, Parente em troca beneficiava o sistema financeiro, que recebeu cerca de R$ 250 bilhões nesses dois anos em que esteve à frente da empresa. Garantiu também mais de R$ 11 bilhões aos fundos abutres norte-americanos, que se refastelaram com o acordo que ele costurou pessoalmente.

Esse é o legado desastroso da gestão Pedro Parente, que a FUP e seus sindicatos vêm denunciando desde 2016. Por isso, a greve dos petroleiros para baixar os preços do gás de cozinha e dos derivados teve como um dos eixos principais sua saída do comando da Petrobrás e mudanças estruturais na gestão da empresa.

Essa luta só está começando. Que fique claro para os próximos gestores que o principal acionista da Petrobrás é o povo brasileiro e não o mercado.