domingo, 9 de julho de 2017

A sociedade brasileira há de cobrar do setor privado a faxina que exige de instituições e figuras públicas

O adiantado estado de decomposição do sistema político brasileiro, escancarado em cadeia nacional nos últimos anos, se condena agentes públicos, não livra entes privados.
..."um sistema político cuja dinâmica é moldada para garantir os interesses das grandes empresas e falha na promoção do bem comum”.

O Globo

Foi-se o tempo






Flavia Oliveira, colunista.
Flavia Oliveira, colunista.

O adiantado estado de decomposição do sistema político brasileiro, escancarado em cadeia nacional nos últimos anos, se condena agentes públicos, não livra entes privados. Gigantes empresariais incluídos na lista dos 500 maiores do país estão envolvidos na Operação Lava Jato, escândalo de escala planetária que apequenou o Brasil — aqui e lá fora. 

As investigações do esquema de corrupção alcançaram a Petrobras, orgulho nacional; as maiores empreiteiras, Odebrecht à frente; a JBS, potência do agronegócio; estão nas bordas do setor financeiro. No Rio de Janeiro, envolveram construtoras, concessionárias, joalherias e, nos últimos dias, adentraram o setor de transportes, com a prisão de Jacob Barata Filho, empresário de ônibus, e Lélis Teixeira, número um da Fetranspor. A descoberta das fraudes feriu a democracia, mas também um modelo de atuação que o mundo corporativo brasileiro precisa enterrar.

A Fundação Cidadania Inteligente, nascida no Chile em 2009 para promover a participação cidadã e fortalecer democracias latino-americanas, mapeou o dinheiro envolvido nas relações entre 16 empreiteiras citadas na Lava-Jato e o poder público num estudo batizado de “A teia e a trama”. 

Os pesquisadores tomaram por base empréstimos concedidos pelo BNDES às empresas de 2006 a 2014, contratos celebrados entre a Petrobras e as companhias, doações oficiais a partidos nas eleições de 2014 e multas estabelecidas nos acordos de leniência. 

A representação gráfica da circulação dos recursos mostra o papel central das grandes empresas nacionais na crise política. 
Diz o estudo:
“Basta olhar para os altos valores e a abrangência de partidos (28 ao todo) que tiveram campanhas financiadas por empresas envolvidas nas denúncias da Lava-Jato e como estas mesmas empresas foram diretamente beneficiadas por altos financiamentos públicos e favorecimento em contratos com o Estado. Cada relação estabelecida parece aumentar a sensação de que se trata de um sistema político cuja dinâmica é moldada para garantir os interesses das grandes empresas e falha na promoção do bem comum”.

Na segunda quinzena de maio, após vir a público a delação de Joesley Batista, que deu início à agonia do governo Michel Temer, o Instituto Ethos defendeu em nota oficial a realização de eleições diretas para “trazer a estabilidade necessária para o país retomar o caminho do desenvolvimento em bases íntegras e éticas”. Tratou da política. Faltou falar da economia. 

Se, de um lado, há líderes políticos e indivíduos em funções públicas maculando as posições que ocupam, de outro há empresários e executivos fazendo girar a roda da corrupção em troca de benesses. Atentam contra a sociedade como um todo e são desleais com seus pares. Atuam em desacordo com o que há de moderno e íntegro em termos de gestão. Conselhos profissionais e entidades empresariais de peso, como CNI, CNA, Fiesp e Firjan, costumam cobrar ética do Executivo e do Legislativo, mas pouco ou quase nada falam sobre executivos e companhias cúmplices dos crimes.

Transparência, ética, responsabilidade socioambiental — reputação, enfim — são atributos exigidos das corporações na economia moderna. Chegam aos estertores os alimentos industrializados apinhados de sódio, gordura trans, açúcar. Não cai bem a moda barata à custa do trabalho degradante, análogo à escravidão, de homens, mulheres, crianças. É imperdoável aumentar a produção agropecuária derrubando floresta nativa e massacrando povos indígenas. 

Não é boa ideia apoiar competições esportivas organizadas por entidades tomadas pelo autoritarismo e pela corrupção. Foi-se o tempo em que eficiência e competitividade podiam ser trocadas por propina. A sociedade há de cobrar do setor privado a faxina que exige de instituições e figuras públicas.

sábado, 8 de julho de 2017

Situação de Maia é igual ou pior que a de Temer

Eduardo Guimarães
Blog da Cidadania

fora maia
A esta altura, Michel Temer deve estar perplexo com a justiça poética que está sendo feita tão rapidamente após ele praticar uma traição miserável contra Dilma Rousseff. Não que ele não saiba que não há honra entre ladrões; deve estar surpreso com a velocidade com que as coisas estão acontecendo.
Tenho para mim que os golpistas nunca entenderam nada. Michel Temer chegou à Presidência todo pimpão, achando que iria abafar por ter casado com a menina com idade para ser sua neta.
Não tem senso de ridículo, não tem autocensura, não tem noção, enfim…
Mas o pior de tudo é que subestimou a enormidade que é presidir uma ditadura sem ter por trás de si um exército muito fiel e armado até os dentes.
Os golpistas sentiram-se incrivelmente poderosos. Acharam que por derrubarem o quarto governo popular petista consecutivo e por se disporem a tirar dos brasileiros tudo que esses governos deram ao longo de mais de uma década, estariam imunes a qualquer abuso que praticassem ou que já praticaram.
Eles não entenderam nada. Vivemos na era da informação e da comunicação. Ditadura sem censura não funciona, tem vida curta. É por isso que a primeira coisa que faz toda ditadura é acabar com a liberdade de expressão.
Temer bem que tentou. Ensejou processos, intimidações de jornalistas etc. Estabeleceu uma relação de cumplicidade com a República de Curitiba sem se dar conta que ela não pode usar sua moral seletiva para proteger quem tem foro privilegiado.
E não imaginava que Teori Zavaski levaria a sério essa coisa de “a lei é para todos”.
O país que Temer pensou estar governando era um país conformado em impor a lei somente para os quatro pês – preto, pobre, puta e petista. Ocorre que, mesmo que tentem materializar esse país, há muita gente que discorda… Muita gente!
Temer vai cair? Se depender do Temer de Temer, vai. Todo traidor será traído, dizem. Essa é uma lógica inquebrantável. O mundo dos ladrões desonrados é um mundo fétido, gelado, insalubre. O perigo espreita a cada curva da estrada desse tipo de vida.
Segundo o jornal Valor Econômico, “O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passou a conversar mais com o mercado financeiro desde o agravamento da crise política, num movimento visto por analistas, economistas e agentes com quem se reuniu como uma tentativa de mostrar que, caso o presidente Michel Temer seja afastado, estaria preparado para assumir a função (…)”
A situação é mais feia do que parece. Publicamente, Temer e Maia trocam elogios e juram fidelidade, mas os entendimentos entre o provável novo presidente e o patrocinador do golpe, o “mercado”, têm que ser feitos. Isso não dá para disfarçar ou postergar. Trocar o comando de um transatlântico como o Brasil não é tão simples.
O resultado é o espetáculo patético que estamos assistindo, no qual Temer e Maia fingem que acreditam no que dizem sobre “lealdade”, a qual não param de jurar devotar um ao outro.
Enquanto um acaba de cometer uma das maiores deslealdades que este país já viu – trabalhar para derrubar a companheira de chapa na eleição de 2014 –, o outro participa de uma explosão de reuniões com agentes econômicos noticiadas publicamente e realizadas de chofre (de repente) sem maiores explicações.
O senador tucano da Paraíba Cassio Cunha Lima previu que Temer cairia em 15 dias. As razões? O presidente não conseguirá tocar as reformas (anti) trabalhista e da Previdência porque o Congresso terá medo de se identificar com ele votando consigo matérias que propôs e que são imensamente impopulares.
Tampouco existe a possibilidade de fazer uma votação secreta de reformas que extirpam direitos dos trabalhadores (que somos todos nós). Então, deputados e senadores teriam que votar medidas que empobrecerão um país inteiro sob as ordens de um presidente comprovadamente corrupto e absurdamente impopular.
Cada parlamentar que votar as reformas pelas quais o “mercado” lhe pagou – ou prometeu pagar – para votar, e que fizer isso sob a batuta de Temer, estará eleitoralmente perdido. Se for medida proposta por um “novo” governo seria menos ruim – é o que pensam os bandoleiros da maioria de direita que cometeu crime de lesa-pátria ao derrubar Dilma sem razões legais.
Eles não entenderam nada. 353 golpistas da Câmara, mais 61 do Senado nunca entenderam nada. Acham que vão causar o maior e mais rápido empobrecimento coletivo da história e sairão à francesa disso, e ainda aplaudidos.
Ou acham que vão curtir seus milhões de propina paga pelo “mercado” para empobrecerem uma nação e dane-se o resto.
Agora, o plano B é Rodrigo Maia.
É mesmo? Será que vão conseguir ferrar 200 milhões de brasileiros usando um poodle de  madame em lugar de um vampiro?
Vejamos…
Cinco delatores relataram em abril elos de Rodrigo Maia com setor de propinas da empreiteira Odebrecht e a Polícia Federal acusou o presidente da Câmara em fevereiro de ter recebido 1 milhão de reais de propina da OAS.
Cinco delatores da Odebrecht revelaram à Procuradoria-Geral da República uma longa rotina de repasses de dinheiro da empreiteira ao presidente da Câmara.
Ao requerer abertura de inquérito contra Maia e seu pai, o procurador da República citou as declarações dos cinco colaboradores – Benedicto Barbosa da Silva Júnior, João Borba Filho, Cláudio Melo Filho, Carlos José Fadigas de Souza Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares.
Os delatores apresentaram à Procuradoria um cronograma constante no sistema ‘Drousys’, instalado no ‘Setor de Propinas’, e apontaram o nome de João Marcos Cavalcanti de Albuquerque, ‘assessor do deputado federal Rodrigo Maia, como intermediário das operações’.
Na avaliação de Janot, o presidente da Câmara teria praticado os crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.
Além disso, a Polícia Federal concluiu investigação sobre Rodrigo Maia no âmbito da Operação Lava Jato, e apontou indícios de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro. A investigação da PF teve origem em mensagens de celular entre Maia e o empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.
Segundo o inquérito da PF, em troca de propina de R$ 1 milhão, o parlamentar teria defendido interesses da empreiteira no Congresso, entre 2013 e 2014, como apresentar uma emenda à uma Medida Provisória que definia regras para a aviação regional, em benefício da construtora.
Alguns dirão que a situação de Maia é menos feia porque (ainda) não existem áudios e vídeos comprovando seus crimes, como no caso de Temer. Porém, ele chegaria – ou chegará – ao poder em situação extremamente mais desfavorável que o atual presidente da República.
Temer assumiu em meio a uma festa da direita brasileira. Mídia, “mercado”, a maioria esmagadora do Legislativo, a Polícia Federal, o Ministério Público, o Judiciário, todos exultantes com o grande feito de derrubarem – ou deixarem derrubar – Dilma Rousseff por meios fraudulentos.
Na verdade, derrubar Dilma por esses meios parecia agradar especialmente os golpistas unidos, como se dissessem: “Tivemos poder para derrubá-la sem razão nenhuma. Somos superpoderosos”.
Com o tempo, o golpismo foi se dividindo na medida em que o povo começou a acordar e percebeu que era balela aquela história de “vamos tirar Dilma e tudo se resolverá por mágica”.
Maia assumiria em uma situação dificílima porque já chegaria como alvo de suspeitas de corrupção. E ao não resolver a situação rapidamente assumirá o ônus do empobrecimento rápido que os brasileiros estão experimentando conforme a crise política que os golpistas causaram não se desfaz.
Os golpistas e os fascistas que ainda os apoiam acham mesmo que os brasileiros vão se conformar em empobrecer e perder direitos após mais de uma década realizando sonhos de uma vida durante os governos de Lula e Dilma. Não sabem que a maioria deixou derrubarem Dilma achando que a direita devolveria ao povo aquilo que quem lhe dera fora o PT.
Maia provavelmente cairá mais rápido do que Temer. O atual presidente é “macaco velho”. Um sobrevivente. Está sempre no poder desde a redemocratização do país, em 1985. Se não durar no cargo nem um ano, o filhote de Cesar Maia não deverá durar nem metade disso. Assim sendo, não percamos tempo: #ForaMaia

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A promoção de uma justiça equânime tem passado longe dos tribunais

O Tempo

DURVAL ÂNGELO

Todos são iguais perante a lei… Será?

Para que servem as leis? A questão tem atravessado reflexões sobre o atual cenário político brasileiro, que, numa triste anomalia, sofre uma judicialização, enquanto na outra ponta ocorre a politização do Judiciário. A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de negar a prisão do senador Aécio Neves (PSDB) e lhe devolver o mandato não deixa margem para dúvidas: a promoção de uma justiça equânime tem passado longe das raias dos tribunais. Muitos são os exemplos, mas vamos nos ater a somente um.

Aécio Neves foi pego “com a calça na mão”, ao ter gravada uma conversa com o empresário corrupto Joesley Batista, na qual solicitava uma ajuda de R$ 2 milhões. O áudio, segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), comprova pedido de propina, cujo pagamento ao primo do senador foi filmado pela Polícia Federal. Denunciado por obstrução da Justiça e corrupção, o parlamentar é acusado ainda de pressionar para a saída do ministro da Justiça e a aprovação pelo Congresso de medidas que o beneficiariam.

Se as provas robustas foram insuficientes contra o tucano, não foi o que ocorreu em 2015, quando foi preso o então senador do PT Delcídio do Amaral. Acusado de obstruir as investigações da Lava Jato, ele teve a prisão determinada pelo ministro do STF Teori Zavascki. Também Delcídio tivera gravada uma conversa com o filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Para a prisão, fora necessária a autorização do Senado, que no mesmo dia concedeu o aval e iniciou o processo disciplinar que levaria à cassação do petista.

Afirma nossa Constituição Federal que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. As evidências, no entanto, demonstram que alguns são “mais iguais” do que outros. No caso de Aécio, o Supremo não somente negou a prisão e o reconduziu ao Congresso, como atestou sua “carreira elogiável”, nas palavras do ministro Marco Aurélio Mello. Por sua vez, o Senado – em decisão do presidente do Conselho de Ética, João Alberto (PMDB) – arquivou o pedido de cassação contra ele.

Impossível não lembrar outras decisões, como a absolvição, por Sergio Moro, de Cláudia Cunha, esposa de Eduardo Cunha – a que desconhecia a origem dos milhões que “torrava”. Enquanto isso, diariamente, pessoas humildes são condenadas neste país e mofam em verdadeiras masmorras por roubar chiclete, desodorante, ovo de Páscoa ou comida.

Outra face dessa aberração é a postura hipócrita e discriminatória de parte da sociedade, que defende a malfadada “meritocracia” contra políticas de promoção e justiça social. Enquanto isso, o governo ilegítimo, para atender as elites, extingue direitos dos trabalhadores e promove o desmonte de programas voltados à população de baixa renda. Trata-se do outro lado de uma mesma moeda, a comprovar o que, já no século XIX, constatava o célebre escritor francês Anatole France: “Enquanto a sociedade for fundada na injustiça, as leis terão por função defender e sustentar a injustiça

quarta-feira, 5 de julho de 2017

A reforma trabalhista é um verdadeiro Cavalo de Tróia, por Paulo Paim


Presente de Grego
Paulo Paim*
Jornal do Brasil

Inacreditavelmente o Senado abdicou do seu dever de legislar, de ser a casa revisora, ao aceitar calado que o PLC 38/2017 que trata da reforma trabalhista não tenha nenhuma modificação. A proposta oriunda da Câmara será votada no plenário na próxima terça, dia 11. A história e as urnas hão de cobrar um preço altíssimo dos senadores e dos deputados.
A reforma trabalhista foi minuciosamente arquitetada pela elite dos 5% mais ricos e poderosos do Brasil com o único objetivo de facilitar o aumento dos lucros do grande empresariado, à custa da retirada de direitos e conquistas sociais e trabalhistas que foram alcançadas com o suor do povo brasileiro durante décadas e décadas.
Conforme “Dossiê Reforma Trabalhista”, da UNICAMP, vários argumentos da reforma constam em textos de entidades patronais, como a CNI e CNA, formulados entre 2012 e 2016. Boa parte desses escritos também foram assimilados pelo governo no documento “Uma ponte para o futuro”.    
O alvo principal é a destruição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), através da flexibilização e modificação de mais de 100 artigos. O núcleo destrutivo da reforma baseia-se na prevalência do negociado acima do legislado, ou seja, o que está garantido na lei fica em segundo plano. Vale o que os patrões decidirem. 
Direitos como jornada de trabalho mínima, piso salarial, férias, 13º salário, auxílio-alimentação, fundo de garantia, horário de almoço, entre outros, não estarão garantidos como acontece hoje. O trabalhador será obrigado a assinar acordo por medo de ficar desempregado. Essa é realidade que o governo federal está encobrindo.
Já a terceirização, inclusive a da atividade fim, de todos os setores de uma empresa, é um dos pontos mais cruéis dessa reforma. Estudo do Sindicato dos Auditores Fiscais do Trabalho aponta que o salário dos trabalhadores terceirizados é de 30% a 40% inferior ao dos trabalhadores não terceirizados.
É mais do que evidente que o governo federal não tem nenhum compromisso com os trabalhadores e com os aposentados do país. As presentes e futuras gerações sofrerão na carne a vilania desses infames que só pensam no lucro e no poder. Nem a ditadura militar teve a ousadia de fazer tamanha maldade.
É extremamente importante que todos façam pressão nos senadores (são três por estado), telefonem para os gabinetes e escritórios, enviem e-mails, usem as redes sociais, falem com seus amigos e vizinhos e façam uma grande corrente de informação. Como diz a canção: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
A reforma trabalhista é um verdadeiro Cavalo de Tróia que o srº Temer está metendo goela abaixo dos brasileiros...Um presente de grego moderno e submisso ao setor financeiro e ao grande capital. Os senadores que votarem a favor dessa reforma estarão se omitindo frente aos reais problemas do nosso país. 
* Senador pelo Partido dos Trabalhadores

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Cresce o apoio da população a ideias identificadas com a esquerda do espectro político

O jornalista Eduardo Guimarães vem dizendo há muito tempo, basta deixar que a direita governe que ela mesma tratará de se afundar politicamente

Blog da Cidadania

Pesquisa sugere que apoio a Lula deve disparar em 2018

Eduardo Guimarães

lula 2018

Em 17 de abril de 2016, enquanto o Senado Federal se preparava para consumar o golpe parlamentar que cassou Dilma Rousseff, este Blog anteviu o que resultaria daquele ato insensato, antidemocrático e literalmente criminoso. Abaixo, trecho do post Golpistas vão perder seja qual for o resultado dessa votação infame:
“(…) O que os golpistas esquecem é que o eleitorado majoritário que está eventualmente posicionado contra Dilma espera que tudo se resolva por milagre no exato momento em que ela deixar o poder.
Só um imbecil acredita que, com o país convulsionado, a economia vai se consertar assim. Quando o povo descobrir que lhe venderam uma mentira, ficará furioso, sobretudo porque a queda de Dilma se fará acompanhar de retirada de direitos.
Por fim, a saída de Dilma dará discurso a Lula e ao PT. E como Lula ainda é extremamente popular mesmo com toda artilharia que vem sofrendo, sua candidatura para 2018 será fortíssima, com ou sem golpe (…)”
Como este Blog vem dizendo há muito tempo, basta deixar que a direita governe que ela mesma tratará de se afundar politicamente. Foi previsto aqui que isso ocorreria simplesmente porque, em 11 dos 13 anos de governos petistas, o salário aumentou todo mês e a pobreza, a desigualdade e o desemprego caíram todo mês.
Nesse aspecto, o período que vai de abril de 2016 até agora operou importante mudança na mentalidade dos brasileiros. E as razões são as seguintes:
1 – A maioria do povo descobriu que era mentira da mídia, dos movimentos de rua de direita e dos partidos políticos sócios do golpe que bastava tirar Dilma da Presidência que tudo se resolveria.
2 – A maioria do povo descobriu que os maiores acusadores do PT, os tucanos, não apenas são hipócritas como autores de muita roubalheira.
3 – A maioria do povo descobriu que a perseguição contra Lula empreendida por Sergio Moro e o Ministério Público Federal objetiva apenas impedi-lo de devolver justiça social aos brasileiros, razão pela qual, segundo o Datafolha, o PT já começa a crescer e a recuperar a popularidade perdida e Lula está cada vez mais forte e menos rejeitado.
4 – A maioria do povo descobriu que há uma guerra dos ricos brasileiros contra os pobres e crê que estão usando o poder usurpado pela direita para retirar direitos sociais e trabalhistas históricos.  O povo percebe que Temer é uma espécie de Robin Hood com sinal trocado.
Até um tempo atrás tudo isso era apenas uma previsão, uma percepção. Agora, porém, pesquisa Datafolha realizada entre os dias 21 e 23 de junho com 2.771 pessoas de todas as regiões do Brasil confirma o que se intuía.
A pesquisa relata que “Cresce apoio a ideias próximas à esquerda” no Brasil.
O Datafolha mostra que cresceu o apoio da população a ideias identificadas com a esquerda do espectro político e esse apoio agora sobrepujou o avanço das ideias de direita que, segundo o instituto de pesquisas, explodiu em 2013.
Essas premissas acabam de ser confirmadas por pesquisa Datafolha que mede a inclinação ideológica no país. As perguntas elaboradas buscam demarcar as diferenças entre convicções associadas à direita e à esquerda, em temas econômicos e comportamentais.
Com base nas respostas, os eleitores são agrupados em uma das cinco posições da escala ideológica (esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e direita).
O gráfico do Datafolha divulgado na pesquisa e reproduzido abaixo mostra a disparada das opiniões de direita entre 2013 e o dia do fechamento da pesquisa em 23 de junho de 2017.
datafolha 1
Na comparação com o levantamento anterior do Datafolha, feito em setembro de 2014, nota-se uma maior sensibilização do brasileiro a questões que envolvem a igualdade, possível reflexo da crise econômica e do alto desemprego que atingem o Brasil.
Subiu, por exemplo, de 58% para 77% a parcela que acredita que a pobreza está relacionada à falta de oportunidades iguais para todos. Já a que crê que a pobreza é fruto da preguiça para trabalhar caiu de 37% para 21%.
Essa notícia é extraordinária e arrasadora para uma direita insana que, para derrubar Dilma, contou com o apoio de uma maioria esmagadora e pobre da população que só tem a perder com o golpe e com as reformas neoliberais de Temer e do PSDB e que, agora, está descobrindo que ao apoiar o golpe jogou contra si mesma.
Na mesma edição da Folha, análise do diretor do Datafolha, Mauro Paulino, explica por que Lula e Bolsonaro vêm crescendo tanto nas pesquisas.
Segundo Paulino, a população voltou a se dividir em duas correntes simétricas, 41% à esquerda, 40% à direita e 20% no centro, a exemplo do que se observava em 2013, após as manifestações de junho.
A agenda antissocial de um governo impopular que vem se dedicando a reformas em setores nevrálgicos e se vê envolto em denúncias da Lava Jato se reflete na opinião pública sob a forma de ameaças a direitos conquistados, diz o diretor do Datafolha.
Ele ainda afirma que se valoriza o papel do Estado como agente facilitador para o desenvolvimento econômico e para socorrer empresas nacionais. E que a tal “meritocracia”, tão presente no debate de 2014, está sendo colocada em xeque no ambiente de crise e desemprego crescentes.
Diante disso, Paulino afirma que, agora, “parte da população volta a ficar sensível ao discurso de inclusão do petismo, o que explica o crescimento de preferência pelo partido e a liderança de Lula nas pesquisas”.
E para explicar a disparada de Lula nas pesquisas desde que foi levado à força para depor no ano passado, a opinião praticamente unânime entre os eleitores de esquerda e de direita é a de que, no Brasil, a Justiça trata os ricos melhor dos que os pobres.
Ora, ao ver que só petistas se dão mal na Justiça enquanto que direitistas como os ex-presidentes do PSDB Aécio Neves e Eduardo Azeredo são tratados como reis, o povo começa a perceber que os petistas é que estão ao seu lado.
A pesquisa ainda afirma que o único político que cresce ao lado de Lula é Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e que isso ocorre porque ele vende o discurso de extermínio de “bandidos” como solução para uma criminalidade que ainda vai crescer até a eleição do ano que vem devido ao caos social e econômico.
Contudo, Bolsonaro tem um limitador importante. A população pobre, que é majoritária no país, é vítima da truculência de uma polícia preconceituosa que atira primeiro e pergunta depois se a pessoa for negra e pobre. O apoio de Bolsonaro aumenta entre os mais ricos, que estão abandonando tucanos, demos e afins pelo ex-militar defensor da ditadura.
Sergio Moro certamente irá condenar Lula proximamente. Não condenou ainda porque está assustado com a reversão de suas condenações pela segunda instância. Já percebeu que se condenar Lula com base apenas nas delações terá sua sentença reformada pelo TRF4.
Contudo, Moro não tem alternativa. A melhor oportunidade de condenar Lula é na questão do tríplex, na qual os investimentos da mídia, dos tucanos e da Lava Jato foram gigantescos. Se absolver o ex-presidente, ficará desmoralizado.
Moro não sabe o que fazer. Se condenar Lula só com os indícios fracos que tem, ele não só será absolvido em segunda instância como crescerá ainda mais rápido nas pesquisas. A sentença que Moro dará sobre Lula nos próximos dias o tornará candidato imbatível em 2018. Condena Lula de uma vez, Moro! Você vai elegê-lo para um terceiro mandato.

sábado, 1 de julho de 2017

A justiça (?) Seletiva: Os crimes dos da Casa Grande foram sempre acobertados."

É UM ESCÁRNIO:

"Sentença de notável Ministro do STF ao permitir que um EXCEPCIONAL político brasileiro retome o mandato no SERENÍSSIMO Senado da República, é um escárnio. É também uma pérola do pensamento da elite burguesa tradicional do Brasil. Quando a burguesia (incluindo parte do judiciário, uma casta de príncipes) se coloca diante de seus pares, tratam os iguais a si qualificando-os como "gente de bem". Os da Casa Grande sempre trataram os das outras Casas Grandes como os respeitáveis. De resto aos outros, que não são iguais a eles, consideraram sempre e ainda consideram como senzala, gentinha, gente de segunda, por si perigosa e indolente. Os crimes dos da Casa Grande foram sempre acobertados."
 Leiam a sentença:
“O agravante é brasileiro nato, chefe de família, com carreira política elogiável – deputado Federal por quatro vezes, ex-presidente da Câmara dos Deputados, Governador de Minas Gerais em dois mandatos consecutivos, o segundo colocado nas eleições à Presidência da República de 2014 – ditas fraudadas –, com 34.897.211 votos em primeiro turno e 51.041.155 no segundo, e hoje continua sendo, em que pese a liminar implementada, Senador da República, encontrando-se licenciado da Presidência de um dos maiores partidos, o Partido da Social Democracia Brasileira”






No Brasil de hoje, a Justiça reserva a espada para uns e a balança para outros.



“Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a justiça se retira por alguma porta.”

Decisão que favoreceu Aécio confirma justiça de dois pesos e duas medidas. Por Joaquim de Carvalho

Diário do Centro do Mundo




Mandato é coisa séria

O Supremo Tribunal Federal legitimou a queda de uma presidenta eleita com 54 milhões de votos, sem que o Senado apresentasse prova de crime de responsabilidade.
Dizer que pedalada fiscal justifica impeachment é uma piada.
A corte não reconheceu os argumentos da defesa de Dilma Rousseff e agora o ministro Marco Aurélio Mello diz que é preciso respeitar as prerrogativas de quem detém mandato.
“Mandato parlamentar é coisa séria”, observa ele em sua decisão de 16 páginas.
E mandato presidencial?
O que não valeu para a chefe do poder executivo, que conquistou o mandato pela maioria dos eleitores, vale para Aécio Neves, derrotado por Dilma Rousseff.
Diz Marco Aurélio:
“E mais que hora de a Suprema Corte restabelecer o respeito à Constituição, preservando as garantias do mandato parlamentar. Sejam quais forem as denúncias contra o senador mineiro, não cabe ao STF, por seu plenário e, muito menos, por ordem monocrática, afastar um parlamentar do exercício do mandato. Trata-se de perigosíssima criação jurisprudencial, que afeta de forma significativa o equilíbrio e a independência dos Três Poderes. Mandato parlamentar é coisa séria e não se mexe, impunemente, em suas prerrogativas.”
O mínimo de justiça seria agora, para ficar nas palavras de Marco Aurélio, “restabelecer o respeito à Constituição”, e devolver o mandato a Dilma Rousseff.
É na conspiração que resultou no golpe contra a presidência da República em 2016 que se encontra a origem de toda crise.
É na parcialidade da Justiça que se prolonga a crise.
O ex-primeiro-ministro da França François Guizot escreveu, há cerca de 170 anos:
“Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a justiça se retira por alguma porta.”
Sobre a parcialidade da justiça, Rudolf von Ihering, jurista alemão que Paulo Nogueira já citou algumas vezes, disse:
“A justiça sustenta numa das mãos a balança que pesa o Direito, e na outra, a espada de que se serve para o defender. A espada sem a balança é a força brutal; a balança sem a espada é a impotência do Direito”.
No Brasil de hoje, a Justiça reserva a espada para uns e a balança para outros.
É a força brutal.