segunda-feira, 20 de março de 2017

Em grande festa popular, Lula e Dilma inauguram transposição do rio São Francisco



Multidão acompanha inauguração popular da transposição do rio São Francisco


Uma multidão se concentrou o longo do canal do rio Paraíba, perene devido à transposição do São Francisco, para participar da inauguração popular da transposição do rio São Francisco, com a participação dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. 
Lula chegou a mergulhar nas águas do Velho Chico, que chegaram ao sertão da Paraíba. "A matemática é simples. Já provamos no meu mandato que o pobre não é problema. O pobre é a solução", frisou o ex-presidente. "Eu nunca tirei nada de ninguém. E eu quero que o povo nordestino seja tratado com dignidade e respeito", completou.
Idealizada desde o tempo do Império, a obra saiu do papel no governo Lula e foi construída na gestão de Dilma Rousseff.


Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff viajaram para Monteiro-PB ao lado do governador Ricardo Coutinho para a “Inauguração Popular da Transposição do São Francisco” (Fotos: Ricardo Stuckert /Instituto Lula)
Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff viajaram para Monteiro-PB ao lado do governador Ricardo Coutinho para a “Inauguração Popular da Transposição do São Francisco” (Fotos: Ricardo Stuckert /Instituto Lula)
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"Não é possível sobreviver sem esperança. Acabou o tempo de dizer que o Nordeste só tem pobre e analfabeto", destacou Lula.
Dilma: "Obra estava praticamente concluída quando eu saí do governo"
Dilma Rousseff, após uma pausa entre gritos de "Fora, Temer!" da multidão, voltou a chamar a atenção para o "impeachment sem crime de responsabilidade". "Até as pedras deste país sabem que eu nunca cometi nenhum crime, e que eles deram este golpe para tirar os direitos que nós demos durante os nossos governos."
A ex-presidente ressaltou que o governo Lula, quando assumiu o poder em 2003, interrompeu um processo de retirada de direitos e de privatizações, que estaria de volta agora em 2016, com o impeachment, para aumentar a "desigualdade da nossa população. "Quando nós, contra a corrente do mundo, reduzimos a desigualdade, era importante para reduzir a desigualdade do país fazer a transposição das águas do São Francisco."
A hashtag #ComLulaOSertaoVirouMar estava entre os trending topics do Twitter no Brasil.


Em discurso marcado pelas lembranças da seca na infância e do enfrentamento por meio das políticas de seu governo, o ex-presidente criticou o governo Temer e o chamou para briga pelo voto nas ruas
por Redação Rede Brasil Atual
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O ex-presidente Lula e a presidenta deposta, Dilma Rousseff, em festa com a população do interior da Paraíba
São Paulo – Diante da praça lotada pela população de Monteiro, interior da Paraíba, e de cidades vizinhas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta deposta, Dilma Rousseff, comandaram a festa da inauguração popular da transposição do rio São Francisco. Participaram ainda governadores, senadores e outros políticos.
Em discurso emocionado, marcado por lembranças da infância difícil vivida no sertão de Pernambuco, até que mãe, dona Lidu, se mudou para São Paulo para seus oito filhos não morrerem de fome, Lula destacou a importância da obra para a população nordestina. .
O ex-presidente agradeceu políticos como Ciro Gomes, seu ministro da integração nacional, e seu então vice, José de Alencar, pelo apoio ao projeto e por terem enfrentado muita “cara feia” e as dificuldades burocráticas e políticas impostas à obra de construção do canal que leva 3% da vazão do rio São Francisco para beneficiar sobretudo a população mais pobre, que cultiva lavouras de subsistência.
Lula alertou o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), da necessidade de cobrar o governo federal para que construa adutoras e estação de tratamento para as águas. E alfinetou: “O que não pode é deixar fazendeiro pegar toda água só para ele, com bomba. Esse projeto tem função social. O eixo norte está parado desde que essa mulher foi golpeada. É preciso terminar a obra para que o nordestino, se tiver de ir para São Paulo, que seja para passear”.
O ex-presidente mencionou o petista Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, lembrando a criação do ProUni (Programa Universidade para Todos). “Nós não queremos mais ser ajudante de pedreiro, ou pedreiro. Sem querer desmerecer esses profissionais, nós queremos ser engenheiro, queremos ser doutor, ganhar o pão de cada dia com dignidade”.
Lula criticou também o fim de programas como o Ciência sem Fronteiras, que nas suas palavras, permitia exportar estudantes e cientistas, e não só de commodities. E lembrou um passado recente em que os brasileiros eram mais felizes e respeitados em todo o mundo. “Dava orgulho ser brasileiro pela democracia, pela alegria do povo. Hoje quem viaja tem vergonha. Deram golpe numa mulher foi eleita democraticamente."
Sempre fazendo um paralelo entre a vida sofrida do nordestino, marcada pela seca, ele falou da importância da aposentadoria rural para a essa população. E mandou recado para Michel Temer e seus aliados, que comandam a impopular reforma da Previdência: “Se eles não tiverem ouvidos moucos, que escutem o conselho: Só tem uma solução para resolver o problema da Previdência, em vez de cortar o benefício das pessoas. No meu governo, a previdência era superavitária porque criamos emprego, valorizamos o salário mínimo. Esse é o único jeito”, disse, ressaltando que “essa gente não sabe o sofrimento do povo trabalhador”.
E que, apesar de governar o país há 500 anos, e nunca aprenderam a cuidar desse povo. “Aqui tem de ter universidade, indústria, escola técnica, mestres e doutores, crianças de barriga cheia.”
Em referência aos ataques diários e à perseguição que sofre por setores da mídia, reafirmou estar à espera de da denúncia de algum empresário. “Eu aprendi a andar de cabeça erguida nesse país não por arrogância, mas por necessidade de viver. Criem vergonha. Não prejudiquem a população para me prejudicar. Não sei se estarei vivo pra ser candidato, porque está longe para a definição de candidaturas. Mas eu digo que eles torcem para eu não seja candidato para o povo voltar a sonhar por emprego e salário”.
Mencionando novamente a mãe, que segundo ele nunca perdeu a esperança mesmo quando não tinha nada para cozinhar para os filhos, disse ter aprendido com ela a acreditar  em tempos melhores. “Apesar do que eles tentam fazer comigo, e do que fizeram com Dilma, meu recado é que eles vão ter de brigar comigo nas ruas desse país, e nas ruas o povo vai ser o senhor da razão.”

quinta-feira, 16 de março de 2017

O desjornalismo da imprensa brasileira

Dois artigos analisam a cobertura da imprensa em relação as manifestações ocorridas, nesta quarta-feira, em todo o país. O que prevaleceu foi a desinformação, a tentativa de esconder os protestos e a manipulação.

A cobertura das manifestações contra a reforma da previdência em todo o Brasil, principalmente pela Globo e Band, foi ridícula. Não mostraram as ruas tomadas por milhares de trabalhadores. A cobertura da Globonews foi caracterizada pela desinformação.

Grande mídia esconde protestos contra Temer

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Incrível.

Acabo de entrar nas páginas de Globo, Estadão e Folha. Não há NENHUMA referência às grandes manifestações contra Michel Temer e sua reforma da previdência, que ocorreram em todo país, nesta quarta-feira, 15 de março.

A única pauta é Lava Jato.

O que não falta, porém, são anúncios do governo federal… Em todos os jornalões, topei com a publicidade, em formato pop-up, do BNDES.



É curioso ver o BNDES anunciando em jornais que, há anos, fazem campanha para sua destruição.

É uma coisa nojenta. Se você clicar na editoria “Brasil”, da Globo, que tem anúncio do Ministério da Integração Nacional, só vai encontrar matérias sobre a Lava Jato, como se não acontecesse outra coisa no país.

Não há problemas econômicos, desemprego, protestos contra o governo, etc.

O único assunto dos principais meios de comunicação do país, que recebeu bilhões de reais, por ano, de verbas públicas, é uma operação policial que já vai para o seu terceiro ano, e cujo único resultado concreto foi derrubar uma presidenta honesta e encher o novo governo formado de corruptos, inclusive acusados pela própria operação.



Eu estive no ato que foi da Candelária à Central do Brasil. Era enorme, com dezenas de milhares de pessoas (as estimativas variam de 20 a 50 mil) ocupando um grande espaço da avenida presidente vargas.

Era grande e bonita. À diferença de manifestações coxinhas, salpicadas de gente defendendo a ditadura militar e fanáticos por Bolsonaro, essa tinha feministas tocando tambor em defesa dos direitos de todas as mulheres e de todos os brasileiros.

Se as manifestações contra o golpe do ano passado foram grandes, os protestos contra a reforma da previdência e contra o governo Temer prometem ser ainda maiores.

A grande imprensa brasileira, ao esconder os protestos em troca de alguns tostões de publicidade federal, afunda-se junto com esse governo de golpistas e ladrões.

A título de registro histórico, reproduzo abaixo o tratamento que Globo e UOL deram às manifestações de ontem contra a reforma da previdência (e contra Temer):





(Clique nas imagens para acessar a reportagem).

 (...)

Eu fico imaginando a inveja dos políticos da direita brasileira. Em todo lugar que vão, são chamados de golpistas, ladrões e traidores.

Enquanto isso, Lula discursa na Avenida Paulista para 300 mil pessoas.

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O Desjornalismo

Por Gabriel Priolli, no blog Nocaute

Estes dias têm sido particularmente pedagógicos sobre o funcionamento da imprensa brasileira, em sua fase de jornalismo de guerra.

Boas lições são oferecidas nos capítulos da seleção de pautas, angulação do noticiário, tratamento das fontes de informação e respeito à verdade dos fatos.

Desde que a direita e a esquerda dividiram as águas nos movimentos de rua, depois de uma breve confluência nas jornadas de 2013, a mídia corporativa cuidou de esclarecer ao país que existem dois tipos de manifestação.

A dos brasileiros, cidadãos, patriotas, gente de bem, devidamente vestidos nas cores pátrias e orientados pela opinião de direita do rádio e da TV.

E a dos vagabundos, baderneiros, vândalos, agitadores esquerdistas, esses terríveis vermelhos inimigos da Pátria, da Família e da Propriedade, que só sabem fazer greve e atrapalhar o sagrado direito de ir e vir de quem quer trabalhar.

Na quarta-feira, dia 15, centenas de milhares de brasileiros saíram às ruas no país todo contra a reforma da Previdência e, mais uma vez, foram encaixados no Tipo 2 de manifestação.

A imprensa falou em greve dos transportes, greve de servidores públicos, distúrbio ao trânsito, caos nas cidades, ato de apoio a Lula, menos no que levou tanta gente a se mobilizar.

Deu voz a todos que quiseram atacar o protesto e a ninguém que pudesse simplesmente explicar o seu sentido.
(...)
O decano dos jornalistas respeitáveis do Brasil, Jânio de Freitas, diz que muito da pós-verdade circulante no país provém da mentira oficial do governo, constante, onipresente, e ecoada aos quatro ventos.

O que falta em pós-verdade, a imprensa trata ela mesma de produzir, noticiando um mundo que pouco tem a ver com o real, e tudo com os seus próprios interesses, políticos e comerciais.

Difícil saber o que é pior. Se é ter uma imprensa que falseia, na cara dura, ou um público otário, que confia candidamente na falsidade.


Contra as reformas, milhares ocuparam as ruas nas capitais e no interior

População ocupou capitais e interior em todo o país em repúdio a propostas do Executivo, que seguem em discussão na Câmara, onde governo tem maioria. Líderes veem divisor de águas no debate
por Redação Rede Brasil Atual
PAULO PINTO / AGPT
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Em São Paulo, estimativas falaram em até 300 mil pessoas no início da noite na Avenida Paulista
São Paulo – Desta vez não havia helicópteros sobrevoando a Avenida Paulista, em São Paulo, diferentemente de movimentos pró-impeachment que contaram com extenso apoio midiático e mesmo logístico por parte de autoridades. Mas isso não impediu que a área fosse tomada por uma multidão, que no final do dia ecoava os protestos realizados durante toda esta quarta-feira (15) pelo país, contra as reformas da Previdência e trabalhista, e em repúdio ao governo Temer. Alheio às manifestações, o presidente chegou a dizer, durante evento em Brasília, que a sociedade, "pouco a pouco, vai entendendo" a necessidade de reformas.
Reformas que representam retrocesso e perda de direitos, afirmaram, durante o dia, representantes de centrais sindicais, movimentos populares e diversas entidades. O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, por exemplo, disse durante debate que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, da Previdência, representa uma das maiores reformas de exclusão socialdesde a Constituição de 1988. Para ele, o dia nacional de paralisações abriu espaço para o debate público e maior percepção da população sobre a ameaça a seus direitos. Em São Paulo, algumas estimativas falaram em até 300 mil pessoas no início da noite na Avenida Paulista. No Rio de Janeiro, seriam pelo menos 100 mil na Candelária. Manifestações foram realizadas em todas as regiões, somando aproximadamente 300 mil, segundo balanços parciais dos organizadores.
O movimento de hoje foi "um marco",na definição do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. "Até aqui, nas últimas manifestações e dias de luta, estavam vindo às ruas apenas os movimentos organizados. Hoje tivemos um salto de qualidade. Muita gente que não está necessariamente mobilizada veio às ruas. Começou a cair a ficha sobre o tamanho do ataque das reformas trabalhista e da Previdência. É o início de um novo momento."
Avaliação semelhante fez o coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP) e da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim. "Está caindo a ficha da população. No momento do impeachment a coisa era mais politizada, mais difícil de debater e de dialogar com a população. Nesse momento, é uma questão concreta, a população está fazendo as contas. Não é uma coisa que depende de filiação partidária, o prejuízo vai ser de todos os trabalhadores."
Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, o recado foi dado. "Não vamos aceitar as reformas da Previdência e trabalhista. É bom que deputados e senadores saibam que quem votar a favor será cobrado. Vamos visitar as casas deles, vamos denunciar insistentemente. Não vão acabar com os direitos dos trabalhadores."
"O governo Temer vai ter de recuar com esse desmonte da aposentadoria, senão ele não vai ter sossego, porque se o Congresso não derrotar o povo derrota", disse em Brasília o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras dos Santos, que deverá ser eleito presidente da entidade na próxima sexta-feira (17).
Na capital federal, logo cedo, integrantes de vários movimentos ocuparam a sede do Ministério da Fazenda. À tarde, a manifestação tomou conta da Esplanada dos Ministérios, com pelo menos 10 mil pessoas.
A maior parte das capitais e muitas cidades do interior tiveram passeatas, protestos e atos contra as reformas de Temer. Diversas categorias profissionais, como bancários,metalúrgicos, químicos, eletricitários, trabalhadores nos Correios, servidores públicos, químicos, entre outras, fizeram paralisações. Em São Paulo, os ônibus urbanos só circularam depois das 8h. Os metroviários também aderiram ao protesto, e os trens circularam apenas parcialmente. Professores da rede estadual, em assembleia na Praça da República,aprovaram greve a partir do dia 28.
Enquanto isso, as reformas seguem em discussão no Congresso. Nesta quinta, estão marcadas novas reuniões das comissões especiais da Câmara que analisam a PEC 287 e o Projeto de Lei 6.787, de reforma trabalhista. Parte dos movimentos, como a CUT, defendem a rejeição integral das propostas. Uma parcela acha possível apresentar emendas. Hoje, em rede social, o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ)afirmou que o governo Temer não tem legitimidade para propor reformas. "Derrubaram Dilma para impor uma reforma da Previdência que escraviza os brasileiros. Vamos apresentar emendas ao projeto original. Vamos fazer o possível para impedir que essa reforma seja aprovada."
De acordo com o deputado Bohn Gass (PT-RS), a estratégia é "minar a proposta de todos os lados". Foram apresentadas 146 emendas à PEC 287. Com representação minoritária no Congresso, as centrais sindicais e movimentos populares sabem que só permanecendo na rua é que haverá chance de barrar as "reformas" de Temer e aliados.
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Contra a reforma da Previdência, milhares de pessoas protestam em BH

Organizadores falam em 150 mil pessoas





quarta-feira, 15 de março de 2017

Nilmário Miranda inclui Frei Gilberto no Programa de Proteção - vídeo

Conexão Jornalismo:

Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Nilmário Miranda inclui Frei Gilberto no Programa de Proteção - vídeo

Da Redação
Frei Gilberto: ameaças de morte por causa da exploração de bauxita
Frei Gilberto: ameaças de morte por causa da exploração de bauxita
As ameaças de morte sofridas pelo frei franciscano Gilberto Teixeira, residente no distrito de Belisário, em Muriaé (MG), levou o secretário de Direitos Humanos do Estado, Nilmário Miranda, a incluir o religioso no Programa de Proteção à Testemunha do Estado. O religioso passou a ser alvo de interesses econômicos na região desde que se opôs a projetos de mineração de bauxita na Serra do Brigadeiro. A ameaça mais contundente ocorreu no dia 19 de fevereiro. 

Em seu relato, frei Gilberto, franciscano da Fraternidade Santa Maria dos Anjos e responsável pela Paróquia de Belisário, foi abordado por um homem armado que disse claramente que o religioso morreria caso se colocasse à frente dos interesses dos mineradores. 

Há 20 anos, as comunidades e organizações populares do entorno da Serra do Brigadeiro se mobilizam contra os impactos ambientais e sociais gerados pela mineração de bauxita na região, que tem à frente a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao grupo Votorantim. A cidade de Vazante, também em Minas Gerais, colecionou graves problemas ambientais e sanitários por conta da exploração de minério de empresas ligadas ao Grupo Votorantim.



Nilmário Miranda disse salientou que há um conflito evidente entre a atividade econômica e a sociedade e que o ponto de partida é a negociação, o diálogo, e que vai colocar todo mundo frente a frente para se chegar a uma solução adequada. O objetivo, disse, é estancar e eliminar a ameaça de morte, a violência. Para o secretário, o caminho adequado é a negociação: "Se existe um conflito ele tem ser considerado, e a questão naquele distrito é a atividade de mineração". 

Frei Gilberto e Nilmário Miranda: acordo e programa de proteção
Frei Gilberto e Nilmário Miranda: acordo e programa de proteção  


Luiz Paulo, membro da coordenação estadual do Movimento pela Soberania Popular na Mineração, em Minas Gerais (MAM), disse que "o atentado contra Frei Gilberto, um padre que se coloca de forma abnegada na defesa dos direitos das comunidades, é um sintoma claro de que nossa articulação e lutas contra o capital mineral na região tem avançado de forma acertada"

Para ele, o episódio, ao invés de amedrontar ou enfraquecer a luta, fortalece a convicção de que ela deve ser intensificada: "devemos intensificar a luta pela consolidação da Serra do Brigadeiro como um território livre de mineração" - disse.

terça-feira, 14 de março de 2017

Movimentos apostam no 15 de março para barrar 'reformas' de Temer

Diversas categorias, incluindo do transporte, confirmaram participação. Em São Paulo e no Rio, estão marcados atos a partir das 16h. Em Brasília e BH, pela manhã. Comissões especiais têm novas reuniões
por Redação REde Brasil Atual
ROBERTO PARIZOTTI/CUT
Dia 15 de março terá protestos contra a reforma da Previdência
Inúmeras categorias já confirmaram participação nos atos, paralisações e protestos da próxima quarta, que têm como objetivo influenciar o Congresso Nacional
São Paulo – Centrais sindicais e movimentos populares apostam no dia nacional de paralisação, nesta quarta-feira (15), para influenciar as votações no Congresso – com maioria governista, mas bases divididas – contra as propostas de reformas trabalhista e da Previdência Social. "Temos condições de transformar o 15 de março numa trincheira em defesa da aposentadoria como política pública e parte da seguridade social e não um ativo para ser comprado em agência bancária", diz o presidente da CUT, Vagner Freitas, para quem a mobilização nos estados, via comitês, ajuda a pressionar os parlamentares. Segundo ele, as reformas complementam o golpe iniciado com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
Diversas categorias profissionais já confirmaram participação nos atos, paralisações e protestos da próxima quarta, em todo o país. Inclusive do setor de transporte. Na cidade de São Paulo, motoristas e cobradores de ônibus já aprovaram paralisação da 0h até as 8h, enquanto os metroviários pretendem parar durante todo o dia – o sindicato da categoria realizará assembleia amanhã (14) à noite. Os metroviários de Belo Horizonte também aprovaram paralisação de 24 horas. Para hoje à tarde, está programada uma plenária que discutirá a participação de trabalhadores nas regiões do ABC, Guarulhos e Osasco, na região metropolitana paulista.
Professores estaduais e municipais (capital) também param na quarta-feira. No primeiro caso, a Apeoesp fará assembleia na Praça da República, região central, com deslocamento para a Avenida Paulista, onde está previsto ato unitário a partir das 16h. Os municipais terão assembleia no Viaduto do Chá, diante da sede da prefeitura. Docentes da rede particular em Campinas e Sorocaba, no interior, também aderiram ao movimento. Em congresso, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) já havia aprovado greve da categoria no dia 15.
Também estão previstas paralisações dos trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp), servidores federais (Sindisef) e do Judiciário (Sintrajud). Bancários, eletricitários, funcionários dos Correios, metalúrgicos e químicos nas bases de diversas centrais vão fazer paralisações, parciais ou durante todo o dia. 
Em entrevista coletiva marcada para amanhã, as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo vão detalhar a agenda de manifestações de quarta-feira. Além do ato da Paulista, há concentrações confirmadas na Praça da Estação, em Belo Horizonte (10h), e em Brasília, diante da Catedral, a partir das 8h. No Rio de Janeiro, a concentração está programada para as 16h, na Candelária, região central. Em Curitiba, os organizadores confirmam manifestação para as 9h na Praça Santo Andrade, no centro.

No Congresso

Enquanto isso, as reformas seguem em discussão na Câmara dos Deputados. Amanhã (14), às 14h30, e quinta (16), às 9h30, haverá novas reuniões da comissão especial que discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de reforma da Previdência. Nesses mesmos dias, às 14h30 e às 9h, também se reúnem os parlamentares que analisam o Projeto de Lei 6.787, que propõe mudanças na legislação trabalhista. As centrais se dividem entre apresentar emendas e vetar integralmente os textos governistas.
Ambas as propostas serão alteradas, tanto nas comissões como em plenário, afirma o analista política Marcos Verlaine, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). "A reforma da Previdência, como está formatada, não passa no Congresso Nacional, nem na Câmara e nem tampouco no Senado. Como o governo pesou muito a mão quando elaborou a proposta, o Legislativo não terá como não fazer adequações, mudanças e aperfeiçoamentos no texto, pois se assim não fizer, os projetos eleitorais e reeleitorais dos congressistas estarão ameaçados", escreveu em artigo.
Em relação ao PL 6.787, a avaliação é menos otimista. Para o assessor parlamentar, o texto será alterado para pior. "A PEC 287 é criticada por todos, da base do governo à oposição. A trabalhista não. Só a oposição faz críticas ao texto do governo. Isto é um indicativo objetivo que o projeto será 'turbinado' pela maioria da Câmara." Segundo Verlaine, a bancada empresarial no Congresso trabalha para tornar o projeto menos "tímido", citando definição do próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

sábado, 11 de março de 2017

O governo Temer está atrelado ao século XIX, por Murilo Rocha

O Tempo

MURILO ROCHA

Ponte para o século XIX

O criticado discurso do presidente Michel Temer (PMDB) no pronunciamento oficial para comemorar o Dia Internacional da Mulher, quando reduziu o papel da mulher à função doméstica, não foi uma gafe. O presidente e quase todo o seu governo pensam exatamente assim, estão atrelados a um pensamento econômico e social de cem, 200 anos atrás. A ponte construída por Temer desde sua posse tem como pilares a imagem do Brasil de um passado remoto, quase feudal, aquele da casa-grande (e seus senhores) e da senzala.

Um dos exemplos da nova mentalidade régia do país é a luta travada atualmente pela Advocacia Geral da União (AGU), a pedido Ministério do Trabalho, para impedir a publicação da “lista suja” das empresas processadas por manterem trabalhadores em condições análogas às da escravidão. A lista, publicada ininterruptamente pela pasta entre 2003 e 2015, agora está suspensa. Por decisão recente do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra, amigo do presidente Michel Temer e quase escolhido para a vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério do Trabalho está desobrigado temporariamente de divulgar os nomes das empresas. Gandra derrubou uma liminar obrigando a União a divulgar o documento.

A relação dos empregadores réus em ações na Justiça por trabalho escravo só será conhecida após uma comissão, com a participação do próprio governo, redefinir os critérios para a formatação da “lista suja”. Ou seja, após 120 dias, teremos um documento abrandado, com menos infratores da legislação trabalhista expostos. Perde, e muito, o trabalhador, ganham os maus patrões.

Vale lembrar: o inexplicável e inabalável líder do governo Temer no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), aquele das gravações do acordão para tirar Dilma e frear a Lava Jato, é autor de um projeto (432/2013) também ameaçador para o trabalhador brasileiro. A pretexto de regulamentar a expropriação de terras dos empregadores escravagistas, o senador redefine o atual conceito legal de trabalho escravo, condicionando sua ocorrência a um maior número de fatores, como, por exemplo, à restrição da liberdade de locomoção, assemelhando-o à figura do cárcere privado.

Nesse clima de volta à senzala, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), fiador do governo Temer no Legislativo, aproveitou para atacar nesta semana a Justiça do Trabalho, a qual, segundo ele, “nem deveria existir”. São sabidos os inúmeros problemas dessa divisão da Justiça, assim como de todo o Judiciário brasileiro, mas ela é hoje o único fio de esperança do empregado diante de um mercado de trabalho cada vez mais instável, opressor e desigual.

Dentro desse contexto e com esses personagens, pretende-se votar até o fim do governo Temer a reforma da Previdência, outro benefício precário, mas vital para o brasileiro comum. Não há dúvida sobre para qual lado a balança vai pender e quem vai pagar a conta caso mais essa medida seja aprovada por esse Congresso e referendada por esse governo.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Carta ao golpista/machista Michel Temer, por Mariana Noviello


Carta ao machista não eleito Michel Temer

Por Mariana T. Noviello, no blog Cafezinho:

Michel Temer.

As manifestações vindas de todos os cantos, das redes sociais, dos jornais e até da Rede Globo, já demonstraram o desconforto criado pela a sua fala no Dia Internacional das Mulheres. Portanto, espero não repetir aqui o que já foi dito.

Primeiro, não vou chamar a sua fala de ‘gafe’ porque uma gafe implica em erro. E o seu discurso não foi um ‘erro’. Com certeza você (não vou chamá-lo de Sr. porque você não merece o meu respeito, e na verdade até esse ‘você’ soa muito informal para me direcionar a alguém com quem não quero ter nenhuma intimidade) trabalha com assessores e talvez até tenha sido aconselhado a dizer o que disse, pensando que boa parte da população se identificaria com os seus sentimentos.

Não é possível também aceitar que você ‘vem de outra geração’, como quis a Globo justificar, dizendo que a identificação de ‘mulher’ e ‘do lar’ seria um reflexo de sua idade.

Não, infelizmente isso não é aceitável. O feminismo vem de longe e as mulheres participam de todas as esferas públicas (sócio-política-econômica) há muito tempo. A luta pela igualdade de gênero começou no final do século XIX, junto com as outras lutas por emancipação e direitos.

Na verdade, não há luta em que as mulheres não tenham tomado parte. E o problema é justamente esse: infelizmente ainda há no mundo, e no Brasil, muitas pessoas que pensam como você.

Indivíduos que acreditam que a mulher está aí para tomar conta da casa e ‘formar família’, que os problemas da sociedade recaem sobre os ombros das mulheres desvirtuadas, que não souberam ser boas mães e esposas.

Pessoas que acreditam que os problemas sociais são a culpa do indivíduo e não problemas estruturais.

Que acham que os homens devem cuidar da economia das nações e as mulheres, da economia familiar e que as duas coisas se unem justamente na conta do supermercado. Porque, afinal, o homem provê e a mulher gasta.

A mulher, no final do dia, depois do beijo no marido, da comida na mesa e do filho na cama, conversa em tom convivial com o marido e conta que o feijão está caro demais.

E neste mundo ideal, o marido, dependendo de sua posição hierárquica, fará de tudo para aplacar a tola mente de sua esposa. Se for ‘trabalhador, trabalhará mais para continuar pondo a mesma quantidade de feijão na mesa. Se for político conceituado, poderá trazer as preocupações de sua esposa para a tribuna da câmara ou do senado.

Pois bem Michel, este mundo nunca existiu. Nem mesmo nos anos 50. Poucas foram as famílias na história onde a mulher podia ficar em casa, sendo cuidada pelo marido.

Muitas mulheres sempre tiveram uma dupla jornada. Casa e trabalho, crianças e marido, se marido tinham. As mães escravas da nossa vergonhosa história colonial sequer tinham o direito de ter um amor, um parceiro, ou ficar com seus filhos.

A mulher brasileira sempre foi trabalhadora, batalhadora.

E se a dupla jornada é motivo de orgulho, não é porque a mulher goste de trabalhar em casa, de ser ‘do lar’ e ainda trabalhar fora. Mas porque muitas vezes ela não tem opção. E o orgulho vem da garra, da capacidade de sobreviver que a mulher tem.

Portanto, não, Michel. Eu não estou aqui para analisar preços no supermercado, coisa que nunca gostei de fazer.

Quero falar de economia. Quero falar de política e do social. Quero falar de como a PEC 55, além de ser maldosa, é absurda do ponto de vista puramente econômico.

Quero falar que política não é técnica, e que se existe governo, sua maior prioridade é o povo e não empresários, a mídia, fundos de pensão, mercados ou outras instituições financeiras.

Quero dizer que não preciso de flores, nem beijos, ou parabéns.

Quero falar que o seu discurso reflete o que você aceitou fazer com a nossa democracia: destituir uma mulher inteligente, capaz e batalhadora para tomar o seu lugar. Porque você e os seus comparsas, um bando de homens retrógrados (não quero ofender as pessoas mais idosas) não gostaram do caminho que uma mulher tomava.

Quero dizer que vocês agiram na esfera pública da mesma maneira que milhões de homens agem na espera privada, todos os dias.

Isto é, ignorando, desclassificando e desmerecendo a perspectiva das mulheres e daqueles com quem vocês não concordam.

Vocês falaram por cima, pisaram em cima, e inventaram qualquer desculpa para fazer valer a velha ideia de que “os meios justificam o fim”.

Seja esse fim um projeto econômico que vocês consideram certo, ou ainda para pôr um fim ‘a toda essa sangria’.

Mas fique sabendo, Michel, que os fins não justificam o meio e que mais cedo ou mais tarde haverá consequências para as suas ações. Pode ser que você continue no poder por agora. Pode ser. Eu sei que não vai durar para sempre.

Portanto, continue a falar o que você pensa, a escancarar a sua mentalidade atrasada, como você fez no dia das mulheres.

Continue a soltar fotografias de homem velho beijando moça nova que poderia ser sua filha e tentar dar a impressão que isso é o ideal de ‘família do bem’.

Continue.

Assim só fica mais claro – até mesmo para os seus aliados do momento – que a nossa democracia está sendo vergonhosamente usurpada por muitos homens e as poucas mulheres que ousaram participar de seu desgoverno.