segunda-feira, 9 de março de 2015

O panelaço da barriga cheia e do ódio, por Juca Kfouri


varanda

De Juca Kfouri, hoje à tarde, em seu blog no UOL:
“O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.
Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade. ”
Como muita clareza, ele observa:
“Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força.
Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita.”
Verdade, Juca, e como as forças que defendem os trabalhadores ficaram prisioneiras da geléia geral do “país de todos” têm dificuldade de compreender que a grita dos ricos é contra eles, como você mesmo diz.
Até porque os pobres não apenas são tolerantes com os ricos como, é natural, os admiram, mais que invejam.
Ao texto do Juca:

O panelaço da barriga cheia e do ódio

Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado.
Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci.
O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.
Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.
Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca.
Como eu sou.
Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga.
Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse:
“Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres.
O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar.
Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente.
Não é preocupação ou medo. É ódio.
Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou.
Continuou defendendo os pobres contra os ricos.
O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres.
Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força.
Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita.
Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho.
E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.”
Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país.
“Santa hipocrisia”, disse ele. “Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais”.
Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.
Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de “vaca” em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.
Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: “Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha”.
Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bom serviços da Eletropaulo e da Sabesp.
Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.
Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.

sábado, 7 de março de 2015

Reforma Política Já: pela proibição do financiamento de campanhas por empresas

Só uma reforma política imediata pode oferecer alguma esperança de melhoria para a praga da corrupção.
 
 
Do blog do Rodrigo Vianna:

por Pablo Villaça, no Facebook

bomba

Saiu a lista da Lava-Jato. E imediatamente começaram os gritos de “olha o Lindbergh!”, “Olha o Collor!”, “Olha o Anastasia!” e assim por diante. Como de hábito, personaliza-se a questão – segundo o interesse de seu lado – e ignora-se o quadro geral.
 
Claro que a tentação é grande. Anastasia foi vice e sucessor de Aécio e seu coordenador de campanha; Palocci, o coordenador de campanha de Dilma. E percebam que mesmo que Youssef tenha mencionado atos de corrupção que abrangem a era FHC, a denúncia se limitou aos últimos anos – ou seja: se voltarmos no tempo (como fiz neste post:https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/593443530760877), veremos que o problema é sistêmico e histórico.
 
E é aí que reside o problema: só uma reforma política imediata pode oferecer alguma esperança de melhoria para a praga da corrupção.
 
Não vou ficar “celebrando” o fato de Cunha, Calheiros, Anastasia e Lobão terem sido indicados apenas porque me oponho a eles; seria o mesmo que comemorar porque a cama do meu inimigo está pegando fogo sendo que divido o quarto com ele. Quando presidentes da Câmara e do Senado estão em suspeição ao lado de deputados e senadores de TODOS os principais partidos, é porque o SISTEMA está quebrado.
 
Acreditar que o PT inventou a corrupção é tanta estupidez quanto achar que o PSDB a inventou. Ela já existia bem antes de ambos. (Pra quem acha que na época dos militares não havia corrupção, é bom lembrar que as empreiteiras tomaram conta do poder nesta época.
 
A corrupção não só era endêmica como varrida pra baixo do tapete sob pena quase de morte. Multinacionais e bancos europeus subornavam ministros abertamente e o superfaturamento era regra (vide Ferrovia do Aço.)
 
O sistema não funciona, pura e simplesmente. Está nas mãos das corporações, que, por sua vez, elegem indivíduos que já assumem corrompidos. Sabem quanto custa uma campanha para deputado estadual com o MÍNIMO de chance de vitória? Um milhão de reais. Sabem o que isso significa? Que quem consegue se eleger só teve sucesso porque teve dinheiro graúdo financiando.
 
E quem financiou quer retorno do investimento.
 
E quem foi eleito já está, quase por definição, habituado à idéia de grandes cifras entrando em caixa. Política acaba virando profissão, não vocação. Não é à toa que famosos decadentes em suas carreiras usam a fama pra se eleger. Têm vocação ou interesse sociais? Não: querem segurança e só.
 
A política não pode ser bancada por grandes fortunas que simplesmente elegem lobistas travestidos de parlamentares.
 
Isso é senso comum. Mas ficamos aqui brigando entre “governo x oposição” e nada mudará. E é o que eles querem. Aliás, os golpistas que buscam derrubar o governo usam “corrupção” como desculpa, mas querem mesmo é sua ideologia no comando. É preciso separar as duas coisas. Além disso, como já vimos, o sistema está todo errado. Se o problema for “corrupção”, não há saída.
 
Dizer que PT “institucionalizou” a corrupçao é demonstrar PROFUNDO desconhecimento dos fatos: compra de votos pra reeleição, SIVAM, PROER, trensalão, aeroporto de Claudio, privataria, DNER, Marka/FonteCindam, Sudene, Petrobrás (sim, há muitos desvios na era FHC), mensalão tucano… BILHÕES e BILHÕES roubados. Isto não era corrupção “institucionalizada”? Por favor. Ter uma opinião é uma coisa; tentar ter seus próprios FATOS é outra completamente diferente.
 
Mas vejam só: embora tenha vindo antes, tampouco foi o PSDB que institucionalizou a corrupção. Como apontei antes, foi na ditadura que as corporações e as multinacionais e as empreiteiras invadiram a casa e ocuparam a sala.
 
Assim, em vez de ficar disputando valores de corrupção, que tal considerar o que falei sobre reforma política?
 
Mas não há debate ou melhora possível quando um dos lados soa como disco quebrado – e ao propor a discussão acima no Twitter, por exemplo, várias pessoas responderam apenas com um “FORA DILMA!”, repetindo a mensagem empacotada por Globo, Veja, Foxlha e outros. (E se quiserem ver isto em ação, só passar os olhos nos comentários abaixo deste post, querem apostar?) Porque a mídia QUER ver o conflito entre lados. E NÃO QUER reforma política. Porque ela se beneficia do sistema atual. (E se você tem alguma dúvida sobre a canalhice da mídia, o Noblat deu, como manchete, “Dilma encabeça lista de Janot”.)
 
Num mundo utópico, iríamos todos pra rua não no dia 13 pra defender o governo e combater o golpismo canalha ou no dia 15 pra atacar Dilma. Iríamos, sim, todos, sei lá, no dia 14 pra exigir reforma política. Num mundo utópico.
 
Por isso repito… direita e esquerda, tucanos e petistas, situação e oposição: querem melhorar o país?
 
DEFENDAM REFORMA POLÍTICA JÁ.
 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Entrevista de Frei Rodrigo Péret na Radio Vaticano: Mineração e as propostas da Igreja

Da Rádio Vaticano:



Mineração: as propostas da Igreja




Cidade do Vaticano (RV) – Neste espaço dedicado aos Direitos Humanos, hoje vamos falar de extrativismo – atividade em que o Brasil é campeão na América Latina.

Na verdade, desde os tempos coloniais, o Brasil transformou a mineração em um dos setores básicos da economia nacional e ainda hoje continua em forte expansão.

Na obtenção de matérias-primas, é utilizada por indústrias metalúrgicas, siderúrgicas, fertilizantes e petroquímica. O subsolo brasileiro, portanto, constitui um rico depósito mineral e consequentemente, uma rica fatia para a economia nacional e para interesses privados.

Atualmente, há um debate para atualizar o Código de Mineração, que foi publicado durante o regime militar. O projeto tramita na Câmara dos Deputados desde 2011.
Na Igreja brasileira, um dos especialistas do assunto é o Fr. Rodrigo Peret, que representa os franciscanos na Rede Igreja e Mineração.


Em entrevista à margem do encontro da Repam, Rede Eclesial Pan-amazônica, Fr. Rodrigo concedeu uma entrevista a Cristiane Murray, em que fala do neo-extrativismo, da sua incidência e da luta da Igreja neste setor. Ouça clicando acima.

Foto de Rodrigo Péret.No dia 03 de março, representantes da articulação Igrejas e Mineração entregaram ao Cardeal Peter Turkson, Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, do Vaticano, a Declaração Final do II Encontro Latino Americano sobre Igrejas e Mineração; uma Carta ao Conselho Pontifício de Justiça e Paz, solicitando que esse conselho se reuna com representantes das vítimas da mineração na América Latina; e um documento com comentários sobre a declaração final do encontro de refleção Conselho Pontifício Justiça e Paz e Indústrias de Mineração. . Estava presente o Cardeal Claúdio Humes, presidente da Comissão para a Amazônia da CNBB, Dom Pedro Ricardo Barreto Jimeno, Arcebispo de Huancayo e Presidente do Departamento Justiça e Solidariedade do Conselho Episcopal Latino-americano, também presentes Pe. Peter Hughes do CELAM, Luis Ventura pastoral indigenista missionária de Roraima, Mauricio Lópes secretario executivo da REPAM, Frei José Rozansky, Frei Rodrigo e Frei Fabio de Justiça, Paz e Integridade da Criação dos franciscanos.
 
 
 
 

quinta-feira, 5 de março de 2015

A Igreja Católica assume articulação e prioridades para a Amazônia

Do Fala Chico:


A Igreja Católica assume articulação e prioridades para a Amazônia

Em Roma, de 2 a 3 de março, se realizou um encontro de apresentação e definição de horizontes da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), que envolve 9 países amazônicos. 

A REPAM foi fundada em Brasília, em setembro de 2014, e tem por objetivo articular o trabalho de Igreja, no território pan-amazônico. A igreja católica está presente nesse território há séculos, e está buscando um caminho com uma abordagem pastoral mais criativa, ampla e articulada, com uma visão sócio-política transformadora e profética. 

No dia 2 de março, pela manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé, o Cardeal Peter Turkson, Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, do Vaticano, em seu pronunciamento, sublinhou vários aspectos dessa rede, que dentre eles, eu destaco: "A REPAM foi concebida de modo a se tornar um instrumento operativo em âmbitos diversos e fundamentais, tais quais: a justiça, a legalidade, a promoção e tutela dos direitos humanos; a cooperação entre Igreja e instituições públicas em vários níveis; a prevenção e gestão de conflitos; o estudo e a difusão das informações; o desenvolvimento econômico inclusivo e igualitário; o uso responsável e solidário dos recursos naturais, no respeito à Criação; a preservação das culturas e modos de vida tradicionais dos vários povos."

Na tarde do dia e em todo dia 3 de março se aprofundaram os aspectos da rede.

A REPAM tem as seguintes características: 

REDE GEOGRÁFICA (TRANSNACIONALIDADE): A Amazônia é partilhada pela Guiana, Suriname, Guiana Francesa (0,15%), Venezuela (1%), Equador (2%, Colômbia (6%); Bolívia (11%), Peru (13%) e Brasil (67%).

ECLESIALIDADE: Se propõem a criar uma colaboração entre os vários âmbitos de Igreja: congregações religiosas, dioceses, várias associações ou fundações católicas e grupos leigos.

COMPROMISSO COM A TUTELA DA VIDA: Responder a desafios importantes, de uma população de 30 milhões de habitantes e de uma enorme biodiversidade. 

REALIDADE HUMANA E CULTURAL: A Amazônia é o lugar de 2.779.478 indígenas que correspondem a 390 povos indígenas e 137 povos isolados (não contatados) com o valor se suas culturas ancestrais, suas 240 línguas faladas pertencentes a 49 famílias linguisticas. 

REALIDADE SÓCIO-AMBIENTAL:  A Amazônia é um território devastado e ameaçado por concessões dos Estados às corporações transnacionais. Os grandes projetos extrativos, os monocultivos e mudanças climáticas põem em grave risco suas terras e o entorno natural. Destroem suas culturas, a alto determinação dos povos.

Os debates e discussões desse encontro apontam para a defesa da vida na Pan-Amazônia, que exige uma transformação na visão do desenvolvimento dos países mais industrializados, onde predominantemente se promove uma visão de mundo e de sociedade, marcada pelo individualismo e consumismo são ilimitados; isso tem impactos sérios nesse território rico em diversidade, e profundamente vulnerável e violada.

As definições da REPAM devem potenciar de maneira articulada, a ação da igreja no território pan-amazônico, com uma plataforma de intercâmbio e enriquecimento mutuo e uma confluência de esforços. 

Os eixos estratégicos da REPAM são:
1. Comunicação e Visibilidade (para construção de sentido e transformação)
2. Incidência soco-política internacional e promoção dos direitos humanos.
3. Fortalecimento do protagonismo, das culturas e dos projetos de vida dos povos indígenas na defesa dos direitos humanos e atenção aos grupos vulneráveis na Pan-Amazônia.
4. Métodos de acompanhamento pastorais e de formação: Formação para a Itinerancia e Inserção Pan-Amazônica.
5. Colaboração fraterna, redes, internacionais e gestão de recursos.
6. Investigação sobre a territorialidade Pan-Amazônica.
7. Igrejas fronteiriças e articulações
8. Modelos alternativos de desenvolvimento, "Bem Viver" ...

Bom lembrar as palavras do Papa Francisco, quando esteve na JMJ no Rio de Janeiro:
"Nossa missão é proteger toda a criação, a beleza da criação, como se diz no livro de Gênesis e, como mostra São Francisco de Assis é ter respeito por todas as criaturas de Deus e para com o ambiente em que vivemos "(Papa Francisco, 19-03-2013).


Frei Rodrigo de Castro Amédée Péret, ofm

terça-feira, 3 de março de 2015

Pimentel descobre que governo tucano deu calote de mais de R$ 1 bi

Portal Metrópole:

Na surdina, governo da coligação PSDB/PP cancelou empenho para rodovias, obras, saúde e segurança pública na semana em que deu posse ao sucessor

Por Redação, com informações de agências

Auditoria patrocinada pelo governo Fernando Pimentel (PT) nas contas do estado de Minas Gerais descobriu, nesses primeiros 60 dias de gestão, que o pagamento de R$ 1,15 bilhão em dívidas empenhadas, mas não incluídas no orçamento, foi cancelado sem qualquer explicação.
O cancelamento já provoca reação dos fornecedores, que ameaçam ir à Justiça para garantir o pagamento das contas não-honradas pelo tucanato mineiro. A informação está na edição desta terça-feira (3) do jornal “O Tempo”, com circulação na região metropolitana de Belo Horizonte.
Pimentel tomou posse como governador no dia 1º de janeiro, em substituição ao governador substituto Alberto Pinto Coelho (PP). Esse partido formou com o PSDB a coligação que, em 2010, elegeu o vice de Aécio Neves, o ex-governador Antônio Anastasia.
Sucessor natural de Anastasia, Pinto Coelho foi empossado em abril de 2014, quando o ex-governador e atual senador desencompatibilizou-se do cargo de governador para concorrer ao Senado.
“Na prática, o Estado assumiu o compromisso em obras, serviços, compras de materiais, mas, depois, suspendeu a ordem de pagamento”, denuncia a reportagem.
Os setores atingidos pelo calote aos fornecedores foram os Departamentos de Estadas de Rodagem (DER) e de Obras Públicas (Deop), com R$ 371 milhões. Além disso, também foram afetadas as áreas da saúde, com R$ 240 milhões, e segurança pública, com mais R$ 194 milhões.
Aparentemente, de acordo com as fontes da reportagem, o cancelamento teria sido uma “tentativa do governo passado de driblar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”. A lógica da operação de cancelamento, na ótica dos gestores que fizeram a descoberta, era impedir que as dívidas entrassem no orçamento de 2015 como “restos a pagar”.
Isso obrigaria o atual governo a incluí-los no orçamento, para efetivar o pagamento. No entanto, este tipo de manobra – contrair obrigação de despesa sem que possa ser quitada dentro do próprio mandato, por insuficiência de caixa – é vedada pela LRF.
“O governo do Estado irá conferir todos os cancelamentos para verificar se houve, ou não, efetivamente a despesa e, portanto, se existe débito ou não”, afirma o jornal mineiro.
Os especialistas mineiros estão fazendo um cuidadoso levantamento dos empenhos e despesas da gestão anterior para fechamento do orçamento de 2015. Essas contas serão divulgadas ao público ainda no final de março, mas devem ser encaminhadas à Assembleia Legislativa até a próxima semana.

Confira o artigo original no Portal Metrópole: http://www.portalmetropole.com/2015/03/pimentel-descobre-calote-governo-tucano.html#ixzz3TMsbyikM

segunda-feira, 2 de março de 2015

FHC é golpista, o PSDB é derrotado e a marcha do dia 15 é contra o Brasil

Brasil 247:

POR DAVIS SENA FILHO  

    

O grão-tucano, na verdade, pertence à corrente de pensamento conservadora, que defende a hegemonia de classe, a privatização do patrimônio público, o estado mínimo e a dependência máxima
 
O tucano Fernando Henrique Cardoso é ex-presidente da República. Apesar de ser carioca, trata-se de um político do Estado de São Paulo, unidade da Federação conservadora, que historicamente e politicamente  sempre foi aliada dos interesses da burguesia bandeirante, da oligarquia rural e da plutocracia internacional.
 
FHC  — o Neoliberal I — reflete o que São Paulo sempre o foi e nunca deixou de sê-lo: a Primeira República, a República Velha ou a Politica do Café com Leite. Este político, que já "bebeu" da literatura de Karl Marx, hoje é a fina flor dos interesses das classes dominantes, do empresariado nacional e internacional e dos governantes das grandes potências do ocidente.
 
O grão-tucano, na verdade, pertence à corrente de pensamento conservadora, que defende a hegemonia de classe, a privatização do patrimônio público, o estado mínimo e a dependência máxima, porque quer ver o Brasil subordinado aos interesses estrangeiros. Saiu da esquerda para a direita, e hoje, lamentavelmente, apregoa um golpe político contra a presidenta trabalhista Dilma Rousseff, recém-eleita pela maioria dos eleitores brasileiros, em eleições livres, justas e democráticas.
 
A verdade é que o tucano que governou este País, no papel de caixeiro viajante e jamais como estadista, porque se recusa, tais quais ao PSDB e às "elites", a pensar o Brasil, nunca aceitou o sucesso do ex-presidente Lula na Presidência da República, ao sair o poder com 82% de aprovação popular, bem como requisitado por governos de inúmeros países para visitá-los e ser homenageado, como deve ser tratado um mandatário que mudou o Brasil para melhor, ao desenvolver seu mercado interno, criar mais de dez milhões de empregos e praticamente eliminar a fome e a miséria, além de ter sido o principal articulador do Brics, da Unasul e do Mercosul, a fazer com que o poderoso País sul-americano fosse respeitado em todo o planeta.
 
Por sua vez, Fernando Henrique Cardoso recusa a se recolher à sua própria insignificância política, porque se não fosse os magnatas bilionários de imprensa e seus feitores aboletados nos covis das redações das grandes mídias meramente de mercado, o PSDB e o Príncipe da Privataria não sairiam dos limites de São Paulo, o Estado conspirador, reacionário ao desenvolvimento do Brasil e de caráter e intenção separatista.
 
Blindado politicamente pelos barões da imprensa alienígena, FHC, malandramente e sorrateiramente, dá uma de João sem braço, apoia e fomenta o golpe institucional contra Dilma Rousseff, ao tempo em que aconselha aos membros do PSDB que, todavia, tal apoio não deve ser dado aos golpistas de 15 de março — a maioria coxinha udenista de classe média —, de forma oficial, mas, conforme o grão-caixeiro viajante, “Tem que ficar claro que nós apoiamos, mas não somos os promotores”.
 
FHC muito se parece com o ex-presidente Washington Luís, nascido no Estado do Rio de Janeiro, como o tucano, e igualmente adotado pela burguesia de São Paulo. O último presidente da República Velha foi derrotado pelas forças getulistas, juntamente com seu aliado, Júlio Prestes, que não conseguiu assumir a Presidência da República em 1930, porque o trabalhista gaúcho e líder de revolução, Getúlio Vargas, assumiu o poder, com o apoio da Paraíba e de Minas Gerais. Os mineiros se sentiram traídos por São Paulo, que não cumpriu o acordo de revesamento entre ambos. Na Primeira República, os dois estados eram hegemônicos, no que concerne a controlar o governo central.
 
Nos dias de hoje, percebe-se claramente que São Paulo e Minas, dos ex-governadores do PSDB, Aécio Neves e Antônio Anastasia, derrotados pelo PT nas eleições para governador em  2014, reviveram a República Velha, como se estivessem em 1932, uma tentativa de golpe de estado da burguesia paulista, depois transformado em marcha comemorativa anual, com a finalidade de relembrar o que a casa grande do estado bandeirante chama de "Revolução Constitucionalista". A resumir: todo ano a burguesia paulista comemora a derrota.
 
Contudo, a verdade é que tal evento bélico não passou de uma quartelada mais longa, cujo objetivo era retroceder à Era da Política do Café com Leite. A secessão golpista de propósitos elitistas foi sumariamente derrotada por Getúlio Vargas, e, consequentemente, a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo, até os dias de hoje não tem uma única rua com o nome do estadista gaúcho responsável pelo Brasil moderno, por sua industrialização e pelas leis trabalhistas, que tiraram o trabalhador brasileiro da condição de semi-escravo.
 
Fernando Henrique — o presidente que entregou o Brasil — continua a velejar por mares bravios e a caminhar por veredas tortuosas, pelo simples fato de não ter quaisquer compromissos com o desenvolvimento deste grande País e muito menos com a emancipação do povo trabalhador brasileiro. Sua convicção de levar o País ao retrocesso é plena, e não deixa margem à dúvida daqueles que combatem suas ideias e preceitos derrotistas, colonizados e entreguistas.
 
FHC é o caboclo com os punhos de renda e ar pedante. Você pode vê-lo a um quilômetro de distância e sabe, sem conhecê-lo, que se trata de um coxinha de alto calibre social e pouca consciência prática e teórica sobre as questões brasileiras, porque, irrefragavelmente, o tucano, como a maioria dos que frequentam o campo da direita e são inquilinos da casa grande, recusam-se a pensar o Brasil, porque adotaram países estrangeiros como suas referências de sonhos de consumo e exibicionismo barato por se considerarem vips.
 
O maior traidor da Pátria de todos os tempos, o que vendeu 125 estatais a preço de banana, o que desempregou e não construiu escolas e universidades, o que não prendeu corruptos e corruptores, o que depredou a Petrobras e afundou a plataforma P-36, o que deixou o País às escuras por causa de um apagão de 18 meses, o que mente ser o criador do Real, sendo que o verdadeiro criador da moeda é o ex-presidente Itamar Franco, e o que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes é, sem sombra de dúvidas, o FHC. Ponto.
 
Neste momento de crise política, o tucano-mor, que se diz um democrata, junta-se aos golpistas de sempre, a exemplo da imprensa comercial e privada, e dos partidos de direita, dentre outros personagens inconformados com a quarta vitória do PT, para insuflar um golpe institucional, porque, realmente, recorrer aos militares não tem mais sentido e nem razão. Mas, se pudessem, o fariam, porque a direita não se preocupa em defender a democracia, pois sem ela vive muito bem, sente-se confortável, além de se beneficiar e manter, indefinidamente, o status quo, pelo qual eu não tenho o mínimo respeito.
 
O Príncipe Privata orientou seus "súditos" a estimular o impeachment contra a Dilma Rousseff, porém, sem participar diretamente do movimento golpista e antidemocrático, a ser realizado no dia 15 de março, a ter os coxinhas udenistas de classe média a fazer a claque e a carregar vassouras "janistas", porque eles são contra a corrupção e a "tudo o que está aí". Só não são contrários ao que diz respeito à corrupção dos tucanos do PSDB, do DEM (o pior partido do mundo) e do empresariado que apoia tal campo político-ideológico conservador.
  
O traidor da Pátria brasileira, que até os recém-nascidos e os idiotas sabem de quem se trata, também ouviu um de seus "súditos", igualmente golpista como ele: "Temos que estabelecer esse limite, ter esse cuidado. Não será iniciativa partidária" — ressaltou Aécio Neves, o tucano duplamente derrotado por Dilma Rousseff, no Brasil, e por Fernando Pimentel, em Minas Gerais.
 
Então, vamos à pergunta que não quer calar: "Como é que é, cara pálida?" Vamos ver se eu entendi: o Aécio Neves é derrotado, e em seu primeiro pronunciamento no Senado apregoa o golpe e não reconhece a vitória legítima de Dilma Rousseff nas urnas. Depois disso, a imprensa corrupta e de negócios privados faz coro com o tucano derrotado e inconformado, ao ponto de grande parte de seus escribas de opinião pregarem o golpe, de forma direta e também dissimulada.
 
Depois disso, atores da política se juntaram ao propósito de não deixar Dilma governar e passaram a pedir o impeachment. Álvaro Dias, Ronaldo Caiado, Carlos Sampaio, Aloysio Nunes (este diz que vai ao protesto de direita), Agripino Maia, Rodrigo Maia, José Carlos Aleluia, dentre outros, apostam no impeachment, como forma de a direita chegar ao poder antes das eleições de 2018, até porque Lula pode ser o candidato do PT. 
 
Depois desses fatos e realidades pró-impeachment que a direita criou, essa gente diz, no encontro realizado no iFHC, que tem de "haver limites e não oficializar seu apoio" ao impeachment de Dilma? O que é isto, camarada? Os demotucanos enfiam a mão na cumbuca e depois escondem a mão, porque ficou presa e não conseguem retirá-la. Como sempre em cima do muro, até para assumir a cumplicidade com a tentativa de golpe contra uma mandatária eleita.
 
Eles esquecem que o vice-presidente é do PMDB, que se diz legalista e constitucionalista, além de se verificar no Brasil que os movimentos sociais urbanos e rurais, as confederações de trabalhadores, os estudantes, grande parte da classe média que vota na esquerda, a OAB, a ABI, as Forças Armadas, dentre outros órgãos, entidades e instituições não vão permitir que um bando de tucanos emplumados dê uma de brucutu golpista e irresponsável.
 
A verdade é apenas esta: fazer passeata e protestar é permitido. Dar golpe de estado, não. Fernando Henrique — o Neoliberal I — é golpista, o PSDB é derrotado e a marcha de 15 de março é contra os interesses do Brasil. É isso aí.
 
 

domingo, 1 de março de 2015

Pinguelli: Defender a Petrobras também é defender a democracia


O físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobrás indica que defender a Petrobras, neste momento, também é defender a democracia, já que ao lado do movimento que ataca a corrupção há o movimento que ataca o governo. Não o governo de um partido, mas um governo democraticamente eleito, que tem que ser respeitado, de acordo com a constituição. 
¨Combater a corrupção, todos somos a favor. Agora, em nome do combate a corrupção, destruir a Petrobras, nós temos de ser contra¨.


Jornal do Brasil

Há uma articulação contra a Petrobras, alerta o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, em conversa com o JB. No cenário de combate à corrupção, surgiu um oportunismo menos preocupado com o ataque à prática criminosa, e os efeitos práticos disso para o mercado de trabalho, a produção de petróleo e gás e a pesquisa científica brasileira já apontam no horizonte. Para Pinguelli, defender a estatal desse movimento é ainda proteger a democracia, visto que, junto com o enfraquecimento da empresa, há também o esforço de atacar um governo eleito pela maioria da população, há quatro meses.
Em meados de dezembro do ano passado, a Coppe/UFRJ já realizava evento público para chamar a atenção para o uso político do caso revelado pela Operação Lava Jato. Na época, a Petrobras ainda sofria pressões para mudar sua presidente, recebia novas notícias de processos estrangeiros e as ações, no Brasil, e ADRs, nos Estados Unidos, já chamavam atenção pela queda acentuada. A Security Exchange Commission (SEC) tinha iniciado uma investigação que poderia suspender os ADRs na Bolsa de Nova York. 


Diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa
Diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa


"Eu acho que há uma articulação contra a Petrobras. Nós, seres humanos, inclusive, temos às vezes problemas devido a parasitas oportunistas que em certas ocasiões dominam a situação. Há um oportunismo em cima dessa corrupção, que é abominável, que tem que ser condenada, mas esse oportunismo não é contra a corrupção, é até o contrário, usa a corrupção para acabar com o patrimônio do povo brasileiro, que é a Petrobras", destacou Pinguelli.




O  Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (CENPES), por exemplo, que tem uma importância mundial, também fica em perigo se a Petrobras é tolhida de usar seus recursos. "Você pode acabar com o CENPES. Ele é uma reunião de engenheiros, cientistas de várias áreas, equipamentos caríssimos e é um foco de aglutinação de empresas. Existe um parque tecnológico ao lado da Ilha do Fundão, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, existe a Coppe, onde eu trabalho, que é um centro de pós-graduação de pesquisa em engenharia, tudo isso trabalha numa relação muito próxima com o CENPES, e está em ameaça de extinção."
Pinguelli indica que defender a Petrobras, neste momento, também é defender a democracia, já que ao lado do movimento que ataca a corrupção há o movimento que ataca o governo. Não o governo de um partido, mas um governo democraticamente eleito, que tem que ser respeitado, de acordo com a constituição. 
O físico conversou com o JB durante o lançamento da Aliança pelo Brasil, em defesa da soberania nacional, um grupo de representantes de entidades diversas, como a OAB, a Coppe/UFRJ, Associação dos Engenheiros da Petrobras e o Instituto Brasileiro de Estudos Políticos. O objetivo, alertar para a fragilização da Petrobras, ancorada nos vazamentos da Operação Lava Jato, com o propósito de "torná-la uma presa fácil para a fragmentação e a desnacionalização", conforme destacou manifesto do grupo.
Na ocasião, Pinguelli falou para a plateia presente no auditório do Clube de Engenharia que é preciso unir nossas forças para resistir, pois está se montando uma farsa que dá "um verniz de legalidade à ilegalidade", com o objetivo não de enfraquecer um governo específico, mas o que foi conquistado na história do Brasil recente. Ele chamou a atenção para uma "uma aliança midiática" de setores majoritários, com interesses econômicos, e de setores políticos, que não aceitam a visão de esquerda que ocupa o governo. 
"Vamos lembrar que há pouco tempo foi divulgado, e a presidenta da República assumiu uma posição a respeito, que um governo estrangeiros, um sistema de espionagem, espionava a Petrobras.
A Petrobras foi alvo da espionagem norte-americana e muitas das questões que estão por trás do debate atual em torno da Petrobras são exatamente atender aos interesses norte-americanos no Brasil. Isso é muito estranho", salientou.