terça-feira, 6 de janeiro de 2015

PÉRET E BURLE MARX NA RESTAURAÇÃO DO SANTÁRIO DE CONGONHAS - PARTE 1 -

Na semana em que meu pai completa 87 anos, publico novamente matérias que relembram sua trajetória profissional.  Começo com a grande restauraçao do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de Congonhas, realizada em 1973.


PÉRET E BURLE MARX NA RESTAURAÇÃO DO SANTUÁRIO DE CONGONHAS (1973-1974) - PARTE I -




Por Luiz Ricardo Péret



                                      Péret e Burle Marx  -  foto: Assis Alves Horta (1973)
                                        
Em razão de seu expressivo acervo de arte barroca, o Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, pertencente ao município de Congonhas-MG, foi inscrito no Livro do Tombo das Belas Artes, em 1939, pelo  antigo SPHAN, hoje Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. O conjunto foi construído em várias etapas, nos séculos XVIII e XIX, por vários  mestres, artesãos e pintores,  como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde. O Santuário é um conjunto arquitetônico  e paisagístico formado por uma Basílica, um Adro com esculturas de Doze Profetas, em pedra sabão,  e Seis Capelas que compõem  o Jardim dos Passos, que representam a Via Sacra com belíssimas imagens esculpidas em cedro por Aleijadinho.  O Santuário é testemunho vivo de um Brasil que foi colonial e se fez um estilo de arte.

No decorrer desses anos, o conjunto arquitetônico e de imagens, conseguiu preservar a memória de tão importante período histórico. As obras  do conjunto arquitetônico e paisagístico do Santuário e as obras barrocas de Aleijadinho, graças a algumas reformas que se fizeram e se fazem  ao longo do tempo, ainda se encontram em bom nível de conservação.

A primeira grande restauração do Santuário foi realizada pelo SPHAN, em 1957, focada no interior das Capelas dos Passos e em suas esculturas, a restauração conseguiu remover camadas superpostas de tintas que mascaravam a obra original de Aleijadinho e Mestre Ataíde. Em julho de 1957, o Santuário foi elevado à condição de Basílica Menor, oferecendo maior incentivo à devoção a Bom Jesus de Matozinhos.

Em 1973, iniciou-se uma segunda grande restauração pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais - IEPHA/MG, em convênio com o IPHAN.
Foram realizadas obras de conservação, restauração e proteção do conjunto arquitetônico e paisagístico do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos de Congonhas. O responsável pelas obras de restauração foi o arquiteto e diretor executivo do IEPHA/MG  Luciano Amédée Péret e o projeto de  ajardinamento na Praça da Basílica a cargo de Roberto Burle Marx  ( fotos : Péret e Burle Marx no Santuário de Congonhas).  
As obras de restauração do Conjunto Arquitetônico e o novo Jardim dos Passos foram concluídas em junho de 1974. 

A década de 70, portanto,  foi marcada  pela atuação conjunta de dois grandes especialistas, para preservar a imponência da arquitetura, arte e beleza do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, reunindo  a obra prima de Aleijadinho e constituindo-se em um museu a céu aberto.



                                         Roberto Burle Marx e Luciano Amédée Péret
     supervisionando as obras de restauração do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos  
                                              foto: Assis Alves Horta  ( 1973)


No próximo artigo sobre este tema leia mais informações e veja mais fotos das obras da 2ª grande restauração do Santuário de Congonhas (1973-1974).



   Em 1985, o conjunto arquitetônico  e escultórico do Santuário do Bom Jesus de Matozinhosfoi           elevado pela Unesco a Monumento Mundial e Patrimônio Histórico da Humanidade.

                                                                                
    Capelas de Congonhas e a Basílica do Bom Jesus
         de Matozinhos ao fundo  -   foto: wiki.org  



Fontes:

- Acervo Luciano Amédée Péret

-iphan.gov.br

 - htp;//repositório.ufla.br . Evolução Histórico Cultural e Paisagístico da Praça da Basílica de Bom Jesus de Matosinhos, Congonhas-MG. Dissertação  de Mestrado de Luiza de Castro Juste. Universidade Federal de Lavras. 

wikipedia.org/wiki/congonhas



domingo, 4 de janeiro de 2015

Reação esperada da mídia, contra a regulação, para manter o monopólio

 
 
 
A mídia já perdeu o debate sobre regulação econômica
 
Autor: Miguel do Rosário (Tijolaço)

Ninguém jamais pensou que a mídia e seus braços partidários ficariam calados quando o governo resolvesse iniciar um debate sobre a regulação econômica da mídia.
É inegável que a regulação econômica da mídia mexe com uma questão de poder.
Poder e dinheiro.
No Brasil, poder e dinheiro tem nome: Globo.
Os Marinho, donos da Globo, são a família mais poderosa e rica do país.

Uma soma de Berslusconi com Rupert Murdoch.
Só que muito pior.
Murdoch não construiu seu império numa ditadura nascida de um golpe articulado e apoiado por ele mesmo, uma ditadura que lhe franqueou acesso a crédito ilimitado, leis favoráveis e perseguição aos concorrentes.
A ditadura brasileira trabalhou meticulosamente para aniquilar, comercial e fisicamente, todos os concorrentes da Globo.
Todos os jornalões hoje, como Folha, Estadão e Correio Braziliense, se tornaram meio que filiais informais da Vênus.
A prova disso é que ninguém repercutiu a notícia sobre a sonegação da Globo.
No mundo inteiro, escândalos de sonegação são tratados com tanta gravidade quanto escândalos de corrupção.
Aqui, não.
Imagina se um jornal qualquer iniciasse uma sequencia de matérias com o chapéu “Escândalos em série”, cujo núcleo seria o escândalo de sonegação da Globo?
Seria perseguido e destruído pelos barões.
A blogosfera consegue sobreviver porque se move como que numa outra dimensão, a virtual.
O elefante da mídia sente a comichão nos pés, apavora-se, mas não vê as formiguinhas. Nem consegue matá-las esmagando-as, porque elas correm livremente por entre as fendas de suas patas gigantes.
E agora, essa histeria contra a simples proposta do governo de iniciar um debate democrático!
E ainda falam em “liberdade de expressão”!
A Globo está devorando a cultura nacional.
Os únicos filmes nacionais que tem ganhado espaço nos cinemas são da Globo Filmes e com atores da Globo.
Tudo produzido com verba pública, claro.
Pensando bem, é um ótimo sinal o que está acontecendo.
O debate já começou.
De um lado, os sicários do monopólio, os filhotes da ditadura, os advogados da manipulação, os lacaios dos barões da mídia. Seus representantes: Eduardo Cunha, Aloysio Nunes, a filha de Roberto Jefferson, de um lado.
De outro, a democracia, representada por todos os movimentos sociais, todas as organizações populares, todos os sindicatos.
Não há uma organização popular no Brasil que não veja, hoje, a regulação econômica da mídia como uma questão estratégica para o aprimoramento da nossa democracia.
Ah, e pelas ruas também. Nas “jornadas de junho”, não havia multidão gritando “viva a Globo!”, e sim “Fora Globo”. Os chamados movimentos “não-organizados” também são a favor da democratização da mídia.
Politicamente, eles – a turma do monopólio – já perderam essa luta.
O desespero com que, agora, tentam fugir do mero debate sobre o tema, é maior prova de sua derrota.
Agarram-se, pateticamente, ao derradeiro osso: os recursos públicos de publicidade institucional – federais, estaduais e municipais.
Quando convencermos o governo que não faz sentido, numa democracia, cevar a família mais rica do país com dinheiro público, será o começo do fim da farra do monopólio.
E será início de uma era de legítima liberdade de expressão no país, com uma imprensa crítica de verdade, não uma imprensa que finge ser crítica para beneficiar seus amigos e chantagear os governos, visando manter intacta uma hegemonia consolidada no regime militar.



Reação sintomática à regulação da mídia
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:
 
Menos de 72 horas depois da posse de Ricardo Berzoini no ministério das Comunicações, o esforço do governo Dilma para colocar o debate sobre a democratização da mídia na ordem do dia começa a dar os primeiros frutos.
 
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), candidato a vice presidente na chapa derrotada de Aécio Neves, foi obrigado a entrar na briga. O eleitor aplaude e o país agradece. Poderá comparar opiniões e projetos diferentes e até opostos.
 
Verdade que, sem sacrificar o espírito combativo que é sua marca o senador poderia ser mais preciso em suas palavras.
 
Aloysio Nunes chama o debate sobre a democratização da mídia de “tentativa criminosa” de controlar o trabalho dos jornalistas. Diz que é uma ameaça a “liberdade de expressão,” cuja defesa define com a “prioridade das prioridades.”
 
A verdade é que todo mundo tem o direito de pensar como quiser mas é difícil entender o que pode haver de criminoso no esforço de cumprir, por exemplo, o artigo 220 da Constituição federal. Ali se diz,  em seu parágrafo segundo, que é “vedada toda censura política, artística ou religiosa.” No mesmo artigo, apenas dois parágrafos adiante, se afirma que os meios de comunicação “não podem ser objeto de monopólio ou de oligopólio?”
 
O que pode haver de criminoso nesse debate?
 
Com estes artigos,  os constituintes de 1988 apenas definiram uma verdade fundamental para o destino do país: sem pluralidade, sem expressar o debate de ideias das várias camadas da sociedade,  não se consegue cumprir o parágrafo que proíbe a censura.
 
Esta é o ponto — e daí vem a importância de uma discussão que não começou ontem.
 
Há menos de um mês o jornalista João Paulo Cunha foi forçado a pedir demissão do jornal Estado de Minas. Seu crime? Escrever um artigo crítico sobre a postura de Aécio Neves após a derrota na eleição presidencial. O caso é lamentável, mas está longe de constituir uma novidade.
 
Em 1982, o genial Millor Fernandes deixou a revista VEJA porque não abria mão de fazer imagens favoráveis a Leonel Brizola, um  velho inimigo da casa. Pouco depois, o mesmo aconteceu com outro gênio, Henfil, esvaziado na  ISTOÉ depois que passou a defender o boicote ao Colégio Eleitoral que iria escolher — por via indireta — o governador Tancredo Neves para presidente da Republica. A lista de censurados e excluídos é longa — basta consultar os arquivos.
 
E olhe que estamos falando de casos simbólicos, que ajudam a ter uma ideia de um fenômeno geral.
O foco no debate sobre a democratização da mídia nem envolve jornais nem revistas — mas emissoras de rádio, TV e demais concessões públicas, onde o controle de opinião e da informação é ainda mais rigoroso, o acesso mais exclusivo e fechado.
 
Ninguém quer retirar a liberdade de expressão de quem já tem. O que se quer é que os excluídos tenham um  lugar para se expressar. Isso porque a liberdade não é um discurso — mas uma prioridade, mesmo. Na dúvida, cabe perguntar se é inaceitável viver num país onde, conforme o levantamento do Manchetômetro, a candidata Dilma Rousseff recebeu, na campanha de 2014, 25 notícias negativas para 1 positiva.
 
Isso é liberdade? Democracia?
 
O debate envolve ampliar a liberdade — ou manter um regime para os privilegiados e seus amigos de sempre.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Jaques Wagner defende demarcação de terras indígenas


Por Alex Rodrigues
Da Agência Brasil 
Ex-governador da Bahia, cargo que ocupou até essa quarta-feira (31), o novo ministro da Defesa, Jaques Wagner, defendeu no dia 2 de janeiro a demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença como forma de amenizar a tensão entre não índios do sul da Bahia e as comunidades indígenas que exigem a demarcação do território que dizem ter pertencido a seus antepassados.
“No sul da Bahia, o caso ganhou transtornos complicados porque o Ministério da Justiça ainda não registrou sua posição. Não quero dizer que fulano ou sicrano tem culpa – até porque, tenho sempre trabalhado em sinergia com o ministro José Eduardo Cardozo e com a Funai [Fundação Nacional do Índio]. Mas, em política, a pior decisão é a que não se toma”, declarou Wagner durante a cerimônia de transmissão de cargo, realizada pela manhã, em Brasília.
A área que os índios reivindicam mede 47.376 hectares (1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial) e abrange parte do território das cidades de Buerarema, Ilhéus e Una. Reivindicada pelos índios há décadas, foi identificada e delimitada pela Funai em 2009. Para a conclusão do processo demarcatório, o Ministério da Justiça precisa expedir a portaria declaratória, reconhecendo a área como território tradicional indígena. Por fim, é necessário que a Presidência da República homologue a decisão.
“É preciso que saia uma demarcação. E quem se sentir desconfortável irá à Justiça. Não tendo uma decisão, a tensão tem aumentado, pois as pessoas não sabem quais seus direitos”, acrescentou o ministro, referindo-se à ocupação de fazendas pelos índios e aos confrontosregistrados com maior intensidade entre o final de 2013 e o primeiro semestre de 2014. Na época, a pedido de Wagner, então à frente do Poder Executivo baiano, o Ministério da Justiça enviou para a região integrantes da Força Nacional de Segurança Pública a fim de reforçar a segurança em cidades com Buerarema.
Procurado para comentar o assunto, o Ministério da Justiça não havia respondido até o momento da publicação desta matéria.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

No Maranhão começa uma era de direitos, e não mais de favores, afirma Flávio Dino


Consagrando uma vitória histórica, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi empossado para o cargo em cerimônia na Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (1º), em São Luís. 


Flávio Dino assume o governo do Maranhão, colocando fim a 50 anos de governo da família Sarney.Flávio Dino assume o governo do Maranhão, colocando fim a 50 anos de governo da família Sarney.
Em entrevista coletiva ao chegar no Palácio dos Leões, Flávio Dino manifestou a importância daquele momento para o povo do Maranhão. “Hoje é um momento muito especial, porque foi uma luta muito profunda do nosso povo em nome da esperança. Vamos fazer um governo bom, limpo, honrado e honesto, com uma política baseada no diálogo e na conversa”, expressou o governador.
Flávio Dino assume o governo do Maranhão colocando fim a 50 anos de governo da família Sarney. Seu compromisso é promover profundas mudanças no estado e já no seu discurso de posse deu a tônica de sua gestão ao anunciar a criação de um programa de combate à extrema pobreza por meio da lei de criação do Mais Bolsa e Família e Educação, além de projetos de incentivo à Agricultura Familiar e de promoção da transparência e controle das contas públicas.

Da sacada do Palácio dos Leões, Flávio Dino assina primeiros atos

Convocação de aprovados da PM, ampliação do Bolsa Família e eleição diretas para diretor de escola são alguns dos dez decretos anunciados pelo governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), durante sua posse nesta quinta-feira (1º).


Francisco Campos
Multidão ocupou frente da sede do governo para saudar o governador Flávio Dino.Multidão ocupou frente da sede do governo para saudar o governador Flávio Dino.
Ações centradas na melhoria de índices sociais e econômicos foram algumas das primeiras medidas anunciadas pelo governador Flávio Dino, logo após a cerimônia de transferência de cargo no Palácio dos Leões. Algumas delas foram anunciadas por meio de decretos e entram em vigor nesta sexta-feira (2).

O primeiro dos decretos institui o plano de ações Mais IDH e seu respectivo comitê gestor. A medida é uma das ações anunciadas durante a campanha e tem por objetivo promover a superação da extrema pobreza e das desigualdades sociais no meio urbano e rural, por meio de estratégia de desenvolvimento territorial sustentável. O plano terá como foco inicial as populações dos 30 municípios maranhenses com piores indicadores de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Outro decreto institui uma comissão especial com o fim de tratar da alienação da casa de veraneio do governador, situado na Praia de São Marcos, em São Luís. A comissão será formada por um membro da secretaria de estado da Gestão e Previdência; um membro da Casa Civil; um procurador do estado do Maranhão.

Programa Escola Digna

Na educação, foi instituído o programa Escola Digna com o objetivo de propiciar, às crianças, jovens, adultos e idosos atendidos pelo Sistema Estadual de Ensino e pelo Sistema Público de Ensino dos Municípios, o acesso à infraestrutura necessária para suas formações como cidadãos livres, conscientes e preparados para atuar profissionalmente nos mais diversos campos da atividade social. Dentre as medidas do programa, está a construção de equipamentos necessários à substituição das escolas de taipa, palha, galpões e outros espaços devidamente certificados como inadequados.

Ainda na área de educação, um outro decreto dispõe sobre o processo de eleições diretas para as funções de gestão escolar nas unidades de ensino da rede pública estadual.

Na área de saúde, um decreto instituiu a Força Estadual da Saúde do Maranhão (Fesma), programa de cooperação voltado à execução de medidas de prevenção, assistência e combate a situações de risco epidemiológico. O foco inicial de atuação da força estadual terá as seguintes prioridades: mortalidade infantil; mortalidade materna; diabetes; hipertensão; saúde das populações indígenas e grupos com maior vulnerabilidade.

Em relação à segurança pública foi anunciada a convocação de mil candidatos aprovados na primeira fase do concurso público de soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiro Militar, para o Teste de Aptidão Física (TAF).

Na mesma área foi criada uma comissão especial para elaboração de proposta visando à revisão das regras de ingresso, lotação, transferência e promoção dos membros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar. A representação judicial de membros das polícias Civil, Militar e Corpo de Bombeiros pela Procuradoria Geral do Estado também será autorizada, mas por meio de medida provisória.

Respeito à história

Um outro decreto dispõe sobre a denominação de logradouros e prédios públicos sob o domínio ou gestão estadual, sendo proibido o uso de nomes de pessoas vivas ou que estejam inseridas no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, como responsáveis por crimes cometidos durante a ditadura militar.

Também foi constituída uma comissão para apurar a regularidade do pagamento do precatório que tem como credor a empresa Constran. A comissão será formada por membros da Secretaria de Estado de Transparência e Controle, Procuradoria Geral do Estado e Casa Civil.

A criação do Conselho Empresarial do Maranhão (Cema) também será realizada por meio de decreto. O órgão de assessoramento direto do governador tem por finalidade debater e propor diretrizes específicas voltadas à promoção do desenvolvimento econômico do Maranhão, com a articulação das relações entre o governo e representantes da iniciativa privada.

Projetos de lei

Além dos decretos e medida provisória, foram anunciados projetos de lei, dentre eles o que dispõe sobre o programa estadual Mais Bolsa Família-Escola, que consiste na transferência direta de recursos para aquisição de material escolar às famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família, que tenham em sua composição crianças e adolescentes com idade entre quatro e 17 anos matriculados em escolas públicas.

Um outro projeto de lei que será encaminhado à Assembleia Legislativa dispõe sobre a Gratificação de Incentivo de Desempenho da Gestão Escolar. O último PL anunciado pelo governador Flávio Dino dispõe sobre a formação da equipe de transição de governos, que para propiciar condições para que o candidato eleito para o cargo de governador possa receber de seu antecessor todos os dados e informações necessários à implementação de seu programa de governo, inteirando-se do funcionamento dos órgãos e entidades que compõem a administração, permitindo ao eleito a preparação dos atos a serem editados após a posse.

 

 



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

¨Não vamos governar trancados nos gabinetes¨, diz Pimentel ao assumir o governo de MG

Posse do novo governador foi realizada  na Assembleia Legislativa. Criação de conselhos populares regionais e balanço do estado são prioridades. ¨Não se trata  de uma mera auditoria de contas públicas. É algo maior e muito mais importante até. É uma explicitação do ponto de onde estamos partindo, como sociedade, em termos econômicos, sociais, de desenvolvimento e também, claro, das finanças¨, disse ele. 
 
 Com o colar da Inconfidência, o novo governador de Minas saúda os mineiros no Palácio da Liberdade (Foto: Pedro Ângelo/G1)
 Com o colar da Inconfidência, o novo governador de Minas saúda os mineiros no Palácio da   Liberdade
 
 
Pimentel: Os cidadãos são os verdadeiros donos do poder em Minas 
 
Do viomundo.com.br:
 
 
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Pimentel: “Cidadãos são os legítimos donos do governo”
 
da Assessoria de Comunicação do PT-MG, via e-mail
 
Belo Horizonte (1º de janeiro de 2015) - O governador Fernando Pimentel (PT) defendeu um governo aberto e participativo em seu discurso de posse hoje, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo o governador, cidadãos são os legítimos “donos do governo”. A solenidade de posse teve a participação especial do cantor Flávio Renegado, que cantou o Hino Nacional.
 
Bastante emocionado, Pimentel reafirmou que pretende imprimir a participação popular como principal característica de seu governo. “O governo é de todos e deve servir a todos, sem privilégios, com equilíbrio, sem domínios e sem encastelamentos. Quanto mais o estado se abre, mais ele se fortalece, pois torna-se controlado por seus únicos e legítimos donos: os cidadãos”, garantiu.
 
De acordo com o governador, o grande desafio do estado é reformular a maneira de governar, tirando a administração do isolamento e rompendo com “essa política analógica e antiquada”. Pimentel também defendeu a ampliação de parcerias entre governo e empreendedores. “Contem com um governo parceiro. Quanto mais fortalecida a economia, mais forte o estado”.
 
Em seu discurso, o governador anunciou a criação de um núcleo executivo que irá apresentar, dentro de 90 dias, um balanço sobre a real situação do estado. Ainda de acordo com ele, esse núcleo irá divulgar anualmente balanços de todas as áreas do Executivo para “tornar o estado mais auditável” e auxiliando na elaboração de metas e projetos para cada região de Minas Gerais. “Para isso, vamos contar com a contribuição de empresas e instituições reconhecidas para fazer uma avaliação precisa e objetiva sobre a situação do nosso estado. Não se trata de auditoria de contas públicas, mas de algo muito maior. Será uma explicitação do ponto do qual estamos partindo como sociedade”, declarou.
Ao final de seu pronunciamento, Pimentel disse que quer entrar para a história como o “governador da participação popular”. “Conclamo a todos a participarem ativamente da nossa construção de futuro. Confesso que só poderei me sentir verdadeiramente realizado se conseguir tornar esse o governo da participação. Quero ser lembrado como aquele que deixou uma forma de governar mais aberta e participativa. Que Deus nos proteja e ilumine nessa tarefa”, disse.
 
Os secretários de governo de Fernando Pimentel também prestigiaram a cerimônia e falaram sobre os desafios e as prioridades estabelecidas pelo governador em cada área. A valorização do funcionalismo público, com destaque para os professores, é a meta da nova secretária de Educação, Macaé Evaristo. “Existe uma expectativa do povo mineiro e sabemos que precisamos trabalhar na valorização dos professores, da nossa educação. Espero que possamos fazer um bom trabalho alinhado ao governo federal”, disse.
 
Paulo Guedes, que vai comandar a secretaria de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais, destacou a importância do governo realizar um grande trabalho para integrar todas as regiões do estado. “A secretaria tem esse papel. Meu trabalho vai ser unificar essas regiões para melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano IDH), gerar empregos e oportunidades”.
 
Um dos coordenadores da equipe de transição, Marco Antonio Resende, é o novo secretário da Casa Civil. Além da qualidade, a integração da nova equipe vai ser um ponto positivo na construção do governo de Fernando Pimentel. “Vamos partir com uma equipe coesa com o governador no sentido de dar ao estado as respostas que a população precisa”. Responsável por presidir a cerimônia, o deputado Dinis Pìnheiro (PP) falou sobre a integração entre os poderes e parabenizou Fernando Pimentel por sua eleição.  
                                                                                                             
 ******
Íntegra do discurso do governador Fernando Pimentel na cerimônia de Transmissão de Cargo
do site da Agência Minas
 
A minha primeira palavra hoje para cada um de vocês aqui é obrigado, muito obrigado!
Se hoje assumo a missão de governar o nosso Estado pelos próximos quatro anos é porque o povo mineiro me trouxe até aqui.
 
E devo agradecer essa confiança que eu recebo com gratidão, mas também com enorme senso de responsabilidade. Obrigado mineiros e mineiras por sonharem junto comigo um Estado mais integrado, mais próspero, mais justo.
 
Obrigado a todos. Aos mais próximos. Aos meus familiares que estão aqui, minha irmã, meus filhos, Mathias e Irene, minha querida Carol, meus companheiros de militância, meu amigo e vice-governador Antônio Andrade, a todos que se empenharam pelo resultado que hoje celebramos, mas também obrigado aos mineiros e mineiras das regiões mais distantes que se uniram a nós e construíram esse triunfo que não é pessoal, mas é, sim, uma conquista coletiva, um governo eleito pelo anseio de participação de todos os mineiros e de todas as mineiras. Obrigado por compartilharem comigo seus desejos e suas esperanças. Nós estamos juntos nessa caminhada e assim continuaremos nesses próximos quatro anos, se Deus quiser.
 
Meus amigos e minhas amigas, os governos normalmente se definem e definem seu lugar na história pelos avanços que conseguem conquistar. São as transformações concretas, os benefícios palpáveis, as mudanças reais e objetivas para melhorar a vida das pessoas que constituem a marca de qualquer gestão, mas os governos possuem também aspectos simbólicos e o primeiro simbolismo dessa jornada, que agora se inicia, eu quis enfatizar com a minha própria chegada nessa cerimônia.
Não chego sozinho a este que é o mais honroso posto que um mineiro pode aspirar, o de representante da nossa querida Minas Gerais. Fiz questão de chegar a esse palácio, cruzando a Praça da Liberdade, ao lado de mineiros e mineiras de todas as regiões, de diferentes credos, de diferentes etnias e classes sociais.
 
Mineiros que foram ouvidos, que participaram ativamente da construção desse novo caminho que hoje se inicia, que compartilharam seus conhecimentos e suas experiências comigo. Mas, sobretudo, que desejam que essa terra seja mais generosa, mais aberta, mais carinhosa com nosso povo. Esperam de nós, homens públicos, retidão, presença e compromisso. Esperam um governo que seja realmente de todos.
 
Mais do que um gesto simbólico, nessa caminhada, eu assumo a posição para qual fui eleito lado a lado com esses mineiros e mineiras que representam todos os filhos da nossa terra. À dona Lavínia que está aqui, que veio lá do Norte, lá do São Francisco, quero dar a minha palavra de que seremos mais presentes e atenciosos com a região dela. Está aqui conosco a Kelly, do Aglomerado da Serra, e eu quero levar para ela e para todos o meu compromisso de levar aos bairros mais necessitados do nosso Estado, de todas as cidades, soluções para que todos tenham uma casa digna e o respeito que merecem. Está aqui conosco seu José Mário, produtor de queijo lá na Serra da Canastra, não é seu José Mário? Tivemos juntos lá. Quero garantir a ele, e ele tem que ter a certeza de que os produtores rurais do nosso Estado terão um governo que vai honrar a atividade deles.
 
A todos os mineiros e a todas as mineiras o compromisso nosso, meu e do Antônio Andrade, de que serão ouvidos sem nenhum tipo de discriminação. Eu disse na campanha e quero repetir aqui e agora, Minas Gerais não tem dono, não tem rei, não tem imperador. Engana-se quem imagina que pode subordinar a vontade dos mineiros. Soberano nessa terra é o povo que aqui habita e que faz desse Estado o coração do Brasil. Por isso, cheguei a essa solenidade da mesma forma com que percorri, eu e o Antônio Andrade, todo o Estado ao longo dessa campanha memorável de 2014, com humildade, com dedicação, ouvindo meus conterrâneos e caminhando, lado a lado, com todos os mineiros e mineiras.
 
Tenho a consciência de que o povo de Minas não escolheu uma pessoa, mas sim um ideal, o de um Governo mais próximo às pessoas, um governo do nós e não do eu, um governo de todos.
Meus amigos e minhas amigas, essa sacada aonde eu estou não é um ponto de chegada, não é um ponto de partida, não é trampolim para lugar nenhum. Esse é apenas mais um passo de uma caminhada longa, mais uma etapa da jornada que começou muito antes de nós e que não vai se encerrar conosco.
 
Portanto, aqui e agora, vamos render nossas homenagens a todos aqueles que lutaram por Minas e pelo Brasil, e que se sacrificaram pela liberdade, pela democracia e pelos Direitos Civis. Que a memória e o exemplo desses heróis nos inspirem na busca sempre, permanente, de um Governo aberto, democrático e participativo, que não ficará trancado nos gabinetes e nem será refém de planilhas e de números, um Governo de todos.
 
Ao longo desse ano nós repetimos diversas vezes e vou dizer de novo aqui: as ruas sabem muito mais do que os gabinetes. E a grande mensagem do povo mineiro nessas eleições foi de que todos somos iguais, todos temos o direito de participar, todos queremos e iremos influenciar as decisões do Governo. Nesse início do século XXI, o mundo atravessa grandes transformações, a sociedade está conectada e as pessoas nas redes sociais, em casa, no trabalho, nas escolas, possuem ferramentas tecnológicas que permitem expressar cada vez mais o que elas querem. Está todo mundo ávido por participar. Por isso, a forma de Governo tem que mudar. A mudança não é apenas a posse de um novo governador, mas é a criação de um novo conceito de governar.
 
O Governo do novo, do contemporâneo, do mundo em que vivemos não é aquele governo que se escora e se esconde atrás de castas sejam elas tecnocráticas, sejam elas do poder econômico. Um governo do novo é o que se reinventa e tem como premissa fundamental a de ouvir mais, de se abrir mais e de empodeirar os únicos e verdadeiros donos do poder, os cidadãos e as cidadãs de Minas Gerais.
 
Quero ser o governador que não será uma voz, mas, sim, um porta-voz, um porta-voz da vontade popular. Para isso, vamos criar e fortalecer canais de participação, de comunicação, de interferência e de influência nas decisões de poder. O governo do novo, o governo que queremos tem que atuar como uma grande e pulsante plataforma interligada interativamente com as pessoas.
 
Essa é a minha missão, esse é o meu compromisso: menos poder para o governo, mais poder para as pessoas. Menos poder para poucos, mais poder para todos. O futuro das pessoas não tem que estar nas mãos, às vezes arbitrárias, dos governos. Os governos é que têm que estar nas mãos das pessoas, através de soluções tecnológicas, de processos políticos que garantam a participação de todos e deem forma a esse desejo coletivo de colaborar e de participar.
 
Meus amigos e minhas amigas, eu quero reafirmar agora, nesse momento, os compromissos da jornada eleitoral que empreendemos juntos, eu e meu vice-governador, companheiro e amigo, Antônio Andrade. Faço, em nosso nome, mas também em nome de todos os que acompanharam essa coligação vitoriosa. Assumo o compromisso de valorizar e dialogar com o funcionalismo público do Estado. Assumo o compromisso de transformar os hospitais regionais não em projetos de propaganda, mas em equipamentos úteis em todas as regiões, e de expandirmos o atendimento médico para toda a população. Assumo a meta de levar escolas infantis e ensino técnico para todo o Estado. Assumo a tarefa de aumentar a eficiência e a eficácia do nosso aparato de segurança. Assumo o compromisso de dialogar, de forma transparente e republicana, com todos os prefeitos e ajudá-los na busca por soluções para suas cidades. Assumo, enfim, este que é o maior desafio da minha vida pública, consciente de que não é possível fazer tudo, mas com a determinação de fazer tudo que for possível.
 
Nós sabemos que vamos enfrentar uma quadra difícil em nosso país, em nosso Estado. Mas eu quero aqui renovar as minhas mais profundas esperanças em nossa terra, em Minas e no Brasil. Nessa manhã, ainda há pouco, na Assembleia Legislativa, mencionei a admirável construção política e sólida que foi Minas Gerais, construída a nossa terra, nosso território, nosso Estado. Nós não somos apenas Minas, mas também não somos só as Gerais. Nós somos um todo, porque somos Minas Gerais e Minas Gerais sempre foi maior do que os indivíduos.
 
Minas Gerais sempre foi mais forte quando assumiu e colocou o interesse de seu povo acima de qualquer outro. Quero iniciar uma nova etapa, a de um governo de todos para o bem de toda Minas Gerais. E mais do que nunca, eu vou contar e preciso contar com o apoio da nossa gente para compartilhar essa tarefa histórica: transformar nosso Estado em uma terra cada vez mais justa, mais próspera, mais solidária e mais fraterna.
 
Vamos todos juntos fazer o governo de todos e que Deus nos ilumine e guie nossos passos.
 
Viva Minas Gerais!
 
Muito obrigado!